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Pioneira, Cooperativa Integrada avança com robustez sobre agenda ESG
Estrutura da Integrada reúne 65 unidades de recebimento de grãos, 15 Regionais, 41 pontos de vendas de insumos, cinco lojas de máquinas e equipamentos, uma unidade de difusão tecnológica, três unidades de beneficiamento de sementes, um terminal de distribuição de combustível, além das três agroindústrias.

“Nossa jornada demonstra maturidade e engajamento no tema, permeando as diversas atividades, processos e negócios da cooperativa”. A afirmação é da coordenadora de Sustentabilidade da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Ana Lúcia de Almeida Maia, em referência às ações desenvolvidas pela cooperativa relacionadas à agenda ESG. Ana Lúcia conta que a cooperativa é pioneira no assunto sustentabilidade e tornou-se referência para outras cooperativas do Paraná. Ainda em 2008, a Integrada criou uma área específica para tratar do tema com intuito de alinhar conceitos e práticas em sustentabilidade.

Diretor-presidente da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Jorge Hashimoto: “É fundamental acompanhar e desenvolver a agenda ESG, para que as demandas do mercado internacional e também internas sejam atendidas em toda a cadeia de valor do agronegócio” – Fotos: Bruno Ferraro
Segundo Ana Lúcia, a agenda ESG se tornou indispensável para as cooperativas nos últimos anos. “Movimento importante que resguarda a veracidade da gestão em sustentabilidade e indispensável para definir realmente a aderência a esta jornada fundamental para a humanidade”, destaca.
De acordo com ela, a cooperativa empenha esforços com foco em assertividade e busca do cumprimento legal. Nesse sentido, investe na melhora de sua performance em diversos aspectos, como a criação da área de Compliance para fortalecer a atuação da gestão corporativa. “A Integrada também atualizou seu Código de Ética e Conduta, e a equipe de Compliance tem percorrido as unidades operacionais da cooperativa, realizando encontros com os colaboradores para esclarecer o tema e apresentar o novo Código”, completa Maia.
Raiz do cooperativismo
Para o diretor-presidente da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Jorge Hashimoto, o ESG está nos próprios princípios cooperativistas, tendo em vista o foco na cooperação, no compartilhamento, na prática de ações em benefício do todo.
Segundo ele, o sistema ESG está cada vez mais presente no planejamento da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). “O setor cooperativo está atento à adoção de atitudes que traduzam a conscientização do papel fundamental do tema para a perenidade dos negócios e da qualidade de vida de todos”, destaca Hashimoto, e completa: “É preciso acompanhar o mercado internacional, pois há movimentos que estão na vanguarda em relação ao ESG”, aponta.
Cooperativismo no Paraná
Segundo dados da Ocepar, o faturamento do agronegócio, no Paraná, atingiu R$ 135 bilhões em 2021. O setor emprega 130 mil pessoas, de forma direta, e foram gerados R$ 3,55 bilhões em impostos. No setor agropecuário representa a força da economia do estado, pois movimenta 65% da produção paranaense nesse segmento.
Segundo Hashimoto, o cooperativismo no Paraná é extremamente atuante e presente em vários ramos, com importante participação da Integrada. A cooperativa recebeu no ano passado 22 milhões de sacas de soja e 18 milhões de sacas de milho. Os cooperados da Integrada também produzem trigo, café, aveia e laranja, destaca o presidente. “Os cooperados Integrada representam cerca de 700 mil hectares, no Paraná e São Paulo”, ressalta.
Impacto socioeconômico
Geralmente as cooperativas contribuem para o desenvolvimento econômico e social das comunidades onde atuam. Conforme Hashimoto, as ações desenvolvidas pela Integrada junto às comunidades têm um impacto bastante expressivo. “Há municípios onde a cooperativa é a maior empresa local, o que garante geração de empregos e giro de recursos no comércio desses municípios”, expõe.
A estrutura da Integrada reúne 65 unidades de recebimento de grãos, 15 Regionais, 41 pontos de vendas de insumos, cinco lojas de máquinas e equipamentos, uma unidade de difusão tecnológica, três unidades de beneficiamento de sementes, um terminal de distribuição de combustível, além das três agroindústrias. A Integrada tem mais de 11,5 mil cooperados e mais de 2 mil colaboradores, do Norte ao Oeste do Paraná e Sul de São Paulo.
Para ela, os consumidores observam com atenção as iniciativas desenvolvidas pelas cooperativas agroindustriais. “Eles entendem isso como prioritária para assegurar a origem dos produtos, garantir a segurança alimentar e valorizar a cadeia de valor do agronegócio brasileiro”, salienta Maia.
Relatório de Sustentabilidade
A Cooperativa Integrada pretende publicar seu primeiro Relatório de Sustentabilidade em 2023. De acordo com Ana Lúcia, o documento propõe dar ênfase e evidências aos seus stakeholders sobre o posicionamento de mercado e práticas aderentes aos critérios ESG da cooperativa, como fundamento da agenda de sustentabilidade. “Inclusive é assunto pautado no Planejamento Estratégico, e desdobrado nos negócios da cooperativa, através da Matriz de Materialidade, o que interfere positivamente nas diretrizes de nossos colaboradores e cooperados”, destaca.
Social
Para a coordenadora de sustentabilidade da Integrada, Ana Lúcia de Almeida Maia, o desenvolvimento do quadro social e da comunidade são essenciais para a cooperativa.

