Peixes
Pesquisador aponta gargalos e soluções para otimizar a conversão alimentar dos peixes
Com a previsão de um aumento significativo na demanda por proteína animal nas próximas décadas, a aquicultura surge como uma das soluções-chave para suprir essa necessidade crescente. No entanto, esse crescimento não vem sem seus próprios desafios, especialmente no que diz respeito à produção e formulação de rações.

O engenheiro agrônomo, mestre em Aquicultura, doutor em Ciências Animais e Pastagens, e pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro compartilhou estratégias para otimizar a alimentação das tilápias durante o Inovameat, um dos principais eventos de proteína animal no Paraná, realizado em meados de abril em Toledo (PR). Sua palestra, direcionada a fabricantes de ração e piscicultores, visou fomentar uma discussão sobre a melhoria da eficiência alimentar dessa espécie, com o intuito de impulsionar a produtividade e a rentabilidade da aquicultura brasileira.

Engenheiro agrônomo, mestre em Aquicultura, doutor em Ciências Animais e Pastagens, e pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro: “Seria muito importante termos ações conjuntas de instituições de pesquisa e desenvolvimento com indústrias, para o codesenvolvimento e adoção de tecnologias que possam ser aplicadas na cadeia de produção” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Conforme dados recentes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), são produzidas no mundo cerca de 320 espécies de peixes. Entre as mais proeminentes em termos de volume de produção estão as carpas, tilápias, bagres e salmonídeos (trutas e salmões). “Essas espécies têm sido amplamente estudadas em todo o mundo, especialmente nas áreas de nutrição, genética e reprodução. Com as exigências nutricionais muito bem definidas, essas espécies dispõem de rações balanceadas específicas para atender as necessidades de cada uma. Essa abordagem tem levado a uma maior eficiência produtiva e a um retorno econômico mais favorável para os produtores, o que justifica a grande produção destas espécies”, analisa o especialista.
Na década de 70, a conversão alimentar da tilápia era próxima de 5, enquanto hoje varia entre 1,4 a 1,5, dependendo do sistema de produção e do manejo adotado. Essa melhoria tão significativa se deve, segundo Moro, à pesquisa que definiu as exigências nutricionais e à avaliação dos alimentos. “A conversão alimentar reflete o quanto de alimento o peixe precisa consumir para produzir um quilo de carne, em peso vivo. Quanto menor esse número, mais eficiente é a utilização do alimento pelo peixe. Quando se fornece uma alimentação balanceada que atende às necessidades específicas da espécie, os produtores conseguem melhorar cada vez mais essa conversão alimentar. Esse é o resultado demonstrado por vários estudos ao longo dos anos em todo o mundo”, expõe.
Além disso, a evolução das últimas décadas no uso de alimentos com maior digestibilidade para as espécies é bastante expressiva. Inicialmente, Moro diz que a alimentação era baseada em farinha de peixe e ingredientes de origem vegetal, contudo, se desconhecia a capacidade dos peixes de absorver e utilizar esses componentes. “Hoje já se sabe que usando alimentos mais digestíveis, com menor quantidade de antinutrientes, o produtor pode melhorar a eficiência alimentar dos peixes”, menciona.
Em termos de processamento, na década de 70, as rações predominantes eram principalmente peletizadas, as quais apresentavam menor digestibilidade. Moro expõe que a introdução das rações extrusadas representou um avanço significativo para a piscicultura, pois além de apresentar um maior teor de digestibilidade, especialmente no que diz respeito aos carboidratos, permitiam uma melhor visualização do consumo pelo peixe, facilitando o manejo alimentar e proporcionando um controle mais preciso do fornecimento de ração em comparação às rações peletizadas. “Além disso, a incorporação de premixes contendo vitaminas e minerais às rações também desempenhou um papel fundamental na melhoria da eficiência alimentar dos peixes”, frisou.
