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Pesquisador da Seapi entra para a Academia Brasileira de Ciências

José Reck Júnior, do IPVDF/Seapi, é o primeiro membro da ABC oriundo de uma secretaria estadual no Rio Grande do Sul.

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Foto: Divulgação/Seapi

O pesquisador do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) do Rio Grande do Sul, médico-veterinário José Reck Júnior recebeu, na semana passada, no Centro Cultural da UFRGS, em Porto Alegre, oficialmente o título de membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC), para pesquisadores até 45 anos. A indicação foi feita em 2023.

O evento marca um reconhecimento da ABC a jovens cientistas que têm se destacado por suas trajetórias científicas e atuação junto à sociedade civil. Os diplomados foram indicados por membros titulares da ABC e também escolhidos por eleição dos demais membros da Academia. A cerimônia reuniu os agraciados com a honra em 2024 e 2025, visto que no ano passado o evento não foi realizado devido às enchentes. Os diplomados nesta cerimônia incluíram nove professores de universidades públicas do Sul do Brasil, além de Reck.

Reck é o primeiro pesquisador eleito do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), ao qual o IPVDF é ligado, e também o único oriundo de uma secretaria estadual.

Na ocasião, o pesquisador destacou a missão histórica dos institutos de pesquisa da Secretaria da Agricultura de fazer ciência aplicada para a solução de problemas locais do meio rural. Reck demonstrou diversos exemplos de demandas práticas de problemas do meio rural que necessitavam de intervenção ou desenvolvimento de soluções trazidas diretamente por produtores rurais, técnicos ou mesmo pela indústria para os pesquisadores do DDPA/Seapi.

“Entre os exemplos práticos de demandas de produtores rurais que foram atendidas e se tornaram trabalhos de referência também no meio científico, posso citar a identificação dos primeiros casos de multirresistência carrapaticida no Brasil, a validação de protocolos com uso de medicamentos preventivos para a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), a compreensão do ciclo da Febre Maculosa na região do Pampa, o desenvolvimento de testes diagnósticos para avaliar a eficácia de novas drogas carrapaticidas e a proposição de estratégias para identificar os bovinos mais vulneráveis a anaplasmose bovina”, elencou o pesquisador do DDPA/Seapi, José Reck Júnior.

Reck tem mestrado e doutorado em biologia celular e molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é pesquisador do IPVDF desde 2011. O reconhecimento ocorreu durante o Simpósio e Diplomação de Novos Membros Afiliados da ABC 2025-2029, regional sul.

“Estou muito feliz, pois com certeza, é a maior honra profissional que um cientista pode receber, mas isso é fruto de um trabalho conjunto com meus colegas de Departamento”, comemorou. E afirmou que “como único membro da ABC oriundo de uma Secretaria Estadual de Agricultura, entendo que é um reconhecimento público da sociedade ao trabalho dedicado de diversos pesquisadores, técnicos e demais funcionários do nosso Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Seapi”.

A Academia Brasileira de Ciências

A Academia Brasileira de Ciências foi fundada em 1916 no Rio de Janeiro e agrega cientistas de todo o Brasil, reconhecidos por seus trabalhos técnicos e científicos e pela promoção e divulgação da ciência. É uma entidade independente, não governamental e sem fins lucrativos. Tem como missão “reconhecer e estimular o ingresso em seus quadros dos mais importantes pesquisadores brasileiros que, pela liderança que exercem, podem ser considerados os representantes mais legítimos da comunidade científica nacional”.

Fonte: Assessoria Ascom Seapi

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Setor produtivo defende transição gradual na discussão sobre jornada de trabalho

Manifesto entregue ao Congresso por mais de 100 entidades alerta para impactos sobre emprego, custos e competitividade da economia.

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Foto: Shutterstock

Entidades representativas do setor produtivo brasileiro iniciaram uma mobilização para participar do debate sobre a modernização da jornada de trabalho no país. Um manifesto assinado por 102 organizações foi apresentado a parlamentares como contribuição às discussões que avançam no Congresso Nacional.

O documento foi entregue durante reunião-almoço promovida pela Frente Parlamentar da Agropecuária, com a participação da presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras e presidente do Instituto Pensar Agro, Tania Zanella. A iniciativa busca reunir diferentes segmentos empresariais em torno de uma posição comum sobre o tema.

