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Bovinos / Grãos / Máquinas Crescimento acima da demanda

Perspectivas de produção recorde e preço fortalecido mantêm o mercado da soja aquecido, diz especialista  

A safra norte-americana está se consolidando num elevado volume e o Brasil caminha para uma nova colheita recorde, com os preços se mantendo fortalecidos, situação beneficiada pelo câmbio.

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Arquivo/OP Rural

O mercado de soja teve um ano de 2021 com demanda aquecida e boas perspectivas para a oferta. A safra norte-americana está se consolidando num elevado volume e o Brasil caminha para uma nova colheita recorde, com os preços se mantendo fortalecidos, situação beneficiada pelo câmbio. As exportações brasileiras podem alcançar um novo recorde.

De acordo com o relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra estadunidense de soja deverá ficar em 4,425 bilhões de bushels em 2021/2022, o equivalente a 120,43 milhões de toneladas, no entanto o mercado aguardava uma safra um pouco maior, avaliada em 121,92 milhões de toneladas. Em relação à produtividade, foi reduzida para 51,2 bushels.

Especialista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, Ana Luiza Lodi: “As perspectivas são positivas, tanto para a oferta quanto para a demanda” – Foto: Divulgação/StoneX Brasil

Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, Ana Luiza Lodi disse que até a última semana de novembro já haviam sido semeados no Brasil 90,2% da área prevista para a safra 2021/2022 e as perspectivas são de uma produção recorde, estimada em 144,7 milhões de toneladas. Por sua vez, a produção mundial da oleaginosa também deve crescer, para pouco mais de 384 milhões de toneladas, segundo o USDA. “Mas ainda é preciso acompanhar principalmente as safras da América do Sul – Brasil e Argentina, para consolidar o tamanho deste crescimento”, afirma Ana.

A analista estima que a partir da colheita da safra brasileira, no começo de 2022, as exportações devem crescer e com o Brasil atendendo a maior parte das importações mundiais e da China, consolidando o país como maior produtor e exportador de soja do mundo. A demanda mundial também deve crescer no ciclo 2021/2022, para 378 milhões de toneladas, segundo o USDA. “Como a produção deve crescer mais que a demanda, os estoques finais mundiais estão estimados atualmente em 103,78 milhões de toneladas”, expõe Ana, acrescentando: “As perspectivas são positivas, tanto para a oferta quanto para a demanda. Mesmo assim, ainda faltam alguns meses para a safra da América do Sul se consolidar e a demanda precisa acompanhar, principalmente a chinesa”.

O atual preço dos insumos, que apresentaram nas últimas semanas elevações constantes, segundo a analista da StoneX, não deve representar grande impacto no custo final da safra, uma vez que as compras de insumos ocorrem de forma antecipada. “Mais para o ciclo 2022/2023 é preciso monitorar como vão evoluir os preços. Mesmo com os patamares atuais dos preços proporcionando remunerações atrativas, os custos mais elevados podem implicar em ajustes por parte dos produtores, como não elevar tanto a área como o previsto e fazer menos investimentos na safra. No entanto é cedo para afirmar o que efetivamente vai acontecer na safra que só começa a ser plantada em setembro de 2022”, menciona.

Dados da Esalq/USP do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços internos apresentaram uma leve subida na última semana de novembro, influenciados pela redução gradual do volume da temporada 2020/2021 disponível para negociação e pela alta no mercado externo.

No que diz respeito as mudanças climáticas, a analista da StoneX diz que o fenômeno La Niña poderá trazer um clima mais seco para a região Sul do Brasil e para a Argentina. “É preciso acompanhar o que vai acontecer nos próximos meses para saber se haverá algum impacto, mas mesmo em anos de La Niña não significa que haverá impactos negativos sobre as lavouras da América do Sul”, pontua.

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Bovinos / Grãos / Máquinas

“É muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global”, afirma especialista

Para o pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta.

