Peixes
Piscicultura atinge recorde e consolida potencial do Brasil no mercado mundial de pescados
Setor registrou um crescimento histórico em 2024, alcançando 968,7 mil toneladas, um avanço de 9,2% em relação ao ano anterior.

“O ano de 2024 marcou um crescimento histórico para a piscicultura brasileira, com a produção atingindo 968,7 mil toneladas, um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior. Esse foi o melhor resultado da última década, consolidando o Brasil como um dos grandes produtores mundiais de pescado”, afirma o presidente do IFC Brasil, IFC Amazônia e Expomar, Altemir Gregolin.

Fotos: Divulgação/IFC Amazônia
O crescimento de 9,2% na piscicultura e 14,3% na tilapicultura, que representa 68% da produção cultivada, mostra a força do setor. O Paraná, com 250 mil toneladas, é o maior produtor nacional, e as exportações cresceram 148% no ano passado. “Hoje, podemos dizer que o Brasil não é mais um potencial, mas uma realidade e passa a sentar entre os grandes produtores mundiais de pescado”, acrescenta Gregolin.
A tilápia se manteve como espécie mais relevante, representando 68% da produção nacional. Em 2024, foram produzidas 662,2 mil toneladas, um crescimento expressivo de 14,3%. Segundo Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a tilápia é a proteína animal que mais cresceu na última década, e o brasileiro aprendeu a apreciar esse peixe, que já faz parte da dieta semanal de muitas famílias. “O Paraná se destacou como o maior produtor nacional, com 250 mil toneladas, seguido por São Paulo, com 93 mil toneladas, e Minas Gerais, que chegou a 72 mil toneladas”, salientou Medeiros durante o lançamento do Anuário da Piscicultura, na última semana, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Foto: Shutterstock
Apesar do crescimento da tilápia, a produção de peixes nativos recuou 1,81%, fechando o ano com 258,7 mil toneladas. A região norte, principal produtora de espécies como tambaqui e pirarucu, enfrentou desafios na oferta, apesar da boa demanda e preços favoráveis.
Já as outras espécies, como pangasius, carpas e trutas, tiveram um crescimento de 7,5%, alcançando 47,8 mil toneladas. O pangasius, em particular, ganhou destaque no nordeste, enquanto o Rio Grande do Sul registrou queda na produção.
Ranking dos estados e regiões
O Paraná consolidou sua liderança, respondendo por 25% da produção nacional, com um crescimento de 17,35%. O estado é conhecido por seu modelo de cultivo baseado no sistema de integração da produção em cooperativas e núcleos de produtores independentes. A região sul manteve a liderança nacional, com 333,8 mil toneladas produzidas, um aumento de 12,7%. O sudeste teve o maior crescimento percentual (14,12%), enquanto a região norte manteve produção estável, com 143,2 mil toneladas.
Produção, consumo e exportação
A produção brasileira de peixes de cultivo chegou a 968,7 mil toneladas, um aumento de 9,21% em relação a 2023. O consumo interno também cresceu, impulsionado pela preferência por proteínas saudáveis e acessíveis. Nas exportações, o salto foi ainda mais expressivo: 148% em volume, com faturamento de US$ 59 milhões. Os Estados Unidos foram o principal destino, especialmente para filés frescos de tilápia.
Crédito e financiamentos

Foto: Rodrigo Félix Leal
Pela primeira vez, o setor superou a marca de R$ 1 bilhão em financiamentos, com 90% destinados a custeios e o restante a investimentos. As cooperativas de crédito foram responsáveis por 43,7% dos recursos, demonstrando sua importância para o desenvolvimento da piscicultura. No entanto, Francisco Medeiros ressaltou que o setor ainda enfrenta desafios, como altas taxas de juros e lentidão na regularização ambiental.
Mercado e cotações
A oferta elevada de tilápia em 2024 pressionou os preços, com queda média de 11,5% nas cotações. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a biomassa dos peixes aumentou, e as cotações devem manter a mesma trajetória em 2025. Apesar das oscilações, o setor mostrou resiliência e capacidade de adaptação.
Ministro André de Paula
No anuário publicado pela Peixe BR, o Ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, destacou as iniciativas do governo para impulsionar o setor: “A piscicultura brasileira está no caminho certo. Nos últimos dois anos, firmamos 412 novos contratos de cessão de uso de Águas da União, com potencial produtivo estimado em mais de 217 mil toneladas. Além disso, incluímos o pescado na cesta básica e garantimos isonomia tributária para insumos, como a ração”.
Expansão das cooperativas

