Avicultura
Pirâmide da produção: a avicultura como você nunca viu
Produção de bisavós, avós e matrizes é completamente diferente e mais complexo que criar frangos de corte.

A indústria avícola está em constante evolução e o melhoramento genético é uma das chaves para o sucesso. Uma maneira de melhorar a genética é a partir de aves em granjas núcleo que têm pedigree, um registro genealógico dos ancestrais de um animal que traça sua linhagem. Essas granjas núcleo ficam nos Estados Unidos e em países da Europa para garantir a segurança genética. O Brasil importa ovos incubados que vão dar origem às bisavós. Todo o processo, da importação ao monitoramento, é certificado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Poucas empresas no mundo detêm o mercado genético avícola. O especialista em avicultura, atuando há mais de 23 anos em toda a cadeia e diretor associado de Marketing na Cobb-Vantress, Cassiano Marcos Bevilaqua, explica que no caso da Cobb uma ave da granja núcleo pode fornecer até 23 bisavós. Essas 23 bisavós eclodem nos incubatórios do Brasil e vão para granjas, onde podem produzir cerca de 725 avós. Da mesma forma acontece com as avós, que podem produzir 29 mil matrizes, uma média de 40 matrizes por avó. Essas matrizes, por sua vez, vão gerar cerca de 5,2 milhões de ovos férteis. A produtividade potencial aumenta por meio da seleção genética, que elimina as aves com defeitos e as avalia com base em parâmetros específicos.
Depois das bisavós, as linhagens masculina e feminina são separadas, e cada uma é cruzada com uma linhagem diferente. Este processo é diferente para cada pedigree, com diferentes letras atribuídas a cada linhagem. Por exemplo, o pedigree A pode ser cruzado com o pedigree B, enquanto o pedigree C pode ser cruzado com o pedigree D.
A hibridização resulta em diferentes características, como maior rendimento de carcaça, melhor qualidade da carne de peito e maior ganho de peso. Os marcadores genéticos ajudam a identificar traços de DNA, como resistência a certas doenças e ganho de peso melhorado.
“As bisavós são importadas pelo Brasil em ovos férteis. O ovo é incubado aqui, em granjas credenciadas pelo Mapa, com certificações para trabalhar somente com material importado. Depois, essas aves passam por um período de quarentena, onde são feitas coletas para exames e monitoramento para saber se estão saudáveis e aptas a começar a produzir as avós”, explica Bevilaqua.
O profissional explica que a seleção vai retirar dos lotes aves que não tenham características desejáveis. Ou seja, bisavós e avós que não se enquadram nas características específicas são descartadas. “Existe uma série de parâmetros, itens avaliados, para seguir no processo de produção. Tanto no processo de bisavós quanto de avós existe uma seleção”, comenta.
Hibridização
Bevilaqua destaca que “a partir das bisavós temos separadas a linha fêmea e macho. São aproximadamente dez fêmeas para cada macho em todo o processo, com tratamento diferenciado para machos e fêmeas em todas as fases”. Para o pintinho de um dia ter as características de quatro linhagens puras (ABCD), são feitos cruzamentos entre essas linhagens, nessas fases. Por isso a importância da cadeia de aves ter as bisavós e as avós. Sem o cruzamento nessas etapas, os pintinhos não teriam todo o potencial produtivo que apresentam atualmente.
E esse processo não para, tanto que novos machos, com características melhores, são lançados no mercado de tempos em tempos. “São feitos cruzamentos e análises minuciosas para definir qual o produto vai ser melhor. A linha fêmea da Cobb é a mesma há mais de 45 anos, desde 1975, mas a linha macho mudou várias vezes nos últimos anos, como em 2015 e em 2019”, explica o especialista. “O hibridismo é que vai oferecer as características para o frango de corte. Se muda qualquer letra (pedigree), chegamos a características diferentes. Os principais atributos que buscamos são rendimento de carcaça, mais carne de peito, melhor conversão alimentar (CA) e mais ganho de peso diário (GPD)”, destaca. O trabalho para lançar um novo animal no mercado pode levar muito tempo. “De quatro a cinco anos para começar uma linha nova”, destaca o profissional.
