Avicultura
Pesquisadora do Paraná vence Prêmio Nacional de Inovação
Ana Maria da Silva desenvolveu um sorvete a partir da proteína de frango e foi premiada na categoria Pequenos Negócios – Recursos Renováveis.

A inovação do Paraná esteve em destaque com três representantes vencedores do 9º Prêmio Nacional de Inovação (PNI). Realizado pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o prêmio reconheceu, na categoria Ecossistema, o Sistema Regional de Inovação (SRI) do Norte Pioneiro (pequeno porte) e o SRI do Sudoeste do Paraná (médio porte). Já na categoria Pequenos Negócios – Recursos Renováveis, a vencedora foi a empresa Nilo & By Lysis, com um sorvete desenvolvido a partir de proteína de frango.

Ana Maria da Silva, vencedora do PNI, na categoria Pequenos Negócios – Recursos Renováveis: “Essa conquista mostra o que uma mãe pode fazer por sua filha”
De Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Estado, a pesquisadora e empreendedora Ana Maria da Silva transformou um desafio pessoal em inovação. Ela desenvolveu uma proteína hidrolisada altamente digestível, inclusiva e de elevado valor nutricional, voltada a públicos com restrições alimentares. A iniciativa nasceu da união entre ciência, propósito e impacto social. “Essa conquista mostra o que uma mãe pode fazer por sua filha. Ela teve câncer de mama gestacional e consumia sorvete para amenizar a dor, mas não conseguia ingerir outros alimentos. Fomos atrás, enfrentamos desafios e encontramos parceiros que nos ajudaram nesse propósito”, relembra.
Inicialmente, o produto tinha base proteica de frango e arroz. Com o crescimento do negócio, a empresa ampliou o portfólio e hoje também produz sopas, caldos, barrinhas de cereais, iogurtes e queijos com proteína de tilápia. Durante a premiação, Ana convidou as mulheres presentes a se levantarem. “Dedico esse troféu a todas as pesquisadoras que, mesmo sem condições, enfrentam obstáculos e seguem em busca de realizar seus sonhos”, destacou.
História com o Sebrae
A pesquisadora é acompanhada pelo Sebrae/PR desde 2019 quando a empresa ainda estava em formação, com outro nome, depois seguiu em 2022 quando iniciou com a By Fish, e segue até hoje com o projeto do Ali Produtividade e Agente Regional de Inovação – ARI.
Para o gerente regional do Sebrae/PR, Augusto Stein, o reconhecimento traduz a força do empreendedorismo e inovação no Oeste do estado. “Nossa equipe está muito feliz. A empreendedora Ana Maria merece esse reconhecimento nacional. Mais uma vez, um empreendedor do Oeste ganha destaque e desta vez, uma empreendedora que já enfrenta todos os desafios de um pequeno empresário no ambiente de negócios do Brasil e que ainda carrega uma característica importantíssima: ser pesquisadora. A pesquisa no Brasil, de modo geral, é cara e demorada. Por isso, o empreendedor que se dispõe a esse caminho para alavancar ainda mais o seu negócio merece ainda mais reconhecimento”, comemora Stein.
Do Paraná

