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Avicultura Entrevista Exclusiva

Pesquisadora Janice Zanella destaca avanços da Embrapa Suínos e Aves em sete anos

Nos últimos sete anos, a instituição se aproximou das indústrias e dos produtores para saber quais eram suas reais necessidades. O objetivo: criar linhas de pesquisa, gerar conhecimento científico e embasar mudanças que os setores necessitavam.

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Nos últimos sete anos a Embrapa Suínos e Aves se aproximou das indústrias e dos produtores para saber quais eram suas reais necessidades. O objetivo: criar linhas de pesquisa, gerar conhecimento científico e embasar mudanças que os setores necessitavam. Esse é um dos avanços da Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia, SC, sob a chefia da pesquisadora Janice Zanella, que deu posse a seu sucessor, o pesquisador Everton Krabe, em 1º de novembro. Confira um balanço da gestão, sob a ótica de Janice Zanella, uma das mais renomadas e respeitadas pesquisadoras de suínos e aves do mundo.

O Presente Rural – Conte um pouco de sua trajetória acadêmica e profissional.

Janice Zanella – Nasci no Sul de Minas Gerais, minha família é de agricultores, plantavam café, criavam gado de leite. Fiz o ensino médio em Minas, fiz Medicina Veterinária na universidade federal em Belo Horizonte. Qaundo estava terminando meu curso, tive a oportunidade de uma bolsa de estudos da CNPQ e vim para Concórdia (SC), para trabalhar na Embrapa. Quem me orientava na época era o Nelson Mores. Fiz um ano na patologia, depois fiquei mais um ano na virologia e depois fui trabalhar na Sadia, na BRF. Fiquei lá no laboratório. Nesse meio tempo que fiquei na BRF, consegui uma bolsa e fui para os Estados Unidos, para a Universidade de Nebrasca, no meio oeste americano, para fazer meu mestrado. Acabei ficando, fiz o PHd e iniciei o pós doutorado.

Nesse tempo abriu concurso da Embrapa, prestei, passei e voltei para o Brasil em 1998. Comecei a trabalhar na pesquisa, com virologia de suínos e aves, depois me dediquei somente a suínos. Durante esse tempo fiz vários projetos, fiz o primeiro diagnóstico de Circuvírus, o primeiro diagnóstico de Influenza, desenvolvi metodologias de diagnóstico para várias doenças virais de suínos que não estavam estabelecidos no Brasil, por exemplo para PRRS e diagnóstico da PED.

Uma das grandes contribuições que dei foi atuar junto na erradicação da doença de Algeski, isso deu um diferencial para Santa Catarina. Na época a gente apoiava o Estado livre de aftosa sem vacinação, a gente estimulou o governo do Estado para implementar barreiras.

Orientei muitos colegas em vários projetos, atuei em vários comitês, organizamos eventos técnicos e também ajudei muito como membro de vários comitês na OIE, (Peste Suína Clássica, Peste Suína Africana), desde 2011 sou membro de um grupo de especialistas no mundo para controle e monitoramento da Influenza em suínos.

Recentemente fui indicada como uma das 25 pessoas no mundo para trabalhar com uma saúde (One Health), faço parte de um grupo bem forte, de apoio à questão da saúde única, juntamente com a FAO, a OIE e a OMS. Sou a única pessoa no Brasil que está trabalhando nesse comitê.

De 2008 a 2010 fiquei no laboratório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Laboratório Central de Diagnóstico e Pesquisa, em Iowa. Lá consegui trabalhar com várias doenças, como PRRS e Influenza. Foi justamente durante a pandemia de 2009 da Influenza. Pude trazer essas metodologias de diagnóstico mais aprimoradas para o Brasil. Todo o trabalho de monitoramento de Influenza que hoje fazemos foi graças a essa parceria com a equipe do USDA.

O Presente Rural – Como chegou até a chefia da Embrapa Suínos e Aves?

Janice Zanella – Cheguei à chefia da Embrapa porque sempre gostei de desafios, sempre gostei de trabalhar muito, sou extremamente motivada, dedicada, posso reconhecer isso. Quero estar sempre fazendo o melhor, buscando fazer diferente e encarando os desafios.

Sempre tive apoio, tanto da família como dos meus colegas, amigos próximos e lideranças do setor. Posso dizer que tenho muitos parceiros, trabalho com muita gente e sou inquieta, gosto de fazer diferente, sempre melhorando e servindo, servindo a Embrapa e servindo o setor. Tive todo esse incentivo.

O processo de seleção de chefias da Embrapa é muito limpo, transparente, baseado em meritocracia. Você precisa fazer um plano de trabalho, que é avaliado. É realizada uma série de entrevistas, é muito aberto, tanto que a última seleção foi toda online. Cheguei à chefia através de uma caminhada, fui galgando em vários pontos, fui atuando tecnicamente como também em termos de atuação administrativa. Sempre liderei projetos, sempre fui gestora de núcleos temáticos, como por exemplo presidente do portfólio de sanidade animal de toda a Embrapa. Então sempre busquei e tive apoio muito forte da diretoria da Embrapa. Isso também me incentivou a chegar à chefia.

