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Pesquisa brasileira leva pioneirismo, empreendedorismo e inovações para as cadeias nacionais de milho, sorgo e milheto
Ao papel tradicional da agropecuária brasileira de produzir alimentos, fibras e energia, novos conceitos foram incorporados, levando-se em conta a sustentabilidade dos negócios agrícolas, principalmente nos aspectos ligados à segurança alimentar e nutricional, à agregação de valor, à qualidade de vida das pessoas e à preocupação com o meio ambiente.

Nas últimas décadas, a agropecuária brasileira se modernizou, ganhando novos cargos e se tornando mais complexa. Ao seu tradicional papel de produção de alimentos, fibras e energia, novos conceitos foram incorporados, levando-se em conta a sustentabilidade dos negócios agrícolas, principalmente nos aspectos ligados à segurança alimentar e nutricional, à agregação de valor, à qualidade de vida das pessoas e à preocupação com o meio ambiente.
Nesse período, a agropecuária tornou-se, também, uma das principais forças motrizes para a produção, a transformação e a ampliação das opções de consumo que impulsionaram o mercado brasileiro – notadamente urbano – nos dias atuais. “Ao longo das últimas cinco décadas, a produção brasileira de grãos saltou de 38 milhões de toneladas, em 1975, para cerca de 310 milhões de toneladas, em 2023, o que representa um aumento de quase oito vezes na produção de grãos, com um acréscimo de apenas duas vezes na área plantada. “Esse evidente “efeito poupa-terra” só foi possível a partir de incrementos em produtividade, resultando, principalmente, de investimentos em pesquisa e inovação para a modernização da agricultura brasileira”, relata o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Milho e Sorgo, Maria Marta Pastina.
A Embrapa Milho e Sorgo , Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), acompanhou e participou ativamente de todo esse processo de modernização, entregando resultados inovadores de pesquisa, produtos e serviços que desenvolveram para o crescimento sustentável das cadeias produtivas de milho, sorgo e milheto no Brasil. “Pesquisa é futuro”, comenta o chefe-geral Frederico Ozanan Machado Durães. “A percepção dos desafios a serem enfrentados na construção do conhecimento, a qualificação e o posicionamento cooperativo, para impactos nos sistemas intensificados e organizados, técnicos-científicos, institucionais e produtivos, da agropecuária tropical não são tarefas triviais para gestores, cientistas e apoiadores da ciência e de sua aplicação”, complementa Durães.
Ele enfatiza que “compreender, formular e implementar estratégia de ação para o desenvolvimento da agricultura são processos evolutivos na trajetória, no esforço atual e na perspectiva futura de uma empresa de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), como é o caso da Embrapa e de sua rede de Unidades Descentralizadas de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) e de negócios de base tecnológica, como a Embrapa Milho e Sorgo”.
“A Unidade é responsável pela manutenção e exploração racional das espécies de milho, de sorgo e de milheto, e de coleções multifuncionais de microrganismos úteis para o manejo eficiente de características na matriz insumo-produto de qualidade, focando em sistemas intensificados de produção, produtividade e sustentabilidade, nomeadamente de grãos, proteína animal e áreas afins”, pontua Durães.

Foto: Arnaldo Pontes
Inaugurada em 1976, em Sete Lagoas (MG), a Embrapa Milho e Sorgo deu continuidade a uma história em pesquisa agropecuária realizada desde 1907 por instituições públicas naquela região.
Segundo a filosofia inerente à época de sua implantação, o então Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo coordenaria e executaria pesquisas para o aumento da produtividade, a redução dos custos de produção e a expansão da fronteira agrícola com a incorporação de áreas até então subaproveitadas.
