Suínos
Pesquisador faz profunda análise a favor do Brasil em relação a outros países produtores
José Eustáquio Vieira Filho evidencia o cenário econômico e político com foco no agronegócio nacional.

“Quando eu era estudante de Economia, a primeira coisa que via nos manuais era que a agricultura é um modelo perfeitamente competitivo de oferta e demanda, e que o preço é dado pelo mercado. Quando estudava o desenvolvimento econômico, a agricultura era um setor marginal ao desenvolvimento econômico. Para um país para se desenvolver, tinha que desenvolver a agricultura, setor industrial e, por último, setor de serviços”, lembra José Eustáquio Vieira Filho, pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Então, basicamente, víamos isso nas universidades e eu percebia que essas coisas não batiam com a realidade prática”, lembra.

Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, José Eustáquio Vieira Filho: “O que está por detrás do sucesso agropecuário brasileiro é conhecimento e tecnologia, nada mais do que isso” – Foto: Francieli Baumgarten
Durante o Encontro Regional Abraves, realizado em Toledo, PR, o pesquisador ministrou palestra onde falou sobre o cenário econômico e político com foco no agronegócio. “Falar em agronegócio é muito mais do que falar em um produto, da questão do clima, rezar para que tenhamos boas chuvas, e tudo mais será doado da forma divina. Na verdade, o que está por detrás do sucesso agropecuário brasileiro é conhecimento e tecnologia, nada mais do que isso”, elucida o palestrante.
“O agro é muito importante, é o agro que move a economia do país, é o agro que paga os salários, é o agro que gera desenvolvimento econômico. Independente de governo A, governo B, o agronegócio é que move a economia”, destaca o profissional. “O plano safra sempre vai existir, o setor vai continuar crescendo e as coisas vão continuar no seu ritmo tradicional. A menos que venha um determinado presidente e queira acabar com o setor, mas acredito que isso não vai acontecer, porque seria como retroceder 50 anos”, expressa Vieira Filho.
Ele sugere questionar se existe futuro viável para o agronegócio e, particularmente, para a suinocultura. “Essa questão pode ser respondida por diferentes prismas. Inovação tecnológica, a questão sanitária, a sustentabilidade ambiental, a sucessão dos negócios, entre outros fatores. Busco focar a questão da inovação tecnológica como um fator central no que foi feito no Brasil”, argumenta.
Voltando no tempo
O pesquisador falou sobre a criação e a relevância da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na década de 1970, mas argumenta que a instituição “não construiu isso sozinha”. “A Embrapa foi central em canalizar as principais demandas que o país tinha nos anos 70 e conseguiu organizar o país. É claro, junto com o ambiente institucional ao seu redor, isso ganhou corpo e fez com que houvesse uma evolução muito grande”.
Nos anos 1970, o Brasil enfrentava políticas que priorizavam a extração de renda da agricultura para subsidiar outros setores, como ressalta Vieira Filho. Essas políticas, muitas
vezes negligenciadas nas discussões contemporâneas, incluíam práticas como taxas múltiplas de câmbio, que beneficiavam certos setores em detrimento da agricultura, um dos principais setores exportadores do país na época. “É claro que, naquele período, a agricultura era pouco diversificada comparando com a agricultura que a gente conhece hoje, mas era o setor que exportava, então ele era prejudicado”, acrescenta o palestrante. Ele aponta que “as taxas prejudicavam a agricultura, mas beneficiaram a indústria. A agricultura era penalizada nesse sentido”.
Durante o período do chamado “milagre econômico” entre 1968 e 1973, o Brasil experimentou um crescimento econômico notável, mas também enfrentou desafios, como a inflação decorrente da oferta inelástica de preços. “O país estava crescendo a taxas de dois dígitos, mais do que a China, levando em conta aquele período”, salienta. “E quanto maior a demanda, se você não tem oferta, os preços explodem, vem a inflação. E inflação nenhum governo gosta”. Eustáquio destaca o papel de Affonso Celso Pastore em mostrar que, na realidade, a produção agrícola poderia reagir aos preços, desde que houvesse investimentos em inovação e tecnologia, expandindo assim a oferta produtiva. E afirma: “Flutuações no preço podem sim influenciar a oferta ou a demanda dos produtos”.
Nesse contexto, dois importantes ministros, Cirne Lima da Agricultura e Delfim Netto da Economia, reconheceram a necessidade de abordar os problemas enfrentados pela agricultura brasileira. Enquanto parte da população defendia a reforma agrária como solução, outra parte argumentava a favor do investimento em tecnologia e capital humano para promover o crescimento da agropecuária. Essa dicotomia acentuada pelo pesquisador ecoa os debates contemporâneos. “A mesma discussão vemos hoje quando separamos os grupos ideológicos. Há quem pense que a reforma agrária é uma política importante, mas na prática, o que se mostrou no Brasil foi investimento em capital humano e tecnologia”, analisa.
