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Suínos / Peixes Saúde Animal

Perdas econômicas associadas à Ileíte

A maior fonte de perdas econômicas associadas à ileíte é decorrente das perdas de produtividade causadas pela doença

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pelo doutor Derald Holtskmp da MSD Saúde Animal

A Lawsonia intracellularis (L. intracellularis) é o agente causador da enteropatia proliferativa suína, ou Ileíte, uma doença que afeta suínos em todo o mundo. Em suínos em crescimento, lesões, sinais clínicos e perdas de produtividade podem variar de leves a graves. Os sinais clínicos podem incluir diarreia e as lesões podem variar desde um espessamento da mucosa do intestino delgado e cólon até uma enterite necrosante ou uma enteropatia hemorrágica proliferativa em suínos mais gravemente afetados. Os suínos podem ser afetados a qualquer momento durante a fase de crescimento, mas as perdas de produtividade relacionadas à Ileíte são mais significativas na terminação, desde aproximadamente 20 kg até o peso de abate.

Os sinais clínicos de suínos afetados por Ileíte incluem diarreia e perda de peso. No entanto, os suínos afetados frequentemente crescem mais lentamente e requerem mais alimento por unidade de ganho de peso, mesmo sem diarreia ou perda de peso. Esta forma é, muitas vezes, chamada de doença subclínica, pois as perdas de produtividade não são caracterizadas por sinais clínicos evidentes.

A Ileíte é um problema prevalecente em todo o mundo. Com base em uma pesquisa feita em 2012 com produtores nos Estados Unidos, realizada pelo National Animal Health Monitoring System, a Ileíte foi relatada como um problema sanitário em 28,7% das granjas de crescimento e terminação.

Estimativas de perdas econômicas

Em um estudo de 2006, em uma pesquisa com veterinários para classificar e quantificar a produtividade e as perdas econômicas devido aos grandes desafios de saúde em 19 grandes empresas de produção suína nos EUA, a Ileíte foi classificada como um desafio de saúde em 14 das empresas.

No mesmo estudo, o valor das perdas de produtividade e aumento dos custos com saúde animal em suínos afetados pela Ileíte nas terminações foi estimado em US$ 4,65/suíno comercializado com perdas totais nos EUA estimadas em US$ 56,1 milhões anuais (dados não publicados).

Fontes de perdas econômicas e perdas de produção

A principal fonte de perdas econômicas associadas à ileíte surgem das perdas de produtividade causadas pela doença. Os suínos afetados pela Ileíte crescem mais lentamente e têm uma pior taxa de conversão alimentar. Um crescimento mais lento é medido por uma redução no ganho de peso diário (GPD) e uma conversão menos eficiente da ração em ganho de peso é medida por um aumento na taxa de conversão alimentar (TCA). A doença pode também resultar em um aumento da porcentagem de descartes, e em alguns casos pode causar mortalidade, resultando em um aumento das taxas de descarte e mortalidade.

Boas estimativas das perdas de produtividade causadas pela ileíte são difíceis de fazer devido à falta de dados suficientes coletados pelos produtores. A lacuna de dados mais significativa decorre da dificuldade em classificar grupos de suínos em crescimento como afetados ou não pela Ileíte.

Estão disponíveis ferramentas de diagnóstico para determinar se os suínos estão infectados pela L. intracellularis, têm anticorpos contra L. intracellularis (isto indica uma infecção anterior) e se a bactéria está associada às lesões. No entanto, os exames diagnósticos aumentam os custos de produção e são realizados com pouca frequência e raramente de forma rotineira. Quando os diagnósticos são realizados, falta à indústria uma definição amplamente aceita para classificar grupos de suínos como afetados ou não afetados com base nos resultados de diagnósticos laboratoriais.

Na prática, a observação de sinais clínicos é menos dispendiosa do que a realização de exames laboratoriais, mas é algo subjetivo, e a falta de sinais clínicos evidentes em casos subclínicos torna impossível confiar nesse parâmetro para classificar os grupos como afetados. No entanto, a falta de bons dados dos produtores, estudos observacionais publicados e estudos de desafio experimental controlados podem fornecer uma base para fazer estimativas aproximadas razoáveis.

