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Período de transição em vacas leiteiras

Neste artigo, exploraremos os desafios enfrentados pelas vacas produtoras de leite durante o período de transição e as estratégias de manejo para superá-los com sucesso.

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Foto: Shutterstock

O período de transição é uma fase crítica na vida de uma vaca leiteira, compreendendo as três semanas antes do parto e as três semanas subsequentes, durante as quais o animal se prepara para o fim da gestação e ao mesmo tempo para o início produção de leite.

Embora seja um momento de grandes mudanças fisiológicas e metabólicas, muitas vezes subestima-se sua importância para a saúde e a produtividade da vaca. Cabe ressaltar que a principal dificuldade enfrentada está relacionada ao aumento da demanda de nutrientes para a produção de leite, que, associado ao baixo consumo de matéria seca, tem como resultado o baixo aporte de nutrientes.

Diante disso, o período de transição é propício para o aparecimento de algumas enfermidades metabólicas. Dentre elas, é possível citar o Edema de Úbere, que geralmente ocorre por conta do comprometimento do fluxo do sangue de retorno da glândula mamária; a Hipocalcemia, uma redução dos níveis séricos de cálcio, também chamada de Febre do Leite ou Síndrome da Vaca Caída; a Retenção das Membranas Fetais ou Retenção de Placenta, ocasionada por diversos fatores, como abortamentos, carências de vitaminas ou minerais que podem levar a problemas infecciosos e partos distócios; a Acidose Ruminal, provocada por ácidos graxos voláteis ou por ácido lático, a Esteatose Hepática, caracterizada pelo acúmulo de gordura no interior dos hepatócitos; a Cetose, que é a desordem no metabolismo energético da gordura; e o Deslocamento de Abomaso, desencadeado por fatores como diminuição do consumo de matéria seca (CMS), causando menor motilidade e acúmulo de gás no abomaso, além de deslocamento do rúmen após o parto.

Estratégias de manejo

A forma como é conduzido o período de transição impacta diretamente na quantidade e na qualidade do leite produzido e na reprodução da vaca. Desta maneira, é importante que algumas estratégias de manejo sejam adotadas, dentre elas fornecimento de dieta equilibrada, avaliação do escore de condição corporal (ECC), oferta de conforto e bem-estar animal.

Com relação à dieta, ela deve ser ajustada proporcionando maior CMS para que o balanço energético negativo seja superado logo no começo da lactação e isso pode ser feito através da oferta de forragens de alta qualidade e melhor digestibilidade. É importante fazer o monitoramento do consumo das vacas no pré-parto e a separação dos lotes para reduzir a disputa por alimento antes e depois do parto.

Sobre o escore de condição corporal, é essencial que a vaca esteja bem nutrida e ao mesmo tempo com peso adequado. Seguindo uma escala de um a cinco pontos, o ideal é que essa vaca chegue no momento da parição com um escore corporal entre 3,5 e 3,75, visto que valores superiores a isso favorecem o aparecimento de doenças metabólicas.

Prevenção

Foto: Divulgação/JA Saúde Animal

A nutrição e o manejo durante o período de transição devem ser planejados da melhor forma possível, a fim de minimizar o balanço energético negativo. Diante disso, a mineralização injetável é uma alternativa a ser utilizada para a suplementação e estímulo do metabolismo. Nesse contexto, podem ser administrados fortificantes à base de Cálcio, Fósforo, Magnésio, Vitamina B1, Sorbitol (fonte de energia que restabelece o equilíbrio ácido básico e contribui nas insuficiências hepáticas) e Metionina (hepatoprotetor).

Outra opção é o uso de uma solução injetável à base de Butafosfan (Fósforo orgânico que acelera as reações metabólicas) e Vitamina B12 (que estimula o apetite e induz a produção de hemácias). E por fim, mais uma alterativa é administrar a associação de Glicose 50% (carboidrato essencial ao organismo) com Vitamina B12 (importante na produção dos glóbulos vermelhos e no estímulo do apetite), recomendada especialmente para vacas acometidas com Cetose, doença metabólica comum no período de transição.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: juliana.melo@jasaudeanimal.com.br.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura de leite e na produção de grãos acesse a versão digital de Bovinos, Grãos e Máquinas, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: Por: Juliana Melo Médica Veterinária e jornalista na JA Saúde Animal

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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso

Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

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Foto: Gabriel Faria

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.