A criação da Embrapa, em 1973, representou um marco nesse contexto. Como frisa o palestrante, o investimento na pesquisa agro foi justificado pelo reconhecimento da importância de fornecer conhecimento atualizado aos agricultores. O estudo realizado pelo professor Guilherme Dias, que demonstrou a defasagem no diálogo entre a extensão rural e os produtores, foi fundamental para embasar essa decisão. “Delfim Netto pegou o argumento desse estudo e utilizou para justificar o investimento na pesquisa. A criação da Embrapa tinha que ser justificada”, relata o doutor em Teoria Econômica.
Concentração
Ele também aborda a questão da concentração produtiva no setor agropecuário brasileiro, destacando números que revelam uma realidade desafiadora e apontam para possíveis caminhos de desenvolvimento. Segundo Vieira Filho, “em 2006, um texto clássico do doutor Eliseu, publicado no livro do IPEA, mostrou, pela primeira vez, que havia uma grande concentração produtiva no setor agropecuário brasileiro”. Os dados do Censo de 2017 confirmaram essa concentração, revelando que “9% dos estabelecimentos mais ricos respondem por 85% da produção, enquanto 91% dos estabelecimentos mais pobres respondem pela pequena parte de 15% da produção”. Essa realidade, enfatiza o palestrante, não é exclusiva do Brasil, persistindo também em economias como a americana e europeia.
Essa concentração, segundo doutor José Eustáquio, pode ser vista como parte dos modelos de desenvolvimento econômico, onde é necessário “que você tenha concentrações em determinados ramos produtivos para que você possa ter um start de alocação de investimento, crescimento, aumento da produtividade e expansão”. No entanto, o profissional também aponta para uma oportunidade de mudança. Ele sugere que “se você incorporar 1% dos estabelecimentos mais pobres dentro dessa faixa mais dinâmica, podemos não só dobrar, como até triplicar a produção brasileira, usando os mesmos recursos, usando os mesmos insumos tecnológicos”.
Condições influenciam a tecnologia
Para ele, a compreensão desse aspecto se tornou fundamental durante seu pós-doutorado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde teve a oportunidade de colaborar com o professor Albert Fischer na elaboração do livro “Agricultura e Indústria no Brasil, Inovação e Competitividade”. “Percebi que tudo o que acontecia na agricultura era, não só semelhante, como idêntico ao que eles explicavam sobre os casos bem-sucedidos de inovação tecnológica na indústria”, sublinha. A análise comparativa entre setores industriais como o de petróleo, produção de aeronaves e o agronegócio revela padrões interessantes de evolução tecnológica e adaptação às condições específicas de cada segmento. “Comparamos então, três setores industriais. Setor de petróleo, o setor de produção de aeronaves e o agronegócio”, recorda.
Ele ilustra sua argumentação com exemplos concretos. No caso da indústria de aviação, enfatiza que a evolução tecnológica está intimamente ligada ao aumento de escala das

aeronaves. “O avião, para que se tenha uma evolução tecnológica, vai ampliando de tamanho. Ao ampliar de tamanho ele aumenta o peso, ao aumentar o peso as condições tecnológicas são outras. Dependendo da capacidade que se tem de absorção das tecnologias, tem-se capacidade de produzir aeronaves maiores. É algo muito complexo”, explica o pesquisador.
Ao abordar o setor de petróleo, o doutor menciona as diferenças entre as estratégias de exploração adotadas em diferentes regiões do mundo. Enquanto em lugares como o Oriente Médio ou Estados Unidos a presença de petróleo próximo à superfície facilitou a exploração, no Brasil o cenário foi distinto. “No Brasil, isso não aconteceu. E num determinado momento, o país resolveu procurar petróleo na costa litorânea brasileira”, relata. O surgimento de experiências bem-sucedidas de exploração offshore na década de 1960 marcou o início de um período de investimentos significativos no setor. “E depois que foi descoberto na Bacia de Campos, o Brasil começou a investir muito”, acrescenta.
O pesquisador salienta que, assim como na indústria aeronáutica e petrolífera, o agronegócio enfrenta desafios tecnológicos específicos à medida que amplia sua escala produtiva. “Explorar petróleo a cem metros é uma condição de temperatura e predição diferente do que explorar petróleo a dois mil metros, cinco mil metros de profundidade. É preciso novos materiais, novas tecnologias. A complexidade tecnológica é diferente. No agro é a mesma coisa”, diz.
