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Pioneiro em implantar sistema de plantio direto na palha, Hans Peeten destaca importância do calcário para o sucesso da agricultura brasileira
Atualmente mais de 90% das áreas agricultáveis do Brasil adotam a técnica trazida pelo pesquisador holândes.

De passagem pelo Brasil, um dos idealizadores da Fundação ABC e responsáveis pela difusão do plantio direto na palha em solo brasileiro, o holandês Hans Peeten visitou fábricas do setor agrícola no Paraná e destacou o papel fundamental do calcário para a expansão e sucesso da agricultura na região dos Campos Gerais. “Toda a história do desenvolvimento da região começa com o calcário. Sem isso, não teria agricultura aqui”, enalteceu o pesquisador.

Fotos: Klé Gabriel
A produção agrícola por hectare cresceu de froma expressiva, atingindo pelo menos o dobro, e, em muitos casos, o triplo de produtividade por hectare nas últimas décadas. “Vocês estão no primeiro mundo. Hoje, a região é um cartão de visitas. É uma paisagem fantástica, conservada, limpa, de alta produtividade, com o produtor animado”, ressaltou Peeten, que morou no Brasil por 15 anos, a partir de 1974, e hoje reside na Holanda, onde atua como consultor em cultivo de batata em países da África e até na Rússia.
Pioneirismo
Peeten esteve em Castro para participar da celebração dos 40 anos da Fundação ABC, instituição particular sem fins lucrativos que realiza pesquisa aplicada para desenvolver e adaptar novas tecnologias para mais de cinco mil produtores rurais filiados das Cooperativas Frísia (Carambeí), Castrolanda (Castro) e Capal (Arapoti), além de agricultores contribuintes de outras três cooperativas do Paraná e Goiás.
Segundo o pioneiro, que ajudou a implantar o sistema de plantio direto na palha no Brasil, modo mais sustentável e que dispensa o arado no solo, o que ainda falta é uma maior atenção para as estradas para escoar a produção. “É uma coisa que eu não entendo. A Holanda que é o segundo maior exportador de produção agrícola do mundo e só funciona por causa da infraestrutura. O diamante agrícola é a pesquisa, a extensão, a assistência técnica e esse trabalho deve ser feito junto pelo governo e o produtor”, apontou, ressaltando que a área agrícola da Holanda é praticamente igual à área que a Fundação ABC atende, cerca de 650 a 700 mil hectares.
Segundo a Federação Brasileira do Plantio Direto, estima-se que atualmente mais de 90% das áreas agricultáveis do Brasil adotam a técnica trazida por Peeten. “Tive a felicidade de encontrar aqui na região produtores que queriam avançar, melhorar a situação. Isso trouxe um ânimo. Em 1977, conseguimos compor um grupo das cooperativas ABC e também de Guarapuava, de Ponta Grossa, da Coopagrícola e de Holambra 2 para uma viagem técnica. Fiz questão de levar gente também do Iapar, da Acarpa para os Estados Unidos e os produtores voltaram com confiança. Era necessário olhar para fora, abrir os horizontes”, relembra.
De acordo com o pesquisador, o solo brasileiro estava se degradando. “A erosão era uma vergonha. A paisagem estava se perdendo e a produção regredindo. Eu já estava trabalhando no plantio direto na Holanda, em solos arenosos, contra a ação do vento. Então surgiu a oportunidade e o pessoal das três cooperativas me contratou”, conta.
O resultado, segundo ele, foi revolucionário e agora é referência para o mundo. “Quem tem palha em cima deste solo tropical, tem produção”, comemora Peeten, que
ficou responsável pela parte técnica dentro da Fundação, junto com equipes das três cooperativas, implementando a pesquisa em parceria com as instituições governamentais e empresas, adaptando inclusive as máquinas que na época não eram apropriadas para o novo modelo de cultivo. “Tive a oportunidade de levar a primeira máquina na Toyota para fazer os primeiros testes para o plantio direto”, pontua.
O pesquisador vislumbra oportunidades de expansão no agro regional. “Tem potencial sobrando aqui. O desafio é a genética, a tecnologia, a mão-de-obra. Precisamos treinar mão-de-obra e incentivar o jovem a permanecer no campo”, diz, refletindo sobre os desafios para que a região aumente ainda mais sua produtividade.

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Família, sucessão e agricultura definem trajetória de produtor em Mato Grosso
Cláudio Schons relembra dificuldades da migração do Sul, aposta na carreira solo desde 2020 e envolve os filhos na lida no campo.

Mato-grossense de coração, o gaúcho Cláudio Luís Schons encontrou em Lucas do Rio Verde uma oportunidade de continuar exercendo o ofício repassado pelo pai. Em 1988, com 11 anos, ele chegou ao estado e a família deu início à vida na agricultura com a fabricação de farinha de mandioca e erva-mate. Após alguns anos, migraram para o cultivo da soja e do milho. Associado à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Schons ressaltou a importância da agricultura para o mundo e destacou o orgulho em ser produtor rural.
No início, Mato Grosso foi marcado por resistência dos que vieram buscar novos horizontes para trabalhar. Com Cláudio Schons não foi diferente, ele destacou algumas das principais dificuldades enfrentadas naquela época.
“Na mudança do Rio Grande do Sul para cá, a maior dificuldade que encontramos foi que não tinha energia elétrica no interior, lá no sul já era um advento comum. Além disso, onde eu morava, eu podia escolher duas ou três escolas, morava bem no entroncamento, podia escolher as escolas e aqui em Mato Grosso teve essa dificuldade da educação”, relembrou.