Recria e produção
O processo para a produção de matrizes é totalmente distinto de uma produção de frangos comum. O especialista da Cobb cita particularidades do processo, como ajustes nutricionais, controle da qualidade óssea e dos órgãos internos, leitura de conversão alimentar em tempo real, capacidade reprodutiva e produtiva, utilizando observações fenotípicas, equipamentos como ultrassom e raio-x e alta ciência, como a genômica. “É um processo completamente diferente de criar frangos de corte. Apenas 2% das aves pedigree são aproveitadas. É uma quantidade enorme de aves para tirar o melhor das melhores, com tecnologias e ciência de ponta”, explica Bevilaqua.
“Os períodos de produção das bisavós, avós e matrizes são todos iguais. A primeira fase é a recria, onde permanecem na granja entre a primeira e 22 semanas de idade. Esse é o período para formar ave, para ela crescer, desenvolver órgãos reprodutivos para ser apta a seguir no sistema. Ao contrário do frango de corte, por exemplo, etapa em que é desejável que o animal ganhe mais peso em menos tempo, das bisavós às matrizes é preciso ter um controle de peso dos animais, controlar o consumo de ração e mudar a composição em cada fase”, destaca. “Na fase de recria normalmente se usa três tipos de ração, a inicial, que tem mais proteína para fazer a ave crescer, ter ganho de peso, depois a ração de crescimento para manter o desenvolvimento e garantir a formação de musculatura. Na quinta semana é a ração de pré postura, tem mais energia para maior acúmulo de gordura, maior conformação corporal para produzir ovos. Tanto bisavós quanto avós e matrizes segue esse programa nutricional”, aponta o especialista.
Na recria, as aves, recebem pouco estimulo de luz para evitar a precocidade. “A luz tem que ser controlada. São oito horas de luz por dia, com intensidade reduzida, de 3 e 5 lumens. As granjas são dotadas de cortina escura ou até mesmo parede, pois não deve haver entrada de luz externa”, destaca o profissional.
A partir da 23ª semana é hora de transferir as aves selecionadas para a produção, com mais detalhes específicos para essa etapa da pirâmide produtiva da avicultura. “Depois da formação corporal, a ave é transferida com 23 semanas vai para o período de produção. A maioria das granjas de recria e reprodução são separadas. Nessa fase, ela começa a receber estímulos para iniciar a produção de ovos. Entre esses estímulos, dois são mais importantes, que são o volume de ração e o estímulo de luz. Quando chegamos próximo à produção vamos aumentando o volume de ração. Por outro lado, nessa hora as aves estão em galpão aberto, com mais acesso à luminosidade. “Quando vamos para a produção a ave está em galpão aberto, pois precisa receber mais luz e ração, que vai aumentando aos poucos, dependendo da época do ano. O programa de luz sai de oito, para 12, 14, até chegar mais ou menos próximo de 16 horas”, frisa Bevilaqua.
O objetivo é que essa matriz possa produzir até 180 ovos, começando a produzir entre 24 a 25 semanas, com o pico de produção iniciando entre 28 e 30 semanas e uma vida produtiva de 65 semanas. Na produção também são usadas diferentes rações. “A gente usa pré postura até o primeiro ovo, depois troca para ração de postura 1, que tem mais proteína e mais energia, pois nessa fase precisa desse estímulo maior. Depois do pico de produção (8 a 14 semanas de pico, mudamos para a ração de postura 2, com menos energia e proteína, pois temos que controlar o peso da ave. Caso contrário, ela vai gastar muita energia para manter seu peso corporal e não ter energia para a produção de ovos”, menciona o profissional.
“No pico, que se mantém por pelo menos dez semanas, a ave deve produzir um ovo a cada 25 horas. Com a idade a produção vai caindo a produção e com 65 semanas é descartada”, destaca Bevilaqua. Uma particularidade é que é um processo rastreado para proteger o material das casas genéticas. “A ave descartada vai para o frigorífico que tenha SIF (Serviço de Inspeção Federal). É preciso ser identificado para onde vai, ter o controle sanitário e garantir a segurança da genética”, aponta.


