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Pesquisa inédita revela perfil dos produtores rurais que mais pedem financiamento digital
Estudo com mais de 78 mil produtores rurais revela que 49% dos solicitantes de crédito digital tem a pecuária como principal atividade. Produtores rurais na faixa etária entre 30 e 49 anos lideram os pedidos por crédito digital, representando 53% dos solicitantes.

O avanço do crédito digital no Brasil tem facilitado o acesso a recursos financeiros em diversos setores, incluindo a agropecuária. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o agronegócio representou cerca de 21,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024, reafirmando sua importância estratégica para a economia nacional. Nesse contexto, o crédito digital tornou-se um aliado fundamental para produtores rurais, especialmente diante de um cenário de inadimplência crescente, que atingiu 7,3% no primeiro trimestre de 2024, um aumento de 0,8% em relação ao ano anterior.
A Nagro Crédito Agro realizou um estudo sobre o perfil dos produtores rurais que recorreram ao financiamento privado entre 2022 e 2024. A análise, com base em mais de 78 mil produtores, explora variáveis como tempo de atividade no agronegócio, tipo de cultura, tamanho da propriedade, idade e gênero, oferecendo um panorama abrangente sobre as transformações no acesso ao crédito no setor rural brasileiro.
Idade dos produtores

Produtores com idades de 20 a 29 anos representam mais da metade dos solicitantes
Os produtores na faixa etária entre 30 e 49 anos lideram os pedidos por crédito, representando 53% dos solicitantes. Produtores com mais de 60 anos representam 14%. “Os dados mostram que, além de produtores que herdaram propriedades familiares e demonstram competência na continuidade e expansão dos negócios, há também uma nova geração de empreendedores que enxerga no agronegócio uma oportunidade para inovar e construir trajetórias de crescimento sustentável por meio do crédito”, destaca o CEO da Nagro, Gustavo Alves.
Mais de 46% dos solicitantes têm entre um e dez anos de atividade no agronegócio, registrando a necessidade de financiamento para produtores menos experientes. Entre 11 e 15 anos, a porcentagem é de 21%. Os solicitantes com um ano de atividade ou menos também representam uma parcela significativa, somando cerca de 15% do total. Produtores com mais de 20 anos de experiência representam apenas 6% das solicitações, por já terem operações mais estáveis.
Tempo de atividade

Solicitantes com mais de 31 anos de experiência no agro representam apenas 1,5% dos pedidos
Tipos de culturas

Criação de bovinos de corte representa quase 30% da principal atividade agrícola dos solicitantes
Em relação às culturas, mais de 49% das operações que buscam financiamento têm foco principal na pecuária de leite e corte, que possui ciclos financeiros mais curtos. Na agricultura, que necessita de ciclos mais longos, o financiamento voltado para soja, milho e café representa 26% dos solicitantes.
Outros tipos de culturas somam 25%. O levantamento levou em consideração o cadastro CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), registrado no Sintegra (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços) de cada financiado. Embora muitos produtores desenvolvam atividades secundárias, a análise foca na principal cultura trabalhada, o que garante uma visão representativa sobre o perfil das operações de financiamento no setor agropecuário.
Região geográfica

Devido à forte presença da pecuária, a região Sul representa quase um terço das solicitações por crédito digital
Minas Gerais é o estado com maior concentração de operações, com 24%, pois o fator geográfico influencia devido a Nagro ser uma fintech mineira. Em seguida vem o Rio Grande do Sul, com 11% das solicitações. A região Sul, inclusive, representa boa fatia dos solicitantes, muito devido à forte presença da pecuária nos estados. No total, quase 30% das solicitações vêm dos estados do Sul do país. São Paulo representa 6,4% do levantamento, segunda maior representatividade do Sudeste, e Roraima é o estado do Norte com mais solicitações (5,9%).
Mesmo conhecidos pela forte produção agropecuária, os estados do Centro-Oeste representam apenas 21% dos solicitantes. Na região, os produtores têm um perfil mais conservador com uma maior resistência à adesão digital ao crédito do que os produtores dos estados do Sul.
Tamanho da produção (em hectares)

Mais da metade dos solicitantes possui áreas de 1 a 20 hectares
Grande parte dos solicitantes possui propriedades consideradas pequenas. Mais de 51% da área dos produtores que solicitam crédito vão de 1 a 20 hectares, dado relacionado ao perfil predominante de pecuária de leite e corte, atividade que requer áreas menores para produção. Produtores com grandes áreas (mais de 100 hectares) representam pouco mais de 23%.
Gênero

Maior parte dos solicitantes é do gênero masculino, mas presença feminina aumentou na última década
Quanto ao gênero, a maioria dos solicitantes ainda é composta por homens, representando cerca de 70% das operações, um dado que se manteve estável ao longo dos últimos anos. No entanto, as mulheres vêm ganhando espaço, especialmente como gestoras de propriedades rurais. O Censo Agropecuário de 2017 do IBGE revelou que 19% dos estabelecimentos rurais no Brasil são dirigidos por mulheres, totalizando cerca de 1,7 milhão de gestoras. O número representa um avanço em relação aos 13% registrados em 2007. Segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária, Embrapa e do IBGE, as mulheres participam da administração de mais de 30 milhões de áreas agropecuárias.