O Presente Rural – Enquanto esteve à frente da Embrapa, quais as principais linhas de pesquisa?

Janice Zanella – São várias linhas de pesquisa. Nós atuamos em cinco núcleos temáticos, de sanidade de aves, sanidade de suínos, de produção de aves, produção de suínos e o núcleo temático de meio ambiente. As atividades dentro desses núcleos seguem o plano diretor da Embrapa (PDE). Dentro desse PDE a gente faz um plano de execução da unidade, que é baseada em várias contribuições nas áreas de sanidade, diagnósticos de doenças, de geração de insumos, segurança de alimentos, modernização do abate. A gente atua na sanidade, tanto em doenças de produção quanto em doenças de apoio à defesa, como Senecavírus, por causa da causa da semelhança com Aftosa; Influenza, e a gente vai começar alguns trabalhos com PSA e PSC. Fizemos trabalhos, por exemplo, para produção de vacinas. Na questão do meio ambiente, para trazer mais sustentabilidade, com reuso de água, valorização dos dejetos, a questão do biometano, entre outras. Então a gente atua em sanidade, produção e meio ambiente.

O Presente Rural – Quais os principais resultados obtidos?

Janice Zanella – Os principais resultados são o atendimento às políticas públicas, é a geração de dados, a geração de ciência, gerando dados confiáveis para embasar políticas públicas. O Brasil tem que atender várias normas, tanto internas quanto internacionais, e essas normas vão mudando, como as questões de bem estar, resíduos de microbianos nos alimentos. São vários resultados em sete anos. É um trabalho de uma grande equipe. A Embrapa busca muito as soluções. Entender a dor do cliente, que é o setor como um todo, e procurar desenvolver soluções. Uma das coisas que a gente sempre busca é gerar tecnologia através de inovações abertas, como o abatedouro móvel, que foi um resultado legal, o Nanovo, que é o recobrimento nanoestruturado de ovos, e a vacina da Pesteurella.

Em questão de políticas públicas, todo o trabalho de destinação de animais mortos, a modernização do abate para suínos e aves que está dando um impacto tremendo, tem também as nossas genéticas, como o lançamento de uma fêmea suína, a MO025C.

Tanto questão de tecnologias como pesquisa aplicada, projetos de desenvolvimento em parcerias, a gente teve alguns desafios durante a gestão. Tínhamos o campo experimental que estava abandonado, a gente reativou, levou nossas linhas puras para lá, para anteder normativas e continuar realizando experimentos lá, onde tem o núcleo de conservação. Fizemos uma manutenção tremenda nos campos experimentais, renovamos a frota de veículos, isso tudo com muito apoio.

Uma das coisa que vejo que foi legal foram as parcerias, uma das grandes conquistas foi mostrar que a Embrapa pode ajudar a comunidade não só no setor da suinocultura e avicultura. Desde maio do ano passado a gente tem ajudado o laboratório de saúde pública de Santa Catarina na realização dos testes moleculares de Covid. A gente já realizou mais de 40 mil testes. A gente tem mostrado que a Medicina Veterinária é importante para a saúde pública, importante no conceito de saúde única, que a saúde humana e animal está muito ligada. A nossa pesquisa é muito interdisciplinar. A gente pode atuar em várias frentes.

Outra coisa de grande valia foram as parcerias, tanto no Inova Pork quanto no Inova Ave, e agora no programa Inova, que reúne os dois. A gente conseguiu abrir a Embrapa. Abrimos nossos campos experimentais para parcerias, fomos atrás das principais agroindústrias oferecendo nossas equipes para atuar diretamente em projetos com a demanda deles.

Outra coisa interessante foram as emendas parlamentares. A gente teve um relacionamento bem interessante com parlamentares, acima de qualquer partido, principalmente deputados federais e senadores. Um deles que destaco é o Projeto Javali.

São muitas coisas que me veem a mente quando penso nesses últimos anos, é um trabalho de uma equipe com muitas habilidades e muita dedicação.

O Presente Rural – Como é chefiar uma equipe de pesquisadores na Embrapa Suínos e Aves?

Janice Zanella – É um desafio dia a dia, o pesquisador é treinado para ser crítico, e muitas vezes quando a gente é muito crítico, acaba se frustrando, acaba exigindo muito, e isso é normal. Nosso nível é muito lá em cima. Mas falei desde o começo, vamos ter paciência, calma, vamos nos ajudar, trabalhar junto, a gente está aqui para fazer pesquisa com qualidade e criatividade, que era nosso lema, e foi assim. A gente teve muito apoio, a coisa não parou, passamos por dificuldades, principalmente de recursos, mas a equipe se reinventou, fez o possível para inovar, buscar novas parcerias e recursos. Foi muito bom, e tem sido, a gente conseguiu pavimentar um caminho bem interessante. A nova gestão vai poder trabalhar também, dar continuidade, e fazer da forma que para eles seja mais certa e aplicada ao plano de trabalho que eles pensam em realizar.