As cooperativas tiveram papel fundamental no crescimento do setor. A CVale, por exemplo, expandiu sua operação adquirindo a Piscicultura Paturi, e a Coopavel e Lar entraram na produção de tilápia adquirindo frigoríficos na Região Oeste do Paraná. A Cooperpam e a COOPARR, no norte do país, também se movimentaram para fortalecer a produção de peixes nativos e ampliar a exportação.
Perspectivas para 2025
Com um crescimento consistente e investimentos em expansão, a piscicultura brasileira tem perspectivas positivas para 2025. A produção global de tilápia deve atingir 7,3 milhões de toneladas, com o Brasil consolidando sua posição como um dos principais players mundiais. O setor também espera avançar na exportação, especialmente para os Estados Unidos, e continuar a diversificar a produção, incluindo espécies nativas e não nativas.
O Anuário da Piscicultura 2024 reforça que o Brasil não é mais apenas um potencial, mas uma realidade no cenário global de produção de pescado. Com números recordes, investimentos crescentes e uma cadeia produtiva cada vez mais organizada, o futuro da piscicultura brasileira é promissor.
Importância do IFC Brasil e IFC Amazônia para o setor de pescados

Foto: Albari Rosa
Eventos como o IFC Brasil e o IFC Amazônia são fundamentais para a consolidação e o fortalecimento da piscicultura no país.
O IFC Amazônia, que ocorrerá de 23 a 24 de abril, espera reunir cinco mil participantes e destaca o potencial da região norte na produção de pescados. Com sua vasta malha hidrográfica, a região amazônica brasileira possui um enorme volume de água e um apelo sustentável único, além de estar estrategicamente próxima a mercados internacionais, como os Estados Unidos, por meio de rotas hidroviárias e aéreas.
Já o IFC Brasil, que em 2025 chega à sua sétima edição, é considerado o evento mais relevante do setor na América Latina. Realizado de 02 a 04 de setembro em Foz do Iguaçu, o evento reúne especialistas, produtores, autoridades e empresas para discutir tendências, tecnologias e oportunidades no mercado de pescado. Esses eventos não só promovem a integração da cadeia produtiva, mas também fortalecem a imagem do Brasil como um dos líderes globais na produção de pescado, aliando produtividade, sustentabilidade e inovação.

Peixes
Novo marco da pesca propõe regras claras para diferenciar aquicultura e pesca extrativa
Proposta moderniza a legislação e reconhece a importância estratégica da atividade para o Brasil.

Em tramitação há um ano, o Projeto de Lei 4.789/2024, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e relatoria do senador Marcos Rogério (PL-RO), coordenador político da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado, reconhece a pesca como atividade estratégica para a economia, a segurança alimentar e o desenvolvimento social. O texto foi construído com contribuições de mais de 150 pescadores e pescadoras de diferentes regiões do país e a partir de um consenso inédito entre a pesca artesanal e a industrial. A proposta institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e atualiza a Lei nº 11.959/2009.
Para aprofundar o diálogo sobre o projeto, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal realizou, na terça-feira (09), audiência pública com representantes do governo, entidades produtivas, movimentos de pescadores e especialistas. O debate, requerido pelo senador Jorge Seif (PL-SC), integrante da FPA, reuniu diferentes visões do setor pesqueiro e reforçou a necessidade de modernizar a legislação, aperfeiçoar a governança e reduzir entraves regulatórios que afetam tanto a pesca extrativa quanto a aquicultura.
FPA defende ajustes na lei para destravar o desenvolvimento do setor