GPD reduzido e piora na CA

Os estudos publicados fornecem uma base para estimar o impacto da ileíte no GPD e na CA (Tabela 1). Um estudo de caso-controle comparando rebanhos afetados pela ileíte com aqueles não afetados pela doença relatou que o GPD no sistema wean to finish (do desmame ao final da terminação) foi reduzido em 9% e que a CA aumentou em 7%. Os rebanhos foram classificados como positivos ou negativos com base no seu estado serológico.

Vários estudos experimentais de desafio, comparando suínos não desafiados (controle negativo) com suínos desafiados (controle positivo) também foram publicados. Todos os estudos resumidos na Tabela 1 incluíram um controle negativo e pelo menos um grupo de suínos desafiados e nenhum dos estudos incluiu quaisquer grupos de suínos que foram tratados com uma vacina ou antimicrobianos. A idade dos suínos quando desafiados e a dose de desafio variou em cada estudo. Em geral, o impacto no GPD e CA é maior nos suínos mais jovens e aumenta à medida que a dose de desafio aumenta. No caso dos estudos de desafio experimental em que os suínos tinham menos de 42 dias na época do desafio, a redução do GPD variou de 37% para 79%, e a CA aumentou de 37% para 194%. No entanto, os estudos experimentais de desafio em que os suínos tinham 42 dias (6 semanas) ou mais representam melhor o momento das infecções no campo. Em estudos onde os suínos tinham 42 dias ou mais na época do desafio, a redução no GPD variou de 3% a 19%. O impacto na CA foi relatado apenas em um dos estudos com suínos mais velhos, no qual foi relatado um aumento de 7%.

Mortalidade e abates

Nas formas mais graves da doença, a mortalidade também pode ocorrer, especialmente mais tarde na fase de crescimento. Em estudo de caso-controle, a taxa de mortalidade no sistema de produção wean to finish foi de 5,4% em granjas negativas e aumentou para 6,7% em rebanhos positivos (um aumento relativo de 24%). A taxa de descarte também pode aumentar, pois os suínos mais gravemente afetados podem não crescer rápido o suficiente para atingir pesos que são aceitos pelos mercados frigoríficos.

1.A idade dos suínos era a idade em que era desafiado. A duração do estudo é o tempo durante o qual o GPD e a CA foram medidos após o desafio.

2.B = Baixo, M = Médio, A = Alto.

3.Classificados como rebanhos Negativos (Controle) por sorologia.

4.Classificados como rebanhos Positivos (Casos) por sorologia.

Valor econômico das perdas de produtividade estimadas

Para estimar o valor das mudanças na produtividade causadas pela Ileíte, foi realizada uma análise econômica utilizando um modelo produtivo e econômico.

Para o cenário não afetado pela ileíte, o valor basal para GPD foi de 900 gr/dia, 2,950 para CA e 4,0% para mortalidade. Os limites inferior e superior relativos à redução do GPD foram de 3% e 19%. Devido ao número limitado de estudos que relatam CA, um aumento de 7% foi usado tanto para o cenário de limite inferior quanto para o de limite superior.

A taxa de mortalidade para o limite inferior permaneceu inalterada em relação à taxa não afetada de 4,0% e aumentou para 5,0% para o limite superior, um aumento de 25%, com base nos resultados de outro estudo.

Em cada cenário foi utilizado um peso médio inicial de 22 kg e 115 dias de ração. Portanto, à medida que o GPD diminuiu, o peso médio do mercado também diminuiu. Foram utilizados no modelo um preço de suíno de mercado de US$ 1,76/kg e um preço de ração de US$ 190/tonelada.

O preço da ração era um preço médio para todas as fases da terminação. Apenas o GPD, a CA e a taxa de mortalidade mudaram entre cada um dos cenários. Os valores do resto dos parâmetros foram mantidos constantes para os três cenários. Os resultados da análise econômica são apresentados na Tabela 2.

