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Piscicultura tem perspectiva de crescimento, mas também enfrenta gargalos

Atividade tem perspectiva de dobrar a produção em cinco anos, mas custos de produção e escassez hídrica podem conter o avanço do setor.

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Foto: Arquivo/Jonathan Campos/AEN

Há 20 anos, quando Neocindo Lazarotto começou a cultivar tilápias em Sertaneja, no Norte do Paraná, a piscicultura ainda estava longe de ser uma cadeia estruturada no Estado. Com o desenvolvimento da atividade nos últimos anos, o empreendimento aumentou, acompanhando o avanço do setor. Hoje, o piscicultor mantém 240 tanques-rede instalados na Represa Capivara, com produção média de 200 toneladas por ano: volume cinco vezes maior ao produzido no início do negócio. E as projeções são positivas. De olho em novas oportunidades, Lazarotto prevê ampliações, com novo aumento de produção.

Lazarotto (à direita) planeja aumentar a produção – Fotos: Divulgação/Faep/Senar-PR

“Nos últimos seis anos, a tilápia passou a ter uma aceitação extraordinária no mercado e o setor se estruturou”, aponta Lazarotto. “Aqui na região, um dos frigoríficos está investindo mais de R$ 7 milhões em ampliações, integrando a produção. Além disso, as exportações têm aumentado, abrindo mercados nos Estados Unidos e na China. Tudo isso cria boas perspectivas para os produtores e justificam os investimentos”, reforça.

Longe de se tratar de uma exceção, as perspectivas e o entusiasmo manifestado por Lazarotto dão o tom das projeções para o setor como um todo. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) estima que em cinco anos a piscicultura paranaense dobre sua produção, crescendo a uma média de 20% ao ano. Se os prognósticos se concretizarem, o volume de peixes cultivados no Paraná saltará de 188 mil toneladas para 376 mil toneladas até 2027. Hoje, o Estado produz mais de um terço dos peixes de cultivo criados no país.

“É uma cadeia ainda pequena em comparação com a soja, mas com um enorme potencial de crescimento. O peixe é uma proteína nobre, que tem tido uma procura cada vez maior. Hoje, a piscicultura paranaense gera cerca de R$ 1 bilhão por ano. A nossa projeção é de que a atividade passe a movimentar R$ 2 bilhões dentro de quatro anos”, aponta Edmar Gervásio, especialista do Deral que acompanha a cadeia.

Alguns fatores explicam a hegemonia paranaense quando se fala em peixes de cultivo. Para o presidente da Comissão Técnica (CT) de Aquicultura do Sistema FAEP/SENAR-PR, Edmilson Zabott, o Paraná saiu na frente por ter sido o primeiro a apostar na produção de tilápia em escala significativa. Além disso, a piscicultura se adaptou bem às condições de produção do Estado, principalmente nas regiões Oeste, Noroeste e Norte. O clima propício, com períodos curtos de frio, favorece o cultivo de peixes em pequenas e médias propriedades, coexistindo com outras atividades agropecuárias.

“A piscicultura se consolidou dentro de uma visão de diversificação. O produtor aproveita áreas que, por exemplo, não são agricultáveis e instala os tanques, criando uma nova oportunidade de negócio. O Paraná é, hoje, o grande mestre nessa produção”, disse Zabott. “No começo da década de 1990, a Emater trouxe a tilápia como oportunidade. E com a vocação e a coragem dos produtores em desenvolver novas cadeias, começamos a nos destacar”, contextualiza.

As cooperativas tiveram papel fundamental no desenvolvimento da atividade, na medida em que ajudaram a estruturar e estimular a cadeia e, por meio da instalação de frigoríficos que abatem e processam os peixes. A C. Vale, localizada em Palotina, no Oeste, deu início ao sistema de integração para produção de tilápias há quatro anos e hoje processa 100 mil unidades por dia, fornecidas por mais de 200 cooperados. A região Oeste responde por 70% da produção estadual, principalmente nos municípios de Nova Aurora, Toledo e Palotina – os três maiores produtores do país.

“A região Oeste foi a pioneira e as cooperativas deram o grande impulso. Primeiro, veio a Copacol, que instalou o primeiro frigorífico, depois a C. Vale e, em seguida, outras empresas do ramo”, disse Zabott. “A tendência é de que as cooperativas capitaneiem o crescimento da cadeia, a partir de um modelo de integração, como é o de aves e suínos”, aponta Gervásio.

Tecnologia

Para os especialistas, o crescimento também deve ser catapultado com a intensificação do uso de tecnologia. Cada vez mais, os produtores investem na melhoria de processos de manejo, no fluxo de alimentação, em sistemas mais modernos – de recirculação de água e de aeração, por exemplo – e em sanidade. Tudo isso deve ampliar a produtividade, ou seja, a capacidade de produzir mais peixes e com peso maior em um mesmo espaço, promovendo mais um salto da atividade.

