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Pequenas inovações que aumentam a sustentabilidade da produção animal

Tecnologias aplicadas ao manejo, à nutrição e à conservação de forragens ajudam produtores a reduzir perdas, emissões e custos no campo.

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Artigo escrito por Lucas Mari, médico veterinário, Mestre e Doutor em “Ciência Animal e Pastagens” pela USP/ESALQ, gerente de Suporte Técnico para América do Sul – Lallemand Animal Nutrition

Com a transformação da agricultura global, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma ambição e passou a ser fundamental para todas as operações. A partir da intensificação da variabilidade climática e menor disponibilidade de recursos, o setor agropecuário precisa reformular a produção de alimentos, mantendo o equilíbrio ambiental e a viabilidade econômica.

Algumas pessoas podem associar o termo “sustentabilidade” a custos adicionais e desafios regulatórios. No entanto, a adoção de práticas que promovam a sustentabilidade operacional pode resultar em aumentos tanto da rentabilidade quanto da viabilidade em longo prazo. Com a flutuação dos custos dos insumos, especialmente das fontes proteicas, os produtores sofrem uma pressão crescente para aumentar a eficiência e, ao mesmo tempo, reduzir a pegada ambiental. O desafio está em produzir mais com menos: menos desperdício, menos insumos e menos emissões.

Foto: Divulgação

Um exemplo claro é a produção de forragens. Ao aperfeiçoar a qualidade da silagem, produtores criam uma cadeia de resultados positivos, reduzindo a necessidade de comprar suplementos, melhorando o bem-estar animal e reduzindo as emissões dos transportes. Por outro lado, uma forragem de alta qualidade requer precisão em todos os estágios do processo de silagem e armazenamento. Os pontos mais importantes são: o momento da colheita, o tamanho do corte, a aplicação adequada de inoculantes, a densidade da silagem e a vedação. O uso de inoculantes na silagem é uma das formas mais eficazes de reduzir a perda de matéria seca durante o armazenamento. Os inoculantes auxiliam no controle da fermentação, limitando a deterioração e preservando uma maior quantidade dos nutrientes originais. Estudos demonstraram que os inoculantes podem reduzir em aproximadamente 13% as perdas da matéria seca.1 Para ilustrar melhor, em um silo de mil toneladas, isso significa uma maior retenção da silagem, suficiente para uma produção adicional de 138 mil litros de leite.

Eficiência nutricional: um fator-chave para a redução de emissões

Além da preservação de forragens, a nutrição animal vem utilizando cada vez mais a ciência microbiana para melhorar a eficiência de conversão alimentar. Suplementos contendo leveduras vivas específicas para o rúmen podem, por exemplo, aumentar a eficiência alimentar em até 7%, por meio da melhoria dos padrões de fermentação ruminal.

Essa melhor utilização do alimento significa que os animais extraem mais energia de cada quilograma consumido, podendo aumentar a produção de leite em até 6%. Meta-análises de diversos estudos registraram taxas de retorno sobre o investimento entre 6:1 e 11:1, mostrando que essas intervenções são economicamente vantajosas e ainda reduzem o consumo de alimento por unidade de produto.

Fechando o ciclo dos nutrientes

Maximizar a ciclagem de nutrientes na propriedade é outro fator-chave para melhorar a sustentabilidade no campo. Fertilizantes orgânicos, como o esterco, são fontes valiosas de nitrogênio, fósforo e potássio e reduzem a dependência de fertilizantes sintéticos quando manejados de forma eficiente.

A melhoria da ecologia microbiana do esterco e da cama acelera a estabilização dos nutrientes, retém o nitrogênio e limita as emissões de amônia. Os avanços na biotecnologia microbiana, por meio do uso de bactérias benéficas e enzimas, pode melhorar a qualidade do esterco. A promoção de microrganismos benéficos ajuda na eliminação de espécies produtoras de amônia, melhorando a qualidade do ar, reduzindo odores e preservando o valor agronômico do esterco como um fertilizante: um benefício triplo para a economia da propriedade e para a proteção do meio ambiente.

