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Pirataria desafia mercado bilionário de sementes de soja

Mesmo com avanços em genética, biotecnologia e certificação, 28% do setor ainda é dominado por sementes ilegais, representando riscos de perdas anuais de até R$ 9 bilhões.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Em 21 de agosto é celebrado o Dia da Semente. Mais do que uma data no calendário dos multiplicadores de sementes de soja, é um lembrete de que nessa valiosa estrutura reside a tecnologia, a pesquisa e a inovação que impulsionam toda a produtividade no campo. Para a cadeia de produção da soja, é esse o ponto de partida de uma nova safra, assegurada com investimento em genética e a responsabilidade de garantir a sanidade e a qualidade que potencializam o máximo de cada lavoura. Afinal, a semente de soja é a base de um agronegócio de sucesso e a promessa de um futuro sustentável para a agricultura.

Foto: Alvaro Rezende

Sendo assim, ela é a vitalidade de um setor com ecossistema complexo que acontece pela união da biotecnologia de ponta, com regulamentações rigorosas, de forças dinâmicas do mercado e de parcerias estratégicas entre instituições. A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass)inserida nessa realidade, busca ativamente fortalecer, defender e valorizar essa atividade. Pois, a trajetória do segmento é uma história de profunda transformação, saindo de um modelo centralizado e controlado pelo Estado para se tornar o sistema altamente profissionalizado e regulamentado que conhecemos hoje. Essa evolução foi crucial para a consolidação do Brasil como um dos maiores produtores de soja do mundo.

Perspectivas e desafios

A solidez do mercado de sementes de soja justifica o porquê a produção dessa leguminosa é o centro do desenvolvimento econômico do país. Dados da Blink Consultoria mostram que em 2022/23, esse mercado movimentou R$ 33,6 bilhões, com um volume de cerca de 55,3 milhões de sacas de 40 kg, refletindo um crescimento de 6,2 % em relação ao ano anterior. No entanto, o setor enfrenta um grande desafio que são R$ 9,0 bilhões do mercado não certificado – aquele formado por sementes salvas ou piratas na safra 2025/26, segundo a Céleres Consultoria. Esse desequilíbrio representa perdas potenciais anuais de até R$ 9 bilhões caso todo o mercado migrasse para a certificação, preservando a garantia de germinação, a sanidade e a pureza varietal.

As perspectivas de crescimento são animadoras: o Brasil projeta alcançar 48,3 milhões de hectares de soja em 2025/26, o que deverá elevar a demanda por sementes certificadas para 48,3 milhões de sacas em 2025/26 e 49,2 milhões em 2026/27, segundo dados da Céleres Consultoria em levantamento periódico para a ABRASS. Em um cenário otimista, esse mercado pode chegar a 51,2 milhões de sacas, impulsionado pela necessidade de renovação de área, pela adoção de novas tecnologias e pelas exigências de qualidade dos mercados consumidores. Além disso, a expansão do mercado global de proteína vegetal e as demandas por sustentabilidade devem abrir novas frentes de exportação e de desenvolvimento de cultivares adaptadas a diferentes condições ambientais.

Contudo, há desafios a superar: a estimativa de que 28% do mercado utilize sementes não certificadas representa riscos não apenas de sanidade, mas também de concorrência desleal; o custo do crédito permanece alto, com taxas reais pressionadas pela taxa Selic; e a volatilidade cambial, com cenários que vão de R$ 5,60 a R$ 6,70 por dólar, impacta diretamente a paridade de exportação e o preço doméstico da saca.

Foto: Geraldo Bubniak

Entre as oportunidades, destaca-se o crescimento do tratamento industrial de sementes (TSI), que passou de R$ 1,19 bilhão em 2021 para projeções acima de R$ 1,76 bilhão em 2025/26. A personalização de receitas e a praticidade de receber sementes prontas para semeadura têm atraído cada vez mais produtores. As inovações em biotecnologia e melhoramento genético, com investimentos anuais vultuosos pelas principais obtentoras, geram retornos sociais e econômicos para toda a cadeia. Paralelamente, a digitalização ganha força com plataformas de rastreabilidade, gestão de estoque e planejamento integrado, reduzindo perdas e otimizando decisões comerciais. Modelos de financiamento alternativo, como pools de compra e parcerias cooperativas, também despontam como solução para driblar o encarecimento do crédito tradicional.