Desde o início, a Embrapa Milho e Sorgo deu ênfase ao desenvolvimento de cultivares mais produtivas e ao melhoramento de híbridos adaptados aos solos ácidos do Cerrado – uma nova fronteira agrícola a ser conquistada. A Unidade desenvolveu também sistemas de produção mais lucrativos e protegidos para nossas regiões, com indicação de cultivares, regulação de máquinas e recomendações para o uso correto de fertilizantes e agroquímicos. Assim, pretendia-se a redução das perdas na colheita e o armazenamento adequado dos grãos. Era um “pacote tecnológico”, aumentando imediatamente a disponibilidade de alimentos.

Fotos: Sandra Brito
O jornalista José Heitor Vasconcellos conta que a implantação de Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de Milho, de Sorgo e de Milheto também foi fundamental para a obtenção contínua das cultivares desenvolvidas pela Unidade. Neles são conservados materiais genéticos de diversas partes do mundo e de coletas estratégicas realizadas nas regiões brasileiras. “Nas décadas de 1970 e 1980, a Embrapa Milho e Sorgo dinâmica e melhorou diversas inovações de milho tropical, que resultou no desenvolvimento de cultivares com características adequadas para a expansão da cultura para o Cerrado, um bioma antes considerado improdutivo. Essas novas plantas também apresentaram ciclo mais precoce, propiciando maiores produtividades com menor risco em plantios da segunda safra e “escape” da seca em regiões semiáridas”, diz Vasconcellos.
Soluções tecnológicas
Maria Marta Pastina relata que, ao longo da trajetória, do esforço atual e da visão de futuro da Unidade, a Embrapa Milho e Sorgo tem investido no desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis para os reais desafios enfrentados pelo setor produtivo, ampliando oportunidades e mitigando riscos econômicos , sociais e ambientais. “Na agricultura familiar, por exemplo, o desenvolvimento da plantadeira de tração animal para o plantio consorciado de milho e feijão , em uma única operação, proporcionou um avanço eficaz nesse sistema de plantio. O lançamento da variedade de milho BR 106 deu aos produtores uma cultivar produtiva e competitiva com os materiais disponíveis no mercado”, comenta Vasconcellos.
Ele destaca que o lançamento do primeiro milho de proteína de alta qualidade, o BR 451 , destinado à alimentação humana e de animais monogástricos, revolucionou a estratégia de marketing então até utilizada, com a distribuição de milhares de pacotes dessas sementes em revistas agrícolas, atingindo tanto o público rural quanto o urbano.
O pioneirismo da Embrapa Milho e Sorgo no desenvolvimento de cultivares adaptadas aos solos ácidos revolucionou o mercado brasileiro de sementes. O híbrido duplo de milho BR 201 , por exemplo, abriu o caminho não só para o estabelecimento dessa cultura no Cerrado, mas também para o nascimento de uma “franquia vegetal”, a Embrapa/Unimilho, em que companhias privadas brasileiras produzem e comercializam como cultivares desenvolvidas pela Empresa pública.
Já nos anos 1990 , no Brasil, a produção agrícola encontrou no Centro-Oeste as condições ideais para seu crescimento. A Embrapa Milho e Sorgo continua a disponibilizar tecnologias exclusivas para todos os níveis de produtores. “Para a agricultura familiar, foi desenvolvida uma beneficiadora/classificadora portátil de sementes de milho, adaptada à pequena propriedade rural”, recorda Vasconcellos.
O pesquisador Paulo Evaristo Guimarães ressalta que “o programa de melhoramento de milho teve grande impulso com a colocação de cultivares para agricultores de todos os segmentos, desde a agricultura empresarial até a feita por pequenos produtores familiares, destacando-se os híbridos BRS 2022, BRS 1055, BRS 1060, BRS 3042 VTPRO2, BRS 3046 (milho-verde), BRS Vivi (milho-doce) e BRS 2107 e as variedades BRS Caimbé, BRS 4103 e BRS 4104 (milho pró-vitamina A), BRS 4105 e BRS 4107”.