Dificuldade atuais

Foto: Maria José Tupinambá
Moro destaca que, atualmente, alcançar uma redução de 0,1 na conversão alimentar da tilápia é uma tarefa desafiadora devido ao alto nível tecnológico já alcançado. Embora seja possível obter melhorias, não se pode esperar uma redução drástica, como de 5 para 1,5, por exemplo. “Avanços na eficiência alimentar atualmente exige um esforço mais árduo e meticuloso, mas não são impossíveis”, pondera.
Segundo o engenheiro agrônomo, a dificuldade da pesquisa em relação ao setor produtivo reside no fato de que os estudos são conduzidos em ambientes controlados, com poucas variáveis. “Ao definir exigências nutricionais nessas condições, as respostas obtidas podem não se aplicar quando validadas em campo, devido às variações ambientais presentes no ambiente produtivo. Fatores como altas densidades de estocagem e níveis de intensificação variados entre os sistemas de produção exercem uma grande influência nas respostas, tornando a validação um desafio que demanda considerável esforço e investimento”, afirma.
Além disso, Moro relata que os estudos de nutrição geralmente são realizados na fase juvenil do peixe, onde as respostas são mais rápidas e o crescimento é mais acelerado. No entanto, não se sabe se as mesmas exigências se aplicam durante a engorda ou a fase de terminação, uma vez que estudos nessa fase são escassos e complexos devido à variedade de variáveis envolvidas e ao alto custo de execução, especialmente em relação à alimentação.
Surgimento das rações extrusadas
No Brasil, as pesquisas com rações extrusadas e nutrição de peixes começaram na década de 1980, culminando no surgimento das primeiras rações extrusadas em 1987, com definições específicas para cada espécie de peixe. “Apesar da ampla biodiversidade de espécies de interesse comercial no Brasil, o foco da pesquisa foi pulverizado por décadas, com grupos distintos trabalhando com uma ou duas espécies no máximo. No entanto, nos últimos 10 anos, houve uma redução dessa dispersão, concentrando-se mais em desenvolver tecnologias específicas para cada espécie”, ressalta o pesquisador.
Rações para tilápia
Com 90% da piscicultura brasileira realizada em água doce, a tilápia é a espécie mais produzida, com os principais produtores concentrados nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. “Em 2023 foram produzidas 579.080 toneladas de tilápia, representando 65,3% da produção nacional de peixe. Esse volume se explica pelo emprego de tecnologias empregadas na produção, o que reduz riscos produtivos e oferece maior rentabilidade ao produtor”, menciona Moro.
Para a tilápia, o pesquisador menciona que hoje estão disponíveis rações específicas para as diferentes fases de desenvolvimento (inicial, engorda e terminação), além de linhas premium e super premium, com e sem aditivos. “Essas rações super premium contêm superdoses de vitamina C para prevenir doenças e são acompanhadas por protocolos de alimentação bem definidos e validados”, salienta o especialista, enfatizando que essa gama de rações facilita muito para o produtor, que agora pode fornecer a quantidade exata de ração diária para os peixes, resultando em uma economia significativa devido a um menor desperdício de ração.

Fotos: Shutterstock
Por outro lado, no caso de espécies nativas como o tambaqui, não há rações específicas disponíveis. “As rações disponíveis são geralmente generalistas, adaptadas ao hábito alimentar da espécie, com protocolos de produção e alimentação pouco definidos, resultando em um padrão de crescimento variável, o que gera uma conversão alimentar que varia entre 1,8 e 2, refletindo essa falta de especificidade nas rações e nos protocolos de alimentação”, esclarece Moro.
Qualidade das rações
Moro apresentou estudos que revelaram limitações de aminoácidos, como metionina, treonina e triptofano, nas rações para peixes. “A importância de um equilíbrio ideal desses aminoácidos é fundamental para garantir a conversão adequada de alimentos”, ressalta o mestre em Aquicultura, acrescentando: “Estes experimentos mostraram ainda que havia excesso de lisina e leucina, que, quando não utilizados pelo peixe, acabam sendo desperdiçados, servindo apenas como fonte de energia cara. O excesso de fósforo também foi observado, levando ao descarte no ambiente de cultivo, aumentando problemas como a proliferação de algas e a necessidade de mais aeradores no viveiro”, frisou, explicando que apesar do excesso, a disponibilidade de fósforo para o peixe era baixa devido ao uso predominante de ingredientes vegetais nas rações.