Segundo Tania, o manifesto é resultado de meses de diálogo entre entidades do setor produtivo e tem como objetivo contribuir com o debate de forma estruturada. “A questão aqui é fazer uma discussão racional, estruturante e sustentável para o país. Estamos dizendo que queremos participar da construção, ocupar os espaços e buscar as melhores alternativas”, afirmou.

Debate sobre mudanças na jornada

No documento, as entidades reconhecem que a modernização da jornada de trabalho é uma pauta legítima e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, destacam que os efeitos da mudança dependem diretamente da forma como ela será implementada.

Para o setor produtivo, uma transição feita de forma abrupta, sem base técnica ou sem considerar as especificidades de cada atividade econômica, pode gerar efeitos negativos. Entre os riscos apontados estão o aumento dos custos de produção, impactos sobre o emprego formal e perda de competitividade.

Ao apresentar o manifesto aos parlamentares, Tania Zanella reforçou que a intenção das entidades é colaborar com a construção de soluções equilibradas. “Estamos juntos para amadurecer esse debate. É um passo importante, mas que precisa ser dado com maturidade e coerência”, disse.

Preocupação no cooperativismo

No cooperativismo, a discussão ganha contornos específicos, especialmente nos ramos agropecuário e de saúde, que concentram grande número de trabalhadores e operam em atividades contínuas ou com forte sazonalidade.

Estudos citados pelas entidades indicam que uma eventual redução da jornada sem diminuição salarial pode gerar impactos relevantes na folha de pagamento e exigir novas contratações para manter os níveis atuais de atendimento e produtividade.

Para Tania Zanella, o debate precisa considerar essas diferenças estruturais entre setores da economia. “Esse manifesto é exatamente para isso: colocar o setor à disposição para essa grande discussão e reforçar que queremos avançar juntos, com responsabilidade e visão de longo prazo”, ressaltou.

Fonte: Assessoria Sistema OCB
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Contrabando de agrotóxicos e insumos ilegais acende alerta nas fronteiras brasileiras

Entrada clandestina de produtos proibidos, como o Paraquat, expõe riscos à saúde pública, à produção agropecuária e amplia atuação do crime organizado.

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Fotos: Claudio Neves

O avanço do contrabando de agrotóxicos proibidos, a adulteração de alimentos e a entrada irregular de insumos agropecuários, dentre outros, têm elevado a pressão sobre as fronteiras brasileiras. O cenário reforça a conexão entre segurança alimentar e segurança pública, diante da atuação crescente do crime organizado nesse tipo de ilícito.

Um dos principais focos de alerta é o Paraquat, herbicida banido pela Anvisa desde 2020 devido à alta toxicidade e à associação com doenças neurológicas, como o Parkinson. Como ainda é permitido em países vizinhos e possui baixo custo, a substância tornou-se alvo frequente de redes de contrabando. Além dos insumos químicos, a entrada clandestina de material vegetal, como oliveiras centenárias, pode introduzir pragas capazes de comprometer cadeias produtivas inteiras e afetar a credibilidade das exportações brasileiras.

Nesse contexto, os auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs) têm intensificado ações de inteligência e operações integradas com forças policiais, combinando análise técnica de dados com presença ostensiva em portos, aeroportos e regiões de fronteira. “A sociedade ainda não dimensiona a complexidade dessas ocorrências. A fiscalização agropecuária é a primeira barreira contra produtos que colocam em risco a saúde pública e a economia”, afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo de Macedo.

Novos desafios e riscos operacionais

Para o diretor de Política Profissional do Sindicato, Henrique Pedro Dias, o perfil das ocorrências mudou muito nos últimos anos. “Hoje lidamos com logística estruturada e organizações criminosas. Isso exige preparo técnico constante e integração entre órgãos para proteger o consumidor, a produção nacional e a competitividade do país”, destaca.

A mudança no cenário levou o tema à Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. Uma audiência pública prevista para 17 de março discutirá o enfrentamento aos ilícitos nas fronteiras e as condições de trabalho dos auditores agropecuários.

Entre os pontos em debate está a concessão de porte de arma para auditores fiscais agropecuários que atuam em áreas sensíveis, especialmente nas ações do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A categoria argumenta que, embora participe de operações de risco ao lado de forças policiais, ainda não possui prerrogativa funcional semelhante à de outras carreiras de fiscalização federal, o que coloca os Affas em maior risco nessas operações.