Sistemas integrados para um futuro mais resiliente

A sustentabilidade não pode ser melhorada por meio de uma única intervenção; ela exige uma abordagem integrada e sistêmica. A combinação de um manejo de forragens mais eficiente, nutrição otimizada e reciclagem de nutrientes gera um efeito cumulativo, com maior produtividade, menores emissões e maior resiliência às pressões climáticas e de mercado.

Foto: Divulgação/Lallemand

A transição para práticas agrícolas mais sustentáveis não se resume à adoção de novos produtos ou técnicas. Torna-se necessária uma mudança substancial na forma como os sistemas produtivos são concebidos. Ao enxergar a propriedade como um ecossistema interconectado, no qual o resíduo de um processo se transforma em recurso para outro, os produtores têm a oportunidade de desenvolver resiliência e reduzir o impacto ambiental.

Pesquisas continuam a demonstrar que a sustentabilidade e a rentabilidade não são forças opostas mas objetivos complementares. Na pecuária, as evidências continuam a demonstrar que as práticas que apoiam a produtividade a longo prazo estão naturalmente alinhadas com a proteção do meio ambiente.

As propriedades que apresentarão melhor desempenho nas próximas décadas serão aquelas que conseguirem integrar princípios ecológicos às realidades econômicas, com a ciência orientando a tomada de decisões.

Principais conclusões

A integração dos sistemas é fundamental para a sustentabilidade. O aperfeiçoamento da preservação da forragem, a eficiência alimentar e o uso adequado dos nutrientes trazem diversos benefícios.

Soluções microbiológicas podem reduzir em 13% as perdas de matéria seca e aumentar a eficiência em até 7%. O melhor manejo do estrume reduz os custos com amônia e fertilizantes.

As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: [email protected]

Á edição também está disponível na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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O fundo que ajudou a transformar a sanidade animal em patrimônio do Rio Grande do Sul

Referência nacional em gestão compartilhada, o Fundesa-RS completa duas décadas investindo em prevenção, indenizações e ações que garantem a competitividade da proteína animal gaúcha.

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Foto: Fernando Dias

Nos últimos 20 anos, o Fundesa-RS tem sido apontado como modelo de referência nacional em responsabilidade compartilhada, uma vez que é abastecido e gerido pelas entidades que representam produtores e indústrias da proteína animal. O Fundo, através de seus componentes e juntamente com o Serviço Veterinário Oficial, foi peça-chave para o reconhecimento do Rio Grande do Sul como área livre de Peste Suína Clássica e de Febre Aftosa sem Vacinação. O patrimônio sanitário obtido no estado vem contribuindo para a abertura de novos mercados e o reconhecimento da proteína animal gaúcha.

Foto: Divulgação/ACBB

Diante do cenário global de alerta, com o aumento da incidência de doenças infectocontagiosas graves como a Influenza Aviária, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa em diversas partes do mundo, o setor produtivo gaúcho agiu de forma preventiva. Foi por iniciativa das próprias cadeias produtivas – aves, suínos e pecuária de corte e leite – que surgiu a necessidade de fortalecer o fundo.

Após debates dos Conselhos Técnicos Operacionais das cadeias, entidades como Farsul e Fetag, em assembleias com seus associados, definiram a proposta de atualização das taxas de contribuição. As deliberações começaram ainda em 2021 após o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O objetivo foi garantir a ampliação dos recursos em caso de focos de doenças no estado. O saldo do

Foto: Shutterstock

Fundesa, de R$ 188,9 milhões (dado de abril/2026), não suportaria um evento de grande monta. Por isso, os integrantes do fundo aprovaram também, em 2024, a adesão a um seguro pecuário contra a febre aftosa, pioneiro e inédito no país.

Uso de recursos

Ao longo dos anos, o Fundesa-RS foi responsável pela completa informatização das Inspetorias de Defesa Agropecuária, pela reforma e revitalização de prédios das unidades no interior, na capacitação de técnicos e aquisição de insumos e equipamentos.

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Entretanto, um aspecto da atuação do Fundesa é mais visível ao produtor: as indenizações. Só na pecuária leiteira foram mais de R$ 53 milhões ao longo dos 20 anos do Fundo, indenizando produtores pelo sacrifício de animais em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).

