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Piscicultura brasileira cresce e mira liderança do mercado norte-americano em 2025

Meta é que este ano o Brasil exporte mais de US$ 100 milhões somente de tilápia para o mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

A piscicultura brasileira registrou avanços significativos em 2024, superando adversidades e aproveitando condições climáticas favoráveis para atingir grande volume de produção e exportação. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, problemas sanitários ocorridos em 2023 impactaram de forma significativa a produção de alevinos e aumentaram a mortalidade de peixes, especialmente no cultivo em tanques-rede. Para contornar a situação, foram implementados sistemas mais rigorosos de biossegurança e programas robustos de vacinação, o que permitiu a retomada da oferta regular de alevinos no último trimestre do ano anterior. Essa recuperação resultou em um povoamento recorde nos viveiros no início de 2024, com elevada lotação de peixes.

Fotos: Jonathan Campos

Com o inverno mais ameno dos últimos anos, a piscicultura foi uma das atividades mais beneficiadas pelo clima no ano passado. Como os peixes são espécies pecilotérmicos, a sua temperatura corporal é influenciada pelo ambiente, o que faz com que reduzam o consumo de alimento e o crescimento em períodos frios. No entanto, em 2024, a diminuição de frentes frias no Sul e Sudeste permitiu que os peixes continuassem a se alimentar e crescer durante o inverno, resultando em um aumento tanto no número quanto no peso dos peixes. “Em dezembro de 2023, o peso médio de abate de tilápias no Oeste do Paraná era de 750 gramas, enquanto em 2024 chegou a 970 gramas. Esse crescimento na oferta não foi absorvido integralmente pelo mercado interno, levando a uma expansão nas exportações, especialmente para os Estados Unidos, que de quarto maior exportador de filé fresco de tilápia passamos em 2024 para a segunda posição, e a expectativa para o primeiro semestre de 2025 é liderar o mercado norte-americano”, evidenciou Medeiros.

Com a elevação da oferta, os preços pagos aos produtores sofreram pressão ao longo do ano. Dados do Indicador Cepea/Peixe BR mostram que os valores oscilaram entre R$ 9,61 e R$ 10 no início de 2024, encerrando o ano com médias entre as principais regiões produtoras de R$ 8,95 a R$ 7,18. “Apesar da queda nos preços ao produtor, o custo da ração – principal insumo da atividade – foi inferior em comparação a 2023, trazendo algum alívio para que o setor continuasse a crescer”, pontua o presidente da Peixe BR. “Se o produtor consegue administrar bem essa fase consegue ter uma margem positiva, pois a tilápia, assim como as outras proteínas, possui seus ciclos de preços normais e de alta”, complementa.

Por outro lado, o repasse da queda de preços ao consumidor não foi proporcional. “Embora o preço ao produtor tenha caído, o varejo continuou vendendo normalmente. Quando o preço começa a afetar as vendas, o supermercadista entra em contato com a indústria para ajustar, regulando o mercado. Esse processo é natural e não há muito como intervir”, explicou Medeiros.

Consumo e perspectivas

O consumo de tilápia no Brasil cresceu 93,2% na última década, passando de 1,47 kg/hab/ano para 2,84 kg/hab/ano, segundo levantamento da Peixe BR. Em 2023, a produção de peixes de cultivo aumentou 3,1%, alcançando 887.029 toneladas. “Para 2024 nossa previsão é registrar crescimento de até dois dígitos, que deve ser consolidado somente nas primeiras semanas de 2025, quando os dados são levantados e analisados”, enfatizou Medeiros.

Com as expectativas de liderança nas exportações de filé de tilápia para os Estados Unidos em 2025, o mercado brasileiro deve continuar em expansão, mesmo diante dos desafios de preços. “2024 foi um ano de superprodução e menor preço ao produtor, mas encerramos com boas perspectivas para o próximo ciclo”, expôs o presidente da Peixe BR.

Vendas externas

As exportações da piscicultura representam entre 2 e 2,5% da produção nacional, uma vez que o que é produzido no Brasil é consumido no mercado interno. No entanto, o setor registrou um aumento expressivo de 174% nas exportações no 3º trimestre de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023. Foram US$ 18,5 milhões e mais de quatro mil toneladas exportadas entre julho e setembro para diferentes países.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Em peso, o crescimento foi de 158%, passando de 1.563 toneladas no terceiro trimestre de 2023 para 4.031 toneladas no mesmo período de 2024, marcando o maior aumento trimestral desde o início do boletim Comércio Exterior da Piscicultura, em 2020.