Equipe do Paraná reunia durante o Congresso de Inovação – Foto: Fabio Eufrazio
Ao todo, o Paraná contou com seis finalistas nacionais entre os 59 selecionados. Também participaram da premiação, com apoio do Sebrae/PR ou participação em suas ações, o ecossistema Estação 43 (grande porte), de Londrina; a TecnoSpeed (média empresa – IA para produtividade); e a Protium Dynamics (média empresa – descarbonização), ambas de Maringá. “Essas conquistas representam o trabalho realizado em conjunto entre inúmeros parceiros. Demonstram anos de esforços na metodologia dos Ecossistemas Locais de Inovação (ELI), criada e estimulada no Paraná desde 2017. O PNI reconhece aqueles que transformam conhecimento em soluções completas, que impactam os pequenos negócios e a sociedade por meio da inovação”, afirma o diretor técnico do Sebrae/PR, César Rissete.
Os vencedores paranaenses subiram ao palco ao lado dos Agentes Regionais de Inovação que atuam em suas regiões. Resultado de uma parceria entre Sebrae/PR, Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná (Seia), Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e Fundação Araucária, os agentes têm como objetivo fortalecer e fomentar iniciativas nos ecossistemas locais de inovação.
Essas ações também contribuíram para que o Paraná fosse escolhido como sede do ELI Summit 2026, um dos principais eventos nacionais voltados à inovação e ao empreendedorismo, previsto para ocorrer em Londrina, entre 24 e 26 de novembro.
Ecossistemas
Outro destaque foi na categoria Ecossistema de Pequeno Porte, com o SRI Norte Pioneiro chegando à final pela terceira vez consecutiva e conquistando o troféu, repetindo o resultado de 2022. O presidente do SRI, Leandro de Azevedo Lima, destaca que a região é formada por 29 pequenos municípios, todos com menos de 50 mil habitantes. “Temos cidades com cerca de 40 mil moradores, mas também municípios com 3 mil. Por isso, a integração é fundamental. Sozinhos, os pequenos municípios têm mais dificuldade de avançar, mas, quando trabalhamos juntos, ganhamos escala e força, representando uma região com cerca de 400 mil habitantes”, comenta.

Os vencedores Leandro (SRI Norte Pioneiro, Ana Maria (Nilo & by Lysis) e Marcelo Rogério (SRI Sudoeste do PR) celebrando ao lado de César Rissete (Sebrae/PR) – Foto: Eduardo Pereira
Ele também ressalta os impactos econômicos do trabalho conjunto. Em dez anos, os cinco municípios fundadores do ecossistema (Jacarezinho, Santo Antônio da Platina, Cambará, Andirá e Bandeirantes) registraram crescimento médio de 23,17% no Produto Interno Bruto (PIB) per capita. “Para chegarmos até aqui, foi preciso estruturar o trabalho de cada cidade, com leis de inovação, conselhos municipais e fundos ativos. Isso garante que estejam preparados para fazer parte do ecossistema e acessar oportunidades. Com essa base organizada, conseguimos avançar mais rápido e aproveitar melhor os recursos disponíveis”, finaliza.
Na categoria de médio porte, o SRI do Sudoeste do Paraná também foi vencedor. Para o presidente do ecossistema, Marcelo Rogério da Silva, a conquista reflete a maturidade do trabalho desenvolvido na região. “Esse avanço é resultado de uma construção coletiva que já vem sendo desenvolvida há cerca de 20 anos, com aplicação de metodologia e inteligência institucional no território. O projeto inscrito apresenta justamente esse modelo de articulação do ecossistema, mostrando como diferentes instituições trabalham juntas para gerar oportunidades e novos negócios. O foco é criar conexões, apoiar iniciativas inovadoras e estimular uma cultura de inovação cada vez mais forte no sudoeste do Paraná”, ressalta.
Segundo ele, os resultados são sustentados pela atuação integrada entre diferentes atores do território. “A inovação não acontece de forma isolada. Ela depende de uma base estruturada, que envolve políticas públicas, instituições de ensino e parceiros que apoiam o empreendedor. As universidades têm um papel fundamental, porque são responsáveis pela formação de pessoas, que é o principal ativo dentro da cadeia de inovação. Quando esses atores trabalham de forma alinhada, o ecossistema ganha consistência e consegue gerar resultados mais efetivos para a região”, completa.
Prêmio
Nas oito edições iniciais, o PNI teve 16,5 mil inscritos e 113 vencedores, das 5 regiões do país. A inscrição é gratuita e todos os inscritos recebem um relatório de feedback da avaliação. Além de certificados e do troféu da premiação, os finalistas recebem divulgação em mídia espontânea e participam do Congresso de Inovação da Indústria.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou aos finalistas da premiação que competir, ser reconhecido e premiado alavanca a vontade de persistir. “Que nós possamos estar sempre premiando e estimulando. Hoje são 20 prêmios, vamos considerar que quanto mais [premiados] e mais diversificado melhor. Vamos ter mais inovações para demandar mais setores, mais ideias, mais prêmios e mais entregas. O que é importante da inovação e da tecnologia é que ela venha para a realidade da prática sustentável. Que possamos, sim, com isso, melhorar a produtividade”, disse Ricardo Alban.
A premiação é composta de sete modalidades: descarbonização, recursos renováveis, digitalização de negócios, IA para produtividade e Lei do Bem para pequenas, médias e grandes empresas; ecossistemas de inovação de pequeno, médio e grande porte; e pesquisador empreendedor de pequena, média e grande empresa. O anúncio fez parte da programação do 11º Congresso de Inovação da Indústria, no WTC, em São Paulo.
Congresso de Inovação
Além do PNI, o Congresso de Inovação reuniu lideranças empresariais, governo e instituições de ciência e tecnologia (ICTs), para discutir os principais desafios e oportunidades de inovação do país e, assim, contribuir com políticas públicas em torno da agenda.
Realizado bianualmente pela CNI e pelo Sebrae, o Congresso teve também correalização do Sesi, Senai e IEL. Esta edição contou com o apoio estratégico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoio institucional do INPI e do OCB. Além de patrocínio da Embrapii, Finep, BNDES, Embraer, Petrobras, Itaú, Grupo Boticário, Bosch, Rockwell, Siemens e Vale, na cota prata.
Assista a cerimônia completa pelo YouTube da CNI, clicando aqui.