O valor dos GPDs, CAs e taxas de mortalidade mais fracos foram calculados como a mudança no lucro a partir do cenário não afetado pela Ileíte. O valor da perda de produtividade causada pela ileíte oscilou entre US$ 5,98 para o limite inferior e US$ 16,94 para o limite superior.

Variação

A principal fonte de perdas econômicas associadas à ileíte surge das perdas de produtividade causa- das pelos grupos de suínos afetados pela ileíte, observa-se a variação de leitão para leitão do ganho de peso diário entre suínos, já que alguns suínos podem ser mais afetados do que outros. As restrições do sistema contribuem para as consequências econômicas associadas à variação. Restrições comuns à maioria dos produtores surgem de recursos fixos limitados, tais como espaço de construção, e  restrições impostas pelo manejo tal como o fluxo de suínos no sistema. O número e tamanho das instalações coloca um limite ao número de animais e ao tempo que os animais podem permanecer em cada instalação.

Quando a variação no peso dos suínos aumenta devido à doença durante o período de crescimento, torna-se mais difícil alimentar e comercializar os suínos. As dietas serão sobre-fortificadas para suínos mais pesados e sub-fortificadas para suínos mais leves.

Dependendo de para onde os produtores visam a dieta em cada fase de crescimento, o custo da ração aumentará se as dietas forem sobre-fortificadas, e o crescimento e a conversão alimentar sofrerão se as dietas forem sub-fortificadas. Na comercialização, a maior variação de peso dos suínos torna mais difícil vender suínos que se enquadrem em um grupo de peso ótimo. Os suínos mais pesa- dos podem ser comercializados mais cedo, mas os suínos no extremo mais leve da distribuição de peso são os que causam mais problemas.

Se houver espaço disponível nas instalações, os suínos mais leves podem ser mantidos em alimen- tação por um período mais longo. No entanto, quando o espaço é limitado, como geralmente acontece, os suínos mais leves são comercializados com pesos inferiores ao ideal, o que resulta em uma perda de receita e lucro.

Dependendo se o espaço nas instalações é próprio ou alugado, segurar o espaço por um período mais longo também pode aumentar os custos.

Aumento dos custos da Saúde Animal

O custo das intervenções de saúde animal, tais como vacinas, antimicrobianos, serviços veterinários e diagnósticos, não são diretamente causados pela ileíte, mas ocorrem em resposta à doença. O dinheiro gasto nestas intervenções deve ser ponderado em relação ao benefício de reduzir os impactos da doença descrita acima. Uma análise de custo-benefício pode fornecer informações valiosas para ajudar os produtores e veterinários a decidir quais intervenções realizar.

Destaques

Com base em um levantamento feito com veterinários da suinocultura, as perdas na produtividade e o aumento dos custos com saúde animal em suínos afetados pela ileíte na terminação foram estimados em US$ 4,65 por suíno comercializado.

Com base em resultados de estudos de caso-controle e desafio experimental, o valor das perdas de produtividade causadas pela ileíte na terminação variou de US$ 5,98 a US$ 17,34 por suíno comercializado.

O custo da variação do crescimento causado pela ileíte torna mais difícil a alimentação ecomercialização dos suínos, o que aumenta o custo da doença.

O investimento em intervenções na saúde animal, como vacinas, antimicrobianos, serviços veterinários e diagnósticos, deve ser ponderado em relação ao benefício de reduzir as perdas de produtividade causadas pela ileíte.

Conclusões

A maior fonte de perdas econômicas associadas à ileíte é decorrente das perdas de produtividade causadas pela doença. Na terminação, onde as perdas devidas à ileíte são mais significativas, os suínos afetados terão um GPD menor e um aumento da CA, ocasionalmente um aumento na mortalidade e nas taxas de descarte. Outras perdas econômicas resultam da variação de GPD entre suínos, uma vez que alguns suínos podem ser mais afetados do que outros. A variação no crescimento causada pela ileíte torna mais difícil a alimentação e comercialização dos suínos, o que aumenta o custo da doença.