Machos e fêmeas
Na recria, machos e fêmeas são criados separadamente. Eles são unidos para o período produtivo têm até dietas diferentes entre eles. “Na recria, o programam nutricional para o macho é o mesmo, exceto por não receber a ração de pré postura. Quando vai pra produção ele recebe ração específica para macho, que tem que ter menos índice de proteína, menos cálcio, menos energia. A gente consegue controlar o peso do macho para que ele consiga copular a fêmeas por um maior período possível”, aponta Bevilaqua. “Existem alguns manejos para evitar que o macho coma a ração da fêmea e vice versa. Existem comedouros separados, onde é feita uma regulagem mais alta do comedouro para o macho, que é maior e consegue comer mais alto. Quando o macho começa a comer a ração dele, baixamos os comedouros das fêmeas. Algumas granjas utilizam restaurantes para machos, um box para comer de manhã”, menciona.
A quantidade pode variar minimamente, mas aproximadamente 10 fêmeas para cada macho. “O acasalamento é de 10 para 1. No início da produção a gente coloca um pouco mais, 10,5 ou 11 fêmeas para um macho”, comenta.
Classificação
Todo o processo da produção de bisavós é feito com avaliações fenotípicas e exames clínicos. “Além do controle de ambiência, uma vez por semana faz a pesagem dos animais e ajusta a ração de acordo com os resultados. Em cada semana é preciso alcançar um peso ideal. Depois é feita uma seleção fenotípica, para tirar aves com defeitos, como dorso torto, empenamento, bico torto, etc. Na parte de pedigree é mais detalhado, há uma série de tecnologias de classificação, como avaliação de conversão alimentar em tempo real. A gente mensura o peso no momento que a ave vai ao comedouro e depois o peso que ela vai atingir naquele dia. Isso é feito ave por ave, que são identificadas uma a uma ainda no incubatório. Quando a bisavó cresce, é feito faz raio x para observar a estrutura óssea, e ultrassom para medir como está espessura do peito, conformação, etc.”, aponta.
A genômica, ciência que que estuda o genoma dos organismos a partir do seu sequenciamento completo (DNA), com o objetivo de entender a sua estrutura e função, também é aliada na seleção das melhores. A genômica é utilizada, por exemplo, para manter no processo produtivo aves que tenham mais resistência a determinadas doenças. “Hoje trabalhamos com marcadores genéticos. Coletamos sangue, identificamos o DNA e promovemos aquelas que têm marcador que vai estimar a resistência a determinada doença ou a um maior ganho de peso, por exemplo”. Cada marcador tem características diferenciadas”, aponta.
Entre os principais atributos para definir as bisavós estão CA, ganho de peso, rendimento de carne, rendimento de carne de peito ou carnes nobres, capacidade reprodutiva e eclodibilidade (produção de ovos e nascimento). Outras considerações para a seleção das melhores, de acordo com Bevilaqua, estão avaliação da estrutura óssea, viabilidade e saúde do coração e dos pulmões. “Usamos também um oxímetro para medir o percentual de oxigênio transportado no sangue”, destaca o profissional.
Depois da seleção das bisavós é feita a avaliação fenotípica para as avós e matrizes, ou seja, observando e retirando as aves com problemas visíveis ao olho humano. “É feita uma avaliação fenotípica para retirar aves com problemas nas pernas, dorso, bico cruzado, entre outras”, menciona Bevilaqua. Ainda, em todas as bisavós, avós e matrizes de um dia é feita a debicagem. “A debicagem tem que ser feita para o bico não crescer e ficar pontudo, pois pode quebrar ovos e machucar outras galinhas”.