Foto: Gilson Abreu
O produtor rural administrou uma propriedade com o pai e a irmã, por 22 anos, mas em 2020 que surgiu uma oportunidade de gerenciar uma fazenda com a esposa, Lucimeire Mattos Schons. “De 2020, devido à pandemia, nós repensamos e resolvemos tocar a carreira solo. Então, desde 2020, minha esposa, que era concursada na prefeitura, largou o concurso e veio me ajudar na parte fiscal da fazenda e eu fiquei com a parte prática aqui do dia a dia. E conseguimos interagir com os filhos, trazendo os filhos junto”, contou.
Mesmo com a mudança, a família Schons seguiu contribuindo com o crescimento local através da agricultura. Ao olhar para toda a sua trajetória na agricultura, Cláudio destacou o orgulho de estar contribuindo com o desenvolvimento de Mato Grosso e também de estar fornecendo alimentação ao mundo.
Após a “carreira solo” na agricultura, Cláudio começou a introduzir mais os filhos nos cuidados com a propriedade, ele explicou que o filho mais novo, Vitor de Mattos Schons, vai herdar os cuidados com a lavoura, já que a filha mais velha, Maria Eduarda Mattos Schons, seguiu carreira na área da Saúde.
Durante a conversa, Cláudio também falou sobre a importância da Aprosoja MT em divulgar de forma responsável as informações aos produtores rurais. A associação colabora com a prevenção de problemas, ajudando a superar possíveis obstáculos. “A Aprosoja MT com esses eventos anuais, reuniões, passa um conhecimento amplo do que acontece no estado ou algum problema que tenha que a gente pode estar prevenindo. Então, foi bom se associar porque foi um ponto positivo que é trazer a notícia mais rápido”, destacou.
Histórias como a de Cláudio Luís Schons fazem com que a Aprosoja MT siga acreditando na força da produção rural do estado e busque fortalecer ainda mais o setor.
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Suprema Corte dos EUA reafirma que Congresso detém poder exclusivo sobre tarifas
Ao derrubar o tarifaço global imposto por Trump, tribunal delimita alcance da autoridade presidencial.
Notícias Alternativas legais
Mesmo derrotado, Trump ainda tem instrumentos para reintroduzir tarifas
Após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço global, governo norte-americano avalia dispositivos legais que permitem novas tarifas.

Com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço global imposto por Donald Trump, ao considerar ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, da sigla em inglês) para criar tarifas sem aval do Congresso, a Casa Branca passou a mapear alternativas jurídicas que permitam preservar parte da estratégia comercial adotada no segundo mandato do presidente.

Foto: Divulgação
Embora o tribunal tenha delimitado o alcance dos poderes emergenciais, a legislação comercial americana oferece outros instrumentos que podem ser acionados pelo Executivo, ainda que com requisitos e limitações distintas.
Uma das vias mais rápidas é a Seção 122 da Lei de Comércio, que autoriza a imposição de tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar. Trata-se de um mecanismo de resposta imediata, sem necessidade de investigação formal prévia. Contudo, qualquer prorrogação depende de autorização do Congresso, o que introduz um freio político relevante.
Outra alternativa é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento mais robusto e já utilizado por Trump em seu primeiro mandato na disputa tarifária com a China. Esse dispositivo permite a abertura de investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Caso confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais demorado, pois exige investigação formal, consultas públicas e justificativa técnica.

Foto: José Fernando Ogura
Também aparece como possibilidade a Seção 338 da Lei de 1930, que autoriza tarifas de até 50% contra países que discriminem o comércio americano. Apesar de nunca ter sido aplicada na prática, a norma não exige investigação tão estruturada quanto a Seção 301, o que poderia torná-la um caminho mais ágil, ainda que juridicamente controverso e sujeito a questionamentos.
Por fim, permanece válida a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, já utilizada para justificar tarifas sobre aço, alumínio e automóveis com base em argumentos de segurança nacional. Nesse caso, o governo sustenta que a dependência excessiva de importações pode comprometer a indústria estratégica e a defesa do país. A aplicação normalmente envolve investigação conduzida pelo Departamento de Comércio, o que torna o processo mais técnico e relativamente mais lento do que a utilização de poderes emergenciais.
Alguns desses fundamentos, inclusive, foram mencionados no voto dissidente do ministro Brett Kavanaugh, que defendeu interpretação mais ampla dos poderes presidenciais na condução da política comercial.
Embora a Suprema Corte tenha limitado o uso da IEEPA como instrumento para impor tarifas de forma imediata e unilateral, o arsenal jurídico disponível ao Executivo americano ainda permite diferentes caminhos para reintroduzir barreiras comerciais, agora sob maior escrutínio político e judicial.