Poucas estimativas do custo da ileíte foram publicadas. Em um estudo, baseado em um levantamento feito por veterinários de suínos, o valor das perdas de produtividade e o aumento dos custos com a saúde animal em suínos afetados pela ileíte na terminação foi estimado em US$ 4,65 por suíno comercializado.

É difícil fazer boas estimativas das perdas de produtividade devido à ileíte, pela falta da coleta de dados a campo. Por esta falta de coleta de dados a campo, estudos observacionais publicados e estudos experimentais controlados podem fornecer uma base para fazer estimativas razoáveis. Com base nos resultados de um único caso-controle e de vários estudos experimentais de desafio, o valor estimado das perdas de produtividade (GPD, CA e mortalidade) causadas pela ileíte na fase de terminação variou de US$ 5,98 a US$ 17,34 por suíno comercializado.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Assistência técnica humanizada é diferencial na relação entre empresas e suinocultores

O entendimento das necessidades específicas de cada granja e a proximidade do corpo técnico com os produtores são pontos fortes neste tipo de prática

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Reconhecida pela vocação  para a  suinocultura, a região de Toledo atrai empresas de portes diversos do setor de proteína suína que estabelecem parcerias com os produtores na criação dos animais. Quem faz a ponte entre as empresas e os produtores são os técnicos, ou profissionais de campo,  num trabalho  de assistência técnica que consiste  em visitas de rotina às propriedades, observação das necessidades de cada lote de animais, se é de manejo, de sanidade, enfim, prestando auxílio ao produtor para melhorar os resultados. Tudo para que o suinocultor tenha um bom desempenho zootécnico, o que vai gerar mais renda para ele e, consequentemente, para a empresa.

Mas, indo além dos números e dos assuntos práticos relacionados  à criação de suínos, um outro aspecto vem ganhando força dentro dessa relação de profissionais de campo e criadores e que envolve justamente o lado humano, a empatia, a proximidade de um trabalho de assistência técnica baseado em práticas humanizadas, com um olhar voltado para além  do produto final.

E é justamente a assistência técnica humanizada que tem feito a diferença no dia a dia de 120 produtores de suínos da região que são integrados do RPF Group, ou seja, destinam suas criações exclusivamente para a empresa – que  é a quarta maior produtora de proteína suína do Paraná  e abate atualmente cerca de 3.100 cabeças por dia em duas unidades, nas cidades de Ibiporã e Bocaiúva do Sul. Hoje toda a criação do grupo está concentrada na região de Toledo.

O diferencial, segundo os produtores,  está no fato de os técnicos entenderem as necessidades de cada granja e construírem soluções customizadas, além de dedicar tempo para outras questões, como gestão da propriedade, financeiro, organização e boas práticas.

O produtor Fernando Scholz Slongo, que tem uma granja de Terminação com 5.200 suínos, é um dos que faz boa ‘propaganda’ dos serviços prestados pela empresa. “Estou muito satisfeito com o atendimento técnico que recebo na granja. Os técnicos estão sempre atentos para resolver qualquer problema que possa surgir e, quando não há dificuldades, fazem um ótimo acompanhamento dos animais. Aliás, não é somente a equipe de campo que desempenha um bom trabalho, mas toda a equipe da RPF, seja no campo ou na administração”, disse à reportagem.

Dona Iracy Zaura, que comanda junto com o marido, Serafim, uma granja de 1.000 suínos, também em fase de Terminação, compartilha do mesmo ponto de vista. “A assistência técnica da empresa é ótima. O pessoal que faz o atendimento é excelente. Não tem como reclamar de nada, pelo contrário, só tenho a elogiar. Os técnicos são pessoas simples, amigáveis e compreensivas. Gostamos muito deles. São todos nota dez”, sentencia a produtora.

Se para os produtores, a assistência humanizada faz grande diferença, para os técnicos também. Segundo Luana Bombana, médica-veterinária e sanitarista da empresa, a extensão humanizada permite ao profissional impactar positivamente na vida de outras pessoas.

