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Perdas econômicas associadas à Ileíte

A maior fonte de perdas econômicas associadas à ileíte é decorrente das perdas de produtividade causadas pela doença

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pelo doutor Derald Holtskmp da MSD Saúde Animal

A Lawsonia intracellularis (L. intracellularis) é o agente causador da enteropatia proliferativa suína, ou Ileíte, uma doença que afeta suínos em todo o mundo. Em suínos em crescimento, lesões, sinais clínicos e perdas de produtividade podem variar de leves a graves. Os sinais clínicos podem incluir diarreia e as lesões podem variar desde um espessamento da mucosa do intestino delgado e cólon até uma enterite necrosante ou uma enteropatia hemorrágica proliferativa em suínos mais gravemente afetados. Os suínos podem ser afetados a qualquer momento durante a fase de crescimento, mas as perdas de produtividade relacionadas à Ileíte são mais significativas na terminação, desde aproximadamente 20 kg até o peso de abate.

Os sinais clínicos de suínos afetados por Ileíte incluem diarreia e perda de peso. No entanto, os suínos afetados frequentemente crescem mais lentamente e requerem mais alimento por unidade de ganho de peso, mesmo sem diarreia ou perda de peso. Esta forma é, muitas vezes, chamada de doença subclínica, pois as perdas de produtividade não são caracterizadas por sinais clínicos evidentes.

A Ileíte é um problema prevalecente em todo o mundo. Com base em uma pesquisa feita em 2012 com produtores nos Estados Unidos, realizada pelo National Animal Health Monitoring System, a Ileíte foi relatada como um problema sanitário em 28,7% das granjas de crescimento e terminação.

Estimativas de perdas econômicas

Em um estudo de 2006, em uma pesquisa com veterinários para classificar e quantificar a produtividade e as perdas econômicas devido aos grandes desafios de saúde em 19 grandes empresas de produção suína nos EUA, a Ileíte foi classificada como um desafio de saúde em 14 das empresas.

No mesmo estudo, o valor das perdas de produtividade e aumento dos custos com saúde animal em suínos afetados pela Ileíte nas terminações foi estimado em US$ 4,65/suíno comercializado com perdas totais nos EUA estimadas em US$ 56,1 milhões anuais (dados não publicados).

Fontes de perdas econômicas e perdas de produção

A principal fonte de perdas econômicas associadas à ileíte surgem das perdas de produtividade causadas pela doença. Os suínos afetados pela Ileíte crescem mais lentamente e têm uma pior taxa de conversão alimentar. Um crescimento mais lento é medido por uma redução no ganho de peso diário (GPD) e uma conversão menos eficiente da ração em ganho de peso é medida por um aumento na taxa de conversão alimentar (TCA). A doença pode também resultar em um aumento da porcentagem de descartes, e em alguns casos pode causar mortalidade, resultando em um aumento das taxas de descarte e mortalidade.

Boas estimativas das perdas de produtividade causadas pela ileíte são difíceis de fazer devido à falta de dados suficientes coletados pelos produtores. A lacuna de dados mais significativa decorre da dificuldade em classificar grupos de suínos em crescimento como afetados ou não pela Ileíte.

Estão disponíveis ferramentas de diagnóstico para determinar se os suínos estão infectados pela L. intracellularis, têm anticorpos contra L. intracellularis (isto indica uma infecção anterior) e se a bactéria está associada às lesões. No entanto, os exames diagnósticos aumentam os custos de produção e são realizados com pouca frequência e raramente de forma rotineira. Quando os diagnósticos são realizados, falta à indústria uma definição amplamente aceita para classificar grupos de suínos como afetados ou não afetados com base nos resultados de diagnósticos laboratoriais.

Na prática, a observação de sinais clínicos é menos dispendiosa do que a realização de exames laboratoriais, mas é algo subjetivo, e a falta de sinais clínicos evidentes em casos subclínicos torna impossível confiar nesse parâmetro para classificar os grupos como afetados. No entanto, a falta de bons dados dos produtores, estudos observacionais publicados e estudos de desafio experimental controlados podem fornecer uma base para fazer estimativas aproximadas razoáveis.

GPD reduzido e piora na CA

Os estudos publicados fornecem uma base para estimar o impacto da ileíte no GPD e na CA (Tabela 1). Um estudo de caso-controle comparando rebanhos afetados pela ileíte com aqueles não afetados pela doença relatou que o GPD no sistema wean to finish (do desmame ao final da terminação) foi reduzido em 9% e que a CA aumentou em 7%. Os rebanhos foram classificados como positivos ou negativos com base no seu estado serológico.