Outro ponto preocupante foi a presença de compostos que causaram genotoxicidade nos peixes, resultando em anormalidades nos eritrócitos, piora no desempenho e baixa digestibilidade de proteínas, metionina e energia, além de baixa disponibilidade de fósforo e zinco, e aumento da mortalidade dos peixes.
Um estudo adicional revelou que muitas rações apresentavam inconformidades com os valores declarados nos rótulos, seja em relação ao nível de proteína, fósforo ou quantidade de energia. Moro destaca que a melhoria desses aspectos das rações pode resultar em um ganho significativo de eficiência alimentar e crescimento dos peixes, desde que as rações forneçam o que está descrito no rótulo e atendam às exigências de aminoácidos. “Se conseguir melhorar todos estes aspectos da ração já conseguimos ter um ganho significativo de eficiência alimentar. Se tenho uma ração de melhor qualidade, que atenda as exigências de aminoácidos, que traz na composição o que está descrito no rótulo, vou conseguir ter um ganho de crescimento e consequentemente de eficiência alimentar”, salienta.
Desafios e oportunidades
Com a previsão de um aumento significativo na demanda por proteína animal nas próximas décadas, a aquicultura surge como uma das soluções-chave para suprir essa necessidade

crescente. No entanto, esse crescimento não vem sem seus próprios desafios, especialmente no que diz respeito à produção e formulação de rações.
De acordo com projeções de especialistas, a previsão é dobrar o uso de rações em relação ao que é produzido hoje nos próximos 30 anos. Conforme o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), foram produzidas 1,43 milhão de toneladas para a piscicultura em 2023, e espera-se que esse número duplique para acompanhar a expansão da atividade no país.
Além do desafio quantitativo, questões qualitativas também estão no centro das preocupações dos pesquisadores e produtores. A validação de técnicas em condições similares à realidade produtiva é essencial para garantir a eficácia e o sucesso dos métodos desenvolvidos. “A busca por formulações de ração mais eficientes para as diferentes fases do ciclo produtivo, como engorda e terminação, é uma prioridade. A ração pode representar até 80% do custo total de produção, tornando qualquer melhoria nesse aspecto fundamental para a viabilidade econômica da atividade”, justifica Moro.
A fase de engorda, em particular, é alvo de atenção devido ao seu peso significativo no consumo total de ração durante o ciclo produtivo. “Investir em pesquisas e inovações nessa área pode gerar economias substanciais e aumentar a eficiência global da produção. A introdução de suplementos como aminoácidos e enzimas exógenas, bem como o aprimoramento do aproveitamento de proteínas vegetais, emerge como uma estratégia promissora para otimizar os recursos disponíveis e reduzir os custos de produção”, expõe o especialista.
Nesse contexto, Moro diz que alternativas como as proteínas circulares mostram um potencial significativo. “Larvas de insetos, como as provenientes da mosca soldado negra se destacam pela sua capacidade de converter resíduos orgânicos em fontes valiosas de proteína, oferecendo uma solução sustentável e rica em nutrientes. Além disso, as microalgas despontam como uma fonte promissora de ingredientes para rações, especialmente para peixes marinhos, devido ao seu alto teor de ômega 3, um ácido graxo essencial para o desenvolvimento saudável desses animais”, expõe.

Foto: Jefferson Christofoletti
O uso de aditivos prébióticos, probióticos, enzimas e microminerais desempenha um papel importante na otimização da saúde e do desempenho dos organismos aquáticos, no entanto, sua adoção ainda é limitada na indústria. “Hoje a maioria das rações de combate, que são as mais utilizadas durante a engorda e a terminação, não tem aditivo em sua composição”, ressaltando, ampliando: “Essa disparidade fica ainda mais evidente ao compararmos com a cadeia de produção avícola, onde praticamente todas as rações, ao longo do ciclo de produção, são enriquecidas com esses compostos. Embora algumas linhas de rações premium para peixes possam incluir certos aditivos, especialmente os prebióticos, sua presença ainda não é amplamente utilizada”.