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Startups do biogás têm inscrições abertas para vitrine no 8º Fórum Sul Brasileiro
Empresas que trazem impactos positivos à cadeia podem se inscrever até 06 de março. As selecionadas irão apresentar pitches durante o evento, de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).

Startups que desenvolvem soluções inovadoras, em diferentes níveis de maturidade, e que trazem impacto positivo para a cadeia do biogás no Brasil têm uma oportunidade de mostrar seu trabalho. Até o dia 06 de março, será possível se inscrever para participar do Momento Startup de Biogás: de olho no futuro do setor, que integra a programação do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), a ser realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).
O Momento Startup é uma iniciativa do Fórum em parceria com o Pollen – Parque Científico e Tecnológico de Chapecó (SC), da Unochapecó, e com a Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (RS).
As startups inscritas e selecionadas apresentarão suas soluções inovadoras para produtos, processos e serviços relacionados à cadeia do biogás, como por exemplo, logística e pré-tratamento de substratos, digestão anaeróbia, processamento e uso do biogás, manejo e tratamento do digestato, entre outras atividades. Poderão participar pessoas jurídicas ou pessoas físicas que se enquadrem como startups ou ações inovadoras, segundo o marco legal das startups e do empreendedorismo inovador instituído pela Lei Complementar nº 182, de 1º de junho de 2021.
A inscrição deverá ser feita mediante preenchimento de formulário no site do 8º FSBBB.
Uma comissão técnica vai avaliar as startups inscritas e suas soluções, considerando critérios como: impacto na cadeia do biogás; modelo de negócio; e qualidade da apresentação. O resultado das selecionadas será divulgado no site oficial do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, até o dia 20 de março. O regulamento está disponível.
Nesta 8ª edição, o FSBBB vai ocorrer no Bourbon Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), apresentando uma programação que inclui painéis, Espaço de Negócios e visitas técnicas, premiação do Melhores do Biogás, além do Momento Startups.
O 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano tem a realização de instituições representativas do setor nos três estados do Sul do Brasil: Centro Internacional de Energias Renováveis – CIBiogás (PR), Embrapa Suínos e Aves (SC), e Universidade de Caxias do Sul – UCS (RS), e é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera). As inscrições para participar do Fórum podem ser feitas no site biogasebiometano.com.br.
Notícias De 12 a 14 de maio
Ciência brasileira pauta eficiência e competitividade da produção animal em encontro nacional do CBNA
Reunião anual em São Paulo reúne referências da academia e da indústria para discutir impacto das Tabelas Brasileiras, novas pesquisas em aves e suínos e os rumos da nutrição animal diante da pressão por produtividade e sustentabilidade.

A contribuição da ciência brasileira para um aumento da produtividade e da eficiência da produção animal estará entre os debates de um dos principais encontros técnicos do setor em 2026. A 36ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), que vai ser realizada de 12 a 14 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, abre a programação com um painel dedicado ao Impacto da pesquisa brasileira na produção animal.

Membro da diretoria do CBNA e professor da Esalq/USP, Felipe Dilelis: “Vamos discutir decisões que influenciam diretamente custo, desempenho e sustentabilidade das cadeias produtivas”- Foto: Divulgação/CBNA
Coordenado pelo professor da Esalq/USP Felipe Dilelis, o debate reunirá especialistas de instituições de referência para discutir desde A importância das Tabelas Brasileiras para a indústria até as perspectivas de novas linhas de investigação em nutrição de aves e suínos. “O Brasil é potência na produção animal, mas só continuará avançando se investir em ciência aplicada. O que discutiremos aqui não é teoria, são decisões que influenciam diretamente custo, desempenho e sustentabilidade das cadeias produtivas”, afirma Dilelis.
Entre os participantes estão o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Horacio Rostagno, o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) José Henrique Stringhini, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sergio Vieira, o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, e o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Bruno Silva.
O encontro tem como proposta promover diálogo direto entre academia e indústria para analisar desafios, oportunidades e inovações capazes de transformar a nutrição animal nos próximos anos, tema considerado estratégico diante da pressão por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e competitividade internacional do agronegócio brasileiro.
Além da 36ª Reunião Anual, voltada a aves, suínos e bovinos, o CBNA realizará simultaneamente outros dois eventos técnicos no mesmo local: o 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, no dia 12 de maio, e o 25º Congresso CBNA Pet, nos dias 13 e 14 de maio.
A programação ocorrerá paralelamente à Fenagra, feira internacional dedicada à tecnologia e processamento da agroindústria Feed & Food, apoiadora da iniciativa. A edição deste ano tem o patrocínio confirmado de empresas como AB Vista, Adimax, Alltech, APC, CBO Laboratório, dsm-firmenich, Evonik, Kemin Nutrisurance, Novus, PremieRpet, Royal Canin e Symrise, além do Sindirações.
As empresas interessadas em participar ou patrocinar os eventos, podem entrar em contato com o CBNA através do e-mail cbna@cbna.com.br ou pelo WhatsApp (19) 3232-7518.
Notícias
Mato Grosso atinge 50,89 milhões de toneladas e reforça protagonismo mundial na soja
Se fosse um país, estado ficaria atrás apenas de Brasil e Estados Unidos no ranking global de produção.