Avicultura
Cotações dos ovos têm variação de até 1,73% nas principais praças
Ovos brancos registraram baixas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, enquanto vermelhos alternaram altas e quedas.

Os preços médios dos ovos registraram variações discretas nas principais praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na segunda-feira (6).
No mercado de ovos brancos, as cotações recuaram em todas as regiões pesquisadas. A maior queda foi registrada em Recife (PE), de 0,89%, com o produto cotado a R$ 144,38. Em seguida aparecem Santa Maria de Jetibá (ES), com recuo de 0,60% e preço médio de R$ 140,56, Grande São Paulo, com queda de 0,29% e cotação de R$ 141,82, Bastos (SP), com baixa de 0,03% e preço de R$ 133,21, e Grande Belo Horizonte (MG), onde o valor ficou em R$ 146,17, após leve recuo de 0,02%.
Para os ovos vermelhos, o comportamento foi misto. A maior alta ocorreu na Grande São Paulo, onde a cotação avançou 1,73%, para R$ 155,27. Também houve valorização em Grande Belo Horizonte (0,40%), com preço médio de R$ 157,88, e em Recife (0,25%), onde o produto foi negociado a R$ 163,14. Já em Santa Maria de Jetibá (ES), a cotação apresentou leve recuo de 0,02%, para R$ 160,46, enquanto em Bastos (SP) a queda foi de 0,40%, com preço médio de R$ 149,29.
Avicultura
Simpósio da Facta debate tecnologia e dados na produção de matrizes avícolas
Evento programado para os dias 16 e 17 de setembro reúne especialistas para discutir manejo, incubação, automação e uso de indicadores na avicultura.