Vários estudos experimentais de desafio, comparando suínos não desafiados (controle negativo) com suínos desafiados (controle positivo) também foram publicados. Todos os estudos resumidos na Tabela 1 incluíram um controle negativo e pelo menos um grupo de suínos desafiados e nenhum dos estudos incluiu quaisquer grupos de suínos que foram tratados com uma vacina ou antimicrobianos. A idade dos suínos quando desafiados e a dose de desafio variou em cada estudo. Em geral, o impacto no GPD e CA é maior nos suínos mais jovens e aumenta à medida que a dose de desafio aumenta. No caso dos estudos de desafio experimental em que os suínos tinham menos de 42 dias na época do desafio, a redução do GPD variou de 37% para 79%, e a CA aumentou de 37% para 194%. No entanto, os estudos experimentais de desafio em que os suínos tinham 42 dias (6 semanas) ou mais representam melhor o momento das infecções no campo. Em estudos onde os suínos tinham 42 dias ou mais na época do desafio, a redução no GPD variou de 3% a 19%. O impacto na CA foi relatado apenas em um dos estudos com suínos mais velhos, no qual foi relatado um aumento de 7%.

Mortalidade e abates

Nas formas mais graves da doença, a mortalidade também pode ocorrer, especialmente mais tarde na fase de crescimento. Em estudo de caso-controle, a taxa de mortalidade no sistema de produção wean to finish foi de 5,4% em granjas negativas e aumentou para 6,7% em rebanhos positivos (um aumento relativo de 24%). A taxa de descarte também pode aumentar, pois os suínos mais gravemente afetados podem não crescer rápido o suficiente para atingir pesos que são aceitos pelos mercados frigoríficos.

1.A idade dos suínos era a idade em que era desafiado. A duração do estudo é o tempo durante o qual o GPD e a CA foram medidos após o desafio.

2.B = Baixo, M = Médio, A = Alto.

3.Classificados como rebanhos Negativos (Controle) por sorologia.

4.Classificados como rebanhos Positivos (Casos) por sorologia.

Valor econômico das perdas de produtividade estimadas

Para estimar o valor das mudanças na produtividade causadas pela Ileíte, foi realizada uma análise econômica utilizando um modelo produtivo e econômico.

Para o cenário não afetado pela ileíte, o valor basal para GPD foi de 900 gr/dia, 2,950 para CA e 4,0% para mortalidade. Os limites inferior e superior relativos à redução do GPD foram de 3% e 19%. Devido ao número limitado de estudos que relatam CA, um aumento de 7% foi usado tanto para o cenário de limite inferior quanto para o de limite superior.

A taxa de mortalidade para o limite inferior permaneceu inalterada em relação à taxa não afetada de 4,0% e aumentou para 5,0% para o limite superior, um aumento de 25%, com base nos resultados de outro estudo.

Em cada cenário foi utilizado um peso médio inicial de 22 kg e 115 dias de ração. Portanto, à medida que o GPD diminuiu, o peso médio do mercado também diminuiu. Foram utilizados no modelo um preço de suíno de mercado de US$ 1,76/kg e um preço de ração de US$ 190/tonelada.

O preço da ração era um preço médio para todas as fases da terminação. Apenas o GPD, a CA e a taxa de mortalidade mudaram entre cada um dos cenários. Os valores do resto dos parâmetros foram mantidos constantes para os três cenários. Os resultados da análise econômica são apresentados na Tabela 2.

O valor dos GPDs, CAs e taxas de mortalidade mais fracos foram calculados como a mudança no lucro a partir do cenário não afetado pela Ileíte. O valor da perda de produtividade causada pela ileíte oscilou entre US$ 5,98 para o limite inferior e US$ 16,94 para o limite superior.

Variação

A principal fonte de perdas econômicas associadas à ileíte surge das perdas de produtividade causa- das pelos grupos de suínos afetados pela ileíte, observa-se a variação de leitão para leitão do ganho de peso diário entre suínos, já que alguns suínos podem ser mais afetados do que outros. As restrições do sistema contribuem para as consequências econômicas associadas à variação. Restrições comuns à maioria dos produtores surgem de recursos fixos limitados, tais como espaço de construção, e  restrições impostas pelo manejo tal como o fluxo de suínos no sistema. O número e tamanho das instalações coloca um limite ao número de animais e ao tempo que os animais podem permanecer em cada instalação.

Quando a variação no peso dos suínos aumenta devido à doença durante o período de crescimento, torna-se mais difícil alimentar e comercializar os suínos. As dietas serão sobre-fortificadas para suínos mais pesados e sub-fortificadas para suínos mais leves.

