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PIB do Brics segue superior à média mundial e representa 40% da economia global
Dados também mostram que os 11 países-membros do agrupamento se consolidam como mais relevantes na economia mundial do que os do chamado G7. Diversidade e grande fatia da população podem explicar o resultado

A média do Produto Interno Bruto (PIB) dos 11 países-membros do Brics está maior que a mundial, neste ano, segundo projeção do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgado em abril pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os dados preveem que o agrupamento alcance 3,4% no PIB, enquanto a média mundial chegaria a 2,8%.
O Brics também obteve crescimento no acumulado de 2024, quando o PIB chegou a 4%. No mundo todo, esse valor ficou em 3,3%. As mesmas informações do FMI mostram que a participação do Brics já representava 40% na economia mundial no ano passado, segundo o PIB com base na participação da paridade do poder de compra (PPC). A projeção é que, neste ano, o agrupamento some 41% da economia global.
O avanço dos países do Sul Global pode ser explicado pela diversidade característica do agrupamento, como explica Rodrigo Cezar, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), especialista em economia política internacional. “É importante falar aqui de uma heterogeneidade, uma diferença interna nos países do Brics. Isso gera desafios e oportunidades porque no caso do Brasil e da Índia, por exemplo, o fato de estarem mais afastados das frentes de instabilidade geopolítica gera uma oportunidade atrelada ao desvio de comércio”, inicia o internacionalista.
Um exemplo dessa nova rota comercial é o aumento das exportações do setor agrícola brasileiro, nos últimos anos, principalmente, no setor de grãos. “Já países que são peças centrais nessa instabilidade possuem uma necessidade de estímulo fiscal muito grande internamente, eles precisam injetar dinheiro na economia para reduzir as fontes de instabilidade. Então, farão mais investimento em infraestrutura, indústria. Isso também vai gerar crescimento nesses países”, acrescenta Cezar sobre conflitos e guerras tarifárias do cenário global.
Proporção
Um fator essencial para a grande participação do Brics na economia mundial é a dimensão dos países membros. Atualmente, as onze nações representam mais de 40% da população mundial. “Não tem como o Brics não ser relevante, por conta desse tamanho da sua população. E tem aí também países que são chave no fornecimento de commodities, como o Brasil, a Rússia, que fornecem energia, alimentos e até minerais estratégicos muito relevantes. Então, os países do Brics vão ser muito relevantes para até mesmo ditar ou dar uma direção para os preços dessas matérias”, explica o especialista em economia política internacional.
Cezar ainda acrescenta que a dimensão dos países e as características comerciais faz com que o Brics tenha uma “maior capacidade de absorver alguns choques externos”. Os países que lideram a projeção de crescimento do PIB do Brics para 2025 são: Etiópia (6,6%), Índia (6,2%), Indonésia (4,7%), Emirados Árabes (4%) e China (4%). Quanto à projeção deste ano da participação no mercado internacional, a China ocupa a maior fatia, representando 19,6% da economia global. Na sequência estão a Índia (8,5%), a Rússia (3,4%), a Indonésia (2,4%) e o Brasil (2,3%). “Se você pegar a média do grupo, você vai ter alguns países que vão puxar o crescimento para cima, enquanto outros vão estar com crescimento um pouco mais lento. É muito provável que pelo menos um dos países do grupo esteja em um crescimento considerável por conta dos seus fatores estruturais, investimentos, da demanda da China, por exemplo, de fazer investimentos domésticos para conseguir manter o seu nível de crescimento e isso vai puxar a média do grupo inteiro para cima”, resume o internacionalista.
Os dados do FMI também mostram que os onze países-membros do agrupamento estão se consolidando como mais relevantes na economia mundial do que os do chamado G7, que reúne as nações mais desenvolvidas da União Europeia e América do Norte. Na participação da economia global, os países desenvolvidos somam, aproximadamente, 28%, no ano passado na projeção deste ano, enquanto o Brics está com 40%. A diferença da média do PIB é ainda maior – o G7 teve média de 1,7%, em 2024, e projeção de 1,2%, neste ano – enquanto o Brics teve média de 4% e 3,4%, respectivamente. “É uma importância econômica, mas também política, por ser um contraponto à hegemonia dos Estados Unidos. É um ator que mostra uma alternativa em relação ao G7 – os países mais desenvolvidos da União Europeia e da América do Norte”, expõe Cezar.


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Garantia-Safra libera pagamento para produtores afetados por seca ou excesso de chuva
Benefício atende agricultores familiares com perdas comprovadas na produção de feijão, milho ou mandioca.

O governo federal divulga no dia 15 de abril a lista dos municípios cujos agricultores receberão, neste mês de abril, parcela do programa Garantia-Safra 2024-2025. A norma entra em vigor nesta quinta-feira (16).