Sempre liderei equipes, mas não uma equipe tão grande, de 213 pessoas. Foi desafiador, mas também muito recompensador.

O Presente Rural – Quais foram os maiores desafios nesses sete anos?

Janice Zanella – A gente veio de um período de vacas gordas, digamos assim. A gente teve o PAC, tivemos o PAC Embrapa, o Ciência Sem Fronteiras, havia muito investimento na pesquisa brasileira, mas com o tempo a gente foi percebendo que os recursos foram ficando mais escassos, então a gente teve uma redução enorme do nosso orçamento, investimento praticamente zero nos últimos sete anos. Investimento é o que? compra de equipamentos, fazer reforma renovação de frota. A gente tinha vários projetos, como implantação de uma mini usina de energia solar que a gente não conseguiu, por exemplo, mas nós conseguimos outras coisas, como o posto de biometano do biogás, então a gente consegue gerar biometano para abastecer um veículo na unidade. A gente sempre teve parceria com indústrias e outros parceiros então a gente conseguiu manter o trabalho andando.

Vale lembrar que tivemos uma crise política muito forte, tivemos impeachment de presidente, tivemos mudança de presidente da Embrapa, nesses últimos anos tivemos três presidentes na Embrapa, muitos ministros da Agricultura. Cada vez que muda, muda política, dá uma lentidão digamos até tudo se acertar. Outro problema que eu vejo a questão de equipe. Nós estamos mais de 10 anos sem concurso público e para entrar na Embrapa a admissão é somente por concurso público. As equipes vão diminuindo, nós tivemos um plano de demissão incentivada, quando 25 colegas se desligaram, fora outros que também se transferiram, tivemos alguns falecimentos, então isso aí vai diminuindo a equipe. Acredito que uma das grandes dificuldades é a falta de recurso e a falta de pessoas. Mas tudo isso eu digo nos aproximou de outros parceiros e vimos como somos resilientes. Mesmo com todas essas dificuldades a gente conseguiu ainda mostrar que produzimos, que estamos gerando resultados e que a Embrapa é importante para o país. Basicamente isso nos dá uma realização muito grande do trabalho que a gente faz, o reconhecimento que é que é feito tanto pelo setor como também da sociedade brasileira.

O Presente Rural – A pandemia alterou os rumos de trabalho da Embrapa Suínos e Aves?

Janice Zanella – Alterou Sim. Ela é uma dos grandes desafios, a gente não tinha visto uma pandemia dessa magnitude nos últimos 100 anos. A última pandemia assim grande desse jeito, claro que a gente teve a gripe A em 2009, mas nada parecido com que a gente tá vendo, o impacto no mundo, na economia mundial, em mortes. A gente viu que realmente aqui no Brasil a situação não foi e não é muito fácil. Tivemos perdas de colegas, isso impactou e impacta muito. Com certeza impacta a cabeça de todo mundo. Todos nós ainda ficamos com essa pergunta: o que que vai ser? A pandemia veio para ter uma mudança, como aconteceu depois da segunda grande mundial, da primeira guerra. Creio que essa foi a mudança do milênio, ela ensinou também muita coisa para a gente. Eu acho que no começo a gente ainda ficou meio sem saber o que fazer, mas nunca paramos, a gente sempre deu continuidade aos trabalhos de uma forma virtual, de forma online e revezamento na unidade. Os campos experimentais não pararam, os laboratórios não pararam, a gente aprendeu a trabalhar diferente.

O Presente Rural – É possível avaliar “estragos” que a pandemia tenha deixado nas pesquisas?

Janice Zanella – A gente perdeu alguns colegas, ficamos com muitas pessoas com dificuldades até psicológicas porque perderam familiares, toda essa insegurança, as pessoas um pouco mais ansiosas, com dificuldade maior de saber o que vai ser daqui para frente, mas com relação às pesquisas eu posso te dizer com toda a segurança que não atrasamos nenhuma atividade, nenhum dos projetos foi interrompido ou foi cancelado. Atrasamos no início da pandemia, mas retomamos, estamos com tudo em dia, além desse apoio que a gente deu para o Ministério da Saúde. Nós conseguimos financiar um projeto de R$ 4 milhões com Finep para estruturar nosso laboratório NB2 Plus para um laboratório nb3, ou seja a gente vai poder atuar muito proximamente ao Ministério da Agricultura e Ministério da Saúde também em apoio principalmente a pandemias e zoonoses. Esse laboratório nb3 vai ter padrão OMS (Organização Mundial de Saúde), então isso foi uma grande conquista que eu posso dizer que foi reflexo também dessa pandemia e que veio para somar.

