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Pesquisa revela desafios e avanços na conservação do solo entre produtores de grãos no Paraná
Levantamento com 630 agricultores mostra que práticas como plantio direto ainda são confundidas no campo, indicando necessidade de mais assistência técnica e capacitação rural.

Com a intensificação do uso da terra e os impactos das mudanças climáticas, a conservação do solo tornou-se tema prioritário para o setor agrícola paranaense. Para entender como os produtores rurais percebem e aplicam práticas conservacionistas, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) realizou uma pesquisa socioeconômica inédita, com apoio do Sistema Faep, no âmbito da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa). O estudo tem foco na produção de grãos e considera aspectos sociais, econômicos e ambientais relacionados ao manejo do solo e da água no Estado.
Para o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a iniciativa representa um passo importante para aproximar a ciência da realidade dos produtores. “A atuação conjunta entre instituições de pesquisa e os produtores rurais é essencial para que práticas conservacionistas saiam do papel e se tornem realidade nas propriedades. O levantamento ajuda a compreender onde estamos e como podemos avançar na preservação dos solos”, destaca.

Fotos: Divulgação/Abisolo
O levantamento envolveu 630 agricultores de diferentes regiões do Paraná. Os dados preliminares revelam padrões importantes sobre a adoção de práticas conservacionistas, além de fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas e estratégias de capacitação do Sistema Faep, especialmente por meio do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). “A ATeG tem papel fundamental nesse processo de adoção de práticas conservacionistas, ao traduzir orientações técnicas em ações práticas que resultam em mais sustentabilidade e produtividade nas propriedades rurais”, afirma Meneguette.
A pesquisa está em andamento e segue construindo hipóteses a partir dos dados coletados. A expectativa é que os resultados subsidiem estratégias voltadas à preservação ambiental e ao aumento da produtividade no campo, com a incorporação no planejamento de ações de treinamento e sensibilização do Sistema Faep.
Resultados preliminares
Segundo a pesquisa, 51,6% dos produtores adotam Cultivo Mínimo (CM) – com gradagem e/ou escarificação do solo, 20% utilizam o Sistema de Plantio Direto (SPD), enquanto 17,3% praticam Plantio Direto (PD) sem rotação de culturas – o que descaracteriza a técnica, conforme parâmetros da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Já 3,5% ainda adotam Plantio Convencional (PC) e 7,6% não souberam informar o tipo de manejo utilizado.
Um dos gargalos identificados no estudo está na autodeclaração equivocada por parte dos produtores. Muitos afirmaram adotar SPD ou PD, mas suas práticas não correspondiam às características dessas técnicas. Foram registrados casos de agricultores que dizem realizar rotação de culturas, por exemplo, mas, na prática, fazem apenas sucessão. Esse cenário evidencia falhas na compreensão técnica e acende um alerta sobre a qualidade e o impacto da assistência técnica oferecida ao produtor.

Foto: Roberto Dziura Jr
De acordo com os dados, práticas conservacionistas estão diretamente relacionadas à percepção de valor da terra. A pesquisa também mostrou que PD e SPD são os grupos com menor incidência de erosão, enquanto 64% dos agricultores que usam PC enfrentam erosão em suas áreas. Entre os que não souberam informar seu sistema de manejo, 70% relataram erosão.
Na avaliação dos pesquisadores Tiago Telles e Wander Piassa, do IDR-Paraná, há uma percepção crescente entre os próprios produtores de que áreas com solo conservado são mais valorizadas. “O preço da terra pode refletir a qualidade do solo, e isso influencia diretamente a maneira como o agricultor enxerga e cuida da propriedade”, afirma Telles.
Outro fator relevante é que a participação em cooperativas parece influenciar o tipo de manejo adotado. Entre os produtores cooperados, 41% adotam PD ou SPD. Já entre os não cooperados, esse índice cai para 20%, sugerindo que o acesso a redes de informação e apoio técnico influencia diretamente na adoção de boas práticas.
Mesmo em fase preliminar, os resultados são animadores, segundo Telles. Cerca de 20% dos agricultores paranaenses estão em um patamar elevado de conservação do solo, praticando todos os pilares do SPD – índice bem acima da média nacional, que gira em torno de 7%.
Rotação de culturas X sucessão de culturas

Foto: Shutterstock
A rotação de culturas é uma prática que envolve a alternância planejada de diferentes espécies em uma mesma área agrícola, de safra para safra ou em ciclos definidos, com o objetivo de otimizar o uso da terra, melhorar a saúde do solo, aumentar a produtividade e controlar pragas e doenças de forma mais sustentável. A FAO recomenda o uso de três ou mais espécies diferentes ao longo de três anos agrícolas, com propósito de recuperação do solo. Exemplo: soja → milho → braquiária.
Já a sucessão de culturas refere-se ao cultivo de diferentes espécies em sequência na mesma área, mas em períodos distintos dentro do mesmo ano agrícola, sem necessariamente haver um planejamento para a recuperação do solo. Exemplo: milho (verão) → trigo (inverno).

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Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.



