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Pesquisadores mostram riscos e dão dicas na fase da creche

Palestrantes do Brasil e exterior mostram como é possível o suinocultor minimizar riscos e oferecer condições para o animal expressar seu máximo potencial produtivo

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As oportunidades na fase de creche foram tema de um painel que integrou a programação do 10º Simpósio Internacional de Suinocultura, em 17 de maio, em Porto Alegre, RS. Grandes nomes da pesquisa e produção nacional falaram sobre aditivos, manejo, densidade, espaço entre comedouros, granulometria das rações, ruídos, entre outros aspectos que podem fazer toda a diferença para o ganho de peso satisfatório – ou não – nessa fase.

Mike Tokach, professor da Universidade Estadual de Kansas, Estados Unidos, destacou a necessidade de aditivos para garantir ganho de peso nessa etapa do processo produtivo. Ele falou da importância de nutrientes, alguns até que os profissionais não dão tanto valor, como o sódio. “Aditivos alimentares durante a creche são muitos, como antibióticos, enzimas, prebióticos, probióticos e leveduras, fitogênicos, flavorizantes, acidificantes, adição de microminerais, adsorvente de micotoxinas e aminoácidos de cadeia média. O mais importante é saber para que cada ingrediente serve”, orientou.

Além dos aditivos, a granulometria, que em resumo é o tamanho das partículas da ração, tem grande impacto nessa fase, segundo Tokach. Ele assegura que diversos estudos feitos no mundo mostram que se houver escolha para o animal, há diferentes granulometrias preferidas em diferentes fases. “Na creche, os leitões preferem partículas maiores, peletizadas. Na terminação, preferem partículas menores”, comentou. “Em dietas peletizadas é menos claro, mas animais na creche preferem partículas maiores”, reafirmou.

Espaço entre Comedouros

Que tal ampliar o espaço entre comedouros em 1 centímetro e aumentar em 54 quilos de desmamados para cada 100 animais. Mais que isso, reduzir o canibalismo e diminuir o tempo de início do consumo da ração na creche em 2,5 horas. É o que prova um estudo feito pela pesquisadora Fernanda Laskoski, doutoranda em produção de suínos e estratégias de manejo para a fase de creche pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ela demonstrou esses resultados durante sua palestra sobre a importância dos espaços entre comedouros nas instalações da creche para melhorar o desempenho do leitão nesse período. “Existem poucos estudos para este tema na creche. Alguns falam de 1,5 centímetro linear até 7 centímetros por animal”, explica.

Em um trabalho feito, o desempenho de leitões submetidos a diferentes espaços de comedouro quando mantidos em alta densidade na fase de creche foi melhor à medida que o espaço entre comedouro era maior. “Submeteram todos animais a 0,23 metros quadrados por leitão, o que é muito próximo da realidade de hoje. Foram feitos quatro espaços de comedouro. O tempo médio de início de consumo pós desmame de acordo com o espaço teve efeito linear. Quanto maior foi o espaço disponível, mais precoce foi o consumo pós desmame”, alertou. Para cada aumento de 1 centímetro, antecipou-se em 2,5 horas o consumo pós desmame.

Essa fase é crítica, pois o leitão deixa de consumir leite para consumir ração. Muitas vezes, o leitão pode passar horas sem comer. “Com mais espaço, há mais ganho de peso na fase. Já para variáveis consumo médio, não houve efeito para consumo médio total ao longo da fase. Para variável de peso final, foram 810 gramas a mais para o maior espaço”, comenta. “Cada aumento de 1 centímetro, aumentou em 54 quilos a cada cem desmamados.

De acordo com a estudiosa, o aumento do espaço entre os comedouros também “reduz a ocorrência de canibalismo de orelha e cauda. “No maior espaço (do estudo) não houve canibalismo. No menor, chegou a 11,9% de cauda e 5,7% de orelha. O espaço de comedouro pode ser associado ao canibalismo. Isso porque a alta densidade gera a ocorrência”, pontua. Para Laskoski, aumentar o espaço entre comedouros mostrou eficiência para amenizar o desafio da alta densidade.

Uniformização na Creche

O também doutorando pela UFRGS, Jamil Faccin, ressaltou a uniformização no momento do alojamento na creche, questionando se vale a pena realizar esse processo. “Carcaças uniformes geram produtos uniformes. Há uma janela entre 108 para 132 quilos ao abate. O manejo com dois mil animais na creche, por exemplo, precisa um dia e dois funcionários para trabalhar. Gera trabalho e gasto de energia da equipe”, sugeriu.