O Presente Rural – Você foi a primeira mulher a chefiar a Embrapa Suínos e Aves, criada em 1975. Fale sobre isso.

Janice Zanella – Sou a primeira mulher a chefiar a Embrapa, com 46 anos. Realmente foi um momento desafiador, mas eu nunca deixei que isso afetasse a forma de eu trabalhar, o fato de ser mulher, sempre tenho paixão pelo que eu faço e consegui ter reconhecimento. Claro que a mulher ainda parece que ela tem que mostrar porque veio, porque parece que o pessoal não confia de cara, mas tive apoio de toda uma equipe, uma equipe fantástica trabalhando junto comigo, meus chefes adjuntos, todos os meus supervisores. Nós tivemos uma união muito grande de esforços e a gente tem certeza que a gente conseguiu trabalhar e fazer o que a gente se propôs a fazer e mais. Acredito que essa questão de gênero não afetou, acredito muito na diversidade e acredito muito na multidisciplinaridade. As equipes têm que ser formadas por diferenças porque essas diferenças enriquecem a forma de trabalho. São essas diferenças de gerações, diferenças de gênero, de formação de culturas só enriquece.

O Presente Rural – O que vai fazer depois de passar o bastão ao pesquisador Everton Krabbe?

Janice Zanella – O Everton Krabbe é um pesquisador extremamente competente, é uma pessoa extremamente dedicada à Embrapa, é um amigo querido. Vou fazer tudo que eu puder para que seja uma transição muito tranquila, muito profissional. Nesse primeiro momento vou ajudar no que ele precisar, não só ele, mas toda equipe que ele escolheu para ajudar durante esses anos que ele vai ficar à frente da unidade. Eu trabalho para a Embrapa, trabalho para o setor e eu vou continuar fazendo o que eu puder para dar esse apoio.

Vou continuar me dedicando na pesquisa. Estou já me incluindo em grupos, eu nunca parei, mas estou retomando com mais força agora. Penso em sair fazer um ano sabático ou no ano que vem ou no outro, depois que acalmar essa pandemia, para ver o que realmente a gente vai fazer, mas eu penso em atuar muito proximamente com a parte de diagnóstico rápido, geração de diagnóstico rápido para que o técnico veterinário de campo possa ter esse primeiro diagnóstico a campo, dar segurança para ele com um diagnóstico clínico e também apoio aos laboratórios parceiros nossos, como o Sedisa e os demais laboratórios para que, quando chegue lá as amostras, já chegue com direcionamento. E também a questão da defesa, a gente vê a Peste Suína Africana chegando aí nas Américas e esse diagnóstico rápido é muito importante. E vacinas. Então o que eu quero fazer é geração de dados, dados epidemiológicos. Uma coisa que eu tenho muito interesse também de trabalhar com parte de compartimentos, são áreas que eu penso em atuar fortemente, na sanidade, é essa a minha proposta agora.

O Presente Rural – Deixe uma mensagem aos colegas de Embrapa e aos profissionais do agro.

Janice Zanella – A mensagem que trago aos meus colegas, que eu deixo para todos é primeiro continuar se dedicando, fazendo o máximo para o país, inovando, porque o nosso lema é inovação, se motivando e principalmente apoiando essa nova gestão, porque a situação não está fácil para o país. Por outro lado o agro nosso é líder mundial, nós somos líderes em várias setores. O Brasil deu muito certo na agricultura e vai continuar dando certo, a gente precisa apoiar isso tudo. E quero que meus colegas sejam felizes, procurarem trabalhar com amor, trabalhar com dedicação, acordar todo dia feliz de ter um emprego e se sentir abençoado em trabalhar no setor tão importante.

O agro é um setor fantástico, setor maravilhoso que eu adoro trabalhar junto, mas não podemos nos acomodar, os desafios estão cada dia mais próximos. A Embrapa tem um trabalho que se chama a visão 2030. O que vem na tua cabeça quando você pensa em próximos desafios? A questão da sustentabilidade. O planeta está passando por mudanças, mudanças climáticas, mudanças demográficas e mudanças sanitárias. Doenças novas vão continuar surgindo, o regime de águas, as mudanças climáticas, o calor, tudo isso vai impactar a produção de grãos, vai impactar a produção animal, a saúde humana e a saúde animal.

A globalização está cada vez maior, então essas doenças estão chegando cada vez mais rápido em vários continentes. A gente também tem que pensar que existem soluções, às vezes não são soluções fáceis, são soluções difíceis, mas por exemplo para a sustentabilidade têm várias tecnologias. Eu acho que o Brasil não pode depender de tecnologia dos outros. Por exemplo, tanto para produção de insumos fertilizantes, vacinas, o Brasil tem que ter isso. A gente viu agora como foi difícil durante a pandemia se manter, desde a construção civil até os diagnósticos moleculares a dificuldade que é de conseguir insumo. O Brasil tem que ser autossuficiente e também abrir.