E porque não se usam aditivos na ração para peixes?
O pesquisador explica que a falta de utilização de aditivos nas rações de peixe se deve ao aumento do custo do produto final. Segundo Moro, os produtores, geralmente, baseiam suas escolhas no preço da ração, não considerando os benefícios potenciais que os aditivos poderiam proporcionar ao desempenho dos peixes. “Esta falta de comparação entre custo e resultado contribui para a baixa adesão a esses componentes essenciais”, afirma.
No entanto, os aditivos oferecem uma série de vantagens, incluindo a melhoria da qualidade da água, a redução de problemas relacionados à sua qualidade e o aumento da absorção de nutrientes, como o fósforo, além de promover a funcionalidade do produto final. Apesar disso, sua utilização ainda é limitada na indústria de rações para peixes.
O doutor em Ciências Animais e Pastagens ressalta também o potencial dos microminerais, oligossacarídeos, ácidos orgânicos e enzimas exógenas nas rações, ressaltando os resultados promissores de experimentos. No entanto, observa-se uma falta de adoção desses elementos nas formulações de rações para peixes.
Por fim, Moro enfatiza a distância que tem a pesquisa do setor produtivo, com algumas raras exceções de iniciativas de trabalhos universitários com o setor produtivo, mas ainda é muito difícil ter trabalhos desenvolvidos que atendam as demandas do setor. “Seria muito importante termos ações conjuntas de instituições de pesquisa e desenvolvimento com indústrias, para o codesenvolvimento e adoção de tecnologias que possam ser aplicadas na cadeia de produção, visando maior ganho de resultado”, frisa.
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Peixes
Embrapa conquista quatro prêmios na Aquishow com projetos que vão da merenda escolar à redução de custos na tilapicultura
Pesquisas premiadas incluem livro sobre consumo de pescado nas escolas, documentário sobre piscicultura familiar e tecnologia capaz de reduzir em até 7% os custos de produção de tilápia.

A Embrapa Pesca e Aquicultura teve quatro trabalhos premiados no Prêmio Inovação Aquícola 2026, durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, realizada na última terça-feira (09), em Uberlândia (MG). O Centro de Pesquisa teve projetos reconhecidos nas três categorias da premiação: Sustentabilidade, Academia e Produção, com destaque para o primeiro lugar obtido pelo livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar.
O Prêmio Inovação Aquícola reconhece projetos e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da cadeia produtiva da aquicultura no Brasil. Os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféu, certificado e ajuda de custo para participação no evento.
Além dos resultados no Prêmio Inovação Aquícola, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas do Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, entregue na mesma solenidade. A Aquishow Brasil segue até 11 de junho.
Para Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, o reconhecimento obtido na Aquishow Brasil 2026 demonstra que a pesquisa desenvolvida pela Unidade está conectada às necessidades da aquicultura brasileira. “Os prêmios mostram que estamos no caminho correto, atendendo às demandas que o setor precisa. São anos de desenvolvimento dessas inovações e de dedicação dos pesquisadores que resultam em reconhecimentos como esse”, destaca.
Livro sobre alimentação escolar vence categoria Sustentabilidade
O livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar foi o vencedor da categoria Sustentabilidade. A obra é resultado de uma parceria entre a Embrapa Pesca e Aquicultura e o curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), voltada à promoção da inserção do pescado na alimentação escolar por meio de ações de educação alimentar e nutricional.
A publicação reúne receitas à base de pescado desenvolvidas para o ambiente escolar com o uso da Carne Mecanicamente Separada (CMS), tecnologia que elimina o risco de consumo de espinhas e amplia as possibilidades de preparo para o cardápio das escolas.
O livro é um dos produtos do projeto Integração do pescado da piscicultura familiar nas políticas agroalimentares: estratégias de transferência de tecnologia para os atores envolvidos na alimentação escolar, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), por meio da Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser).