A tilápia continua sendo o carro-chefe da piscicultura brasileira, representando 98% das exportações e mais de 60% da produção nacional. Nos primeiros noves meses do ano passado, a receita com exportações de tilápia alcançou US$ 18 milhões, um aumento de 173% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Curimatá foi a segunda espécie mais exportada, com faturamento de US$ 146 mil, seguido pelo Tambaqui, que gerou US$ 108 mil no 3º trimestre.

Entre as categorias de produtos, os filés frescos lideraram as exportações (65% do valor total), somando US$ 12 milhões no terceiro trimestre de 2024, seguido da tilápia inteira, com receita de US$ 4,8 milhões, um aumento de 283% em relação ao 3º trimestre do ano anterior. “Apesar do crescimento no mercado de filés congelados de tilápia, a forte concorrência de produtos da China e de outros países asiáticos desafia a competitividade brasileira em termos de preços”, aponta Medeiros.

Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações da piscicultura brasileira, respondendo por 92% das vendas no mercado externo. Outros mercados importantes foram Canadá, Japão e China, cada um com 2% das exportações. Entre os estados, Paraná e São Paulo concentraram 95% do volume exportado no 3º trimestre de 2024, com os paranaenses detendo 59% dos embarques. “O filé fresco ou refrigerado de tilápia foi o produto mais exportado pelos dois estados”, cita Medeiros.

Expansão mundial da aquicultura

Foto: Jefferson Christofoletti

A aquicultura continua sua trajetória de expansão global e, segundo projeções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a produção mundial de peixes de cultivo deve atingir a marca de 100 milhões de toneladas em 2024.

Nos últimos 10 anos, a produção de peixes de cultivo tem apresentado um crescimento contínuo, enquanto a pesca de captura permanece estável.

A produção global da tilápia, principal espécie cultivada no mundo, de 6,10 milhões de toneladas em 2020 deve chegar a 6,80 milhões de toneladas em 2024. Os maiores produtores de tilápia são a China, com 2,05 milhões de toneladas por ano, seguido pela Indonésia (1,45 milhão), Egito (1,10 milhão) e Brasil (0,57 milhão).

Perspectivas para 2025

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “Para 2024 nossa previsão é registrar crescimento de até dois dígitos, que deve ser consolidado somente nas primeiras semanas de 2025, quando os dados são levantados e analisados” – Foto: Gabriel Muniz/Peixe PR

Em relação ao mercado externo, as perspectivas para 2025 são otimistas. O presidente da Peixe BR destaca que o Brasil deve terminar o ano próximo de ser o principal exportador de filé de tilápia para os Estados Unidos. “A meta é que este ano o país exporte mais de US$ 100 milhões somente de tilápia para este mercado, evidenciando a força do Brasil nesse segmento”, ressalta.

Em termos de produção, Medeiros projeta um crescimento um pouco inferior ao que deve ser registrado em 2024. Apesar disso, espera uma recuperação nos preços pagos ao produtor, embora não se espere que esses valores cheguem aos níveis máximos observados em 2023. “A única certeza que temos é que o mercado vai continuar crescendo por pelo menos duas décadas, assim como também sabemos que a cada ano surgirão novos desafios, mas nós estamos preparados para buscar soluções e resolvê-los”, salienta.

Entre os principais desafios, Medeiros cita riscos relacionados às questões climáticas, problemas sanitários, oscilação dos preços pagos ao produtor, custo dos insumos para produção, falta de mão de obra, além da alta do dólar que favorece as exportações, mas impacta no custo da ração. “Apesar desses obstáculos, existem oportunidades surgindo à medida que o setor vai se adaptando”, menciona, antecipando que outras empresas do agronegócio devem entrar no mercado de forma direta ou indireta, fortalecendo ainda mais a cadeia produtiva ao longo de 2025.

Com a versão digital do Anuário, você terá acesso a análises aprofundadas e dados essenciais que ajudam a compreender o desempenho das principais atividades agropecuárias em 2024 e as tendências para 2025. Acesse a versão digital clicando aqui. Boa leitura e um excelente 2025!

Fonte: O Presente Rural

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Brasil e Chile investigam nanoplásticos, bactérias e risco ao pescado na Antártica

Instituto de Pesca (IP-Apta) participa do consórcio binacional que avaliará como nanoplásticos e bactérias resistentes podem afetar a saúde do pescado e do consumidor.

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Foto: Divulgação/IP-Apta

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, integra um ambicioso projeto de pesquisa binacional entre Brasil e Chile que investigará a presença de bactérias resistentes a antibióticos e contaminantes emergentes, como nanoplásticos, em ecossistemas antárticos.

A iniciativa, denominada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID), do Chile. O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança de produtos pesqueiros e à saúde pública, em alinhamento com a abordagem “Saúde Única”, que integra saúde humana, animal e ambiental na análise de riscos globais.