Analisando dados dos Censos Agropecuários de 1995 e 2017, Eustáquio explora a relação entre tecnologia, escala produtiva e eficiência no setor. “Comparando os dois Censos, quanto maior eram as propriedades, maior eram os indicadores de potência”. Essa constatação evidencia a importância da escala na absorção tecnológica e no aumento da produtividade agrícola. O estudo revelou que, ao longo das décadas, a tecnologia desempenhou um papel cada vez mais significativo nos ganhos de produção. “Na década de 1990, a tecnologia já era responsável por, praticamente, 50% dos aumentos produtivos. E, no último Censo, essa participação se ampliou para algo em torno de 60,6%”, explica o pesquisador.

Uma tendência clara observada nos dados é a redução da participação do trabalho na produção agrícola, enquanto a utilização de tecnologia e insumos biotecnológicos vem ganhando espaço. “Cada vez mais uma atividade agropecuária é intensiva em tecnologia e pouco intensiva em trabalho. Intensiva em robótica, máquinas, além dos insumos biotecnológicos”, destaca Vieira. Entretanto, ele revela que “a participação do trabalho caiu de 31,3% para 19%. E a participação da terra é praticamente estável. Ressalto que o estudo não está dizendo que terra não é importante. O estudo diz que a participação da terra comparativamente a outros fatores produtivos tem uma contribuição menor”.
Efeito poupa floresta
Um dos pontos destacados pelo profissional é o “efeito poupa floresta”, um conceito que ressalta o impacto positivo da tecnologia na preservação ambiental. “Imagine que se tenha uma situação no passado, uma situação no presente e um contrafatual. Se observarmos passado e presente, há um pequeno aumento da área produtiva. Mas esse pequeno aumento em nada se compara com o que foi poupado ao longo do tempo, e essa poupança foi devido à tecnologia”, elucida.
Esses resultados têm implicações importantes para políticas públicas e estratégias de desenvolvimento agrícola. Segundo o palestrante, é fundamental que os países reconheçam o papel fundamental da inovação tecnológica no aumento da produtividade e na conservação ambiental. Em vez de simplesmente focar na distribuição de terras, investimentos em acesso e adoção de tecnologias eficientes podem ser a chave para impulsionar o crescimento sustentável do agronegócio.
O doutor José Eustáquio assegura que o “efeito poupa-floresta” representa menos fome do mundo, pois quanto mais tecnologia, menos é preciso desmatar áreas para produzir mais. Ele diz que “ao longo da década de 1990, para os dias atuais, o Brasil praticamente poupou 43% do seu território. Se compararmos com nossos principais críticos e competidores, o nosso indicador no último ano é muito maior do que, por exemplo, da Espanha, que só poupou 20,4% com a tecnologia, ou do que a França, que foi 2,4%”. Vieira conta também que descobriu, através de um estudo, em 2020, “que na Europa estava se criando um debate, uma crítica, dizendo que o estudo não podia ser feito dessa forma, porque parte de um ponto que, teoricamente, segundo os europeus, eles já são eficientes. E isso não é verdade. A verdade é que eles já desmataram tudo, não têm mais o que desmatar”, expressa.
A conta não fecha
Ao revelar que, segundo dados, dois terços do território brasileiro são preservados com matas nativas, o palestrante incita uma reflexão. “O continente europeu, por exemplo, não
tem 10% de preservação. Como eles querem ditar ordem dentro do território brasileiro?”, questiona. Ele complementa que fez outro exercício, que consiste em dividir a produção por unidade de emissão. “Primeiro lugar, não acredito no que são essas emissões de CO2 equivalente na atmosfera. Pegam um monte de cientistas da Embrapa, de universidades financiadas por ONGs ou instituições internacionais, e dão um ar de cientificidade e chegam a um número de carbono. Milhões de toneladas de carbono. Supondo que essas estatísticas internacionais sejam verdadeiras. Analisei essas estatísticas para o Brasil e dividi produção por unidade e emissão, e fiz o mesmo para os nossos principais competidores. Pasmem, o Brasil foi o país que teve o melhor indicador de sustentabilidade nesse quesito” revela o pesquisador.
Eustáquio acentua que, na produção agrícola, em 1990, um quilo de CO2 equivalente conseguia gerar 243 quilos de produtos agrícolas. Já em 2020, o mesmo quilo de CO2 equivalente conseguia produzir 748 quilos. “Então veja, nós estamos produzindo mais com a mesma emissão de carbono. Sendo assim, o Brasil, comparado aos nossos principais competidores, é o país com o melhor rendimento”, enfatiza.