Dependendo de para onde os produtores visam a dieta em cada fase de crescimento, o custo da ração aumentará se as dietas forem sobre-fortificadas, e o crescimento e a conversão alimentar sofrerão se as dietas forem sub-fortificadas. Na comercialização, a maior variação de peso dos suínos torna mais difícil vender suínos que se enquadrem em um grupo de peso ótimo. Os suínos mais pesa- dos podem ser comercializados mais cedo, mas os suínos no extremo mais leve da distribuição de peso são os que causam mais problemas.

Se houver espaço disponível nas instalações, os suínos mais leves podem ser mantidos em alimen- tação por um período mais longo. No entanto, quando o espaço é limitado, como geralmente acontece, os suínos mais leves são comercializados com pesos inferiores ao ideal, o que resulta em uma perda de receita e lucro.

Dependendo se o espaço nas instalações é próprio ou alugado, segurar o espaço por um período mais longo também pode aumentar os custos.

Aumento dos custos da Saúde Animal

O custo das intervenções de saúde animal, tais como vacinas, antimicrobianos, serviços veterinários e diagnósticos, não são diretamente causados pela ileíte, mas ocorrem em resposta à doença. O dinheiro gasto nestas intervenções deve ser ponderado em relação ao benefício de reduzir os impactos da doença descrita acima. Uma análise de custo-benefício pode fornecer informações valiosas para ajudar os produtores e veterinários a decidir quais intervenções realizar.

Destaques

Com base em um levantamento feito com veterinários da suinocultura, as perdas na produtividade e o aumento dos custos com saúde animal em suínos afetados pela ileíte na terminação foram estimados em US$ 4,65 por suíno comercializado.

Com base em resultados de estudos de caso-controle e desafio experimental, o valor das perdas de produtividade causadas pela ileíte na terminação variou de US$ 5,98 a US$ 17,34 por suíno comercializado.

O custo da variação do crescimento causado pela ileíte torna mais difícil a alimentação ecomercialização dos suínos, o que aumenta o custo da doença.

O investimento em intervenções na saúde animal, como vacinas, antimicrobianos, serviços veterinários e diagnósticos, deve ser ponderado em relação ao benefício de reduzir as perdas de produtividade causadas pela ileíte.

Conclusões

A maior fonte de perdas econômicas associadas à ileíte é decorrente das perdas de produtividade causadas pela doença. Na terminação, onde as perdas devidas à ileíte são mais significativas, os suínos afetados terão um GPD menor e um aumento da CA, ocasionalmente um aumento na mortalidade e nas taxas de descarte. Outras perdas econômicas resultam da variação de GPD entre suínos, uma vez que alguns suínos podem ser mais afetados do que outros. A variação no crescimento causada pela ileíte torna mais difícil a alimentação e comercialização dos suínos, o que aumenta o custo da doença.

Poucas estimativas do custo da ileíte foram publicadas. Em um estudo, baseado em um levantamento feito por veterinários de suínos, o valor das perdas de produtividade e o aumento dos custos com a saúde animal em suínos afetados pela ileíte na terminação foi estimado em US$ 4,65 por suíno comercializado.

É difícil fazer boas estimativas das perdas de produtividade devido à ileíte, pela falta da coleta de dados a campo. Por esta falta de coleta de dados a campo, estudos observacionais publicados e estudos experimentais controlados podem fornecer uma base para fazer estimativas razoáveis. Com base nos resultados de um único caso-controle e de vários estudos experimentais de desafio, o valor estimado das perdas de produtividade (GPD, CA e mortalidade) causadas pela ileíte na fase de terminação variou de US$ 5,98 a US$ 17,34 por suíno comercializado.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões

Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

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Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.

Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

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A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.

Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello

produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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Suínos

Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho

Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.

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Os preços do suíno vivo no mercado integrado estão superiores aos praticados no mercado independente em algumas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) neste mês de julho.

Segundo o Cepea, esse comportamento foge do padrão do setor, já que, normalmente, o mercado independente (spot) registra cotações mais elevadas devido aos maiores custos e riscos assumidos pelos produtores.

De acordo com os pesquisadores, essa inversão vem sendo observada ao longo de 2026 em algumas praças da Região Sul, com destaque para Braço do Norte (SC).

O Cepea atribui esse cenário às dificuldades enfrentadas pelo mercado independente, que segue pressionado pela elevada oferta de suínos e pela demanda enfraquecida. A combinação desses fatores tem mantido os preços em patamares baixos ao longo de todo o ano.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Suínos

Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Foto: Divulgação/Acrismat

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer,

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer: “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor” – Foto: Divulgação/Acrismat

apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações.

Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins: “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção” – Foto: Divulgação/Acrismat

o mercado interno. “Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho: “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas” – Foto: Divulgação/Acrismat

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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