Portaria publicada no Diário Oficial da União inclui agricultores familiares dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minhas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Veja aqui a lista completa.
O benefício, de R$ 1,2 mil, ocorrerá em parcela única. O pagamento começa ainda em abril e ocorre na mesma data do calendário do Bolsa Família.
Benefício
O Garantia-Safra é um programa de seguro destinado a pequenos agricultores com renda de até 1,5 salário-mínimo, que cultivam feijão, milho ou mandioca em áreas de 0,6 a 5 hectares e com o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e atualizado.
O pagamento é feito aos agricultores com perda comprovada de pelo menos 40% a 50% da produção, em razão do fenômeno da estiagem ou do excesso hídrico e que aderiram ao programa.
O benefício pode ser solicitado via aplicativo CAIXA Tem, lotéricas ou agências da Caixa.
Os agricultores com alguma pendência ou imprecisões cadastrais têm até 30 dias para regularizar a situação e, posteriormente, receber o benefício. A consulta pode ser feita no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
O Garantia-Safra é vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com a finalidade de assegurar condições mínimas de sobrevivência aos agricultores familiares cujas produções sejam sistematicamente afetadas por perdas decorrentes de estiagem ou excesso hídrico.
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Fim da escala 6×1 será avaliado em comissão da Câmara dos Deputados
PEC retorna à pauta da CCJ após pedido de vista e tem parecer favorável à admissibilidade.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019 que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1) será analisada, nesta quarta-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Além do fim da escala 6×1, a proposta prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em um prazo de dez anos. A sessão está marcada para começar às 14h30. 

A PEC volta à pauta da CCJ depois que a oposição pediu vista da matéria na semana passada. O relator da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), votou pela admissibilidade da PEC, ou seja, defendeu que a redução da jornada é constitucional.
Se aprovada na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), promete criar comissão especial para analisar o texto. A comissão tem entre 10 e 40 sessões do plenário da Câmara para aprovar ou rejeitar um parecer sobre a PEC. Em seguida, o texto pode ir para apreciação do plenário.
Como essa tramitação pode se estender por meses, e diante da tentativa da oposição de barrar a PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na semana passada, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.
O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.
Motta comentou que é prerrogativa do governo federal enviar um PL com urgência constitucional, mas a Câmara vai seguir com a tramitação da PEC. A Proposta de Emenda à Constituição unificou as propostas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Erika Hilton (PSOL-RJ).
O governo tem defendido que a proposta do Executivo não compete com a PEC em tramitação na Câmara, segundo explicou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
“Se a PEC for aprovada nesse prazo, evidentemente que o PL está prejudicado, não há mais necessidade. Mas o rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC para impedir eventuais aventureiros do futuro quererem aumentar a jornada como aconteceu na Argentina”, explicou Marinho.
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Calor extremo já ameaça sistemas de produção de alimentos no mundo
Relatório da FAO e da OMM aponta que mais de 1 bilhão de pessoas já são afetadas pelos impactos do aumento das temperaturas.

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o calor extremo já está colocando os sistemas agroalimentares globais sob forte pressão e ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas.
O estudo foi elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). As agências destacam que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e duradouras, com impactos diretos sobre a agricultura, a pecuária, a pesca e as florestas.
Segundo o relatório, o cenário indica um futuro de maior incerteza, com o aquecimento global em aceleração. Dados recentes mostram que 2025 está entre os três anos mais quentes já registrados, o que tem intensificado eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo.

Foto: Pixabay
O documento aponta ainda que o calor extremo atua como um “multiplicador de riscos”, agravando secas, incêndios florestais, surtos de pragas e reduzindo a produtividade das lavouras quando são ultrapassados limites críticos de temperatura. Em geral, há queda na produtividade das principais culturas quando os termômetros passam de cerca de 30°C.
O relatório também cita casos como o do Marrocos, que enfrenta seis anos consecutivos de seca, seguidos por ondas de calor recordes.
Outro ponto de alerta é o aumento das ondas de calor marinhas. Segundo o estudo, esses eventos estão mais frequentes e têm reduzido os níveis de oxigênio nos oceanos, afetando estoques pesqueiros. Em 2024, cerca de 91% dos oceanos do mundo registraram ao menos uma onda de calor marinha.

Foto: Divulgação/IDR
As projeções indicam que os riscos tendem a crescer com o avanço do aquecimento global. O relatório estima que a intensidade dos eventos extremos de calor pode dobrar com 2°C de aquecimento e quadruplicar com 3°C, em comparação ao cenário de 1,5°C.
Também foi destacado que cada aumento de 1°C na temperatura média global pode reduzir em cerca de 6% a produção das quatro principais culturas agrícolas do mundo: milho, arroz, soja e trigo.
Diante desse cenário, FAO e OMM defendem maior coordenação entre países e o fortalecimento de sistemas de alerta climático para apoiar agricultores e pescadores na tomada de decisões. As agências afirmam ainda que ações de adaptação, isoladamente, não são suficientes para conter os impactos, e que será necessária uma resposta mais ampla diante da intensificação do calor extremo.