Soja brasileira
O economista sublinha o impressionante crescimento da cadeia produtiva da soja no Brasil ao longo das últimas décadas. Em sua análise, revela números que ilustram a magnitude desse progresso. Em 1991, a produção nacional de soja totalizava 19,4 milhões de toneladas. Contrastando com os dados de 2022, esse número saltou para 154,6 milhões de toneladas, representando um aumento surpreendente de quase 700%. Como observa o palestrante, “a produção de soja foi multiplicada por oito ao longo desse período”.
Outro ponto de destaque é a relação entre a produção de soja e a produção total de grãos. Em 1991, os grãos atingiram 68,4 milhões de toneladas, enquanto em 2022 foram 319,8 milhões de toneladas. Vieira Filho afirma que “a produção de soja representa, praticamente, 50% da produção total de grãos”. Um aspecto importante também é o papel central da soja na cadeia produtiva agrícola. Em 2022, a produção de soja totalizou 154 milhões de toneladas, grande parte da qual é processada em farelo e óleo. O palestrante detalha que “63% da soja é exportada como excedente produtivo, enquanto 32% é consumida internamente”.

Eustáquio fala ainda sobre a questão do consumo per capita, e dá destaque ao aumento significativo ao longo dos anos. Desde 1991, o consumo per capita de soja aumentou 2,7 vezes, o de farelo 4,5 vezes, e o de óleo 2,2 vezes. Além disso, segundo o pesquisador, o consumo de carne de frango e suína também registrou aumentos substanciais, correlacionados com o crescimento das exportações. “Carne de frango, 30% exportado, o restante é consumido dentro do país, carne bovina, 27% é exportado, o restante é consumido dentro do país. Carne suína, 30% é exportado e o restante é consumido dentro do país”, aponta.
Exportações e segurança alimentar
Um ponto analítico importante levantado na palestra foi a relação entre exportações e segurança alimentar. Contrariando a noção de que as exportações comprometem a segurança alimentar interna, o profissional argumenta que “exportar não é ruim para a segurança alimentar do país”. Ele considera que políticas que visam taxar as exportações podem prejudicar o desenvolvimento econômico e que investimentos em inovação e tecnologia são fundamentais para garantir a segurança alimentar e impulsionar o crescimento da oferta.
Sobre o quadro de comércio exterior do país e a ascensão impressionante do setor agropecuário brasileiro, o pesquisador do Ipea afirma que “o Brasil é o líder em exportações líquidas de alimentos para o mundo”, ressaltando a posição de destaque que o país ocupa no cenário global. Ele explica que o Brasil figura como o terceiro maior exportador, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Holanda, enquanto ocupa a 34ª posição em importações.
Uma das principais conquistas evidenciadas por Vieira Filho é o saldo superavitário da balança comercial brasileira, especialmente após 2015, comparado aos competidores latino-americanos. Ele salienta que “o Brasil se descola com um saldo superavitário da balança comercial global”, graças ao desempenho positivo do setor agropecuário. Sem esse saldo, o pesquisador argumenta que o país não seria capaz de contrabalançar os déficits em outras áreas da economia. O setor agropecuário desempenha um papel crucial nessa dinâmica, representando 50% das exportações totais do Brasil. Um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citado por José Eustáquio aponta que, até 2027, a maior expansão da oferta produtiva ocorrerá principalmente no Brasil. Os principais destinos dessas exportações incluem a China (31,9%), União Europeia (16,1%) e Estados Unidos (6,6%).
O palestrante também enfatiza a diversificação do mercado brasileiro, apesar da concentração significativa na China. Ele ilustra esse ponto com o exemplo da carne suína, que saltou
do 14º lugar, em 1995, para a terceira posição mundial em exportações até 2022. “O market share brasileiro, que era de 1% na década de 90, hoje representa 17% das exportações mundiais”, afirma.
Outro ponto-chave abordado por José Eustáquio é a relação entre a taxa de juros e o mercado internacional. Ele constata que “é errado tentar prever o mercado olhando só a taxa Selic e esquecendo o que acontece com o resto do mundo”, enfatizando a importância de comparar a taxa de juros real com a do mercado americano. Segundo ele, essa comparação é essencial para determinar a necessidade de ajustes na taxa de juros brasileira, visando atrair capital estrangeiro e manter a competitividade econômica.
Sobre a relação entre taxa de câmbio e exportações Vieira denota que “quanto maior as exportações, mais se diminui a taxa de câmbio”, explicando como a abundância de exportações pode influenciar na valorização da moeda nacional. No entanto, ele alerta para os potenciais impactos negativos dessa valorização excessiva sobre os produtores, defendendo a necessidade de estabilidade cambial para garantir previsibilidade aos agentes econômicos.