Troca de conhecimento e empatia

Luana lembra que na empresa existem padrões operacionais, mas eles não  limitam a troca de experiências. “Temos integrados que produzem suínos há 30, 40 anos, e que acabam passando conhecimento para os técnicos. Nossa equipe de campo é aberta à troca de ideias com o produtor, a ouvir o que ele tem para dizer, sem impor padrões rígidos”.

Outro ponto que fica muito claro na relação entre os técnicos e produtores e que colabora para os bons resultados nessa parceria é a questão da empatia, que implica em ouvir e buscar atender verdadeiramente o outro.

“A gente sempre tenta se colocar no lugar do outro, lembrando que todos têm problemas. Eu costumo dizer que hoje não tem mais como separar trabalho e vida pessoal. A pessoa que trabalha é a mesma que convive com a família, então, é claro que eventuais problemas vão impactar na realização e produtividade do trabalho realizado. Nas granjas é a mesma coisa. Quando o produtor tem qualquer problema, isso pode influenciar no tempo e no desempenho que ele direciona aos animais”, destaca Luana, e complementa: “Tentamos entender aspectos pessoais dos produtores porque, além de realmente nos importarmos, muitas vezes detectamos problemas no lote que são reflexos dessas situações”.

Ela conta que muitas vezes chega à granja e o produtor não quer falar sobre suínos, ele quer desabafar. Por estarem em locais afastados, muitos deles quase não falam com outras pessoas e sentem falta desse contato presencial, de conversar. Por isso, é comum que o técnico acabe empenhando mais tempo em assuntos que não dizem respeito aos suínos, como lavoura, doenças, família, do que nos dados técnicos. “Para o produtor, esse tipo de atendimento faz com que ele se sinta importante. Ele percebe que nos preocupamos com ele e não apenas com o trabalho que realiza com os nossos animais”, enfatiza a sanitarista.

Ciclo virtuoso

O gerente de Fomento e Integração da RPF em Toledo, Daniel Metz, reforça que, além de oferecer uma assistência humanizada, técnica e assertiva, a equipe de campo também trabalha de forma menos burocrático junto aos produtores. “É um ciclo: nossa assistência proporciona mais satisfação aos integrados, que entregam seu melhor à atividade. O bom trabalho dos produtores garante a sanidade e produtividade do plantel, o que, por sua vez,  se reflete na qualidade dos produtos da RPF”, exemplifica.

Metz vê o trabalho técnico da RPF como um diferencial capaz até mesmo de fazer frente à concorrência na região. “Hoje temos 11 empresas no mesmo segmento no Oeste do Paraná, muitas delas maiores que a RPF. Por isso, trabalhamos com nossa equipe técnica e de apoio para ter um atendimento voltado à parceria com os produtores, discutindo e analisando em conjunto as melhores formas de trabalho. Dessa forma conseguimos ganhar muito mercado na região, pois os produtores estavam carentes de uma assistência técnica mais aberta e humanizada”.

Assistência completa

Na região de Toledo, a RPF atende produtores que atuam em todas as fases da suinocultura: Unidades Produtoras de Leitões (UPLs), Creche e Terminação. Nas UPLs ficam as matrizes e leitões com até 28 dias. Perto dos 30 dias os ‘bebês’ são desmamados e vão para a segunda fase, que é a Creche. Essa fase dura de 38 a 40 dias. Os animais chegam ali com aproximadamente 7,5 quilos e ganham em torno de 17 quilos, saindo para a última fase ao atingirem, em média, 24,5 quilos. Na Terminação, os suínos permanecem até atingir 120 quilos e, depois, seguem para o abate.