Os números de Mato Grosso ganham ainda mais relevância quando analisados ao longo das últimas safras e comparados ao cenário internacional. Após colher 38,70 milhões de toneladas na safra 2023/24, o estado alcança um volume estimado de 50,89 milhões de toneladas na safra 2024/25, com projeção de 47,17 milhões de toneladas para a safra 2025/26. Esse patamar coloca Mato Grosso em nível de produção semelhante ao de países inteiros, como a Argentina, que produz em torno de 50 milhões de toneladas de soja.

Foto: Gilson Abreu
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), esse resultado é reflexo direto de anos de investimento em tecnologia, manejo eficiente e compromisso com a produção sustentável. O desempenho alcançado pelo estado não apenas reforça sua liderança no agronegócio, como também destaca o papel de Mato Grosso na segurança alimentar mundial, demonstrando que é possível produzir em larga escala com responsabilidade, inovação e foco no futuro.
Para vice-presidente oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo, o volume na produção alcançada por Mato Grosso evidencia a importância estratégica do agronegócio estadual para o Brasil, tanto no abastecimento quanto no fortalecimento do balanço comercial.
“Além da soja, a produção de milho ganha cada vez mais relevância, impulsionada pelas indústrias de etanol. Esse movimento fortalece a industrialização do estado, gera mais arrecadação, viabiliza investimentos em infraestrutura e cria uma cadeia positiva em que produtor, indústria e sociedade avançam juntos. Esse cenário deve se consolidar ainda mais nos próximos anos, ampliando a competitividade e o rendimento do produtor rural”, destaca o vice-presidente.
Com um dos maiores territórios do país, Mato Grosso apresenta uma ocupação do solo marcada pelo equilíbrio entre produção e preservação. A atividade agropecuária se desenvolve de forma concentrada em áreas já consolidadas, enquanto uma parcela significativa do estado permanece preservada, abrigando importantes biomas e áreas de vegetação nativa. Esse cenário reforça que o avanço da produção ocorre de forma planejada, com respeito ao uso racional do território, à legislação ambiental e à conservação dos recursos naturais, pilares que sustentam a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio mato-grossense.
O vice-presidente leste da Aprosoja MT, Lauri Pedro Jantsch, explica que o investimento em tecnologia, manejo e sustentabilidade contribuíram para que Mato Grosso atingisse esse nível de produção, elucidando esse protagonismo do produtor mato-grossense na produção de soja mundial.
“Mato Grosso é um estado repleto de oportunidades no agronegócio. O produtor mato-grossense tem uma grande capacidade de adaptação diante dos desafios que surgem ao longo do caminho. Com investimentos em tecnologia, manejo adequado e correção de solos, é possível transformar áreas degradadas em áreas altamente produtivas. Essa capacidade de evolução e resiliência faz com que o produtor de Mato Grosso consiga converter dificuldades em resultados, promovendo produtividade e sustentabilidade no campo”, ressalta Lauri.

Foto: Jaelson Lucas
Mesmo diante de números expressivos, os produtores do estado ainda enfrentam diversos desafios que, na prática, limitam o avanço da produção e a competitividade do setor. Entre os principais entraves, o vice-presidente da região Leste destaca a logística e a armazenagem de grãos, que, quando comparadas às de outros países, ainda apresentam defasagens significativas.
“Aqui em Mato Grosso, ainda temos diversas dificuldades que atrapalham o produtor, e uma delas é a logística. No Brasil, há um déficit muito grande: temos um dos custos mais altos do mundo para transportar os grãos até os portos. Essa capacidade logística ainda é limitada e traz grandes custos para o produtor. Há também a questão da armazenagem, já que nossa capacidade de estocagem ainda é pequena, ao contrário do que ocorre com o produtor americano, por exemplo”, finaliza ele.
Diante desse cenário, Mato Grosso segue como referência mundial na produção de grãos, unindo escala, eficiência e responsabilidade ambiental. Ao mesmo tempo em que celebra resultados expressivos, o estado reforça a necessidade de avanços em infraestrutura, logística e armazenagem para sustentar o crescimento e ampliar a competitividade do setor. Com produtores cada vez mais atualizados e comprometidos, o agronegócio mato-grossense se consolida como peça-chave para o desenvolvimento econômico do Brasil e para o abastecimento alimentar global.