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Arquivo/OP Rural

Com capacidade de retenção de calor superior a do dióxido de carbono (CO2), a redução das emissões de metano (CH4) pode ter um impacto significativo e muito rápido no controle do aquecimento global, pois, apesar da sua curta vida na atmosfera – pouco mais de dez anos – é 28 vezes mais potente que o CO2 como gás de efeito estufa em um período de 100 anos. Dessa forma, sua captura poderia contribuir para esfriar o planeta, se contrapondo ao CO2, que permanece na atmosfera por cerca de um milênio.

Chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner: “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos” – Foto: Reprodução

É o que afirmou o chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido no mês de maio pela JBS, em parceria com a Silva Team, em São Paulo (SP).

Essa comparação entre os gases feita pelo pesquisador norte-americano ilustra os cálculos do GWP 100 (Potencial Global de Aquecimento), medida adotada mundialmente para mensurar as emissões globais de gases do efeito estufa, no entanto, esse sistema considera apenas o potencial dos gases e não o período de vida útil de cada um. “É importante entendermos que o metano é muito diferente de outros gases”, ressalta, acrescentando: “Esse sistema tem sido usado nos últimos 30 anos, apesar dos cientistas já terem alertado sobre outros fatores que devem ser levados em consideração neste cálculo, porque o metano tem um alcance bem maior em sua vida útil”, pontua Mitloehner.

Para ele, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta. “O GWP* é uma nova maneira de caracterizar os gases de efeito estufa de curta duração, ele não é apenas responsável pela curta vida útil do metano, mas também pela sua remoção atmosférica. Ao contrário do GWP 100 que superestima o impacto do aquecimento do metano por um fator quatro vezes maior do que realmente é, ignorando sua capacidade de induzir o resfriamento quando as emissões de CH4 são reduzidas. Por isso, reafirmo, é muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global e o GWP100 não faz isso”, expõe Mitloehner.

Segundo o professor PhD, anualmente mais de 558 milhões de toneladas de metano são produzidas no mundo, emitidas não apenas pelo agronegócio, mas também através da produção de combustíveis fósseis, da energia elétrica, do desmatamento, dos aterros sanitários, das indústrias de carvão e gás natural. Desta quantidade, segundo Mitloehner, cerca de 548 milhões de toneladas são destruídas na atmosfera pela reação com o radical livre hidroxila (OH). “Isso significa que há um processo de remoção atmosférica para o metano, ou seja, não está apenas sendo produzido, mas também está sendo destruído”, pontua.

De acordo com o chefe do Clear, se num horizonte de dez anos as emissões de metano permanecerem constantes no rebanho bovino, a pecuária de corte contribuirá para o aumento da temperatura do planeta somente na primeira década, porque após esse período a quantidade emitida será a mesma que está sendo destruída, ou seja, o CH4 não será adicionado à atmosfera, consequentemente o aquecimento será neutralizado. “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos, com isso o metano não mais vai aquecer a terra, no entanto, se aumentar a quantidade de animais na pecuária não será possível conseguir essa neutralização”, expõe.

“O metano é um gás do efeito estufa poderoso e que nós queremos reduzir, mas é importante pensar em todas as suas propriedades para entender que o metano não é apenas um problema, mas também uma oportunidade de buscarmos a solução. O metano é basicamente energia, pode ser queimado, pode virar eletricidade, combustíveis, nós não queremos perder o metano, para isso precisamos mudar a maneira como pensamos neste gás, é essa a mensagem que quero passar para vocês”, salientou.

Neste sentido, o pesquisador destacou que as tecnologias existentes para reduzir as emissões da pecuária, como aditivos alimentares para melhorar a eficiência de digestão dos animais que podem contribuir, inclusive, para resfriar a atmosfera e compensar as emissões de outros gases.

Agropecuária e o metano

Por ano são criados mais de 70 bilhões de animais para consumo humano. Entre as principais fontes de emissão de metano na agropecuária estão o estrume e a fermentação entérica – um processo digestivo natural que acontece em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras – responsáveis por cerca de 40% das emissões da agropecuária nas últimas duas décadas.