Veja a China, né? A China comercializa com o mundo inteiro, importa do mundo inteiro e exporta para o mundo inteiro. O Brasil é relativamente fechado, tem que se abrir mais, investir em tecnologia. Dizem que nos próximos 30 anos a tecnologia vai avançar mais que nos últimos 200 anos. A gente vê isso nas comunicações, como evoluiu de um ano para cá.

Os desafios são grandes, mas também a gente tem que aproveitar essas oportunidades e construir o melhor, inovando, fazendo diferente, abrindo a cabeça, saindo da caixa. A ciência está aí para nos ajudar. Eu acredito que a maior conquista da humanidade realmente foi a ciência e a comunicação. Temos que aproveitar a tecnologia, trabalhar juntos, criticar também, mas também usar a criatividade para inovar. Então essa aí a mensagem que eu deixo, agradecendo todos os parceiros, principalmente os parceiros do nosso Inova, que acreditaram na gente, e que continuem nos apoiando e apoiando a Embrapa. E dizer que sempre podem contar comigo.

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Avicultura Protagonista

Na avicultura, Paraná tem crescimento acima da média e responde por 34% da produção nacional

Setor cresce mais de 6% no Estado e gera 89 mil postos de trabalho diretos em 2021, de acordo com Sindiavipar.

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Arquivo OP Rural

Responsável por um terço da produção avícola nacional, o Paraná se firma também como principal exportador da carne de frango, respondendo por 40% do produto enviado para fora do país. Até novembro, o Estado havia exportado 1,6 milhão toneladas do produto, 9% a mais em relação a 2020, movimentando no período mais de U$S 2 bilhões, segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A proteína também é um dos principais contribuintes para o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira, gerando um faturamento de R$ 108,6 milhões, o que representa 9,75% do total da receita gerada, figurando em quarto lugar no ranking entre os principais contribuintes para a formação do índice. Maior produtor de carne de frango, o Paraná movimenta R$ 36 milhões em receita para o VBP do Estado, um crescimento e 19,27% em relação ao ano anterior.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano passado, foram abatidas 1,6 bilhão de aves. A produção em solo paranaense está concentrada em cerca de 18,5 mil aviários, distribuídos em 8,7 mil propriedades rurais. A atividade gera 89 mil empregos diretos na indústria e estima-se que outros 12 a 17 postos de trabalho são gerados de forma indireta, impactando mais de um milhão de paranaenses no setor.

Presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues: “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura” – Foto: Divulgação

Elevação no custo da energia elétrica, falta de mão de obra, alta no preço dos insumos, embalagens e combustíveis foram algumas das dificuldades que precisaram ser superadas ao longo de 2021 pela cadeia produtiva. Mesmo com esses desafios, o setor apresentou um crescimento superior a 6% no último ano, segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). “A avicultura paranaense teve um desempenho positivo em 2021, apesar do forte impacto gerado pelo aumento dos grãos e dos custos para conseguir se manter na atividade, ainda assim, houve ampliação nos negócios, com novos produtores entrando na atividade e outros modernizando as instalações dos aviários, mas foi um ano de dificuldade, onde o setor se mostrou ser bem resiliente, aguentou firme, gerou mais empregos e cresceu”, afirma o presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues.

Protagonista na produção avícola, o Estado representa 34% do que é produzido no país e ano após ano vem apresentando crescimento acima da média nacional. Para Rodrigues, essa evolução é reflexo da concentração da atividade pela agricultura familiar, característica fundamental para o desenvolvimento da avicultura na região Sul do país.  “A região Sul do país se destaca pela agricultura familiar, no entanto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não tem uma produção de grãos tão farta quanto o Paraná, que produz em grande quantidade e tem uma agricultura familiar muito forte, que possibilita o desenvolvimento da avicultura. Enquanto na região Centro-Oeste tem fartura de grãos, mas não tem a agricultura familiar que nós temos, então o Paraná tem as melhores condições para o setor crescer de forma contínua”, destaca Rodrigues.

Outra característica do Estado que fortalece a atividade é a integração produtor-cooperativa, o que contribuiu para que os avicultores não fossem tão afetados pela alta dos custos de produção, uma vez que neste modelo da cadeia produtiva, a empresa integradora oferta a ração e demais insumos para a produção e os produtores são responsáveis pela mão de obra e energia elétrica da propriedade.

De olho no presente com foco no futuro

Um dos grandes desafios do setor é com os custos da energia elétrica, item que mais pesa no bolso do produtor. Com o fim do subsídio do programa Tarifa Rural Noturna (TRN), que será extinto em dezembro, o Sindiavipar busca junto as integradoras alternativas para oferecer aos avicultores, como a geração de energia solar ou a biogás. “A partir de janeiro de 2023 a conta de energia será mais cara, então é urgente a necessidade do produtor buscar novas fontes de energia a fim de minimizar seus custos e a energia solar ou a biogás são duas alternativas para isso”, salienta, exemplificando: “Um produtor que tem uma propriedade grande terá um impacto entre R$ 7 a R$ 8 mil mensal com a energia elétrica sem o subsídio, por outro lado, com a energia solar esse custo pode cair entre 60% a 90%, então é fundamental que o produtor encare a energia como um custo que pode mitigar com uma energia alternativa”.