Renata Sanches e Valério Angelozi apostam em tecnologia na produção

Apostando na tecnologia, o casal Valério Angelozi e Renata Sanches, de Primeiro de Maio, no Norte do Paraná, há 15 anos, começou a cultivar tilápias em tanques-rede. Desde 2015, Angelozi e Renata se dedicam exclusivamente à criação de juvenis: recebem os alevinos com 1 grama e os repassam, um mês depois, com 15 gramas a piscicultores voltados à fase de engorda. Todos os animais são classificados e imunizados, por meio de vacinas injetáveis.

“Nosso produto é tecnificado, com uma ênfase no aspecto sanitário, um dos problemas da piscicultura. Na fase inicial de vida, os peixes costumam ter muitas doenças e há muitas perdas. Os nossos clientes têm essa preocupação, de pegar animais já imunizados, com análise e acompanhamento veterinários”, explica Angelozi. “No ciclo 2022/2023, vamos aumentar a produção para mais de 3 milhões de unidades, a partir da abertura de mercado nas regiões Oeste do Paraná e de São Paulo”, acrescenta.

Com investimento em tecnologia e genética, Lazarotto também melhorou a conversão da alimentação e reduziu em um mês o período em que os peixes permanecem na engorda. “Conseguimos alevinos que vão dar uma tilápia com a cabeça e a parte traseira um pouco melhores. Com isso, temos um animal mais voltado ao rendimento do filé. Hoje, eu compro um juvenil com 30 gramas e retiro em sete meses, com 850 gramas”, diz o piscicultor.

O técnico do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR que acompanha a cadeia, Alexandre Lobo Blanco ressalta o cuidado que o produtor precisa ter com a questão sanitária e a ênfase em genética. Ele sugere, por exemplo, que o piscicultor pesquise o histórico do fornecedor de alevinos, preferencialmente, fazendo visitas às instalações. “É imprescindível que se tenha cuidados sanitários. Uma doença pode fazer com que o piscicultor tenha que esvaziar o tanque, fazer o tratamento do fundo de viveiro e enchê-lo de novo. Nisso, ele perde o lote, sem falar no custo de manejo e no tempo de criação”, aponta.

Fonte: Ascom Faep/Senar-PR
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Notícias

Resistência bacteriana é tema de palestra de Jalusa Kich no 14º SBSS

Simpósio Brasil Sul de Suinocultura acontece entre os dias 16 a 18 de agosto, presencialmente, em Chapecó (SC), com transmissão on-line ao vivo. Palestra da pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves será no segundo dia do evento

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Jalusa Kich palestrará sobre resistência bacteriana no Painel Sanidade - Foto: Divulgação

O debate sobre o uso de antimicrobianos está cada vez mais em evidência e estará presente no 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que acontece entre os dias 16 a 18 de agosto, presencialmente, em Chapecó (SC). Os antimicrobianos têm sido utilizados na produção animal para tratamento de doenças por mais de 50 anos. Porém, o uso excessivo tem gerado uma preocupação mundial em diversos países, incluindo o Brasil, que buscam a redução do seu uso.

Uma das inquietações é a resistência antimicrobiana, o que fundamentou o consenso global para rever o uso dessas moléculas na produção animal. A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Jalusa Deon Kich, abordará o tema na palestra “Resistência bacteriana: uma pandemia silenciosa!”, no dia 17 de agosto, às 17h05, no Painel Sanidade do 14º SBSS.

Jalusa é médica veterinária, mestre e doutora pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com pós-doutorado na Unidade de Segurança dos Alimentos e Patógenos Entéricos do USDA. Possui experiência em medicina veterinária preventiva e segurança dos alimentos. Tem conduzido projetos de pesquisa em cooperação com universidades, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e empresas privadas. Apoia o MAPA em assuntos relacionados à segurança da carne suína e resistência antimicrobiana na suinocultura em demandas nacionais e internacionais como Codex Alimentarius e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Atualmente, Jalusa lidera o projeto “Estudos sobre o uso de antimicrobianos na suinocultura como subsídio para o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos (PAN-BR Agro)” e orienta mestrado profissional com dissertações focadas no mesmo tema.

O presidente da Comissão Científica do SBSS, Paulo Bennemann, ressalta que o debate sobre a utilização de antimicrobianos na criação animal é um tema atual e importante. “Entidades reguladoras orientam e cobram a redução do uso. Tanto o Brasil quanto diversos outros países têm adotado caminhos para cumprir essas obrigações. Entender esses processos e o impacto do uso dos antimicrobianos é fundamental. A Jalusa tem ampla experiência no assunto, está à frente de grandes discussões no cenário nacional e com certeza contribuirá com seu conhecimento”.

Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

O 14º SBSS ocorrerá entre os dias 16 e 18 de agosto próximo. Paralelamente acontecerá a 13ª Brasil Sul Pig Fair. O evento é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e será realizado presencialmente no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC), com transmissão on-line ao vivo. A programação científica iniciará na terça-feira (16), às 14 horas, e a palestra de abertura ocorrerá no mesmo dia, às 18h40. Na quarta-feira (17), as palestras iniciam às 8 horas e encerram no fim da tarde, seguidas de happy hour. Na quinta-feira (18), a programação será das 8h às 12 horas.

Inscrições

As inscrições para o 14º SBSS estão no segundo lote. O investimento, até hoje (10), é de R$ 530 para o evento presencial e R$ 440 para o evento virtual para profissionais e R$ 400 (presencial) e R$ 340 (virtual) para estudantes. Após essa data e durante o evento o investimento será de R$ 600 (presencial) e R$ 500 (virtual) para profissionais e R$ 460 (presencial) e R$ 400 (virtual) para estudantes.

Na compra de pacotes a partir de dez inscrições serão concedidos códigos-convites. Nessa modalidade há possibilidade de parcelamento em até três vezes. O acesso para a 13ª Brasil Sul Pig Fair é gratuito, tanto presencial quanto virtual, assim como para o pré-evento.

As inscrições podem ser feitas no site www.nucleovet.com.br.

Somando forças

O 14º SBSS tem apoio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV/SC), da Embrapa Suínos e Aves, da Prefeitura de Chapecó e da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc).

O Jornal O Presente Rural é parceiro de mídia do evento e vai trazer a cobertura completa da edição 2022.

Fonte: Ascom Nucleovet
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Notícias

Tradicional banho de leite na Expointer celebra produção da raça holandesa

Entre as características essenciais para vencer o concurso da Gadolando estão o temperamento e a docilidade da vaca leiteira.

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Foto: JM Alvarenga

Vacas de excelência terão sua capacidade produtiva avaliada durante a Expointer. O tradicional concurso leiteiro organizado pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), reunirá não só as que estão incluídas no circuito Exceleite, mas também aquelas que os produtores consideram eméritas produtoras. O ápice do certame é o Banho de Leite, que celebra o trabalho das granjas mais produtivas.

Para o concurso, as vacas são ordenhadas cinco vezes. O leite retirado é pesado e as duas maiores pesagens são descartadas. As três restantes são somadas e o animal que mais pontuar é consagrado vencedor. Marcos Tang, presidente da Gadolando, comenta que este é o grande momento da raça leiteira em suas exposições. “E o produtor quer mostrar isto, porque com isso ele está mostrando a capacidade que ele tem de conduzir uma vaca boa, com muita dedicação na criação, genética apurada e adequada e, principalmente o manejo dela”, disse o dirigente. Ele ressaltou que a vaca não dá leite. “Ela produz leite mediante a adequada condução do animal, desde o conforto, água e comida de qualidade”, acrescentou.

Tang também ressaltou que o concurso segue normas rígidas de ética e  todas as regras de bem estar animal, proibindo qualquer injeção estimulante de produção de leite, permitindo apenas a ingesta natural voluntária. Ele também exaltou a capacidade do rebanho. “E somente uma vaca leiteira consegue isso, produzir 10% do seu peso vivo em um produto tão nobre como o leite, portanto temos vacas com 700 quilos produzindo 70 ou 80 litros de leite”. O também produtor ressalta que não é só genética e manejo que fazem de uma vaca campeã de um concurso leiteiro. Ele acrescentou à fórmula, o item “o público”. “Ela tem que ter também temperamento, docilidade de fazer tudo isso que costuma fazer na prioridade, diante de um público, com ruídos e pessoas estranhas passando”, explicou.

Com relação ao tradicional Banho de Leite, marcado para o dia 30 de agosto, às 16h na pista do gado leiteiro, a Gadolando explica que é usado leite impróprio para consumo. Também é adicionado água e, dependendo da temperatura, o líquido pode ser amornado. A celebração reúne a família proprietária da vaca campeã e os funcionários da granja que comemoram o resultado do seu dedicado trabalho.

Fonte: Ascom
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Notícias Análise Cepea

Com pressão internacional, valores internos do trigo caem

Cenário é reflexo da expectativa de retomada das exportações de trigo da Ucrânia, visto que os embarques de milho do país já ocorreram.

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Foto: Arquivo/OP Rural

Os preços do trigo recuaram no mercado internacional, devido à expectativa de retomada das exportações de trigo da Ucrânia, visto que os embarques de milho do país já ocorreram.

Esse cenário, segundo pesquisadores do Cepea, influenciou a baixa no mercado brasileiro.

Quanto à comercialização, a lentidão permanece, com moinhos aguardando a safra nova, enquanto produtores que ainda possuem o cereal da última temporada estão desestimulados a vender com o menor preço.

Fonte: Cepea
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