Peso dos ovos
Depois que as avós começam a colocar os ovos é feito um rigoroso controle de peso e qualidade, em cada fase da vida produtiva, que vão ser incubados para dar origem às matrizes. “Existem uma tabela de peso dos os ovos precisam seguir. Conforme a ave vai aumentando produção, o sistema vai produzindo gemas maiores. Essas gemas maiores, junto com a clara, vão produzir ovos maiores. Isso é bom, mas tem que ser controlado. O peso do ovo impacta no tamanho do pintinho. Em torno de 65% do peso do ovo vai ser o peso do pintinho de um dia. “No início o peso do ovo tem que subir mais rápido para ter maior aproveitamento. O ideal é incubar ovos a partir de 50 gramas. No início da produção o aproveitamento de ovos é baixo. Entre duas e três semanas os ovos de baixo peso são descartados, vendidos como ovo comercial, para o consumo”, amplia Bevilaqua. Ele explica que o aproveitamento médio ideal seria entre 97% e 98% dos ovos do lote.
Localização e sanidade
No caso da Cobb, todos os ovos férteis de bisavós para a América do Sul São provenientes dos Estados Unidos. “Temos nosso incubatório e as granjas de bisavós no estado de São Paulo. Depois que começam produzir, como aumenta o volume, com uma quantidade maior, elas vão para granjas de avós em cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná. A distribuição no Sul do país acontece em parceria com Agrogen, que é um multiplicador da Cobb”, destaca Bevilaqua. Depois nascem as matrizes, que são entregues para os clientes, como cooperativas e empresas avícolas.
Em todo o processo, a sanidade e a biosseguridade não tratadas com extremo rigor. “Existe um robusto programa sanitário implantado nas aves para controlar diversas doenças de importância na avicultura. Se você tiver um doença na bisavó vai transmitir para todo seu programa genético, para todas gerações futuras”, frisa Bevilaqua. “No incubatório já recebem in ovo a vacina de Mareck (obrigatório) e a de Gumboro. Durante a vida da ave existe um programa ainda com vacinas contra bronquite, coccidiose e pneumovírus. Algumas empresas também usam vacina contra o reovírus”, explica o profissional.
Ele destaca que até as avós é proibido usar vacina de salmonela, em detrimento de uma legislação do Mapa para manter o controle sanitário, mas essa vacina é usada a partir das matrizes. Além disso, para garantior a sanidade, são feitas coletas de soro para monitorar as principais doenças, como micoplasma, salmonela, leucose, que são tumores, etc. “Se você não percebe pode chegar até o frango, resultando em mais mortalidade e resultado zootécnico comprometido”, amplia.
Os pintinhos
Depois de um longo caminho da pirâmide produtiva, os ovos férteis das matrizes chegam até os incubatórios, onde permanecem até os 18 dias, quando os ovos são transferidos da incubadora para o nascedouro ou sala de nascimento. Os pintinhos nascem aos 21 dias de incubação. Nessa etapa, lembra Bevilaqua, alguns dos pontos de atenção estão no “controle de umidade e temperatura. São dois fatores muito importantes. O ovo perder umidade para que o embrião se desenvolva adequadamente, para ele ter uma maior taxa de nascimento”, frisa o especialista. A taxa de eclodibilidade depende muito de fatores associados, mas Bevilaqua destaca que “na maioria das empresas essa taxa varia entre 82% a 84%”. Ele destaca que a Lar Cooperativa Agroindustrial, do Paraná, tem “a maior taxa de eclosão do mundo, com 88% dos ovos do lote”.
Depois que nascem, mais uma operação complexa é realizada para que os pintinhos cheguem às granjas comerciais de frangos de corte no menor tempo possível. “Depois que nascem alguns cuidados são o controle de temperatura na sala de espera para ser transportado, que deve girar em torno de 22 a 24 graus. O ideal é que do momento do nascimento até chegada na granja não passe de seis horas, mas é preciso ter uma logística precisa para isso”, menciona.
No transporte os cuidados são também de controle de temperatura e umidade. “Os cuidados no transporte incluem manter a temperatura de 21 a 22 graus, com controle de umidade até a chegada no galpão. O pintinho não pode perder hidratação”, destaca.
Só na chegada aos aviários é que de fato o avicultor tem o controle da produção. O importante é aquecer especialmente a cama de aviário para a chegada dos pintinhos. “A granja tem que estar com galpão pré aquecido. A temperatura de cama é importante. Muitas vezes o produtor só olha o termômetro (temperatura ambiental) e esquece da cama. O ideal é que a cama esteja entre 32 e 33 graus. Por isso o pré aquecimento vai depender muito da estrutura do aviário. Alguns galpões é preciso ligar o sistema de aquecimento dois dias antes, outros um dia antes e outros ainda 12 horas antes”, orienta.
O consumo de água e ração também deve ser estimulado para acontecer o mais rapidamente possível. “Tem que ter água fresca e ração. Alguns produtores usam comedouro infantil ração distribuída no papel”, destaca o profissional.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Avicultura
Casal cria galinheiro inspirado em disco voador; veja vídeo
Construído com antenas parabólicas reaproveitadas e equipada com isolamento térmico, controle de temperatura e sistema para facilitar o manejo, estrutura criada por casal dos Estados Unidos combina funcionalidade e humor.