Para o Anffa Sindical, a audiência pública representa uma oportunidade de fortalecer a estrutura da carreira diante de um cenário em que crimes nas fronteiras impactam diretamente a saúde da população, a economia e a imagem internacional do agronegócio brasileiro. “Fortalecer a fiscalização é fortalecer a proteção da sociedade”, ressalta Macedo.

Fonte: Assessoria Anffa Sindical
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Conflito no Oriente Médio pressiona custos e logística do agro brasileiro

Exportações de carne, milho e soja podem ser impactadas pela instabilidade em rotas estratégicas e aumento de seguros marítimos, reforçando desafios para competitividade e mercado.

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Foto: Divulgação/FPA

O avanço do conflito no Oriente Médio levanta dúvidas sobre o ambiente econômico mundial nos próximos meses. Ainda que a duração e a intensidade das tensões sejam incertas, a instabilidade em rotas logísticas estratégicas e em mercados energéticos tende a repercutir rapidamente sobre cadeias globais de produção e comércio. Para o agro brasileiro, a tendência não é diferente, uma vez que o Brasil mantém relações comerciais com diversos países do eixo potencialmente afetado pela guerra.

Apenas em 2025, o Brasil exportou US$ 12,4 bilhões em produtos agrícolas para países do Oriente Médio na região em conflito, com crescimento médio anual de 49% desde 2000. O Irã respondeu por 23,6% desse total exportado, sendo o principal destino brasileiro na região neste ano, com US$ 2,9 bilhões, seguido por Arábia Saudita (23,3%) e Emirados Árabes Unidos (20,4%). No agregado, a região representou 7,4% das exportações brasileiras em 2025, com pauta concentrada em carne de frango, milho, açúcar, carne bovina e soja.

Foto: Antonio Neto/Embrapa

Além disso, o Oriente Médio absorveu 29% das exportações brasileiras de carne de frango, equivalentes a 1,5 milhão de toneladas. Nesse mercado, vale destacar que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carne halal, atendendo a rígidos padrões islâmicos de produção e tendo a região como principal destino.

O Irã, principal foco do conflito, foi também o principal comprador de milho do Brasil em 2025, com 9 milhões de toneladas. O volume registrado em 2025 ficou significativamente acima da média histórica de cerca de 5 milhões de toneladas observada na última década. Nesse contexto, um eventual comprometimento prolongado dos fluxos comerciais para a região pode gerar riscos relevantes. No caso de outras commodities, a exposição é menor: soja, com 1,3 milhão de toneladas, e açúcar, com 499 mil toneladas, representaram apenas 1,3% e 1,5% das exportações totais desses produtos, respectivamente.

Gargalos logísticos

Há ainda outra preocupação, relacionada à logística e ao consequente aumento de custos. Isso porque dois gargalos logísticos centrais para o comércio internacional tornam-se mais incertos: o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural; e Bab el-Mandeb, eixo de acesso ao Canal de Suez e rota essencial para o transporte de contêineres e bens de consumo entre Ásia e Europa. A instabilidade nesses locais, somada às incertezas sobre fornecedores da região, eleva o risco de um choque de oferta com alcance global, com potenciais repercussões relevantes para as cadeias do agro brasileiro.

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Além disso, os custos logísticos tendem a ser afetados por desvios de rota e pela elevação da percepção de risco, com aumento dos prêmios de seguro no transporte marítimo e impactos diretos sobre o comércio. O resultado é a ampliação das despesas operacionais ao longo da cadeia. Com todos esses fatores combinados, a tendência é de redução da competitividade do setor produtivo brasileiro, em um contexto no qual produtores e empresas já enfrentam custos e juros elevados, além de restrições de financiamento.

Em suma, o agro brasileiro já tem demonstrado resiliência e capacidade de diversificação de mercados. Ainda assim, a escalada do conflito coloca em jogo não apenas mercados relevantes, mas também rotas estratégicas de transporte marítimo e o fluxo global de petróleo. Nesse cenário, a capacidade de adaptação do setor a eventuais rupturas logísticas será fundamental para, ao menos, mitigar riscos e preservar a competitividade do pujante agro brasileiro.

Fonte: Assessoria FPA
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