Porém, outras duas etapas muito importantes antecedem as fases já citadas e também contam com a assistência técnica da RPF: a Central de Sêmen e o Quarto Sítio. Luana Bombana explica cada uma delas. “Na Central, que é uma granja de ciclo contínuo, mantemos produtivos em torno de 45 a 50 machos de alta genética. Lá fazemos a coleta, processamento e envase de sêmen em laboratório. Esse material vai para o Quarto Sítio e também para as UPL’s, onde se realiza a inseminação artificial das matrizes. São fêmeas adquiridas de uma empresa de genética que chegam com 160-180 dias. Neste local elas são inseminadas e mandadas para os produtores de UPLs após confirmação da prenhez (por volta de 42 dias depois da inseminação), esclarece.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Bem-estar

No calor ou no frio, saiba como evitar estresse térmico em cada fase na produção de suínos

Nas regiões em que o frio é mais agudo as condições climáticas também podem afetar negativamente os animais

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Arquivo/OP Rural

O friozinho está chegando, mas o calor ainda pode atingir boa parte do país nos próximos meses. Nas regiões em que o frio é mais agudo, como no Sul, onde fica ampla parte da produção de suínos do país, as condições climáticas também podem afetar negativamente os animais.

Para orientar sobre os manejos ideais, destacar os riscos do estresse térmico na suinocultura, o jornal O Presente Rural entrevistou o PhD. em Medicina Veterinária, Filipe Antonio Dalla Costa, da Maneja Consultoria, e seu pai, o também PhD. Osmar Antonio Dalla Costa, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves nas áreas de bem-estar animal e qualidade de carne.

O Presente Rural – O que é estresse térmico em suínos, em suas diferentes etapas de produção e quais suas consequências em cada uma delas?

Filipe Antonio Dalla Costa e Osmar Antonio Dalla Costa – Estresse térmico tem características semelhantes para todas as fases de produção, contudo, as condições ambientais que desencadeiam essa condição são distintas. O estresse térmico ocorre quando o desafio ambiental extrapola a capacidade do animal de manter a temperatura dentro da zona termo neutra, resultando em maior gasto fisiológico ao animal, uma vez que requer a ativação de mecanismos de controle térmico. O estresse térmico pode ocorrer tanto por condições ambientais de excesso quanto de falta de calor. Em ambos extremos haverá consequências negativas para o animal e índices produtivos.

No verão, caso as condições ambientais caracterizadas por altas radiações solares e temperaturas superam as capacidades de controle do animal, pode haver redução de consumo alimentar, maior gasto energético para perda de calor e, consequentemente, redução no ganho de peso, conversão alimentar, aumento de casos de diarreia e em alguns casos extremos aumento na mortalidade.

Já em períodos de inverno, onde as temperaturas são menores, pode haver um aumento na demanda energética do animal (maior consumo alimentar) que é direcionado para produção de calor através da maior atividade metabólica e muscular.

O Presente Rural – Suínos passarem por estresse térmico ainda é comum na suinocultura brasileira?

Filipe e Osmar Dalla Costa – A ocorrência de estresse térmico pode acontecer em casos de falhas no controle ambiental. Contudo, a suinocultura moderna evoluiu muito nos últimos anos, principalmente na parte de ambiência e o conforto ambiental. É notável a preocupação dos produtores em em fornecer condições adequadas aos animais, a fim de que possam manter uma boa adequação ao meio e assim ter boas condições para expressar seu máximo potencial genético em cada uma das fases produtivas. Tecnologias como pisos aquecidos, controle automatizado de cortinas, sensores de monitoramento e galpões com ambiência totalmente controlada e ventilação forçada são apenas algumas das melhorias que estão atualmente presentes no campo para reduzir a ocorrência de estresse térmico e manter uma boa ambiência.

O Presente Rural – Quais são as fontes geradoras de calor de uma granja?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Maternidade: A manutenção do conforto térmico na maternidade é um dos maiores desafios da suinocultura, pois precisamos fornecer dois ambientes muito distintos: um para a matriz, que está produzindo muito calor devido ao metabolismo acelerado para produção de leite, e outros ao leitão que ainda está desenvolvendo seus mecanismos de homeostase e precisa receber calor. Assim, muitas das maternidades estão adotando os sistemas climatizados. Esses sistemas têm ventilação forçada/pressão negativa para manter uma boa ambiência as matrizes que precisam de uma faixa de temperatura baixa, e estratégias como pisos aquecidos para manutenção da ambiência dos leitões. Outras alternativas de aquecimentos para leitões são escamoteadores com resistências ou lâmpadas de aquecimento.