A integração entre tecnologia, análise de dados e práticas de manejo tem redefinido a produção de matrizes avícolas no Brasil. O tema estará no centro das discussões do Simpósio de Incubação e Matrizes, marcado para os dias 16 e 17 de setembro, em Chapecó (SC), promovido pela Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (Facta).
O encontro reunirá técnicos, pesquisadores, especialistas e profissionais da cadeia avícola para atualização sobre fatores que influenciam o desempenho de matrizes pesadas e incubatórios, com foco em eficiência produtiva e qualidade da progênie.
A programação inclui debates sobre manejo de recria, fertilidade, nutrição, programas de iluminação, controle ambiental, sanidade, vacinação e automação. Também entram na pauta o uso de indicadores de desempenho e ferramentas de análise de dados para apoiar a tomada de decisão e aprimorar resultados.
No segmento de incubatórios, os debates vão abordar manejo de ovos, ventilação, embriodiagnóstico, monitoramento de incubação e controle de qualidade, além de estratégias de gestão operacional.
Questões como gestão de pessoas, retorno sobre investimento em tecnologias e uso de dados na rotina produtiva também fazem parte da programação.
Para o presidente da Facta, Ariel Mendes, o simpósio busca aproximar conhecimento técnico e aplicação prática no campo. “A produção de matrizes e a incubação são etapas fundamentais para a eficiência de toda a cadeia avícola. O simpósio reúne especialistas e profissionais do setor para discutir tecnologias, práticas de manejo e ferramentas de gestão capazes de contribuir para ganhos consistentes de produtividade, qualidade e sustentabilidade na produção”, afirmou.
A programação completa está disponível aqui.
Avicultura
Exportações de carne de frango crescem 40,6% em junho
Brasil embarcou 482,8 mil toneladas no mês e registrou alta também na receita, que chegou a US$ 985,5 milhões.

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 482,8 mil toneladas em junho, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume supera em 40,6% o registrado no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 343,4 mil toneladas.
A receita obtida com as exportações alcançou US$ 985,5 milhões, resultado 54,7% superior ao registrado em junho do ano passado, quando foram contabilizados US$ 637 milhões.
Impulsionados pelo desempenho de junho, os embarques brasileiros encerraram o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado da história das exportações brasileiras de carne de frango, tanto em volume quanto em receita. Entre janeiro e junho, os embarques alcançaram 2,936 milhões de toneladas, número 12,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 2,600 milhões de toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 17%, com US$ 5,700 bilhões entre janeiro e junho deste ano, frente aos US$ 4,871 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras em junho, a China manteve a liderança, com 50,1 mil toneladas embarcadas (+12.248,8% em relação ao mesmo período do ano anterior). Na sequência aparecem Japão, com 46,6 mil toneladas (-0,9%), Emirados Árabes Unidos, com 46,2 mil toneladas (-5,1%), Arábia Saudita, com 33,1 mil toneladas (-1,0%), União Europeia, com 28 mil toneladas (+250,7%), África do Sul, com 26,3 mil toneladas (+946,3%), México, com 25,4 mil toneladas (+728,8%), Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+7.819,7%), Filipinas, com 12,5 mil toneladas (+330,2%) e Singapura, com 12 mil toneladas (-19,4%). Vale lembrar que parte das elevadas variações percentuais registradas em alguns mercados decorre da baixa base de comparação de junho de 2025, período impactado pelas restrições temporárias decorrentes do único caso, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no Brasil.

Foto: Jonathan Campos
No desempenho por estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 199,3 mil toneladas embarcadas em junho (+48,2%), seguido por Santa Catarina, com 103,3 mil toneladas (+35,2%), Rio Grande do Sul, com 56,7 mil toneladas (+40,1%), São Paulo, com 29,9 mil toneladas (+40,0%) e Goiás, com 29,4 mil toneladas (+55,4%).
“Os resultados do primeiro semestre foram conquistados em um ambiente marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos desafios logísticos decorrentes desse contexto, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz. Mesmo diante desse cenário, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que manteve forte presença no Oriente Médio e expandiu oportunidades em mercados emergentes. O desempenho de junho, embora influenciado por uma base comparativa menor frente à ocorrência já superada de IAAP no Brasil, reforça a diversificação da pauta exportadora brasileira, a competitividade da nossa cadeia produtiva e consolida bases sólidas para mais um ano de resultados históricos nas exportações de carne de frango”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.