Atualmente, são disponibilizadas sementes de híbridos e variedades de milho em parcerias com empresas privadas de forma ainda mais estratégica. As parcerias preconizam o
posicionamento de cultivares, de acordo com a adaptação a regiões e épocas de cultivo, considerando características específicas e as vantagens competitivas de cada cultivar.
Barraginhas e lago de uso múltiplo
Entre as soluções tecnológicas destacam-se também as Barraginhas e o Lago de uso múltiplo . As Barraginhas são pequenas bacias escavadas no solo, construídas dispersas nas propriedades com a função de captar enxurradas, controlar as erosões e proporcionar a infiltração da água das chuvas no terreno.
Já o lago de uso múltiplo consiste em uma alternativa para armazenamento superficial de água em propriedades rurais, para utilização da água disponível na propriedade para diversas especificidades.
Sorgo e milheto
A Embrapa Milho e Sorgo tem trabalhado no desenvolvimento de sistemas de produção e de genética de alta performance para os cinco tipos diferentes de sorgo (granífero, forrageiro/silageiro, biomassa, sacarino e vassoura), e também para milheto, com foco em valor nutricional para alimentação humana e animal, bioenergia, resistências às principais previsões e doenças, resiliência frente às mudanças climáticas e maior eficiência na absorção de nutrientes.
A segunda safra, em sucessão à soja, iniciou-se com uso de sorgo granífero. Os primeiros híbridos de sorgo lançados pela Embrapa, BRS 300 e BRS 304, foram preponderantes para o avanço da agricultura no Cerrado. O programa de melhoramento do sorgo granífero da Embrapa teve início há 48 anos, sendo um dos principais fornecedores de material genético para o Brasil, com fornecimento contínuo de cultivares. Dentre elas, podem ser destacadas: BR 300, BR 304, BRS 307, BRS 308, BRS 309, BRS 310, BRS 330, BRS 332, BRS 373, BRS 380, BRS 3002 e BRS 3318.
O pesquisador Cícero Beserra de Menezes comenta que o programa já licenciou importantes cultivares de sorgo para silagem (BRS 601, BRS 610, BRS 655, BRS 658, BRS 659, BR 700, BRS 701 e Ponta Negra), além de sorgo de corte e pastejo (BR 800, BRS 801, BRS 802 e BRS 810).
Outra linha de pesquisa da Embrapa é a sorgo bioenergia, com alternativas dessa planta como fontes renováveis de energia. A Embrapa lançou três variedades (BRS 508, BRS 509 e BRS 511) para produção de etanol e um híbrido (BRS 716) para a produção de biomassa. Para atender a agricultura familiar, a Embrapa lançou também o sorgo BRS 900, que é do tipo vassoura.
Em 2022, a Embrapa Milho e Sorgo lançou, em parceria com o setor produtivo, o Movimento + Sorgo, com o objetivo de expandir uma área de cultivo e ampliar o conhecimento dos produtores sobre o potencial da cultura do sorgo para o País. “Atualmente, uma Unidade possui 61 contratos de licenciados de sementes de sorgo. Os sorgos BRS 373 (granífero) e BRS Ponta Negra (silageiro e palhada) estão entre os materiais mais plantados no mercado nacional. O objetivo do projeto é dar continuidade a essas parcerias, buscando sempre a melhoria dos processos para dar sustentabilidade ao agronegócio do sorgo”, diz Menezes.
Sorgo para alimentação humana
A Embrapa Milho e Sorgo é pioneira nas pesquisas que visam o uso do sorgo na alimentação humana no Brasil. A pesquisadora Valéria Queiroz comenta que, desde 2008, diversos estudos vêm sendo realizados pela Embrapa e por parceiros. “Nossas pesquisas comprovaram o potencial do sorgo como ingrediente para a produção de alimentos especiais (sem glúten, funcionais, “plant-based”, “eco-friendly”), por possuir propriedades nutricionais e antioxidantes às superiores materiais-primas disponíveis no mercado, podendo contribuir com a segurança alimentar e nutricional dos consumidores desses produtos”, diz Queiroz.
