Peixes
Piscicultura encerra 2025 em equilíbrio e vê 2026 mais desafiador no comércio exterior, avalia Embrapa
Receita supera US$ 60 milhões no ano, com leve alta em valor, retração em volume e mudança no perfil e no destino dos embarques. E menor demanda dos Estados Unidos acelera diversificação de mercados e amplia vendas de filés congelados.

As exportações brasileiras da piscicultura encerraram 2025 em um cenário de relativa estabilidade, mesmo diante de um contexto externo adverso. Dados consolidados indicam leve crescimento de 2% na movimentação financeira, que superou US$ 60 milhões no ano, enquanto o volume embarcado recuou 1%, totalizando cerca de 13,7 mil toneladas. O resultado final reflete equilíbrio, apesar do impacto do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a partir do segundo semestre.

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza: “Houve aumento significativo dos embarques para o Canadá, com alta de 108%, além da retomada das vendas para o México” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
De acordo com o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza, o efeito das tarifas foi concentrado nos últimos meses do ano. “O tarifaço começou a valer em agosto e afetou diretamente as exportações do terceiro e do quarto trimestres de 2025, que caíram 28% e 34%, respectivamente, na comparação com 2024”, explica.
Ainda assim, o bom desempenho registrado entre janeiro e julho garantiu crescimento no valor total exportado ao longo do ano.
Categorias de produtos
No recorte por categoria de produto, os filés frescos ou refrigerados seguiram como o principal item da pauta exportadora, com avanço de 12% em valor financeiro, passando de US$ 36,6 milhões em 2024 para US$ 41,1 milhões em 2025.
Em contrapartida, os peixes inteiros congelados, segunda categoria mais relevante, registraram queda de 27%, com faturamento recuando de US$ 17,6 milhões para US$ 12,9 milhões.

Foto: Manoel Pedroza
Embora representem volumes menores, outras categorias chamaram a atenção, como os filés congelados, que apresentaram crescimento expressivo e alcançaram cerca de US$ 3 milhões no ano.
Retração nas exportações aos EUA
A retração das exportações de tilápia para os Estados Unidos foi um dos principais destaques negativos de 2025. De acordo com Pedroza, o movimento levou as empresas a buscarem alternativas. “Houve aumento significativo dos embarques para o Canadá, com alta de 108%, além da retomada das vendas para o México”, afirma.
Outro ponto relevante foi o avanço das exportações de filés congelados de tilápia, que cresceram 421%, indicando uma estratégia de diversificação de mercados e adequação a novos perfis de demanda.
Importações ganham território brasileiro
No sentido oposto, as importações também ganharam espaço. O Brasil importou US$ 1,5 milhão em filé de tilápia do Vietnã, equivalente a

Foto: Diego Vargas
374 toneladas, tornando a espécie a terceira mais importada pela piscicultura nacional, atrás apenas do salmão e do pangasius.
Principal destino
Apesar das mudanças ao longo do ano, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do pescado brasileiro, respondendo por 87% do total exportado em 2025, com mais de US$ 52,1 milhões. O Canadá ocupou a segunda posição, mas com valores significativamente menores, abaixo de US$ 2,4 milhões no período.
2026 pede cautela
Para 2026, a avaliação é de cautela. Segundo Pedroza, a manutenção das tarifas norte-americanas tende a limitar o crescimento das exportações. “Mesmo com a busca por novos mercados, é difícil encontrar, no curto prazo, países que consigam absorver volumes semelhantes aos dos Estados Unidos”, ressalta.

Foto: Jonathan Campos
O mercado europeu surge como alternativa, mas ainda sem perspectiva concreta de retomada das exportações. A expectativa recai sobre o acordo Mercosul-União Europeia, que prevê a eliminação de tarifas para pescados e pode ampliar a competitividade da piscicultura brasileira quando esse fluxo comercial for efetivamente retomado.
Dados consolidados
As informações integram a 24ª edição do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, referente a 2025, publicação trimestral elaborada no âmbito do projeto BRS Aqua, coordenado pela Embrapa, em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).

Peixes
Produção de peixe avança na Bahia e reforça potencial da piscicultura
Dados do Anuário de Piscicultura Brasileiro PeixeBR 2026 indicam crescimento da atividade e demanda aquecida por pescado.