Para navegar esse cenário complexo, os multiplicadores de sementes devem fortalecer a certificação e evidenciar os diferenciais da semente legal, otimizar custos financeiros por meio de renegociação de dívidas, investir em tecnologias de precisão no processamento e tratamento, ampliar parcerias institucionais para combater a semente pirata e explorar nichos de alta tecnologia, como edição gênica e bioinsumos. “A Abrass tem colocado em prática projetos que ajudam nas tomadas de decisões e na busca por soluções, além de relações com entidades, especialistas e empresas que possam melhorar cada vez mais essa conjuntura. Pois os desafios são cruciais, desde a necessidade de políticas públicas mais robustas para combater a pirataria e a informalidade, que minam a inovação e a segurança fitossanitária, até a urgência de promover a pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares adaptadas às diferentes realidades climáticas e de solo do nosso vasto território. Além disso, a volatilidade dos custos de produção e a pressão por sustentabilidade exigem que trabalhemos em conjunto com toda a cadeia produtiva para garantir que o produtor brasileiro tenha acesso a sementes de alta qualidade, que impulsionam a produtividade e a competitividade do nosso agronegócio”, enfatiza o presidente da associação, André Schwening.

Fonte: Assessoria ABRASS

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Crédito rural da agricultura empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026

CPR liderou as modalidades de financiamento, enquanto a Região Sul concentrou o maior volume de recursos contratados.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

O crédito rural destinado à agricultura empresarial totalizou R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026, encerrada em junho deste ano. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e consideram as operações realizadas entre julho de 2025 e junho de 2026, excluindo os financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

A Cédula de Produto Rural (CPR) foi a principal modalidade de financiamento utilizada pelos produtores, respondendo por R$ 205,2 bilhões, o equivalente a 43% do total contratado. Na sequência aparecem as operações de custeio, com R$ 150,3 bilhões (31,5%), investimento, com R$ 50,5 bilhões (10,6%), comercialização, com R$ 37,9 bilhões (7,9%), e industrialização, que movimentou R$ 33,3 bilhões (7%). Somadas, as operações de CPR e custeio alcançaram R$ 355,5 bilhões, representando 74,5% de todo o crédito concedido na safra.

Na divisão por segmentos, os médios e grandes produtores enquadrados na categoria “Demais Empresarial” concentraram R$ 210,9 bilhões em financiamentos, correspondentes a 44,1% do total. Já o Pronamp respondeu por R$ 61,5 bilhões, ou 12,9% das concessões.

Ao longo da safra foram registrados 534.828 contratos de crédito rural para a agricultura empresarial. Desse total, 161.968 correspondem a operações por meio de CPR. As operações de custeio responderam por 263.896 contratos, enquanto os financiamentos para investimento somaram 97.105 contratos.

Nos programas de investimento, as aplicações chegaram a R$ 50,5 bilhões. O RenovAgro e o Pronamp lideraram os desembolsos, ambos com cerca de R$ 5,2 bilhões, seguidos pelo Moderfrota, com R$ 4,2 bilhões, e pelo Inovagro/Moderagro, com R$ 3,9 bilhões.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Entre as fontes de recursos, os Recursos Obrigatórios responderam por R$ 53,9 bilhões dentro das fontes controladas. Já entre as fontes não controladas, destacaram-se a LCA Livre, com R$ 67,1 bilhões, e a Poupança Rural Livre, com R$ 63,2 bilhões.

Regionalmente, a Região Sul concentrou o maior volume de crédito, com R$ 81,2 bilhões distribuídos em 146.956 contratos. O Sudeste aparece na sequência, com R$ 75,9 bilhões, praticamente empatado com o Centro-Oeste, que registrou R$ 75,8 bilhões. Apesar disso, o Centro-Oeste apresentou o maior valor médio por operação, de R$ 1,19 milhão. No Sul, o tíquete médio foi de R$ 552,2 mil.

O boletim também mostra que os recursos equalizáveis somaram R$ 53,6 bilhões na safra, o equivalente a 58,6% da programação prevista para o período, de R$ 91,4 bilhões. Desse total, R$ 28,4 bilhões foram destinados ao custeio, R$ 24,5 bilhões aos investimentos e R$ 663 milhões à comercialização.

Conforme o Mapa, os dados divulgados são provisórios e não apresentam comparações com safras anteriores em razão das restrições previstas para o período de defeso eleitoral.

Acesse os dados clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural com Mapa
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Curitiba recebe 22ª Reunião da Relare sobre inoculantes microbianos para a agricultura

Evento promovido pela Embrapa vai reunir cerca de 300 especialistas e recebe resumos científicos até 10 de agosto.