Outra frente fomentada pelo sindicato é o Programa de Cereais de Inverno, que visa buscar outras culturas para a composição da ração em alternativa ao milho, principal componente da alimentação para aves. “Vivemos uma escassez de milho com novo patamar de preço. Pensando nisso, o Paraná tem cerca de 2.730 mil hectares que ficam em pousio (fase sem plantio) durante o inverno, área que pode ser plantada grãos como trigo, triticale, sorgo e aveia, culturas que podem substituir parte do milho na ração”, pontua.

Uma das grandes preocupações elencadas pelo presidente do Sindiavipar é em relação a sanidade avícola do plantel paranaense. “Não podemos em hipótese nenhuma correr o risco de uma enfermidade no plantel por um descuido, por isso é necessário que os produtores sigam à risca as recomendações de biosseguridade”, ressalta Rodrigues.

Otimismo

Apesar de não haver boas perspectivas para a safra de verão na região Sul, em razão da escassez hídrica que tem gerado períodos longos de estiagem, e já apresenta redução de produtividade em lavouras de milho, sobretudo no Rio Grande do Sul, Rodrigues é otimista quanto a safra de soja, plantada mais cedo, e o próximo ciclo da safra de milho, que deve ter melhores condições climáticas para o desenvolvimento da planta. “Não teremos uma safra de verão satisfatória em virtude dos problemas com a seca, mas como plantamos soja mais cedo, com perspectiva de colher no fim de janeiro acredito que teremos uma boa safra. Em seguida, vamos plantar uma grande safra de milho, em situações climáticas mais amenas, que vai beneficiar o cultivo do grão e vamos conseguir reduzir a médio prazo os custos na produção da ração, dando um fôlego para avicultura”, anseia Rodrigues.

Ele ainda diz que há muito espaço para o setor crescer em solo paranaense e que novos investimentos estão sendo projetados, no entanto a escassez de grão para produção de ração é um dos fatores que preocupa a cadeia produtiva. “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura, tanto no Estado como no país”

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Avicultura Aves, suínos e bovinos

Moduladores biológicos para inibição competitiva de patógenos no ambiente de criação

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados.

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Arquivo/OP Rural

O gênero Bacillus são bactérias Gram-positivas, produtoras de catalase e em forma de bastonete, onipresentes no solo, ar e água. Sua principal vantagem sobre outras espécies é sua capacidade inerente de formar esporos que retomam a viabilidade em condições favoráveis.

Os produtos à base de Bacillus possuem diversas aplicações de trabalho na indústria, com aplicações em quase todos os setores de produção de aves, suínos, bovinos, peixes, caprinos, etc. Como resultado, esses microrganismos estão ganhando mais interesse para uso como moduladores biológicos em processos de criação de animais, auxiliando na melhora do bem-estar animal e consequentemente melhora no desempenho zootécnico.

As bactérias do grupo Bacillus são historicamente conhecidas por sua capacidade de esporular, e os endósporos são notavelmente estáveis ​​e resistentes a agressões externas, produzindo esporos que permanecem viáveis por um longo período. As espécies de Bacillus demonstraram possuir melhores propriedades atribuíveis à sua capacidade de produzir substâncias antimicrobianas que são efetivas contra muitos microrganismos e são não patogênicas e não tóxicas, juntamente com sua capacidade de esporulação (ou seja, que estender seu período de eficácia), dá-lhes uma vantagem dupla em termos de sobrevivência (tolerância ao calor e maior vida útil) em diversos ambientes.

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados. A forma do esporo é extremamente importante para a sobrevivência das cepas e por causa de sua capacidade de produzir metabólitos os Bacillus possuem ação contra microrganismos patogênicos (Escherichia coli, Salmonella spp., Clostridium spp.). Os Bacillus apresentam atividade antimicrobiana de amplo espectro de ação e têm sido amplamente utilizados como agentes para controlar a multiplicação dessas bactérias patogênicas que estão naturalmente presentes no ambiente de criação dos animais.

Exclusão competitiva

Uma maneira de controlar a multiplicação de patógenos no ambiente de criação é a exclusão competitiva, que está relacionada à exclusão de patógenos indesejáveis ​​por microrganismos que competem com os Bacillus no ambiente. Os mecanismos usados ​​pelos Bacillus para reduzir o crescimento de espécies patogênicas variam, incluindo competição por locais físicos de fixação e espaço, competição direta e indireta por nutrientes essenciais, produção de compostos antimicrobianos, regulação do microbioma e interações sinérgicas dos mencionados mecanismos.