Genótipos de soro com altos teores de nutrientes e de compostos bioativos foram identificados, e suas ações na modulação de parâmetros relacionados à obesidade, inflamação, esteatose hepática, glicemia, disbiose intestinal e saciedade foram comprovadas em ensaios “in vivo”, com animais e humanos . “Além disso, foram desenvolvidos diversos produtos sem glúten à base de farinha de sorgo, como barra de cereais, pães, biscoitos, bolos, churros, cereais matinais, bebidas, entre outros, e complementos bons acessíveis sensoriais”, pontua Valéria Queiroz.
Milheto
O milheto ( Pennisetum glaucum ), em conjunto com o sorgo, compõe um mix de culturas trabalhadas na Embrapa Milho e Sorgo, além do milho. O pesquisador Flávio Tardin ressalta que o milheto é uma cultura definida atualmente no sistema “Climate-Smart-Agriculture”, conceito inserido no universo da agricultura digital como linha promissória e necessária para o futuro sustentável da agricultura. “O milheto é uma cultura importante para compor sistemas de produção mais resilientes, mitigando riscos inerentes à atividade agropecuária inseridos em contextos e cenários de mudanças climáticas, crescimento populacional, combate à pobreza e incertezas nutricionais”, explica Tardin.
O programa de melhoramento de milheto da Embrapa disponibiliza no mercado as cultivares BRS 1501, BRS 1502 e BRS 1503. “O BRS 1501, disponibilizado aos agricultores no ano de 1999, é, até hoje, uma variedade de milheto mais plantada no Brasil. Suas finalidades de uso abrangem desde a função de planta de forrageira para pastejo, silagem e cobertura do solo, até a produção de grãos. Os grãos são utilizados na produção de ração animal e na alimentação humana. Além disso, o milheto é considerado um cereal sem glúten”, diz Tardin.
Insumos biológicos e soluções biotecnológicas
Atualmente, como bioinseticidas e insetos benéficos, são exemplos de diferentes culturas agrícolas. Nos , foram desenvolvidos , para o controle dos principais insetos-praga em milho, soja e algodão:
A Embrapa tem uma grande experiência no desenvolvimento de deinoculantes solubilizadores de fosfatos e fixadores de nitrogênio. Em 2019, a Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a empresa Simbiose, lançou o BiomaPhos, o primeiro produto biológico registrado para a solubilização e disponibilização de fósforo para a cultura do milho. “Esse produto tem sido aplicado com sucesso em outras culturas, permitindo o aumento da produtividade e dos retornos econômicos, com maior sustentabilidade e preservação dos biomas brasileiros”, afirma Maria Marta Pastina.

Foto: Fernando Valicente
O programa de biotecnologia aplicada da Embrapa tem gerado eventos transgênicos e dominados por técnicas de edição gênica e predição genômica, associados à seleção assistida por marcadores e à tecnologia de duplo haploides. Em 2022 , a Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a empresa Helix Sementes, aprovou, na CTNBio, o BTMAX. Ele é o primeiro evento transônico desenvolvido por empresas nacionais, e apresenta alta eficácia contra a lagarta-do-cartucho, considerada a principal praga da cultura do milho. “O BTMAX está em fase pré-comercial, devendo ser disponibilizado para as produtores rurais do Brasil (e do mundo) nos próximos anos”, relata o pesquisador Lauro José Moreira Guimarães.
Sustentabilidade em sistemas de produção intensificados
A intensificação produtiva revela-se como um fator extremamente positivo, com forte “efeito poupa-terra” e impactos na sustentabilidade da produção agrícola e pecuária, uma vez que a produção pode ser aumentada por meio de incrementos em produtividade nas áreas já abertas, sem necessidade de expansão para novas áreas de cobertura vegetal nativa. “A Embrapa Milho e Sorgo vem contribuindo na geração de conhecimentos, práticas e tecnologias que impactam positivamente o modo de produção, intensificando o uso de áreas agrícolas, ao mesmo tempo que melhoram os indicadores de conservação de solos, de armazenamento de água e de captura de carbono nos sistemas produtivos”, ressalta o pesquisador Lauro Guimarães.