Coordenadora de Sustentabilidade da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Ana Lúcia de Almeida Maia: “A materialidade e a Política de Sustentabilidade deixam explícito a adesão por parte da cooperativa às melhores práticas para fortalecer a transparência na relação com cooperados, clientes e demais partes interessadas”
Ela destaca a composição de 17 Núcleos Femininos, formados por cooperadas e familiares de cooperados que atuam ativamente em suas comunidades, através de diversas ações. “Há, ainda, o Programa Pensari, Projeto Plante um Sorriso, Programa Atitudes Integradas, Projeto Nossa Água, Projeto Conectadas em Todo o Tempo, Saca do Bem e Cooperar em Todo Tempo”, elenca.
Conforme Ana Lúcia, a meta para os próximos anos é fortalecer os mecanismos que promovam a ética nos negócios e orientem a conduta a ser adotada por todos, no relacionamento com cooperados, clientes e demais partes interessadas. “A sucessão familiar é outra prioridade, ou seja, trabalhar pela permanência das novas gerações no campo, atuando pela promoção dos direitos humanos”, pontua.
Impacto ambiental
A agenda de sustentabilidade da Cooperativa Integrada busca diretrizes de mercado para definição de estratégias que reduzam e monitorem seus impactos ambientais. Para tal, o processo de implementação da ISO 14001, desde 2018, fornece referências para a melhoria dos processos.
Segundo Ana Lúcia, em 2022 o Sistema de Gestão Ambiental foi disseminado em todas as unidades do escopo. Outras práticas, como investimento em energia limpa, ACVP – Análise do Ciclo de Vida dos produtos e serviços, Metodologia GRI, Projeto Estratégico de Carbono, Projeto Propriedades Sustentáveis, são iniciativas que visam conhecer os aspectos e impactos ambientais. “Temos ainda o Projeto Nossa Água, que propõe medidas de recuperação e conservação dos recursos naturais e da biodiversidade, além de contribuir para a conscientização dos nossos stakeholders”, salienta.
Entre as ações ambientais previstas para os próximos anos, de acordo com Ana Lúcia, está a expansão do Projeto Propriedades Sustentáveis. O objetivo é buscar melhoria dos processos visando reduzir o consumo dos recursos naturais, investir em logística reversa e contribuir significativamente para redução das emissões dos gases de efeito estufa”, menciona Ana Lúcia.
Programa Pensari – uma reflexão sobre sustentabilidade
“Produzir alimentos para o mundo com respeito às pessoas e ao meio ambiente faz parte dos valores da Integrada. Por isso, em 2020 a cooperativa criou o Programa Pensari, que tem como foco alinhar as questões sociais, ambientais e econômicas dentro da organização. Assim, a Integrada quer contribuir para o crescimento sustentável de cooperados, colaboradores e da comunidade onde atua.
Pensari é a palavra-chave que leva a reflexão sobre a sustentabilidade na nossa cadeia de valor, dando origem a outras sete palavras divididas em eixos de atuação: Aprimorar, Preparar, Mensurar, Preservar, Abraçar, Prosperar e o nome da nossa cooperativa, Integrada, que propõe integrar os atores para atuação nos eixos do programa.
O programa envolve cooperados, colaboradores, clientes e toda a comunidade com o intuito de incentivar mudanças de atitudes para que tenhamos um presente de possibilidades e um futuro promissor.
Os eixos de atuação estão interligados, mas cada um deles se aprofunda em projetos executados, planejamento futuro e transformação socioambiental e de cultura, sempre voltados para a sustentabilidade e geração de valores”.
História
Fundada em 1995 em Londrina (PR), a Integrada Cooperativa Agroindustrial nasceu com o objetivo principal de receber a produção dos cooperados e facilitar a comercialização. Essas continuam as principais atividades da cooperativa.
Ao longo dos 26 anos de existência, outros produtos e serviços foram agregados à cooperativa, como a produção de sementes, tratamento industrial de grãos, venda de insumos, máquinas e equipamentos. Além de assistência técnica através de um time com mais de 130 agrônomos capacitados e em constante aperfeiçoamento.
A Integrada também investiu na verticalização, para transformar a matéria prima e agregar ainda mais valor para o cooperado. São três agroindústrias, a de milho produz vários derivados do cereal, que são comercializados nos mercados doméstico e externo. A indústria de nutrição animal atende animais de produção e os pets. A indústria de suco de laranja transforma os frutos em suco concentrado, exportado para mais de 30 países. A Integrada também entrou no varejo com o café Coperatto e tem mais de 300 pontos de venda, no Paraná e São Paulo. Entre os serviços, a cooperativa tem um Terminal de Combustível, no Norte do Paraná, que entrega diesel direto nas propriedades.
Para esse ano está prevista a implantação de uma corretora de seguros e a construção de uma unidade na cidade de Ubiratã, no Oeste do Paraná.
Para saber um pouco mais de como a agenda ESG está movimentando o cooperativismo brasileiro acesse a versão digital da edição Especial de Cooperativismo clicando aqui.

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