A produção de compostos antimicrobianos é outro mecanismo de exclusão competitiva. Os Bacillus spp. são capazes de produzir muitos peptídeos antimicrobianos como lipopeptídeos, surfactinas, bacteriocinas e substâncias inibidoras. Os mecanismos comuns de morte mediada por bacteriocina incluem a destruição de células patogênicas pela formação de poros e/ou inibição da síntese da parede celular e interrupção do DNA, RNA e metabolismo de proteínas.

Quando aplicados no ambiente, os Bacillus spp. têm a capacidade de afetar positivamente o crescimento dos microrganismos nativos, por meio do consumo de oxigênio, desenvolvendo um ambiente micro-anaeróbio mais favorável, apoiando assim o crescimento de espécies necessárias proporcionando melhoras de ambiência e consequentemente o bem-estar animal.

Outro mecanismo de exclusão competitiva é a absorção competitiva de nutrientes essenciais necessários para o crescimento do patógeno. A absorção mais rápida de nutrientes como carbono, glicose e ferro permite que ocorra inibição do crescimento do patógeno. Sendo Bacillus spp. um heterotrófico e fastidioso que têm uma maior taxa de utilização de carbono orgânico e proteína que lhes permite vencer os microrganismos patogênicos. Além disso, algumas dessas bactérias produzem ácido láctico, facilitando a exclusão de patógenos sensíveis ao pH.

Contudo, quanto menor o número de bactérias patogênicas presentes no ambiente, menor é a ativação do sistema imunológico, enquanto mantém a tolerância aos antígenos de alimentos e bactérias comensais, promovendo ganhos nos indicadores zootécnicos como conversão alimentar e diminuição da mortalidade detalhados na Figura 1.

Os principais efeitos benéficos dos Bacillus spp. na ambiência e bem-estar animal, os mesmos apresentam vantagens auxiliares em relação ao tratamento de resíduos desses estabelecimentos, pois a natureza intensiva da produção tem gerado preocupações ambientais, enquanto os produtores estão sob intensa pressão para cumprir os regulamentos já que os principais resíduos provenientes da indústria avícola são compostos por esterco, efluentes e emissões de amônia.

A exposição prolongada às concentrações de amônia pode levar a uma diminuição na eficiência alimentar, aumento da suscetibilidade a doenças, perda e danos desses animais. Além disso, também representa um risco para a saúde dos trabalhadores agrícolas, sendo os Bacillus uma solução eficaz e segura a esses locais.

Na mesma via, o aumento nos estudos sobre Bacillus spp. parece indicar maior prova da adequação desse gênero como modulador biológico na fase de criação de animais para produção de alimentos para obter o melhor desempenho e rentabilidade na produção animal de aves, bovinos e suínos conforme pode ser observado na Figura 1.

Figura 1 – Índice de conversão e mortalidade de aves e suínos com a utilização de moduladores biológico.

Fonte: Por Paulo Cesar Guarnieri e Vinicius Badia, da Engenutri
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Avicultura Produção de ovos comerciais

A influência da Bronquite Infecciosa na qualidade dos ovos

Reconhecendo que são várias as causas que afetam a qualidade dos ovos, seja a qualidade externa na casca, como a qualidade interna na gema e clara, é necessário buscar entender e minimizar ao máximo para melhorar a qualidade dos ovos: ambiência, nutrição, manejos, genética  e doenças aviárias.

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A qualidade de ovos é o ponto de maior importância dentro de uma produção de ovos comerciais. A sua composição compreende da casca, do albúmen e da gema. A propriedade principal da casca é a proteção natural e eficiente para o conteúdo do ovo. Reconhecendo que são várias as causas que afetam a qualidade dos ovos, seja a qualidade externa na casca, como a qualidade interna na gema e clara, é necessário buscar entender e minimizar ao máximo para melhorar a qualidade dos ovos: ambiência, nutrição, manejos, genética  e doenças aviárias.

Cada um desses pontos citados possui maior ou menor importância, de acordo com a realidade em que o plantel se encontra inserido nas diferentes regiões. Dessa forma, elencamos discutir um pouco sobre os impactos que uma doença aviária de grande ocorrência no Brasil pode trazer para a postura comercial: a Bronquite Infecciosa.

O vírus da Bronquite Infecciosa das galinhas (VBIG) é um coronavírus disseminado mundialmente em galinhas. Na avicultura industrial está relacionado a uma síndrome infectocontagiosa com manifestações respiratórias, renais, reprodutivas e entéricas podendo infectar aves reprodutoras (para corte e postura), frangos de corte, poedeiras comerciais e codornizes.