“Exemplos são as recomendações técnicas relacionadas à adubação de sistemas (e não mais de trabalhos específicos) e ao manejo mais adequado em sistemas de fertilidade construídos, associados a sistemas de plantio direto na palha. produção intensificados chamados de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, ou ILPF, e suas variações (ILP, ILF e IPF) e de sistemas de produção “carne de baixo carbono” e “carne carbono neutro””, cita Guimarães.
Um sistema de cultivo intensificado inédito e disruptivo foi lançado pela Embrapa Milho e Sorgo em 2020 – o Sistema Antecipe . Essa tecnologia permite a antecipação, em até 20 dias, do plantio de milho safrinha nas entrelinhas de soja. Além de favorecer o estabelecimento precoce da cultura do milho, o Antecipe promove a intensificação sustentável dos sistemas, trazendo a possibilidade de uma terceira safra em algumas regiões brasileiras.
A base desse sistema é a utilização de um maquinário, uma plantadeira desenvolvida e patenteada pela Embrapa, associada a conhecimentos relacionados aos estádios fenológicos das culturas da soja e do milho. Com o plantio antecipado, o milho de segunda safra tem acesso a maior quantidade de chuvas do que foi implantado após a colheita da soja (liberação completa da área), com conseqüente aumento na produtividade e na produção bruta de área.
Últimos lançamentos
No ano passado, a Embrapa Milho e Sorgo lançou o híbrido superprecoce de sorgo BRS 3318 , com alto potencial produtivo, alta sanidade foliar e baixo fator de reprodução de nematóides. Essa cultivar apresentou ótimo desempenho no Cerrado, especialmente na região Centro-Oeste, no Triângulo Mineiro e no Oeste Baiano, com produção de grãos acima de cinco toneladas por hectare.
Também foram lançadas as cultivares de milho BRS 4107 e BRS 2107 , voltadas para os segmentos de baixa e média tecnologia, que produzem em condições menos adequadas. Ambas são indicadas para todo o território brasileiro para plantio em safra ou safrinha. Outra novidade foi o milho híbrido XB 3042 VTPRO2 , transgênico que combina duas tecnologias importantes: tolerância a lagartas e resistência ao herbicida glifosato. Essa combinação de características torna uma cultivar altamente versátil, possibilitando seu uso em diversos ambientes de cultivo em todo o Brasil.
Embrapa 50 Anos
A Embrapa, que comemorou 50 anos em 2023, foi fundada em 26 de abril de 1973. A Empresa é vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e conta com uma rede de 43 Unidades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e de Negócios de Base Tecnológica para o desenvolvimento da agricultura brasileira.
As comemorações alusivas ao cinquentenário da Embrapa acontecem até o mês de abril de 2024. Para conhecer a história da empresa, acesse a Página Especial Aniversário 50 Anos Embrapa “Seu futuro inspira nossa ciência”.

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Erros na declaração do Imposto de Renda podem gerar multas de até 225% para produtores rurais
Falhas na apuração do lucro e inconsistências na declaração colocam produtores na mira da Receita. Tributarista orienta que produtor deve ter organização financeira e revisão prévia para evitar autuações.

Erros na declaração do Imposto de Renda podem custar caro ao produtor rural em 2026. Falhas na apuração do lucro e no preenchimento das informações da atividade podem levar à malha fina, gerar cobrança de impostos com juros e, em casos mais graves, resultar em multas que chegam a 225%.

Produtor rural e advogado tributarista do agronegócio, Fernando Melo de Carvalho: “Na atividade rural, o imposto incide sobre o resultado da exploração, ou seja, sobre a diferença entre receitas e despesas devidamente comprovadas” – Foto: Divulgação
Em 2026, produtores que registraram receita bruta superior a R$ 177.920,00 no ano passado são obrigados a declarar. A isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil ainda não está em vigor, segundo a Receita Federal. Além disso, quem pretende compensar prejuízos fiscais de anos anteriores também deve entregar a declaração, mesmo sem atingir o limite de faturamento.
De acordo com o produtor rural e advogado tributarista do agronegócio, Fernando Melo de Carvalho, o principal erro ainda é a falta de preparo ao longo do ano para apurar corretamente o resultado da atividade, o que aumenta o risco de fiscalização e penalidades.
Sete erros comuns que podem gerar inconsistências
Carvalho destaca sete erros comuns que podem gerar inconsistências na declaração e atrasar a regularização da atividade rural.
1. Confundir faturamento com o lucro da atividade
Segundo o profissional, um dos erros mais comuns ocorre quando o produtor considera toda a receita obtida com vendas como base de tributação, sem observar corretamente as despesas da atividade. “Na atividade rural, o imposto incide sobre o resultado da exploração, ou seja, sobre a diferença entre receitas e despesas devidamente comprovadas”, explica.
2. Tributar antecipações de safra
Outro equívoco frequente ocorre quando o produtor recebe antecipadamente por uma safra que ainda será entregue. “O primeiro dos erros cometidos por produtores rurais no Imposto de Renda é a tributação das antecipações: caso ele receba adiantado uma safra, antes mesmo de colher, o recebimento só é tributável no ano de entrega do produto”, pontua.
3. Deixar de aproveitar prejuízos fiscais acumulados
A atividade rural possui uma particularidade importante: a possibilidade de compensar integralmente prejuízos fiscais de anos anteriores. “Outro erro é o aproveitamento de prejuízos fiscais nos anos anteriores, que ou não são observados na declaração ou deixam de ser declarados por algum motivo e acabam se perdendo. Isso é muito importante, pois, para a atividade rural, é permitido o aproveitamento de 100% de prejuízos fiscais, o que difere, por exemplo, do regime empresarial, que admite apenas 30% de aproveitamento”, afirma Carvalho.
4. Declarar incorretamente bens da atividade rural
Erros na declaração de bens também podem gerar inconsistências fiscais. Entre os itens mais sensíveis estão propriedades rurais, rebanhos, máquinas agrícolas e estoques de produção. “A correção nas informações de bens e direitos é importante para afastar erros na declaração do produtor rural, evitando, assim, fiscalização com base no cruzamento de informações. A diferença entre eventual estoque de grãos ou rebanho pode ser motivo de inconsistências e malha fina nos próximos anos”, alerta.
5. Confundir arrendamento com parceria rural
Contratos rurais também exigem atenção, especialmente na diferenciação entre arrendamento e parceria rural, que possuem tratamentos tributários distintos. “O produtor deve se ter muito cuidado com a diferenciação entre arrendamento e parceria rural, pois há diferentes consequências tributárias, e a Receita Federal está de olho, com lupa, durante as fiscalizações”, salienta.
6. Não manter o Livro Caixa da atividade rural atualizado
A escrituração contábil é outra exigência importante para o produtor rural. Todo produtor com receita superior a R$ 56.000,00 deve manter a escrituração do Livro Caixa. Já aqueles que apurarem receita bruta total da atividade rural superior a R$ 4.800.000,00 são obrigados a apresentar o Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), até o prazo final para entrega da declaração anual.
Segundo o especialista, nesses registros devem constar todas as movimentações da atividade. “O livro-caixa da atividade rural deve conter o registro mensal de todas as receitas e despesas relacionadas à atividade. É obrigatória a apresentação desse livro em casos de fiscalização, e a existência de erros de cálculo pode resultar em multas e autuações fiscais”, ressalta.
7. Movimentar valores sem comprovação documental
Com o aumento da digitalização das transações financeiras, a Receita Federal também tem intensificado o cruzamento de dados bancários, especialmente envolvendo movimentações via PIX ou uso de contas de terceiros.
A facilidade dessas transações acende alerta na Receita Federal, que passou a observar com mais cuidado esse tipo de movimentação.
Para evitar problemas fiscais, Carvalho orienta que todas as operações tenham respaldo documental. “É necessário que o produtor rural faça as transações com base em documentos que comprovem suas movimentações financeiras, seja por notas fiscais ou contratos, sempre com valores condizentes com o que consta nesses documentos”, recomenda.
O advogado orienta ainda que a análise seja feita antes da abertura oficial do prazo de entrega, evitando decisões apressadas que possam gerar pagamento indevido ou exposição à malha fina. Alguns pontos práticos de atenção:
- Organizar notas fiscais de venda e despesas dedutíveis;
- Manter o livro-caixa atualizado;
- Avaliar a compensação de prejuízos anteriores;
- Reavaliar se o modelo PF ou PJ continua vantajoso;
- Planejar sucessão e estrutura patrimonial.
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Inscrições abertas para a categoria Produtora Rural do Prêmio Mulheres do Agro
9ª edição premia iniciativas de sustentabilidade, governança e impacto social.

As inscrições para a categoria “Produtora Rural” da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro estão abertas de 1º de abril a 7 de junho, pelo site oficial. (COLOCAR LINK Home – Prêmio Mulheres do Agro) A premiação reconhece mulheres que atuam no setor agropecuário com iniciativas que promovem sustentabilidade, boa governança e impacto social.
A seleção das candidatas é conduzida por uma banca independente composta por especialistas de instituições públicas e privadas, que avaliam os projetos com base em critérios técnicos e no alcance das ações apresentadas. O prêmio é realizado pela Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
Segundo Daniela Barros, diretora de Comunicação da Divisão Agrícola da Bayer no Brasil, o prêmio mantém, ao longo de suas nove edições, o mesmo compromisso que motivou sua criação. “Mesmo após quase uma década, o Prêmio Mulheres do Agro segue com o propósito claro de reconhecer o protagonismo das mulheres no campo e ampliar a visibilidade de iniciativas que contribuem para um agronegócio mais sustentável, inovador e inclusivo”, salienta.
Entre os exemplos de trajetórias reconhecidas está Flávia Strenger Garcia Cid, produtora rural, empresária e gestora da Fazenda Jaracatiá, localizada em Querência do Norte (PR), vencedora do primeiro lugar na categoria “Grande Propriedade” em 2025.
À frente do negócio desde 2015, ela estruturou uma operação verticalizada voltada à produção de óleos essenciais, extratos vegetais, plantas aromáticas e bioinsumos, com iniciativas que envolvem industrialização na fazenda, mecanização de culturas não convencionais, uso de energia renovável, conservação ambiental, gestão hídrica e impacto social junto às comunidades do entorno. “O prêmio nos dá voz para inspirar outras produtoras e mostra que o trabalho feminino deixou de ser coadjuvante para ganhar protagonismo no agronegócio brasileiro”, afirmou Flávia, destacando: “O reconhecimento confirma que o esforço e a dedicação à produção agrícola fazem a diferença.”
Ao final do processo, dez mulheres serão premiadas, sendo nove produtoras rurais e uma pesquisadora. As indicações para a categoria “Ciência e Pesquisa” acontecerão entre 15 e 30 de abril. “Contabilizamos recordes de engajamento a cada edição, o que nos incentiva a aprimorar a iniciativa para que todas as vencedoras tenham suas jornadas ainda mais impactadas depois do Prêmio Mulheres do Agro”, acrescenta a diretora da Abag, Gislaine Balbinot.
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Tecnoshow Comigo une tecnologia, negócios e lazer para toda a família
Feira em Rio Verde (GO) mobiliza 10 mil empregos, oferece estrutura para 12 mil visitantes por dia e promove atividades educativas voltadas a crianças entre 06 e 10 de abril.

Com uma área de 65 hectares, o equivalente a cerca de 90 campos de futebol, a Tecnoshow Comigo foi estruturada para oferecer mais do que uma feira de tecnologia rural: a proposta é conectar negócios, conhecimento e experiência em um mesmo espaço.
Alinhada ao tema deste ano, “O Agro Conecta”, a organização investiu em infraestrutura, serviços e programação voltada às famílias, garantindo conforto, segurança e uma experiência completa ao público durante os cinco dias de evento, que acontece de 6 a 10 de abril, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde (GO). “Começamos a montagem com antecedência justamente para integrar todas as frentes e garantir que o visitante encontre um ambiente preparado em todos os detalhes”, afirma o coordenador de Infraestrutura da feira, Edimilson de Carvalho Alves.

Teatro e oficinas para as crianças
Segundo ele, a Tecnoshow mobiliza cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos, considerando as etapas de montagem, realização e desmontagem.
Entre as novidades desta edição, a feira passa a contar com um ambulatório médico em alvenaria, com atendimento permanente de médico e enfermeira, além de três pontos de apoio para aferição de pressão e medição de glicemia. Em casos que demandem maior atenção, ambulâncias estarão disponíveis para encaminhamento até unidades de saúde.
O conforto do público também foi ampliado com a climatização dos 12 banheiros distribuídos pelo recinto e com uma estrutura de alimentação preparada para atender até 12 mil pessoas por dia. O espaço reúne três restaurantes, lanchonetes, food trucks e pamonharia, conectando praticidade e variedade ao longo da visita.
Energia, conectividade e operação integrada

Três auditórios com conteúdo para o produtor rural
Para garantir o funcionamento pleno da feira, a Cooperativa Comigo realizou uma reestruturação completa da rede elétrica, com reforço nas linhas de alta e baixa tensão e a instalação de novos transformadores. Parte do sistema será monitorada em tempo real, permitindo ações preventivas e maior estabilidade no fornecimento de energia.
Em parceria com a Equatorial, o evento também passa a contar com uma linha de alimentação dedicada. Já na conectividade, o CTC dispõe de torre fixa da Vivo e operação da Claro com Estação Rádio Base (ERB), assegurando cobertura de sinal para visitantes e expositores.
Acesso facilitado

Dinâmicas de pecuária e exposição de animais
A chegada e a circulação no evento também foram pensadas para garantir fluidez. O estacionamento gratuito tem capacidade para mais de 21 mil veículos, e o número de saídas foi ampliado para otimizar a dispersão do público. A feira conta ainda com heliponto homologado, com capacidade para até 12 aeronaves simultaneamente.
Na segurança, a operação reúne forças públicas e privadas, com atuação de Polícia Militar, Civil, Rodoviária, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal e agentes de trânsito, além de equipes privadas, brigadistas e profissionais de segurança do trabalho. “A estrutura foi planejada para que o visitante se sinta seguro e confortável durante toda a permanência na feira”, destaca Alves.
Espaço para as famílias
Reforçando o caráter familiar da Tecnoshow, a programação inclui atividades voltadas ao público infantil no espaço Sementinhas do Agro. Ao longo dos cinco dias, peças teatrais e oficinas temáticas aproximam as crianças do universo do campo de forma lúdica e educativa.
As apresentações acontecem diariamente, com espetáculos como “A Fazenda Tá Online!” e atividades interativas que conectam os pequenos a temas como produção de alimentos, cuidado com os animais e rotina no campo. “A Tecnoshow já é reconhecida como um evento que reúne famílias, e pensamos nessa programação para que todos possam aproveitar a visita. A ideia é que o público saia daqui não só com bons negócios, mas também com uma experiência completa”, afirma a coordenadora de Comunicação da Cooperativa Comigo, Gabriele Triches Ribeiro.