O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.

Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.

Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.

Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.

Como funciona o programa

Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.

O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.

Fonte: O Presente Rural com Imac
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Nova ferramenta digital busca aumentar produtividade na pecuária de corte

Sistema de apoio à decisão analisa rebanhos estabilizados e transforma dados técnicos em projeções práticas para o campo.

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Foto: Felipe Rosa

Simulador Pecuaria.io, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul (RS), pretende impactar a gestão da pecuária de corte ao oferecer simulações gratuitas e intuitivas que ajudam o produtor a entender, na prática, como cada decisão de manejo impacta a produtividade e o resultado econômico da fazenda. A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet, e permite comparar cenários, projetar indicadores zootécnicos e planejar investimentos, tornando a gestão do rebanho mais estratégica, previsível e eficiente.

A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet – Foto: Divulgação

Segundo Vinicius Lampert, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, o projeto foi concebido como um sistema de apoio à decisão (SAD), com base em indicadores zootécnicos e econômicos que traduzem informações complexas em resultados práticos. “A proposta é permitir que o produtor simule diferentes cenários zootécnicos do rebanho e compreenda como ajustes em alguns indicadores influenciam a eficiência produtiva e financeira da pecuária”, reforça.

Lampert destaca que a ferramenta analisa o desempenho da fazenda em rebanhos estabilizados, especialmente em sistemas de ciclo completo (do nascimento ao abate). Na prática, rebanhos estabilizados referem-se a sistemas fechados e em equilíbrio, onde a proporção de cada categoria animal reflete diretamente as taxas de nascimentos, mortes e vendas da própria propriedade, sem a necessidade de comprar gado externo. Em breve será lançada também uma versão específica para ser utilizada em sistemas de cria (produção de bezerros). “Trata-se de uma ferramenta que combina simplicidade, embasamento científico e aplicabilidade direta no campo”, ressalta Lampert.

Já para Thomás Capiotti, diretor-executivo da Inovatech, a inovação trazida pelo projeto é sem precedentes. “Uma métrica que mostra claramente que estamos no caminho certo é que, após uma palestra que ministramos na Expointer 2025, usuários de 14 estados passaram a utilizar a plataforma Pecuaria.io em menos de um mês. Participei de eventos de inovação em diversos lugares e afirmo, com convicção, que o que estamos construindo aqui é revolucionário. Estou certo de que estamos resolvendo uma dor real do mercado com esta AgTech, que tem um potencial de escalabilidade gigantesco. O agro brasileiro representa um terço do PIB e alimenta cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo. Trazer inovação para um setor tão estratégico é, sem dúvida, uma oportunidade transformadora para o Brasil”, destacou.

Foto: Keke Barcellos

Para Lampert, a ferramenta representa um avanço significativo para a adoção de tecnologias digitais na pecuária de corte. “Com ela, buscamos aproximar a ciência da rotina de gestão das fazendas. É um simulador que combina simplicidade de uso com embasamento técnico sólido, permitindo avaliar resultados e planejar melhorias com mais segurança”, ressalta.

O objetivo é facilitar o planejamento estratégico e reduzir as incertezas da gestão produtiva ao conectar informações técnicas e econômicas de forma prática e visual. “O Simulador Pecuaria.io, é um exemplo de como a tecnologia pode ser usada para profissionalizar a pecuária, tornando a gestão mais previsível, sustentável e rentável”, enfatiza o pesquisador.

 

Desafio da produtividade no campo

Apesar da relevância econômica da pecuária de corte no Brasil, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à baixa produtividade por hectare. Segundo Lampert, isso se deve, em grande parte, à dificuldade em avaliar o efeito integrado de decisões de manejo, como ajustes na taxa de desmame, idade de abate e acasalamento ou na capacidade de suporte das pastagens.