O esterco no pasto libera óxido nitroso, um gás de efeito estufa cuja contribuição, por tonelada, para o aquecimento global é 265 vezes mais potente do que a do dióxido de carbono. Esses dois processos da pecuária correspondem a mais da metade das emissões totais da produção agrícola. O cultivo de arroz e os fertilizantes sintéticos também são fontes emissoras de CH4, cada um representa mais de 10% das emissões do setor.

Nos EUA, em 2021 a produção de carne bovina foi de 12,6 milhões de toneladas e a produção total de leite registrou 102,5 bilhões de quilos, enquanto o Brasil produziu 10,3 milhões de toneladas de carne bovina e mais de 34 bilhões de litros de leite. “De 114 mil cabeças de gado na década de 70, os EUA chegaram próximo de 92 milhões de cabeças no ano passado, mas, apesar deste crescimento, as emissões se mantiveram estáveis”, relata.

Origem das emissões

Mitloehner explica que o sistema de emissões da pecuária começa pelo pasto, que utiliza o gás carbônico (CO2) presente no ar para fazer a fotossíntese. Em seguida, essa pastagem é consumida pelo gado, que transforma o CO2 em metano durante a digestão, liberando-o na atmosfera. “Ou seja, o metano volta a se transformar em gás carbônico, que novamente será utilizado pelas plantas. Dessa forma, concluímos que a origem das emissões de metano por bovinos é decorrente do carbono, que já estava presente na atmosfera”, frisa.

O que acontece quando aumenta, estabiliza ou diminuiu o metano?

Mitloehner nos convida a imaginar três cenários com o CH4 em um horizonte de 30 anos. No primeiro, com aumento da emissão de metano em 35% – isso aconteceu nos países em que a produção de gado está crescendo ano após ano; no segundo, com perspectiva de diminuição em 10% e no terceiro com uma hipótese em que as emissões sejam reduzidas a 35%. “Ao diminuir levemente o metano na pecuária não terá nenhum aquecimento adicional, ou seja, seu resultado será negativo para o aquecimento, e é isso que estamos buscando. Mas, se diminuir fortemente o metano estará tirando muito carbono do ar e terá um aquecimento negativo. Agora, se diminuir o metano constantemente, mesmo que pouco, não teremos nenhum aquecimento e é isso que estamos buscando fazer”, sugere o pesquisador.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Boas práticas de manejo de gado

Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades

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Foto: Assessoria

A pecuária é uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil e do mundo e, cada vez mais, a demanda por alimentos de origem animal aumenta. Nesse contexto, é necessário adotar boas práticas de manejo de gado, seja ele de corte ou leite, em pasto ou em confinamento.

Todas as fases da vida do animal devem ser observadas atentamente, do nascimento ao abate. Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades.

Quando se trata de animais de corte, para que o manejo seja o melhor possível se faz necessário contribuir fortemente com o bem-estar animal e, assim, garantir a qualidade de vida dos animais enquanto se produz mais e melhor. No entanto, antes de saber o que fazer exatamente para melhorar os resultados, é preciso identificar o que está errado.

Segundo o coordenador Técnico da Premix, André Pastori D’Aurea, além de estressar o gado, o manejo inadequado dos animais os deixa agitados e dificulta a atividade como um todo. Barulhos causados pelas instalações, como portões, ferrolhos e bretes de contenção podem gerar ruídos que incomodam os animais, assim como gritos e movimentos bruscos podem assustá-los. Da mesma forma, o número de acidentes com os animais e colaboradores tende a aumentar nesse cenário.

“Em propriedades onde o manejo é ineficaz, é comum encontrar animais doentes ou lesionados com fraturas, torções, cortes e hematomas, por exemplo, o que, além de afetar o bem-estar dos bovinos, interfere na qualidade da carne após o abate”, explica D’Aurea.

Em poucas palavras, com manejo inadequado, o pecuarista não produz de maneira lucrativa e apenas arca com os prejuízos da falta de cuidado.