De acordo com ele, animais que estão mais pesados comem menos e animais mais leves comem mais, mesmo estando na mesma baia. Ele citou um trabalho de mestrado, em que foram feitas quatro baias diferentes – baias de peso misto (pequenos médios e grandes, baias de grandes, baias de médios e baias de pequenos. Segundo ele, a maior uniformidade ocorreu em baias mistas. “Baia com as três categorias se mostrou mais uniforme. Isso porque o grande talvez já tenha percebido que não precisa “brigar para ser o alfa”. Os pequenos que foram separados não cresceram mais. O desempenho zootécnico não é afetado com relação aos animais que coloco nas baias.

Na terminação, entretanto, Faccin recomenda a separação entre as maiores e as menores. “Se eu tiver 2.400 leitões abastecendo duas terminações de 1200, separo as top 50% (mais pesadas). Ganho em tempo na granja e isso sim é interessante”, resumiu.

Sanidade e Fatores Ambientais

Fatores ambientais por vezes deixados de lado, como a poeira e o barulho, podem interferir negativamente no desempenho dos leitões, acusou o médico veterinário Augusto Heck, especialista de sanidade suína da BRF. “Temperatura, umidade, poeira, gases, ruídos, área disponível… A creche é um setor que tem merecido atenção especial nos últimos tempos porque apareceram novidades. Houve um tempo em que essa fase foi negligenciada”, disparou Heck.

O profissional explicou que fatores de predisposição e ambientais interferem diretamente na resposta do animal. O fatores ambientais citados são temperatura, gases, poeira, ruído, equipamentos, espaço social, pessoas e higiene. Na predisposição animal, Heck cita o comportamento, a fisiologia e a imunologia. “Esses fatores podem ser gatilhos para doenças”, defendeu.

Ele cita que a creche pode ser “muito danosa” pelos seguintes desafios: “mudança no tipo de piso, mudança da instalação, da densidade, da ração, umidade, dietas com baixa palatabilidade, falha da ingestão de ração, leitões mais magros e animais doentes”.

Ele comenta que a temperatura precisa estar na zona de termoneutralidade da creche, entre 22 e 28º C. “O frio, na presença do agente patogênico, pode acarretar doenças”, como pneumonia enzoótica e diarreias. “São situações extremamente corriqueiras na nossa estrutura de produção”. Ele ainda alertou para a temperatura efetiva e a sensação térmica. Entre eles, alguns fatores que interferem na sensação térmica do animal que precisam ser observados estão tipo de piso, velocidade do ar, hermeticidade. Ele exemplificou dizendo que um suíno submetido a 26 graus em sua altura, mas com piso de concreto e velocidade do ar incompatível chega a sentir 15,5º C.

“A poeira é um coquetel de problemas. Se levarmos em consideração, temos diversos problemas. Areia, cabelo humano, poeira fina (dependendo da dimensão, é possível que tenhamos o ingresso dessas partículas no trato respiratório), além de carreamento de agentes infecciosos”, citou. Heck listou mais de 20 fungos e bactérias presentes nesse material que podem ser danosos aos planteis suinícolas.

O veterinário também chamou a atenção para os gases na creche, como amônia, dióxido de carbono, metano, monóxido de carbono e sulfeto de hidrogênio, “que trazem prejuízos no desempenho dos animais e para a segurança operacional dos trabalhadores”. Ainda citou “o suíno pode ter impacto negativo quando exposto ao ruído”. “Existem os ruídos súbitos, como explosões, e persistentes, como ventilador. O persistente tem mais impacto, com ocorrência de estresse e até mais canibalismo”.

Heck também falou sobre densidade e espaço entre comedouros. “Acima de 3,5 leitões por metro quadrado gera diarreia pós desmame. Da mesma forma, baias com mais de 20 animais também têm problemas, mas pode lançar mão de ações, como enriquecimento ambiental, cordas e palha no chão. Quando o produtor oferta componentes, controla o gargalo da disponibilidade de espaço”, comentou. Já a falta de espaço entre comedouros, explicou, “aumenta o índice de lesões cutâneas, há um comportamento de disputa”. Já com excesso de espaço, “o animal não respeita a higiene e defeca no comedouro”.

O palestrante destacou também a correta higienização dos equipamentos, respeitando o tempo de ação de cada produto, o respeito ao vazio sanitário e a importância de baias de recuperação confortáveis, limpas e com equipamentos exclusivos para animais doentes.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira

Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

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A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.

A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.

De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.

Lições da Peste Suína Africana

Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN

O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.

Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.

PED e PRRS reforçam importância da prevenção

Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.

“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.

Desafios crescentes no Brasil

No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.

Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.

Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína

Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.

Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha Bom de Preço, Bom de Prato,  apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.

A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.

Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS

A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.

A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.

A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.

Fonte: Assessoria ABCS
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Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno

Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

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O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Considerações finais

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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