São autores da publicação Hellen Christina de Almeida Kato, Diego Neves de Sousa e Jefferson Cristiano Christofoletti, da Embrapa Pesca e Aquicultura, além de Caroline Roberta Freitas Pires e Rebeca Gomes Bruschi, da UFT. “O Prêmio Inovação Aquícola demonstra que os esforços desenvolvidos em pesquisa, transferência de tecnologia e articulação institucional têm gerado resultados concretos para a valorização da cadeia do pescado, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional”, afirma Sousa.
Projeto de governança territorial conquista terceiro lugar
Também na categoria Sustentabilidade, o projeto Inovação em governança territorial para uma aquicultura de política de Estado alcançou o terceiro lugar. Desenvolvido em parceria com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins (Sepea) e coordenado pela pesquisadora Hellen Christina de Almeida Kato, o projeto apoia a elaboração de planos municipais de desenvolvimento da pesca e da aquicultura por meio de uma metodologia construída a partir das realidades locais.
Como parte da iniciativa, foram realizadas oficinas presenciais com representantes municipais, técnicos e lideranças comunitárias para identificar prioridades e definir estratégias de desenvolvimento adequadas a cada território.
Entre os resultados alcançados está a promulgação da Lei Estadual nº 4.508/2024, que instituiu o Programa Trilha da Pesca e Aquicultura no Tocantins. “Participamos da construção de um modelo que pode ser replicado para outros estados. Sistematizar essa experiência pode contribuir para o fortalecimento da governança da aquicultura para além dos limites do Tocantins”, afirma Hellen.
Documentário sobre piscicultura familiar
O documentário Entre Redes e Desafios foi reconhecido com o segundo lugar na categoria Academia. A produção é de autoria de Elizângela de França Carneiro Carvalho, Hellen Christina de Almeida Kato e Diego Neves de Sousa, da Embrapa Pesca e Aquicultura, e dos professores Carlos Franco e Keile Aparecida Beraldo, da Universidade Federal do Tocantins (UFT).
A produção foi realizada pela Embrapa, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas (Gespol/UFT) e pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR/UFT), com apoio da Associação Bom Peixe, da Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura do Tocantins (Sepea) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/TO).
A obra retrata os desafios enfrentados por piscicultores familiares no acesso às políticas públicas, acompanhando a realidade da Associação Bom Peixe, localizada no Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas (TO). “Receber esse prêmio na Aquishow, que é um evento de grande relevância para a aquicultura nacional, é muito significativo. O documentário Entre Redes e Desafios retrata a realidade da grande maioria dos piscicultores do Brasil. Estima-se que 99% deles são pequenos produtores e enfrentam dificuldades no acesso a políticas públicas”, pontua Elizângela.
Para a autora, a visibilidade proporcionada pela premiação pode contribuir para o avanço de ações conjuntas voltadas à implementação de políticas públicas capazes de atender às diferentes realidades dos piscicultores do país.
Soluções para redução de custos
O trabalho Eficiência produtiva da tilapicultura: soluções inovadoras para redução de custos e aumento do desempenho da produção de tilápia em tanques-rede no Tocantins obteve o segundo lugar na categoria Produção. O projeto foi conduzido pelos pesquisadores Ana Paula Oeda Rodrigues, Flávia Tavares de Matos, Giovanni Vitti Moro, Leandro Kanamaru Franco de Lima, Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos e Manoel Xavier Pedroza Filho, da Embrapa Pesca e Aquicultura, com participação de Luiz Eduardo Lima de Freitas, da Embrapa Cerrados.
A pesquisa resultou em uma nova tabela de alimentação para tilápia em tanques-rede, com fornecimento de ração 10% inferior ao recomendado pela referência anterior. Como a ração responde por cerca de 70% dos custos da atividade, a nova tabela, associada a boas práticas de manejo, tem potencial para reduzir as despesas em até 7%.