Creche: São estratégias para redução da temperatura apenas manejo de cortinas, ventilação forçada.

Terminação: São estratégias para redução da temperatura apenas manejo de cortinas, ventilação forçada e lamina d’água em alguns casos.

O Presente Rural – Quais as fases mais delicadas para o suíno em relação ao estresse térmico?

Filipe e Osmar Dalla Costa – O estresse térmico pode causar prejuízos em qualquer uma das fases de produção do suínos. Contudo, particularmente, os leitões recém-nascidos são os mais suscetíveis aos problemas de estresse térmico devido ao menor desenvolvimento dos mecanismos de controle da temperatura em relação as demais fases.

O Presente Rural – Como identificar suínos em situações de estresse térmico? Quais os sinais?

Filipe e Osmar Dalla Costa – A melhor forma de identificar um problema na suinocultura é através da observação do comportamento dos animais. Suínos em condições de estresse térmico por excesso de calor apresentam comportamento de ofegação – caracterizado pela respiração com a boca aberta, animais espalhados nas baias, deitados com a maior parte do corpo em contato com o chão ou buscando sombra e locais com água/molhados, aumento no consumo de água, redução no consumo alimentar.

Já em condições de estresse por falta de calor, os animais encontram-se sempre agrupados, buscando áreas de radiação solar ou luz, pode haver tremores musculares, piloereção e aumento de consumo alimentar. Esses são alguns reflexos clássicos observados no dia a dia.

O Presente Rural – Cite as temperaturas ideais de termoneutralidade para cada fase na produção de suínos.

O Presente Rural – Existem vários tipos de granjas, com diferentes tecnologias. Há diferença no manejo sob altas temperaturas?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Sim. Em dias com altas temperaturas, recomenda-se que os produtores mantenham as cortinas abertas ou, em sistemas de pressão negativa, seja mantida a ventilação forçada para manutenção de uma boa ambiência na granja. Esses sistemas podem ser manuais ou automatizados de acordo com cada tecnologia.

O Presente Rural – Quais os equipamentos mais modernos que o produtor pode instalar nessas diferentes granjas para controlar a temperatura?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Atualmente o sistema mais moderno para controle de ambiência consiste na utilização do sistema de pressão negativa que trabalha com placas evaporativas e ventilação forçada.

O Presente Rural – Como a nutrição pode ser aliada na manutenção de temperaturas ideais?

Filipe e Osmar Dalla Costa – O fornecimento de água em quantidade e qualidade adequada é fundamental para o manutenção da homeostase, bons níveis de bem-estar animal e obtenção de bons resultados. Isso implica em monitorarmos e adequarmos as instalações para que haja bebedouros e quantidade adequada nas baias e que a vazão esteja dentro do recomendado para cada fase. Bebedouros mal regulados, com vazão muito baixa, podem fazer com que os animais gastem muito tentando obter o recurso e até mesmo reduzir o seu consumo. Por outro lado, altas vazões podem jogar um jato de água nos animais e dificultar a obtenção do recurso. Outro ponto extremamente importante é mantermos caixas d’água em locais protegidos da ação do tempo para evitar que a radiação solar aqueça demais a temperatura da água, evitando que ela chegue aos animais em temperaturas inadequadas e reduza o consumo.

O Presente Rural – A nutrição dos suínos muda do inverno para o verão?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Há algumas estratégias nutricionais que podem ser utilizadas para reduzir estresse térmico. Contudo, de forma geral, monitoramento e ajustes no ambiente são mais efetivos e oferecem maiores vantagens aos animais e produtores.

O Presente Rural – Durante o transporte para o frigorífico no verão e no inverno, o que muda?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Cada estação tem sua particularidade. Durante o inverno podemos aumentar a densidade dentro das carrocerias e precisamos nos atentar a fechar parcialmente as laterais a fim de manter a temperatura interna estável e dentro do recomendado.