O VBIG possuí uma fita simples de RNA e é envelopado. Sua morfologia é característica por ser em formato arredondado e circundado por uma coroa de espículas. Sua membrana apresenta 23 diferentes tipos de proteínas para sua classificação viral completa, entretanto, sua classificação em sorotipos é baseada na região hipervariável da proteína de espícula S, utilizada como fonte de dados tanto para reações sorológicas quanto de biologia molecular. E uma mesma classificação de sorotipo não indica que o VBIG terá o mesmo tropismo celular nem uma mesma patogenicidade.

O local primário de replicação é o trato respiratório superior, independente do sorotipo. (Epitélio da traqueia, pulmão, sacos aéreos e glândula de Harder). Depois, replica-se nos sistemas renais, reprodutivos e intestinais. O vírus se dissemina pela via horizontal rapidamente por contato direto ou indireto, ou seja, acontece a transmissão entre aves, entre diferentes galpões, entre diferentes granjas e entre diferentes regiões.

Por apresentar vários sorotipos que atuam com diferentes características, foi possível visualizar em trabalho de 2011 a correlação positiva entre o nível de homologia entre diferentes sorotipos de IBV e o nível de proteção cruzada entre essas cepas.

No Brasil, o termo variante é largamente utilizado do campo aos laboratórios de diagnóstico, no qual a cepa variante do VBIG BR1, têm sido a mais prevalente. Em um trabalho realizado por em 2018 verificou-se que 74,5% dos VBIGs identificados no Brasil, sequenciados e depositados do GenBank, são pertencentes ao Sorotipo BR1.

Esse agente representa grandes prejuízos econômicos que muitas vezes não são diagnosticados com os sintomas clássicos da doença. Além de ter sua disseminação de forma rápida o agente pode permanecer viável na granja por períodos de 12 dias e concomitantemente agir em granjas vizinhas. Em aves jovens, o VBIG pode cursar com os sintomas clássicos de doença respiratória, com edemas e exsudatos nas traqueias e brônquios, além de inflamações em sacos aéreos, pericardite e pleurite. Muitas vezes está associado ao quadro de síndrome da cabeça inchada. É importante realçar que a infecção de fêmeas de menos de duas semanas de idade, pode causar lesões permanentes do sistema reprodutor, causando o que se chama de falsas poedeiras. A mortalidade nessa fase de vida dependerá da evolução dos sintomas, da carga viral, do sorotipo e da interação com outros agentes patológicos. Já no sistema renal, quadros de nefropatogenicidade tem sido associada a cepas BR1.

Para as aves de postura comercial ou reprodutoras, além dos descritos nas fases mais jovens, a sintomatologia comumente se demonstra relacionada a qualidade dos ovos. O vírus pode causar uma queda discreta de produção, abaixo do standard, que dificilmente alcançará os níveis desejados novamente, ou mesmo uma queda severa com deterioração do formato, espessura e coloração da casca, além de um efeito liquefeito do albúmen. Em reprodutores machos a BIG pode estar relacionada a diminuição da fertilidade, com cálculos epididimais e orquite, levando em alguns casos a infertilidade.

Nesse contexto, a biosseguridade é uma grande aliada da prevenção e do controle de um surto da BIG. Os programas direcionados à prevenção utilizam ferramentas de segregação, limpeza, higienização e desinfecção dos fômites como um pilar reforçado do manejo.

Adicionados ao manejo preventivo atualmente o controle da BIG é obtido por meio da vacinação das aves. Através do uso de vacinas vivas atenuadas e inativadas. Sendo que as vivas têm a função de prevenir e controlar a infecção em frangos de corte e de servir como primo vacinação de poedeiras comerciais e reprodutoras. Já as vacinas inativadas são fundamentais para a indução de níveis de anticorpos elevados, uniformes e de longa duração (gráfico).

Resultados em média aritmética para todos os lotes da granja, podendo observar que a vacinação com a associação de cepas de IBV na qualidade interna medida de forma indireta com a gravidade específica dos de ovos obteve resultados melhores

Uma vez conhecendo a realidade epidemiológica da doença na avicultura industrial, pode-se aplicar um programa vacinal que utilize um ou mais sorotipos diferentes de BIG. A intenção é sempre ampliar o espectro de proteção e ter a maior e melhor homologia com a cepa de campo, protegendo assim as aves frente aos desafios.

Caracterização da qualidade externa do ovo (ovos manchados de sangue, ovos sujos, ovos trincados, ovos com a casca deformada e ovos normais). Realizar a caracterização externa dos ovos por lotes de produção é uma técnica simples para mensurar de forma direta a saúde das aves. – Fotos: Arquivo pessoal/Jeniffer Pimenta/Vaxxinova

Gravidade específica dos Ovos – Utilização de 5 diferentes densidades, uma metodologia simples de baixo custo que quando realizada na rotina da granja auxilia no acompanhamento individual dos lotes e favorece a melhor caracterização do perfil do plantel avícola.

Fonte: Por Jeniffer Godinho Ferreira Pimenta, médica-veterinária e assistente técnica de Poedeiras Comerciais na Vaxxinova
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