Um casal do estado de Idaho, nos Estados Unidos, encontrou uma maneira pouco convencional de unir a criação de galinhas ao interesse por ficção científica. Em vez de um galinheiro tradicional, os dois desenvolveram uma estrutura em formato de disco voador que cria a ilusão de que as aves estão sendo abduzidas por alienígenas, especialmente durante a noite.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
O projeto voltou a ganhar repercussão nas redes sociais após imagens da construção circularem novamente na internet. Embora tenha aparência lúdica, a chamada ‘galinave’ foi idealizada para atender às necessidades práticas da criação de aves, reunindo soluções para conforto térmico, segurança e facilidade de manutenção.
A base da estrutura foi montada com duas antigas antenas parabólicas de aproximadamente três metros de diâmetro cada. A partir desse esqueleto, o casal realizou adaptações para impermeabilização, ventilação, coleta de ovos e limpeza interna.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
As janelas foram produzidas com cúpulas acrílicas originalmente utilizadas em câmeras de segurança. O piso foi rebaixado por meio da instalação de um círculo de madeira de cerca de 2,4 metros de diâmetro, enquanto o isolamento térmico recebeu aplicação de espuma para reduzir os efeitos das baixas temperaturas no inverno.
Estrutura alia criatividade e soluções para o manejo
Além da porta de acesso das galinhas, a construção ganhou uma escotilha destinada à retirada dos ovos e às atividades de limpeza, contribuindo também para a circulação de ar. O teto recebeu revestimento impermeável e pintura com tinta de alumínio, escolhida tanto pelo aspecto visual semelhante ao de uma nave espacial quanto pela capacidade de refletir a luz solar e ajudar a reduzir o aquecimento durante o verão.
Para minimizar o risco de ataques de predadores, o galinheiro foi instalado sobre a base

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
reaproveitada de um trampolim, elevando a estrutura do solo e reforçando o efeito de um objeto flutuando.
Os acabamentos incluíram ninhos, sistemas de abertura para manutenção e iluminação instalada na parte inferior da estrutura.
À noite, as luzes simulam um feixe luminoso semelhante ao frequentemente retratado em filmes sobre extraterrestres, criando a impressão de que as galinhas estão sendo sugadas para o interior da nave.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
Posteriormente, o casal incorporou um sistema de controle de temperatura baseado em uma placa Raspberry Pi, permitindo o monitoramento e o ajuste remoto das condições internas pela internet.
Projeto foi publicado com tutorial e voltou a repercutir
A ‘galinave’ foi apresentada originalmente em 2021 no fórum Backyard Chickens, plataforma dedicada a criadores e entusiastas da avicultura doméstica. Na ocasião, os responsáveis compartilharam imagens do resultado final e um tutorial detalhando as etapas da construção e os materiais utilizados.
Nos últimos dias, o projeto voltou a circular nas redes sociais, chamando atenção pela combinação

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
entre reaproveitamento de materiais, soluções técnicas para o manejo das aves e uma estética inspirada na cultura pop.
O caso se destaca por transformar um equipamento voltado à produção doméstica em uma instalação criativa que desperta curiosidade muito além do universo da avicultura.
Avicultura
Consumo recorde impulsiona debate sobre futuro da avicultura de postura durante SIAVS 2026
Com consumo anual de 288 ovos por habitante, o setor debate no Simpósio Ovos Brasil exportações, agregação de valor, sucessão empresarial e tecnologias para ampliar a competitividade.