O pesquisador observa que, muitas vezes, o produtor tem acesso aos dados, mas falta uma ferramenta que traduza essas informações em projeções claras sobre o impacto na produção a partir de dados reais por ele informados. “O Simulador Pecuaria.io foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna”, finaliza o pesquisador.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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Segunda etapa do Acrimat em Ação percorre polos da pecuária no Mato Grosso

Iniciativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso começou por Paranatinga e já passou por Canarana e Ribeirão Cascalheira, levando capacitação sobre gestão e liderança no campo.

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Foto: Shutterstock

A segunda etapa do Acrimat em Ação, iniciativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso, começou no dia 19 de fevereiro e já mobilizou pecuaristas, técnicos e lideranças em três municípios do interior de Mato Grosso. A nova rota tem como foco continuar o trabalho que consolidou a primeira etapa como um dos principais eventos de itinerantes da pecuária de corte no estado, levando conhecimento prático diretamente às regiões produtoras e fortalecendo o diálogo com quem vive o dia a dia de campo.

O município de Paranatinga foi o primeiro a receber a programação da segunda rota, com palestra realizada no dia 19 de fevereiro no Clube Denise. O palestrante Ricardo Arantes conduziu a discussão sobre temas centrais para a pecuária contemporânea: liderança, gestão de pessoas e organização da fazenda, aspectos considerados decisivos para o sucesso da atividade rural.

Foto: Acrimat

“A presença do Acrimat em Ação em Paranatinga reforça o nosso compromisso de estar ao lado do produtor, ouvindo de perto as demandas e levando informação que realmente transforma a rotina da fazenda. A pecuária moderna exige gestão, liderança e visão estratégica, e é isso que buscamos fortalecer em cada encontro. Ver a participação ativa dos pecuaristas da região mostra que estamos no caminho certo”, destacou Márcia Tomazini, diretora regional da Acrimat em Paranatinga.

Produtores, técnicos e estudantes acompanharam as orientações que buscam mostrar que a produção eficiente vai além da quantidade de animais, passa por uma gestão estratégica de equipes e processos que garanta produtividade, sustentabilidade econômica e continuidade familiar no campo.

Canarana segue com debate técnico e troca de experiências

No dia seguinte, a programação seguiu em Canarana, outro polo produtivo importante do estado. Assim como nas demais etapas desta segunda rota, o encontro reuniu a cadeia produtiva local para atualização técnica com foco na realidade dos pecuaristas da região.

Completando 89 anos, a pioneira na região de Gaúcha do norte, Gilda Maria Dias Jacintho, esteve na palestra em Canarana e enfatizou a importância da busca por conhecimento. “Antigamente era muito difícil encontrar conhecimento na pecuária, hoje ter um palestrante como esse, trazendo um conteúdo rico, é um privilégio para os jovens produtores.” Finaliza.

No dia 21 de fevereiro, a programação chegou a Ribeirão Cascalheira, seguindo o cronograma da segunda etapa, que contempla oito polos produtivos estratégicos. Ali, produtores e participantes tiveram a chance de debater desafios e oportunidades da pecuária local, além de trocarem experiências com técnicos e representantes da entidade. “Participar do Acrimat em Ação aqui em Ribeirão Cascalheira a foi uma oportunidade de atualizar a forma como conduzimos a propriedade. Às vezes a gente foca muito na produção e acaba deixando a gestão de pessoas em segundo plano”, destacou João Carlos Ferreira o gerente de fazenda em Ribeirão Cascalheira.

Ao longo desta segunda rota, que passa ainda por outras cidades como Vila Rica, Água Boa, Barra do Garças e finaliza em Rondonópolis, o Acrimat em Ação segue com o compromisso de levar conteúdo técnico direto ao produtor, fortalecer a representatividade da atividade no estado e fomentar a profissionalização da gestão nas propriedades rurais.

Fonte: Assessoria Acrimat
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