Brasil
Quanto ao desempenho econômico do Brasil, ele observa que o país vem apresentando sinais de recuperação, com o PIB crescendo após os impactos da crise pandêmica. Ele compartilha dados do último boletim Focus, que indicam um aumento da inflação em 2024, seguido de estabilidade em 2025, bem como um pequeno crescimento do PIB no mesmo período. Além disso, prevê uma taxa de câmbio relativamente estável nos próximos anos, com a taxa de juros em torno de 9%.
O pesquisador fez uma comparação entre a situação econômica do Brasil e da Europa, e aponta as diferenças nas políticas de subsídios e práticas sustentáveis. Enquanto o Brasil é reconhecido como um exemplo de competitividade com práticas sustentáveis, Eustáquio revela que a Europa enfrenta desafios relacionados à redução de subsídios e dependência dessas políticas para a produção agrícola.
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Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.
Suínos
Pig Fair destaca tecnologias para impulsionar a produtividade na suinocultura
Feira paralela ao Simpósio Brasil Sul reunirá empresas, pesquisadores, técnicos e produtores entre os dias 11 e 13 de agosto, em Chapecó.

Tecnologia, inovação e geração de negócios marcarão a 17ª Brasil Sul Pig Fair, feira paralela ao 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O evento será realizado de 11 a 13 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo mais de 50 empresas nacionais e multinacionais que apresentarão as principais tendências, produtos, serviços e tecnologias voltadas à cadeia produtiva da suinocultura.
A Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de biosseguridade, diagnóstico, genética, nutrição, vacinas, aditivos, equipamentos, automação, ambiência e tecnologia, proporcionando aos participantes contato direto com soluções inovadoras para aumentar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade das granjas. Além da exposição de produtos e serviços, a feira se destaca como um ambiente estratégico para networking, troca de experiências e fortalecimento de parcerias entre empresas, pesquisadores, técnicos, produtores e representantes da agroindústria.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que a Pig Fair complementa a programação científica do Simpósio ao aproximar o conhecimento técnico das soluções disponíveis no mercado. “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos. Essa interação entre indústria, pesquisa e campo é um dos grandes diferenciais do SBSS”, afirma.
Para o presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, a integração entre a programação técnica e a feira fortalece o papel do evento como um ambiente de atualização completa para os profissionais da cadeia produtiva. “Enquanto o Simpósio apresenta as principais discussões científicas e tendências do setor, a Pig Fair permite que os participantes conheçam, na prática, as soluções que estão sendo desenvolvidas pelas empresas. É um espaço de inovação, troca de conhecimento e geração de oportunidades para toda a suinocultura”, ressalta.
Os expositores também preparam lançamentos e novidades para esta edição, reforçando a Pig Fair como uma vitrine das principais inovações do mercado. Durante os três dias de evento, os congressistas poderão visitar os estandes, conhecer novas tecnologias, compartilhar experiências e ampliar o networking com profissionais de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.
SBSS
As inscrições já estão disponíveis no site, acesse clicando aqui. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologias e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral
• 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura
• 17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
WORKSHOP: GESTÃO DE PROGRAMAS SANITÁRIOS NA SUINOCULTURA
9h00 – Módulo 1: A base de qualquer programa
• Conceitos de Bactericida e Bacteriostático
• Por que pensar em Farmacodinâmica e Farmacocinética
• Interações e associações de drogas antimicrobianas
Palestrante: Everson Zotti
9h40 – Módulo 2: Inteligência Sanitária e Diagnóstico
• Entendimento do conceito e desafio sanitário: qual é o meu desafio?
• Diagnóstico de rotina e análise de dados (isolamento, antibiograma, MIC)
• Aprendizado com falhas diagnósticas
Palestrante: Edison Magalhães
10h20 – Módulo 3: Desenhando Programas Factíveis
• Crítica aos protocolos de “amplo espectro”
• Impactos do uso imprudente de antimicrobianos
• O que realmente é necessário para resolver o problema
Palestrante: Augusto Heck
11h00 – Módulo 4: Farmacoeconomia e Monitoramento
• O programa que cabe no bolso (Análise de ROI)
• Como monitorar a efetividade do tratamento
• Tecnologias para detecção precoce de falhas
Palestrante: Luiz Carlos Giongo
11h30 – Mesa Redonda
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura: A Nova Geopolítica dos Alimentos: Impactos nas proteínas animais e na suinocultura.
Palestrante: Marcos Jank
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h00 às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h00: Coffee Break
16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h00 – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h00: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-feira (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h00 – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento



