Avicultura
Perspectivas positivas para carnes e ovos pautam discussões do Kick-Off FACTA 2026
Setor avalia avanço do consumo, ambiente favorável para grãos e necessidade de ampliar industrialização para exportações.

Lideranças do setor agropecuário, especialistas e representantes da cadeia produtiva participaram, na manhã da última quarta-feira (04), em São Paulo (SP), da segunda edição do Kick-Off da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA). O encontro discutiu o cenário político e as perspectivas de mercado para o setor ao longo de 2026.
A abertura do evento contou com a presença do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho; do presidente da FACTA, Ariel Mendes; do presidente do Conselho Curador da FACTA e presidente da Aviagen América Latina, Ivan Pupo Lauandos; do presidente do Sindirações, Roberto Betancourt; da diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves; e do diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholo.
Durante a abertura, Melo Filho destacou a importância do setor para a economia paulista e reforçou o compromisso do governo estadual com o diálogo com a cadeia produtiva. Segundo ele, quatro das principais cadeias produtivas do Estado estão ligadas à proteína animal, o que evidencia a relevância estratégica do segmento.
Na sequência, Ariel Mendes apresentou ao secretário uma demanda da Associação Paulista de Avicultura (APA) e da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) relacionada ao déficit de galpões no Estado. Conforme o dirigente, o crescimento da avicultura e da suinocultura enfrenta limitações estruturais, como o alto custo de produção e a expansão dos frigoríficos. Ele informou que o déficit atual é estimado em cerca de 320 galpões e pode chegar a 700 até 2028. Mendes também destacou que a taxa Selic elevada dificulta o acesso ao crédito, limitando investimentos e podendo deslocar a produção para outros estados. Como alternativa, sugeriu a criação de um mecanismo de juros subsidiados com recursos estaduais, semelhante ao modelo adotado no Paraná.
O secretário acolheu as demandas e afirmou que o governo avaliará mecanismos de apoio ao setor, destacando o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento do agronegócio.
O primeiro painel técnico abordou o cenário político e econômico global para 2026. Participaram a diretora-executiva da Valya Agro, Larissa Wachholz, e o diretor-executivo da Lohbauer Consultoria Internacional, Christian Lohbauer. Larissa apresentou uma análise do ambiente internacional e ressaltou a necessidade de atuação estratégica do Brasil diante das tensões entre Estados Unidos e China. Ela defendeu a ampliação da diversificação comercial, com atenção a mercados asiáticos além da China, e a manutenção de postura neutra em disputas geopolíticas.
Christian Lohbauer avaliou os desafios econômicos e institucionais enfrentados pelo país e afirmou que o atual contexto global é marcado pela formação de áreas de influência e pelo fortalecimento das relações entre países não ocidentais. O especialista também alertou para pressões fiscais e aumento de recuperações judiciais, inclusive no agronegócio, mas destacou que o Brasil mantém elevada capacidade produtiva.
O segundo painel tratou das perspectivas para o mercado de carnes e ovos. O executivo da Pluma Agroavícola, Jairo Arenázio, analisou o desempenho dos segmentos e apontou ambiente favorável para os grãos. Segundo ele, a avicultura brasileira está consolidada, enquanto a suinocultura apresenta crescimento gradual. Arenázio também destacou a expansão do consumo de ovos e a necessidade de investimentos em industrialização para ampliar o acesso ao mercado externo.
Já o presidente do Sindirações e vice-presidente da Federação Internacional da Indústria de Alimentação Animal (IFIF), Roberto Betancourt, ressaltou que o cenário global favorece a produção brasileira de proteína animal. Ele citou a competitividade da ração nacional, a disponibilidade de matérias-primas e a credibilidade sanitária do país como fatores que fortalecem o setor.
Encerrando o painel, a diretora técnica da ABPA, Sula Alves, reforçou a importância de manter a competitividade internacional, especialmente diante do avanço de outros grandes produtores. Segundo ela, o momento é positivo, mas exige coordenação entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
Ao final do evento, Ivan Pupo Lauandos avaliou que o Kick-Off FACTA 2026 apresentou resultados positivos, com análises conjunturais, debates sobre o setor e palestras técnicas. Ele destacou que o encontro se consolida como espaço de troca de conhecimento e articulação entre os integrantes da cadeia de proteína animal.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