Na prática, isso representa uma redução de R$ 7,00 para R$ 6,51 por quilo de peixe produzido. Os resultados foram obtidos em uma piscicultura comercial no reservatório de Lajeado, no Tocantins. “Esse prêmio é muito importante porque mostra que as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa estão voltadas para a solução de problemas reais do produtor. O reconhecimento em um evento como a Aquishow demonstra que estamos no caminho certo para desenvolver tecnologias de aplicação prática. A adoção dessa tabela de alimentação pode gerar uma redução significativa nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da tilapicultura no Tocantins”, destaca Moro.
Indicação ao Prêmio Personalidades
A Aquishow Brasil 2026 promoveu ainda a entrega do Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino – Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, homenagem anual a um homem e uma mulher que se destacaram no desenvolvimento da aquicultura brasileira. O pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas da categoria masculina, reconhecimento que reflete a relevância de sua atuação para o setor.
Entre as contribuições que embasaram a indicação estão a criação e manutenção do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAQUI), plataforma online que reúne dados econômicos e estratégicos do setor; a publicação do Informe Trimestral de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) desde 2019; e a realização de estudos de mercado e de cadeia de valor da aquicultura nos âmbitos nacional e internacional.
Também integra esse conjunto de contribuições sua atuação na implementação de um mecanismo federal de desoneração tributária para as exportações de tilápia, implantado em 2020. A medida reduziu a carga tributária incidente sobre os insumos utilizados na produção destinada ao mercado externo, ampliando a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional.
Para Pedroza Filho, a indicação reforça a relevância de iniciativas desenvolvidas em apoio ao setor aquícola brasileiro. “Esse reconhecimento mostra a importância dos nossos trabalhos e serve como um indicador do impacto dessas ações. O CIAQUI e as iniciativas de apoio às exportações de tilápia estão entre os trabalhos reconhecidos, o que nos motiva a continuar dedicando esforços ao desenvolvimento da aquicultura no Brasil”, ressalta.
Peixes
Aquicultura brasileira busca lições em crise sanitária que transformou a produção de salmão no Chile
Especialistas de Brasil, Chile e Colômbia discutem durante Aquishow Brasil 2026 estratégias de biossegurança, uso responsável de antibióticos e gestão de doenças que impactaram algumas das principais cadeias aquícolas da América Latina.

Os riscos sanitários que desafiam a produção mundial de peixes estão no centro das discussões da Aquishow Brasil 2026. Considerado um dos principais eventos da aquicultura nacional, o encontro promoveu um seminário internacional voltado à prevenção de doenças, biossegurança e gestão de crises sanitárias que já provocaram impactos significativos em importantes polos produtores da América Latina.
Com o tema “Crises Sanitárias na Aquicultura: Lições do Salmão no Chile e da Tilapicultura Colombiana para o Brasil”, o seminário foi realizado na quarta-feira (10), em Uberlândia (MG), reunindo especialistas do Chile, Colômbia e Brasil.
O objetivo foi analisar experiências internacionais e discutir como elas podem contribuir para fortalecer a sanidade, a competitividade e a sustentabilidade da aquicultura brasileira.
O que a crise do vírus ISA ensinou ao mundo
Um dos destaques da programação foi a análise da crise provocada pelo vírus da Anemia Infecciosa do Salmão (ISA), considerada um dos episódios sanitários mais marcantes da história da salmonicultura mundial.

Foto: Divulgação/Aquishow
A doença atingiu fortemente a produção chilena e levou o setor a revisar práticas produtivas, protocolos de biossegurança e mecanismos de controle sanitário.
Durante o seminário, o médico-veterinário e diretor técnico do Laboratório Pathovet, Miguel Fernandez, apresentou os impactos da crise e as mudanças implementadas posteriormente pelo setor chileno, incluindo medidas relacionadas à regulação da atividade, monitoramento sanitário e bem-estar animal, bem como fez uma contextualização sobre o cenário sanitário da aquicultura brasileira e os desafios enfrentados historicamente por Chile e Colômbia.