Já o manejo de gado adequado leva em conta a forma como o pecuarista lida com os animais, além da atenção à segurança do trabalho dos profissionais envolvidos no processo. Os cuidados começam desde o nascimento do bezerro, passando pelo transporte dos animais de corte até ao abate, como é exemplificado nas etapas abaixo:

– Recepção e destinação;

– Identificação dos animais;

– Pesagem individual;

– Vermifugação e vacinação do rebanho;

– Monitoração do consumo e do desempenho do gado;

– Leitura de cocho para o ajuste da alimentação;

– Condições adequadas de cocho e de água.

“Os bovinos devem ter acesso a um bom manejo em cada uma dessas etapas. Os animais devem ser conduzidos sempre ao passo, sem correrias e sem gritos e o vaqueiro deve trabalhar sempre à frente do lote que está conduzindo, atuando como ponteiro”, ressalta o coordenador.

 

Bem-estar animal

Como já destacado, um bom manejo de gado passa pela atenção ao bem-estar animal. Por isso, o criador deve cuidar para que os animais tenham comida e água disponíveis, estejam livres de qualquer tipo de desconforto, libertos de dor, doença e injúria, tenham facilidade para expressar seu comportamento natural e não sofram com estresse e medo.

Para cumprir todos os requisitos, é necessário contar com uma equipe treinada e alinhada com os propósitos da fazenda. “É importante capacitar os funcionários sobre as boas práticas de manejo de gado no curral em relação à sanidade, alimentação e outras atividades realizadas diariamente na propriedade. Assim, a equipe vai compreender a importância de tratar bem o rebanho”, orienta D’Aurea.

 

Conforto térmico

Além de tudo o que já foi dito sobre manejo de gado, é importante estar atento ao conforto térmico, já que boa parte do estresse animal pode ocorrer devido ao calor.

Para minimizar a temperatura, podem ser utilizadas sombras naturais provenientes de árvores, por exemplo. O esquema utilizado pela ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta) possui esse grande benefício, já que os animais usam o sistema arbóreo natural para obter conforto.

Caso a propriedade não disponha de sombra natural, é possível utilizar sombras artificiais para proporcionar maior conforto aos animais em confinamento.

 

Dicas de manejo

Veja algumas dicas práticas para fazer um manejo racional e fornecer condições para o bem-estar dos animais:

– Profilaxia (prevenção) e tratamento de doenças são sempre necessários;

– Forneça quantidade e qualidade adequadas de alimento e água;

– Forneça espaço de cocho correto para o tipo de dieta e categoria animal;

– Avalie os comportamentos individuais da mesma forma que os em rebanho;

– Não utilize materiais pontiagudos na condução dos animais;

– Auxilie o manejo de gado durante as pesagens para que não ocorra pisoteio e lesões;

– Evitar aglomeração de pessoas nos currais durante o manejo;

– Evite gritos. Essa atitude estressa o animal e dificulta o manejo, além de afetar a qualidade da carne.

Para finalizar, é importante ressaltar que todos os manejos, quando bem executados, contribuem para a qualidade de vida e promovem melhor desempenho dos animais.

 

André Pastori D’Aurea – coordenador técnico da Premix

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Imediatismo e falta de coordenação prejudicam setor lácteo brasileiro

Essa análise é do coordenador da Câmera do Leite, Vicente Nogueira Netto, que trouxe ao 1º Dia do Leite O Presente Rural/Frimesa algumas reflexões do setor no país, entre elas o paradoxo que existe entre a atividade leiteira no Brasil e os preços praticados no mercado.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

“O único momento em que conseguimos conversar com as grandes redes é quando há escassez. Quando falta leite tudo vai bem”, a análise crítica é de Vicente Nogueira Netto, coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).

Coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Mapa, Vicente Nogueira Netto: “Quando conseguimos chegar ao consumidor com um preço mais alto, conseguimos distribuir resultados ao longo de toda a cadeia” 

Ele foi um dos palestrantes do 1º Dia do Leite, evento híbrido alusivo ao Dia Internacional do Leite, promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O encontro foi no início de junho em Marechal Cândido Rondon, região Oeste do Paraná, e contou com a presença de produtores e autoridades do setor, além de expectadores pelas redes sociais.

Com a proposta de realizar reflexões do mercado de lácteos, Netto disse haver um paradoxo entre a atividade leiteira no Brasil e os preços praticados no mercado. Ele destaca os atuais preços do leite e derivados nos supermercados e afins. “Por outro lado, quando a gente consegue chegar ao consumidor com um preço mais alto, conseguimos distribuir resultados ao longo de toda a cadeia”, afirma Netto.

Entretanto, ele se diz assustado com o fato do setor ser obtuso quanto a leitura do mercado e quanto as atitudes da cadeia leiteira do Brasil. Tal afirmação segundo ele, serve de reflexão para as cooperativas, mas principalmente para as indústrias. “Desde maio do ano passado a produção e as importações são menores que o consumo”, destaca.

A disponibilidade per capita de litros de leite por habitantes, recuou 13,6% no primeiro quadrimestre e manutenção do patamar de preços na cadeia produtiva.

Conforme Vicente, na primeira semana de maio, período de menor oferta de do produto, houve a tentativa de provocar uma redução do preço pago ao produtor, no momento em que para ele, a produção deveria ter sido estimulada. “Isso não tem cabimento, afinal, se todo mundo estava vendo que faltaria produtos, por que a indústria deu sinal contrário para a oferta”, indaga.

Segundo ele, talvez isso se deva ao imediatismo da indústria láctea brasileira e à falta de coordenação da cadeia produtiva. Em contra ponto, ele cita as cooperativas de leite, e afirma que quando bem geridas atingem resultados positivos e desempenham melhor a relação com o produtor. “O cooperativismo de leite no Brasil passou ou passa por diversas fases, e talvez precise se reinventar”, ressalta.

De acordo com Netto a cadeia produtiva de leite no Brasil conhece pouco o mercado ao qual está inserida. “Precisamos nos conhecer melhor para dar sinais corretos para o mercado”.

Excedente

Outro apontamento feito por Netto se refere ao excedente de produção. Segundo ele, a cadeia de leite não está preparada para trabalhar com esse fator, considerado por ele o principal problema da economia leiteira do país. “Quando sobra 1% por exemplo, as quedas são desproporcionais”, ressalta.

Ele destaca o papel das informações em tempo real que maximizam a rapidez com que o mercado atualiza as informações. “Quando cai o valor do Spot o mercado vem pra cima e na queda de braço a gente perde”, salienta.

Para Netto, para que haja avanços na cadeia produtiva de leite no Brasil é preciso que existam políticas de melhor convivência com o excedente. Quando tem excedente o varejo ganha força contra a indústria, e consequentemente, reflete negativamente no produtor, elo mais frágil da cadeia.  “Talvez por conta disso a produção não saia do lugar nos últimos cinco anos”, conclui.

Oferta global

É natural em momentos de queda na produção interna que o mercado de varejo ou até mesmo a indústria importe leite de outros países, porém, Netto alerta para a desaceleração da produção nas principais regiões exportadoras. Entretanto, conforme dados elaborados pelo Sistema OCB, a produção está negativa desde 2021. “Os principais ofertantes também estão em decrescimento na produção de leite”, afirma.

De acordo com Netto, a escassez de leite no Brasil deve durar um pouco mais de tempo do que nas principais regiões produtoras do mundo. Entre os países da América do Sul junto ao Brasil, Netto cita o Uruguai a Argentina, ambos comprometidos com a exportação. O primeiro também diminuiu a produção, enquanto que a Argentina teve um ligeiro crescimento no último ano. “E mesmo assim a gente deu um sinal contrário. No mês passado a gente fez quem ofertava leite acreditar que tinha que baixar preços”, salienta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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