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Pirataria, insegurança jurídica e pressão por inovação desafiam setor de sementes de soja no Brasil
Entidades estaduais defendem atuação conjunta para sustentar pesquisa, tecnologia e competitividade da sojicultura em meio ao avanço do mercado informal.

O setor de sementes de soja começou a ampliar o alerta sobre os impactos da pirataria, da insegurança jurídica e da pressão econômica sobre a cadeia de inovação agrícola no Brasil. Representantes de associações estaduais avaliam que o avanço do mercado informal e o aumento dos desafios regulatórios colocam em risco investimentos em tecnologia, pesquisa genética e competitividade da sojicultura brasileira.
A preocupação é compartilhada por lideranças de diferentes regiões produtoras, que defendem maior integração institucional e fortalecimento da cadeia de sementes como estratégia para sustentar o desenvolvimento tecnológico do setor.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Semente de Soja (ABRASS), André Schwening, a sustentabilidade do segmento depende diretamente da capacidade de articulação entre os diferentes elos da cadeia produtiva. “Precisamos manter nosso setor vivo, de pé, fortalecido. Com segurança jurídica, com bons modelos de negócio, com discussões como as que estamos tendo. O multiplicador é o elo entre a inovação e o agricultor”, afirmou.
Pirataria cresce no Sul
Entre os principais desafios regionais apresentados pelas entidades, a pirataria de sementes apareceu como uma das maiores preocupações do setor, especialmente no Sul do país.

Foto: Divulgação
A presidente da APASSUL, Verônica Bergtanolli, afirmou que o Rio Grande do Sul já registra índice superior a 30% de utilização de sementes piratas. Segundo ela, campanhas educativas e ações de conscientização não têm sido suficientes para conter o avanço do problema. “Fazemos campanhas educativas e de conscientização. Mas, se não tivermos leis mais duras e não criminalizarmos a pirataria, ela só vai crescer”, alertou.
O avanço da informalidade preocupa principalmente pela redução do retorno financeiro sobre investimentos em pesquisa genética, biotecnologia e desenvolvimento de novas cultivares.
Setor reforça papel estratégico da semente
Representantes estaduais também destacaram que a semente certificada foi um dos principais fatores responsáveis pelo salto de produtividade da soja brasileira nas últimas décadas.

Foto: Geraldo Bubniak/AEN
O presidente da APPS, Ricardo Cunha, ressaltou que o multiplicador exerce papel estrutural dentro da cadeia produtiva. “A atividade vai além da comercialização de insumos e funciona como ponte entre inovação tecnológica e produção agrícola”, enalteceu.
A avaliação do setor é que a manutenção da competitividade brasileira depende diretamente da capacidade de levar novas tecnologias ao campo em velocidade compatível com os desafios agronômicos e econômicos da sojicultura.
Tecnologia mira produtividade e manejo
Além das discussões institucionais, representantes de empresas ligadas à biotecnologia e ao tratamento de sementes apresentaram perspectivas para o desenvolvimento de novas soluções voltadas à produtividade e ao manejo fitossanitário.
Executivos da Bayer, Grupo Don Mario, Biogrow e Incotec discutiram tecnologias em desenvolvimento para controle de doenças, manejo de plantas daninhas e aprimoramento do desempenho agronômico das lavouras.
A expectativa do setor é que parte dessas soluções chegue ao mercado nos próximos anos, em um cenário em que produtividade passou a ser considerada fator central para sustentar rentabilidade da soja diante do aumento dos custos de produção e das restrições de crédito.
As discussões ocorreram durante a 4ª edição do Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (ENSSOJA), realizado em Foz do Iguaçu (PR). “O ENSSOJA se tornou um evento grandioso devido à presença de tantas pessoas que contribuem com o setor de sementes de soja e com a agricultura brasileira. A evolução da cadeia depende de uma atuação integrada entre diversos elos”, afirmou o vice-presidente da ABRASS, Jorge Soares.

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Crédito rural da agricultura empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026
CPR liderou as modalidades de financiamento, enquanto a Região Sul concentrou o maior volume de recursos contratados.
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Curitiba recebe 22ª Reunião da Relare sobre inoculantes microbianos para a agricultura
Evento promovido pela Embrapa vai reunir cerca de 300 especialistas e recebe resumos científicos até 10 de agosto.