Conforme as regras do Fundo, aprovadas por todas as entidades que compõem o Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira, os valores tabelados para as indenizações têm base na idade e na pureza racial do rebanho, podendo chegar a R$ 4.548,00 por cabeça no caso de fêmeas puras de origem com idade entre 25 e 36 meses.

Adicionalmente, o Fundo estabeleceu o pagamento do benefício de “Risco Alimentar”, garantindo aos estabelecimentos submetidos a vazio sanitário uma compensação de 25% sobre o volume médio da sua produção mensal de leite por um período de até seis meses.

Para ter direito à indenização, o produtor precisa estar em dia com as contribuições ao Fundo. No

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setor leiteiro, esse recolhimento é realizado de forma integrada pela indústria que processa o leite e, a partir de 2026, também pela existência de animais após a Declaração Anual de Rebanho. Também é necessária a apresentação de laudo oficial emitido por técnico da Secretaria da Agricultura.

Transparência

O Fundesa-RS é reconhecido nacional e internacionalmente pela transparência absoluta na gestão dos valores e rigor na prestação de contas. A responsabilidade na aplicação dos recursos é comprovada pela apresentação trimestral de contas às entidades representativas, aos órgãos de controle e à Assembleia Legislativa.

A atualização dos valores, instituída pela Lei 16.428/2025, representa um investimento prudente do próprio setor produtivo para proteger o seu maior ativo: a sanidade do rebanho. Enquanto o mundo enfrenta desafios sanitários crescentes, o Rio Grande do Sul reafirma, através da união de seus produtores, que a segurança do setor produtivo é prioridade máxima e está acima de qualquer conjuntura temporária.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Nova raça desmama bezerros com 292 kg a pasto e mira mercado de carne premium

Cruzamento entre Senepol e Angus já supera o Nelore em 1,5 arroba na desmama. Projeto prevê produzir até 120 touros por ano.

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A busca por animais que combinem eficiência produtiva, adaptação às condições tropicais e elevado padrão de qualidade da carne tem impulsionado novos programas de melhoramento genético na pecuária de corte. No Paraná, o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana, aposta nesse conceito ao desenvolver um trabalho de seleção da raça Senangus, resultado do cruzamento entre Senepol e Angus, com foco em atender tanto às demandas dos sistemas de produção quanto do mercado de carne premium.

À frente da Senangus Criação de Bovinos, Bianchi estruturou o projeto a partir da experiência acumulada com biotecnologias reprodutivas e da atuação em sistemas intensivos de produção. Segundo ele, a vivência prática mostrou que ainda havia espaço para desenvolver um animal capaz de reunir maior precocidade, qualidade de carne e adaptação às condições brasileiras.

A percepção surgiu durante o trabalho com rebanhos Nelore, quando identificou oportunidades de incorporar características voltadas ao desempenho de carcaça e à valorização da carne sem abrir mão da eficiência produtiva.

Foi nesse contexto que passou a investir no Senangus, raça recentemente homologada pelo Ministério da Agricultura por meio da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). A proposta é reunir, em um único animal, a rusticidade, fertilidade, habilidade materna e adaptação ao clima tropical do Senepol, desenvolvido nas Ilhas Virgens Americanas, com o elevado marmoreio e a qualidade de carne característicos do Angus. “Cada raça tem suas particularidades. Quando reunimos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação”, afirma Bianchi.

Projeto começou em 2019

Os primeiros passos do projeto foram dados em 2019, quando Diogo Bianchi realizou inseminações em vacas Senepol para avaliar o potencial do cruzamento. O desempenho dos primeiros animais foi determinante para ampliar os investimentos na nova genética.

Segundo o pecuarista, os bovinos apresentaram elevada rusticidade, adaptação ao pastejo e bom desempenho reprodutivo, características que chamaram atenção quando comparadas a outros sistemas já utilizados na propriedade. “Fiquei impressionado com a rusticidade, principalmente. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos”, aponta.

Além dos resultados obtidos a campo, a estratégia também levou em conta a demanda do mercado. A preferência por bovinos de pelagem preta, valorizados em diferentes segmentos da pecuária de corte e no mercado de exportação de animais vivos, reforçou a decisão de incorporar a genética Angus ao programa de seleção. Sem abrir mão da adaptação ao clima tropical, o objetivo passou a ser reunir atributos como ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade da carne em um mesmo animal.