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Foto: Antonio Neto/Embrapa

A cidade de Curitiba (PR) vai sediar, nos dias 19 e 20 de agosto, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O encontro será realizado no Centro de Eventos Sistema Fiep e deve reunir aproximadamente 300 participantes, entre pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, consultores e órgãos de fiscalização.

Promovida pela Embrapa, em parceria com a CropLife Brasil e a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio), a reunião conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Microrganismos Promotores de Crescimento de Plantas para Sustentabilidade Agrícola e Ambiental (INCT Microagro) e da Fundação Araucária.

A programação será dedicada às discussões técnicas sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com foco em protocolos para análise da qualidade de inoculantes, padronização de metodologias e validação de novos produtos biológicos. O objetivo é promover o intercâmbio de informações técnico-científicas relacionadas ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade da produção agropecuária.

A comissão organizadora também está recebendo trabalhos científicos na modalidade de resumo. O prazo para submissão termina em 10 de agosto, por meio do sistema de inscrição do evento. Os trabalhos aprovados serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais da 22º Relare.

Para submeter o resumo, o participante deve realizar previamente a inscrição no evento, clicando aqui.

Fonte: Assessoria Embrapa
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Expansão dos insumos orgânicos pauta simpósio inédito no Rio Grande do Sul

Evento vai reunir pesquisadores, autoridades e representantes da indústria para discutir mercado, regulação e o aproveitamento de resíduos na produção agrícola.

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1º Simpósio Assiferto RS de Insumos Agrícolas com Base Orgânica acontece em 6 de agosto, em Bento Gonçalves - Foto: Divulgação/Freepik

O crescimento do mercado de insumos agrícolas de base orgânica e os desafios para ampliar o uso desses produtos no campo estarão no centro dos debates do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, marcado para 06 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). Promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS), o encontro reunirá pesquisadores, representantes do poder público e empresas para discutir aspectos técnicos, regulatórios e econômicos do setor.

Presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari: “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio” – Foto: Divulgação/Assiferto

Segundo a entidade, a expansão da demanda por alimentos produzidos com práticas sustentáveis, aliada ao avanço das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade no agronegócio, tem impulsionado o mercado de fertilizantes e condicionadores de solo produzidos a partir de resíduos orgânicos.

De acordo com o presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari, o simpósio foi criado para ampliar o debate sobre o papel desses insumos na agricultura brasileira. “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio. O objetivo é mostrarmos à sociedade, às entidades, ao setor público e ao setor agrícola que, no Rio Grande do Sul, existem empresas organizadas e com tecnologia capazes de converter subprodutos orgânicos em insumos agrícolas de qualidade, solucionando problemas ambientais e mitigando a dependência de nutrientes importados para uso na agricultura”, afirma.

Economia circular e aproveitamento de resíduos

As empresas associadas à Assiferto RS reciclam mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano. Após o processamento, esses materiais retornam à cadeia produtiva na forma de fertilizantes sólidos e líquidos, condicionadores de solo e outros insumos utilizados na agricultura.

Segundo Ferrari, o reaproveitamento desses resíduos contribui para reduzir o desperdício de nutrientes e fortalecer modelos de economia circular. “A conexão do setor de insumos agrícolas com base orgânica com a sociedade se dá principalmente no entendimento de que o nosso planeta tem limites de recursos e que, para produzir alimentos, precisamos de nutrientes finitos. A recuperação destes nutrientes por meio do aproveitamento dos subprodutos é de fundamental importância para as futuras gerações”, diz.

Programação

A programação técnica prevê palestras e painéis sobre o mercado de insumos orgânicos, regulação ambiental, inovação tecnológica e perspectivas para o setor. O evento será realizado no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, das 08 horas às 17h30, com inscrições gratuitas.

O simpósio também vai reunir representantes de órgãos públicos, pesquisadores e profissionais ligados à produção de insumos agrícolas de base orgânica para discutir os desafios e oportunidades da atividade no Brasil.

Manhã

08h – Credenciamento/Recepção

08h30  Abertura: Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger

09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari – Presidente da Assiferto RS

09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo

10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual, com Marjorie Kauffmann – Secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam

11h – Mesa Redonda

12h – Almoço (por adesão)

Tarde

13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas – MAPA RS, com Henrique Bley

14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona – Pesquisador da Embrapa Trigo

15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica – UFPR, com Átila Francisco Mógor

15h45 – Intervalo

16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no RS, com Marcelo Biassusi da Emater

16h45 – Mesa Redonda

17h30 – Encerramento

Fonte: Assessoria Assiferto
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