Foco no pescado e na segurança alimentar

Com expertise consolidada em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança de alimentos, o IP contribuirá especialmente nas frentes relacionadas aos organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis impactos na cadeia pesqueira.

A participação da instituição no consórcio internacional posiciona o estado de São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Esse conjunto de competências técnicas será fundamental para transformar os achados científicos em subsídios concretos para políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas voltadas aos setores aquícola e pesqueiro, fortalecendo a proteção do consumidor e a sustentabilidade da produção. De acordo com o pesquisador do IP, Edison Barbieri, “estamos indo ao lugar mais remoto da Terra para encontrar problemas criados por nós mesmos. Os nanoplásticos são como ‘cavalos de Troia’ minúsculos: eles podem carregar poluentes e bactérias para dentro do organismo de peixes e moluscos que, mais tarde, podem chegar ao nosso prato. Com as bactérias resistentes, o risco é igualmente sério: se elas chegarem aos nossos recursos pesqueiros, podemos estar diante de um problema de saúde pública de difícil solução. O que acontece na Antártica não fica na Antártica”, alerta.

O que o projeto vai investigar

Entre os principais objetivos do projeto está a investigação da presença e dos efeitos ecotoxicológicos de partículas plásticas, especialmente nanoplásticos, em organismos filtradores da fauna bentônica antártica. Esses organismos, ao acumularem contaminantes, podem indicar riscos de transferência ao longo da cadeia alimentar marinha, com implicações diretas para a segurança do pescado destinado ao consumo humano.

A pesquisa também identificará e caracterizará bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados bentônicos. O IP terá papel relevante na análise dos riscos associados à possível disseminação dessas bactérias ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com potencial impacto sobre recursos pesqueiros e sistemas de aquicultura.

Paralelamente, o consórcio buscará, na biodiversidade microbiana antártica, novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bactericinas, que possam futuramente ser aplicadas no controle de patógenos na aquicultura, promovendo uma produção mais sustentável e segura.

O projeto empregará técnicas avançadas capazes de identificar microrganismos, seus genes e partículas microscópicas, como os nanoplásticos. Parte das análises será realizada no Sirius, em Campinas (SP), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o único acelerador de partículas da América Latina, além da aplicação de modelagem ecológica. As amostras coletadas na Antártica serão comparadas a amostras provenientes de áreas costeiras do Brasil e do Chile, permitindo um panorama inédito sobre como a poluição e a resistência antimicrobiana se dispersam ao longo das diferentes regiões marinhas.

Fonte: Assessoria IP-Apta
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Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral

Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.

No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.

“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.

Fonte: AEN-PR
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Setor de piscicultura se prepara para Aquishow Brasil 2026

Evento apresenta tecnologias, debates técnicos e premiações para impulsionar a produção de tilápia no Triângulo Mineiro.

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Fotos: Divulgação/Aquishow Brasil

A Aquishow Brasil, o maior evento da aquicultura nacional, será realizada mais uma vez em Uberlândia (MG), entre 9 e 11 de junho de 2026, no Castelli Master. O objetivo é avançar nas conquistas já realizadas e contribuir ainda mais para o crescimento da piscicultura em Minas Gerais, que já é uma das mais fortes do Brasil.

Para isso, o evento está maior, com discussões técnicas e completas e conta com a presença de mais de 100 empresas dos vários segmentos da cadeia da produção de peixes de cultivo – especialmente de tilápia.

“A Aquishow Brasil é o maior evento do setor e tem uma missão estratégica: contribuir para o fortalecimento da atividade no país, especialmente em regiões de alto potencial. O Triângulo Mineiro pode se tornar ainda mais relevante na produção de tilápia e estar em Uberlândia pelo segundo ano nos possibilita ajudar nesse processo”, diz Marilsa Patrício, diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União.

A expectativa da Aquishow Brasil 2026 é receber 7 mil visitantes de todas as partes do país e do exterior. A edição de 2025 atraiu participantes mais de 20 países – especialmente da América Latina. No ano passado, o evento movimentou R$ 115 milhões e o objetivo para 2026 é crescer pelo menos 10%.

A Aquishow reúne todos os elos da cadeia produtiva da aquicultura brasileira e apresenta as mais modernas tecnologias em genética, insumos, equipamentos, serviços e produtos. Uma completa agenda de apresentações técnicas contribui para atualizar os produtores e apresentar novas tecnologias.

Destaque também às premiações especiais para reconhecer quem contribui para o contínuo crescimento da aquicultura, como o Prêmio Inovação Aquícola e o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino.

Mais informações clique aqui e e-mail peixesp@peixesp.com.br. Organização (17 99616-6638 e 17 98137-8657), Departamento Comercial (Eder Benício, 11 97146-9797)

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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