Bezerros desmamam com até 292 quilos apenas a pasto

Com a ampliação do uso de biotecnologias reprodutivas, o projeto ganhou escala. Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, formando uma geração que confirmou o potencial observado nos primeiros cruzamentos.

Na desmama, os bezerros alcançaram média de 292 quilos aos 6,5 meses de idade, criados exclusivamente a pasto. De acordo com Bianchi, o desempenho superou o observado em animais Nelore criados nas mesmas condições. “O Senangus bateu 1,5 arroba a mais que o Nelore nessa fase”, destaca.

Atualmente, o programa de seleção trabalha com duas composições genéticas. Uma delas reúne aproximadamente 75% de sangue Angus, voltada para sistemas que priorizam qualidade de carne. A outra concentra cerca de 75% de genética Senepol, direcionada à produção de touros para cobertura a campo, especialmente em rebanhos zebuínos de regiões com maior desafio ambiental, como Norte e Nordeste.

As fêmeas Senangus também terão papel estratégico na formação de rebanhos puros, contribuindo para a expansão da raça em condições tropicais. O projeto ainda mira outra tendência da pecuária mundial: o cruzamento entre bovinos de corte e rebanhos leiteiros, conhecido como beef on dairy. Segundo Bianchi, a proposta é ampliar o uso da genética em propriedades leiteiras interessadas em agregar valor aos bezerros machos e às fêmeas descartadas. “Estamos criando uma solução que atende desde o pecuarista de corte até o produtor de leite que busca agregar valor à produção”, ressalta.

Estrutura do projeto

A estrutura operacional é versátil, utilizando arrendamento e parcerias. A iniciativa “Parceria entre Amigos”, criada por Bianchi, em parceria com criadores como Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, de Alto Paraíso (PR), permite a disseminação da genética.

O projeto é conduzido em área arrendada, onde também são desenvolvidas outras frentes como o Nelore Bianchi, voltado à sucessão familiar. Paralelamente, presta serviços reprodutivos, principalmente IATF e transferência de embriões. “Em até 10 anos, a meta é alcançar um plantel de 200 matrizes Senangus e uma produção anual entre 100 e 120 touros, consolidando a raça como alternativa viável e competitiva no cenário nacional”, prevê o proprietário da Senangus.

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Programa Bônus Mais Leite libera R$ 181,9 milhões em crédito e beneficia 2,8 mil famílias no Rio Grande do Sul

Iniciativa estadual criada em 2025 aprovou 3.072 projetos e destinou R$ 29,8 milhões em subvenções diretas a produtores de leite da agricultura familiar.

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Foto: Gabriela Nataly/Ascom SDR

O Programa Bônus Mais Leite, lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural em novembro de 2025, encerrou o ciclo do Plano Safra 2025/2026, em 30 de junho de 2026, com 3.072 projetos de crédito aprovados e R$ 181,9 milhões em financiamentos rurais movimentados no Estado.

Foto: Fernando Dias

Ao longo de sete meses, a iniciativa registrou 3,4 mil solicitações de enquadramento. Após análise técnica, a maior parte dos pedidos foi habilitada para acesso à subvenção estadual, direcionada à agricultura familiar ligada à cadeia do leite. O programa alcançou mais de 2,8 mil famílias.

Do total de operações aprovadas, 1.987 foram de custeio e 1.085 de investimento, segundo os dados consolidados pela pasta estadual. O governo também informou a concessão de R$ 29,8 milhões em subvenções diretas aos produtores contemplados.

A política foi estruturada como resposta ao contexto de pressão sobre a atividade leiteira, com queda no preço pago ao produtor, elevação dos custos de produção e perdas associadas a eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos no Estado.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o programa representa uma mudança na forma de apoio ao setor ao atrelar recursos estaduais ao crédito rural. “Até então, o Estado não contava com um mecanismo dessa natureza, capaz de transferir recursos diretamente aos produtores para qualificar a atividade com rapidez e eficiência”, afirmou.

Fonte: Assessoria Seapi
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