Foto: Divulgação/FPA
Durante a audiência, Jorge Seif afirmou que a atualização da lei é essencial para corrigir lacunas e garantir que a gestão da pesca acompanhe as transformações do setor. Ele defendeu autonomia plena do Ministério da Pesca em relação ao Meio Ambiente para evitar entraves administrativos e conflitos de competência. O senador também reforçou a necessidade de um programa permanente de estatísticas oficiais. “Precisamos de um programa de estatística pesqueira conduzido pelo governo, que dê transparência e isenção aos dados do setor”, afirmou.
O parlamentar chamou atenção ainda para irregularidades no seguro-defeso e pediu controles mais rígidos para evitar fraudes. Também alertou para a insegurança jurídica da aquicultura diante de novas portarias ambientais e destacou a importância de proteger o mercado nacional frente a importações de pescado com padrões sanitários inferiores.
O autor da proposta, senador Alessandro Vieira, reforçou que a legislação atual não contempla temas essenciais e precisa ser modernizada. Segundo ele, o novo marco legal incorpora princípios modernos e amplia a segurança jurídica. “A principal motivação para a criação do projeto foi a necessidade de atualizar e modernizar a legislação pesqueira brasileira, que se encontra defasada e com lacunas”, afirmou.
Já o relator Marcos Rogério destacou que o texto fortalece a pesca artesanal, amplia a transparência do setor e aprimora a governança. “Do ponto de vista socioeconômico, a proposição fortalece a pesca artesanal, simplificando registros, assegurando assistência técnica e reconhecendo saberes tradicionais. O projeto harmoniza a utilização econômica dos recursos com a preservação ambiental e a justiça social”, disse.
Desafios e ajustes para aprimorar o novo marco da pesca
A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kalinka Lessa, destacou a necessidade urgente de diferenciar, na legislação, a aquicultura da pesca extrativa, já que são atividades distintas e não devem compartilhar as mesmas exigências normativas. “Por mais que o produto seja o mesmo, a aquicultura e a pesca são atividades totalmente diferentes e precisam de regramentos distintos. Precisamos de adequações objetivas para garantir segurança jurídica e permitir o crescimento sustentável do setor”, afirmou.
Cristiano Quaresma, diretor do Departamento de Territórios Pesqueiros e Ordenamento do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), alertou que mudanças estruturais na lei precisam ser feitas com cautela para evitar rupturas no ordenamento pesqueiro. “Uma revisão profunda pode gerar um apagão normativo, porque centenas de normas teriam de ser revistas ao mesmo tempo. É preciso garantir que as mudanças não prejudiquem pescadores e pescadoras que não participaram diretamente do processo”, disse.
Francisco Medeiro, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura, afirmou que a legislação atual comete um erro ao incluir a aquicultura dentro da atividade pesqueira, o que gera excesso de burocracia e perda de competitividade. “Não existe aquicultura dentro da definição de atividade pesqueira. Esse é um erro que precisa ser corrigido. Nosso problema não é competir com Vietnã ou China. Nosso problema é competir com a burocracia brasileira”, enfatizou.
Jairo Gund, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA), criticou a complexidade normativa do setor e defendeu a construção de estatísticas oficiais permanentes produzidas pelo Estado. “Precisamos de uma lei que estabeleça metas claras e uma gestão que não fique à mercê de vontades políticas de governos”, afirmou. Segundo ele, o PL ainda pode ser ajustado, mas representa uma oportunidade concreta de alinhar o Brasil aos padrões internacionais.
Peixes
Mercado de tilápia inicia dezembro com leve valorização
Norte do Paraná registra o maior preço da semana, R$ 10,07/kg.

O mercado de tilápia registrou variações leves entre 01º e 05 de dezembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Entre as cinco regiões monitoradas, quatro apresentaram alta semanal, enquanto apenas uma teve recuo.
Em Morada Nova de Minas (MG), a tilápia liderou o movimento de valorização, com alta de 1,07%, fechando a semana a R$ 9,23/kg. Nos Grandes Lagos (SP/MS), o avanço foi de 0,42%, com preço médio de R$ 9,14/kg. O Norte do Paraná também registrou elevação, de 0,47%, alcançando R$ 10,07/kg, o valor mais alto entre as regiões pesquisadas. Já o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba teve aumento moderado de 0,30%, com média de R$ 9,41/kg.
A única queda ocorreu no Oeste do Paraná, onde o preço da tilápia recuou 0,16%, sendo negociada a R$ 8,81/kg, o menor valor entre as praças acompanhadas.
Os dados refletem movimentos regionais influenciados por oferta, demanda e condições específicas de cada polo produtor, que seguem acompanhando a entrada de dezembro com variações discretas, mas predominância de alta no setor.
Peixes
Quatro doenças que afetam tilápias podem entrar na lista de notificação obrigatória
Proposta em consulta pública prevê ampliar o monitoramento sanitário e acende alerta para riscos econômicos ao setor.