O crescimento do consumo de ovos no Brasil, a abertura de novos mercados internacionais, as estratégias para agregação de valor aos produtos e os avanços tecnológicos estarão entre os principais temas debatidos durante o Simpósio Ovos Brasil, realizado dentro da programação do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O encontro vai reunir especialistas, produtores e empresas para discutir os desafios e as

Coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda: “É fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas” – Foto: Divulgação
oportunidades da cadeia produtiva de ovos em um momento de expansão do setor, marcado pelo fortalecimento do consumo interno e pelo avanço das exportações brasileiras.
De acordo com a coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda, a programação foi estruturada para oferecer uma visão ampla sobre o futuro da avicultura de postura. “Entre os temas centrais estarão o comportamento do mercado global de ovos, as oportunidades de abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros, estratégias de marketing e posicionamento para ampliar o consumo e agregar valor aos produtos, além de questões ligadas ao planejamento patrimonial, sucessório e tributário das empresas do setor”, explica.
Conforme salienta, os assuntos debatidos serão estratégicos para garantir competitividade e sustentabilidade da atividade nos próximos anos. “Para sustentar esse avanço, é fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, reforça.

Foto: Shutterstock
Consumo recorde fortalece cadeia produtiva
As discussões ocorrem em um momento histórico para o setor. Segundo projeções da ABPA, o consumo per capita de ovos no Brasil alcançou 288 unidades por habitante ao ano, o maior patamar já registrado no país. Para Tabatha, o resultado está diretamente ligado à consolidação do ovo como um alimento essencial na dieta dos brasileiros. “O principal fator é o reconhecimento cada vez maior do ovo como um alimento completo, nutritivo, seguro e acessível. Hoje, o consumidor tem mais informação sobre os benefícios nutricionais do produto, que oferece proteína de alta qualidade, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação equilibrada”, realça.
Além desses atributos, a versatilidade do alimento contribuiu para ampliar sua presença no dia a

Foto: Shutterstock
dia da população. “Esse crescimento demonstra a consolidação do ovo como uma das proteínas mais presentes na mesa dos brasileiros e confirma a capacidade do setor de atender a uma demanda crescente com qualidade, segurança e eficiência”, destaca.
Essa subida nos gráficos do consumo também impulsiona novos investimentos em produção, inovação, logística e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da atividade nacional.
Consumidor impulsiona inovação e diversificação
As mudanças no comportamento do consumidor têm direcionado os investimentos do setor. A busca por qualidade, rastreabilidade, segurança dos alimentos e praticidade estimulou a adoção de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções voltadas às diferentes demandas do mercado. “Nos últimos anos, observamos avanços importantes em processos produtivos, controle

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
de qualidade, certificações, bem-estar animal e desenvolvimento de embalagens mais práticas e informativas. Também cresceu a oferta de produtos com maior valor agregado, como ovos líquidos, linhas voltadas ao público que busca maior aporte proteico, praticidade e conveniência”, compartilha Tabatha.
Esse cenário abre espaço para diversificação de produtos, fortalecimento de marcas e ampliação do consumo em canais como food service, varejo de conveniência e alimentação fora do lar. “A tendência é que essa aproximação entre as demandas do consumidor e a capacidade de inovação da cadeia continue impulsionando o crescimento do setor nos próximos anos”, avalia.
Tecnologia e sustentabilidade
Além das discussões, os participantes do SIAVS terão acesso a um amplo conjunto de tecnologias, equipamentos e soluções voltadas para todas as etapas da produção.
Entre os destaques estão tecnologias de automação de granjas, monitoramento de desempenho em

Foto: Rodrigo Felix Leal
tempo real, sistemas de gestão baseados em dados, equipamentos para classificação e processamento de ovos, além de soluções para biosseguridade, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
Também ganham espaço temas como rastreabilidade, bem-estar animal, redução de desperdícios, aproveitamento de subprodutos e melhoria da eficiência operacional. “A presença dos principais fornecedores nacionais e internacionais de genética, nutrição, sanidade, equipamentos e tecnologia permitirá aos visitantes conhecerem tendências que já estão transformando a avicultura de postura no Brasil e no mundo, reforçando o papel do SIAVS como um ambiente estratégico para atualização, networking e geração de negócios”, enfatiza a coordenadora técnica da ABPA.
Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.