Já no verão, geralmente recomenda-se trabalhar com densidades mais baixas, e manter as laterais abertas para aumentar a circulação de ar no interior das carrocerias e favorecer a perda de calor. Além disso, deve-se atentar para cobertura do caminhão que deve estar fechada para evitar a incidência direta de raios solares sobre os animais. Pode-se também optar por transportar suínos em horários de temperaturas mais amenas e com menor incidência solar.

O Presente Rural – Quais as perdas mais comuns por estresse térmico durante o transporte e na chegada ao frigorífico?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Perdas com estresse térmico no transporte incluem a maior ocorrência de animais cansados e taxa de mortalidade ao chegar no frigorífico ou granja. Além disso, pode haver também prejuízos a qualidade de carne, com maior incidência de carne classificada como PSE (pálida, mole e exsudativa).

O Presente Rural – Qual o tempo máximo que o suíno deve esperar nos caminhões?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Os caminhões devem permanecer parados o menor tempo possível. Quando parado, há uma redução na circulação interna de ar dentro da carroceria, podendo levar ao aumento da temperatura ambiental e, consequentemente, desconforto térmico. Contudo, sabemos que muitas vezes os caminhões precisam esperar para desembarcar ou para checar o estar dos animais. Assim, sempre que seja necessário parar, deve-se optar por locais protegidos do sol e com boa circulação de ar.

O Presente Rural – Quais os últimos estudos para a questão do estrese térmico? Há novas tecnologias a vista?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Há muitos estudos sendo realizados sobre como a ambiência pode afetar os animais e a produção. Hoje o que há de mais moderno são instalações com pressão negativa, onde há uma ventilação forçada sobre placas evaporativas para manutenção de uma boa ambiência nas instalações. Isso tudo monitorado e controlado eletronicamente. Esse monitoramento tem gerado um banco de dados enorme (big data) que ainda vem sendo explorado e deve gerar muitos resultados positivos para melhorarmos o manejo dos animais num futuro breve.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações de carne suína crescem 35,1% em abril

Setor amplia vendas para nações da Ásia, África e América

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Arquivo/OP Rural

As exportações brasileiras de carne suína (incluindo todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram 98,3 mil toneladas em abril, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O saldo supera em 35,1% os embarques realizados no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 71,8 mil toneladas.

O resultado das exportações de abril chegou a US$ 232,3 milhões, número 40,6% superior ao registrado no mesmo período de 2020, quando foram obtidos US$ 165,2 milhões.

No acumulado do ano (janeiro-abril), as exportações de carne suína alcançaram 351,8 mil toneladas, volume 25,29% maior em relação ao primeiro quadrimestre de 2020, quando foram exportadas 280,8 mil toneladas.

A receita acumulada no mesmo período chegou a US$ 826,4 milhões, índice 27,1% superior ao efetivado entre janeiro e abril do ano passado, com US$ 650,3 milhões.

Na análise por país, a China, carro-chefe das exportações brasileiras, importou 51,5 mil toneladas em abril (+50,5% em relação ao mesmo período de 2020). Outros destaques foram Hong Kong, com 14,6 mil toneladas (+4,9%), Chile, com 5,4 mil toneladas (+130,9%), Angola, com 3,4 mil toneladas (+3,8%), Filipinas, com 2,4 mil toneladas (+623,4%) e Argentina, com 2,2 mil toneladas (+84,3%).

Também em abril, Santa Catarina, principal estado exportador, exportou 50,1 mil toneladas (+41,73% em relação ao mesmo período de 2020). Em seguida vieram Rio Grande do Sul, com 26,3 mil toneladas (+45,33%) e Paraná, com 12,4 mil toneladas (+11,34%).

“Além das expressivas vendas para o mercado chinês, temos observado o aumento das exportações para outras regiões do planeta, incluindo mercados vizinhos ao Brasil. Em meio à forte pressão gerada pelos custos internos de produção, o bom desempenho destas exportações diminuem perdas e melhoram o quadro para as indústrias  que atuam no mercado internacional”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria
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