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Pesquisadora da Embrapa recebe comenda Mérito ABCZ Mulher
Na cerimônia, também foram entregues a comenda Mérito ExpoGenética 2023, nas categorias Criador, Especial, Pesquisador e Técnico.

Desde 2010, Giovana Maciel dedica seus dias à pesquisa na área animal na Embrapa Cerrados. Formada em zootecnia, com mestrado e doutorado em solos e nutrição de plantas, pela Universidade Federal de Lavras, atua em diversos projetos, todos voltados para a melhoria da pecuária brasileira. Os frutos desse trabalho lhe renderam a comenda Mérito ABCZ Mulher, concedida pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, que reconhece personalidades que têm atuação de destaque no País. A entrega do troféu e do certificado ocorreu durante a 16ª ExpoGenética, em Uberaba (MG).
“Eu não esperava”, confessa Maciel. “Nós temos o projeto IntegraZebu, um trabalho bem bonito, com pequenos produtores, que busca manter essas pessoas com conforto, com aumento de renda em suas propriedades. Esse foi um dos trabalhos reconhecidos. Os bons resultados estão aparecendo”, ressalta, com simplicidade, a abrangência de suas ações.
No IntegraZebu, o objetivo é estimular a recuperação ou a renovação de pastagens degradadas, com utilização da Integração Lavoura-Pecuária (ILP), e a adequação do manejo das pastagens de pequenos e médios produtores. O projeto conta com a parceria da ABCZ e de outras empresas da iniciativa privada. A pesquisadora conta os resultados já alcançados: “Até agora, já foram estabelecidas 72 Unidades Demonstrativas em Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. O impacto no aumento, principalmente, da produção de leite desses produtores foi muito alto, superando 100% em alguns casos”.
No discurso de abertura da 16ª ExpoGenética, mostra anual de animais zebuínos avaliados de todo o País e programação técnica, organizada pela ABCZ, Gabriel Garcia Cid, presidente da associação, falou sobre a importância de destacar o trabalho de pessoas que contribuem para o fomento do setor: “Reconhecimento – o maior patrimônio de uma entidade são as pessoas. Na 16ª edição da ExpoGenética, não poderíamos deixar de eternizar a gratidão que a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu tem por aqueles que, incansavelmente, contribuem para o desenvolvimento da pecuária zebuína”.
A comenda da ABCZ dedicada às mulheres não se limita às profissionais do setor pecuário. Outras seis foram reconhecidas na manhã do dia 24: Cláudia Monteiro, com a divulgação do trabalho dos pecuaristas do Brasil e da América do Sul; Maria do Carmo Dias, por seu trabalho voluntário com a comunidade rural em Minas Gerais; Milena Corrêa, por seu trabalho com a raça Sandi; Sônia Rezende, com sua contribuição na seleção de Nelore GP e na difusão da linha Lemgruber; Tatiana Tetzner, médica veterinária com ampla experiência com raças bovinas; Valéria Guimarães, com o projeto “Mais carne, mais rápido e de melhor qualidade” em sua propriedade em Mimoso (GO).
Na cerimônia, também foram entregues a comenda Mérito ExpoGenética 2023, nas categorias Criador, Especial, Pesquisador e Técnico.
Sistemas de produção de carne e leite a pasto no Cerrado: eficiência e sustentabilidade
Projeto recente no qual a pesquisadora está envolvida tem como foco o desenvolvimento de um sistema de produção de carne de qualidade sustentável, com recria de animais zebuínos em pastagens de Brachiaria brizantha BRS Paiaguás, com terminação em confinamento. Os trabalhos são realizados na fazenda experimental da ABCZ desde 2020, em parceria com a Embrapa Gado de Corte. “Trata-se de um sistema que pode ser adotado e replicado pelos produtores do Cerrado. No último ano, executamos protocolos carne carbono neutro (CCN) e carne baixo carbono (CBC), desenvolvidos pela Embrapa, e conseguimos estimar as emissões de metano entérico pelos animais”, informa Maciel.
Outros parceiros têm apoiado projetos na área animal. Com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) são estudadas novas cultivares de Panicum maximum, BRS Zuri, Quenia e Tamani, que estão sendo avaliadas com pastejo de vacas leiteiras da raça Gir. Maciel informa que o objetivo é gerar uma recomendação de sistema de produção de leite mais eficiente, para níveis tecnológicos médio e alto, para produção a pasto.
Já com o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), está sendo realizado um ensaio de pastejo para averiguar a possiblidade de extensão de recomendação de uso da nova Brachiaria ruziziensis BRS Integra para o bioma Cerrado.
Ainda no Triângulo Mineiro, a equipe da qual Maciel faz parte desenvolve as ações do Projeto Paisagens Rurais, para fortalecimento de duas políticas públicas – uma com foco na regularização ambiental dos imóveis rurais, conforme disposto no Código Florestal, e outra na recuperação e otimização do uso das áreas de pastagens, por meio da implantação de práticas agropecuárias de baixa emissão de carbono, fomentadas pelo Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono com vistas ao Desenvolvimento Sustentável (ABC+).

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