Uso de antibióticos e novas tecnologias
Outro tema que ganhou espaço nas discussões foi o uso responsável de antibióticos na produção aquícola, assunto que vem recebendo atenção crescente de mercados consumidores, autoridades sanitárias e organismos internacionais.
A programação também abordou tecnologias naturais e alternativas não farmacológicas para prevenção e controle de doenças em peixes, estratégias que têm sido cada vez mais estudadas como forma de reduzir riscos sanitários e ampliar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Experiência colombiana com a tilápia

Foto: Pixabay
A experiência da Colômbia na gestão de riscos sanitários da tilapicultura foi apresentada pela patologista veterinária Paola Barato, especialista internacional em saúde de peixes e consultora global em aquicultura.
A proposta foi compartilhar experiências práticas relacionadas à prevenção de enfermidades, monitoramento sanitário e resposta a situações de emergência, temas que ganham importância à medida que a produção aquícola cresce em diferentes regiões do mundo.
Desafios para a aquicultura brasileira
O encerramento do seminário contou com um painel envolvendo representantes da cadeia produtiva brasileira, que discutirão os principais desafios sanitários enfrentados atualmente pelo setor.
Entre os temas debatidos estavam biossegurança, prevenção de doenças, sustentabilidade produtiva e os mecanismos necessários para fortalecer a competitividade da aquicultura nacional.
Segundo a diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), Marilsa Patrício, o debate ganha relevância diante do crescimento da atividade e da necessidade de antecipar riscos que já impactaram outros países. “O seminário internacional reforça o posicionamento da Aquishow Brasil como espaço estratégico para troca de conhecimento, atualização técnica e discussão de temas prioritários para o desenvolvimento sustentável da aquicultura brasileira”, afirma.
A Aquishow Brasil 2026 segue com programação até esta quinta-feira (11), em Uberlândia, reunindo produtores, empresas, pesquisadores, técnicos e representantes da cadeia aquícola de diferentes regiões do país.
Peixes
Piscicultura de Minas Gerais cresce acima da média nacional e ganha destaque em feira do setor
Aquishow reúne mais de 120 empresas e espera movimentar R$ 130 milhões em negócios.

A piscicultura de Minas Gerais vem consolidando sua posição entre os principais polos produtores do país. Com produção anual superior a 77 mil toneladas, o Estado ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional e registra crescimento acima da média brasileira, impulsionado pelas condições favoráveis ao cultivo e pela expansão da cadeia produtiva.
O potencial do setor está em evidência durante a Aquishow Brasil 2026, considerada a principal feira da aquicultura nacional, realizada em Uberlândia entre os dias 09 e 11 de junho. O evento reúne mais de 120 empresas ligadas aos diferentes segmentos da produção de peixes cultivados, com destaque para a tilapicultura, e deve atrair cerca de 7 mil visitantes do Brasil e do exterior.
A expectativa dos organizadores é movimentar mais de R$ 130 milhões em negócios ao longo da feira, fortalecendo oportunidades de investimento, comercialização e parcerias para o desenvolvimento da atividade.
Segundo a presidente da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício, Minas Gerais reúne características que favorecem a expansão da piscicultura e ainda possui regiões com potencial para ampliar a produção. De acordo com ela, o evento tem o papel de conectar os diferentes elos da cadeia produtiva, estimular investimentos e promover ações voltadas ao crescimento sustentável do setor.
Além da área de exposição comercial, a programação contempla uma série de palestras técnicas direcionadas aos produtores. Os temas abordam aspectos considerados estratégicos para a atividade, como sanidade aquícola, nutrição, manejo e gestão das propriedades.
A organização destaca que a disseminação de conhecimento é uma das principais funções da feira, especialmente diante dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva, entre eles a prevenção e o controle de enfermidades que podem comprometer a produção.
A programação também inclui homenagens a profissionais que contribuem para o desenvolvimento da aquicultura brasileira. Entre os destaques está o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino. Na edição deste ano, os reconhecimentos foram concedidos a Mayara Fernandes Olsen, da Dourada Piscicultura e Engenharia, e ao professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá.