A piscicultura na Bahia segue em expansão e apresenta condições favoráveis para ampliar a produção nos próximos anos. Em 2025, a atividade registrou crescimento de 3,70%, alcançando 36.700 toneladas de peixe de cultivo, volume superior às 35.616 toneladas produzidas em 2024.
A tilápia permanece como a principal espécie criada no estado, com produção estimada em 33.100 toneladas, o que representa cerca de 90% do volume total. As espécies nativas somaram aproximadamente 3.800 toneladas, enquanto outras espécies responderam por cerca de 150 toneladas.
De acordo com dados do Anuário de Piscicultura Brasileiro PeixeBR 2026, a cadeia produtiva baiana também se destaca pela participação de pequenos produtores, que desempenham papel importante no fortalecimento da atividade no estado.
O mercado consumidor em crescimento e a demanda aquecida por pescado têm incentivado investimentos em tecnologia de produção, genética, sanidade, nutrição e gestão nas propriedades. Esses fatores contribuem para aumentar a eficiência produtiva e melhorar os resultados da atividade.
Apesar do cenário positivo, ainda existem desafios para a expansão da piscicultura na Bahia, especialmente em relação à certificação e à ampliação do acesso ao mercado formal. Superar essas barreiras é apontado como um passo importante para que o setor continue avançando e ampliando sua participação na produção nacional de pescado.
Peixes
Tilápia sustenta crescimento da piscicultura em Mato Grosso do Sul
Espécie segue como principal base produtiva, enquanto cultivo de peixes nativos ainda tem participação limitada.

A piscicultura de Mato Grosso do Sul registrou crescimento moderado em 2025. A produção alcançou 40.620 toneladas de peixe de cultivo, volume 0,30% maior em relação ao ano anterior, quando foram produzidas 40.500 toneladas.
A tilápia segue como a principal espécie cultivada no estado, respondendo pela maior parte do volume produzido. No entanto, a participação das espécies nativas ainda é pequena, cenário que reflete o perfil produtivo predominante nas propriedades.
De acordo com dados do Anuário de Piscicultura Brasileiro PeixeBR 2026, o resultado positivo da atividade é atribuído principalmente às iniciativas fiscais, melhorias logísticas e à adoção de tecnologias modernas, que têm contribuído para fortalecer a cadeia produtiva.
Mesmo com o avanço, especialistas avaliam que o setor ainda possui grande potencial de crescimento, especialmente com a ampliação do cultivo de espécies nativas e a incorporação de pequenos e médios produtores à atividade. Essas iniciativas podem ampliar a diversidade da produção e impulsionar o desenvolvimento da piscicultura no estado.
Peixes
Brasil avança em acordo internacional para barrar pescado de origem ilegal
Proposta prevê restrições em portos para embarcações suspeitas e tenta fechar portas ao comércio de captura irregular.

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (11) o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 331/2025, que ratifica a adesão do Brasil ao Acordo sobre Medidas do Estado do Porto para Prevenir, Impedir e Eliminar a Pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada. O tratado foi firmado durante a 36ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, realizada em 2009, em Roma.
A iniciativa busca impedir que embarcações envolvidas em atividades irregulares utilizem portos para desembarcar ou comercializar pescado obtido fora das regras. Na prática, o acordo estabelece um conjunto de procedimentos que os países signatários devem adotar ao autorizar a entrada de embarcações estrangeiras em seus portos ou ao fiscalizar navios já atracados.

Deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO): “A pesca mobiliza intensa mão de obra e tem importância socioeconômica significativa no Brasil, especialmente em áreas com grande potencial pesqueiro” – Foto: Divulgação/FPA
Relator da proposta, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) afirmou que o mecanismo tem potencial para reduzir a circulação de pescado capturado ilegalmente nos mercados internacionais. Segundo ele, a estratégia aposta no controle portuário para enfraquecer economicamente esse tipo de operação. “Trata-se de um sistema global de baixo custo, eficiente e seguro para coibir a pesca ilegal. Ao impedir que embarcações suspeitas acessem portos e descarreguem suas capturas, bloqueia-se a entrada desses produtos no mercado”, afirmou o parlamentar no parecer apresentado à comissão.
O acordo também busca padronizar procedimentos entre os países e ampliar a cooperação internacional no combate à chamada pesca INDNR, sigla utilizada para designar atividades ilegais, não declaradas ou não regulamentadas. A expectativa é que a medida reduza a necessidade de fiscalização direta em alto-mar, uma operação considerada mais cara e complexa.
No relatório, Ayres argumenta que o tema ganha relevância diante do peso da pesca extrativa na geração de renda em regiões costeiras do país. “A pesca mobiliza intensa mão de obra e tem importância socioeconômica significativa no Brasil, especialmente em áreas com grande potencial pesqueiro”, declarou.
Para o deputado, a aprovação do acordo também contribui para alinhar a legislação brasileira aos compromissos internacionais de proteção dos recursos marinhos. “A medida fortalece o ordenamento jurídico nacional e amplia a efetividade das ações de proteção aos oceanos”, disse.
O projeto tramita em regime de urgência na Câmara e ainda precisa passar por outras etapas de análise antes de seguir para votação final no Congresso. A proposta integra um esforço internacional para reduzir a pressão sobre estoques pesqueiros e restringir a comercialização de pescado capturado fora das normas.