A cidade de Curitiba (PR) vai sediar, nos dias 19 e 20 de agosto, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O encontro será realizado no Centro de Eventos Sistema Fiep e deve reunir aproximadamente 300 participantes, entre pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, consultores e órgãos de fiscalização.
Promovida pela Embrapa, em parceria com a CropLife Brasil e a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio), a reunião conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Microrganismos Promotores de Crescimento de Plantas para Sustentabilidade Agrícola e Ambiental (INCT Microagro) e da Fundação Araucária.
A programação será dedicada às discussões técnicas sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com foco em protocolos para análise da qualidade de inoculantes, padronização de metodologias e validação de novos produtos biológicos. O objetivo é promover o intercâmbio de informações técnico-científicas relacionadas ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade da produção agropecuária.
A comissão organizadora também está recebendo trabalhos científicos na modalidade de resumo. O prazo para submissão termina em 10 de agosto, por meio do sistema de inscrição do evento. Os trabalhos aprovados serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais da 22º Relare.
Para submeter o resumo, o participante deve realizar previamente a inscrição no evento, clicando aqui.
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Expansão dos insumos orgânicos pauta simpósio inédito no Rio Grande do Sul
Evento vai reunir pesquisadores, autoridades e representantes da indústria para discutir mercado, regulação e o aproveitamento de resíduos na produção agrícola.

O crescimento do mercado de insumos agrícolas de base orgânica e os desafios para ampliar o uso desses produtos no campo estarão no centro dos debates do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, marcado para 06 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). Promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS), o encontro reunirá pesquisadores, representantes do poder público e empresas para discutir aspectos técnicos, regulatórios e econômicos do setor.

Presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari: “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio” – Foto: Divulgação/Assiferto
Segundo a entidade, a expansão da demanda por alimentos produzidos com práticas sustentáveis, aliada ao avanço das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade no agronegócio, tem impulsionado o mercado de fertilizantes e condicionadores de solo produzidos a partir de resíduos orgânicos.
De acordo com o presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari, o simpósio foi criado para ampliar o debate sobre o papel desses insumos na agricultura brasileira. “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio. O objetivo é mostrarmos à sociedade, às entidades, ao setor público e ao setor agrícola que, no Rio Grande do Sul, existem empresas organizadas e com tecnologia capazes de converter subprodutos orgânicos em insumos agrícolas de qualidade, solucionando problemas ambientais e mitigando a dependência de nutrientes importados para uso na agricultura”, afirma.
Economia circular e aproveitamento de resíduos
As empresas associadas à Assiferto RS reciclam mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano. Após o processamento, esses materiais retornam à cadeia produtiva na forma de fertilizantes sólidos e líquidos, condicionadores de solo e outros insumos utilizados na agricultura.
Segundo Ferrari, o reaproveitamento desses resíduos contribui para reduzir o desperdício de nutrientes e fortalecer modelos de economia circular. “A conexão do setor de insumos agrícolas com base orgânica com a sociedade se dá principalmente no entendimento de que o nosso planeta tem limites de recursos e que, para produzir alimentos, precisamos de nutrientes finitos. A recuperação destes nutrientes por meio do aproveitamento dos subprodutos é de fundamental importância para as futuras gerações”, diz.
Programação
A programação técnica prevê palestras e painéis sobre o mercado de insumos orgânicos, regulação ambiental, inovação tecnológica e perspectivas para o setor. O evento será realizado no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, das 08 horas às 17h30, com inscrições gratuitas.
O simpósio também vai reunir representantes de órgãos públicos, pesquisadores e profissionais ligados à produção de insumos agrícolas de base orgânica para discutir os desafios e oportunidades da atividade no Brasil.
Manhã
08h – Credenciamento/Recepção
08h30 – Abertura: Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger
09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari – Presidente da Assiferto RS
09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo
10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual, com Marjorie Kauffmann – Secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam
11h – Mesa Redonda
12h – Almoço (por adesão)
Tarde
13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas – MAPA RS, com Henrique Bley
14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona – Pesquisador da Embrapa Trigo
15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica – UFPR, com Átila Francisco Mógor
15h45 – Intervalo
16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no RS, com Marcelo Biassusi da Emater
16h45 – Mesa Redonda
17h30 – Encerramento






