Peixes
Peixes nativos do Brasil: Tambaqui, Pintado e Pirarucu prontos para um ressurgimento sustentável
Especialista em aquicultura e manejo sustentável, fala sobre produção de peixes nativos.

A produção de espécies como Tambaqui, Pintado e Pirarucu caiu nos últimos quatro anos, pois os produtores, desencorajados pelos preços mais baixos, colocaram menos peixes em tanques e tanques-rede
O Brasil, com sua imensa diversidade de rios e fauna aquática, tem um tesouro pouco explorado quando falamos em peixes nativos. Espécies como o Tambaqui, o Pintado e o Pirarucu são verdadeiros patrimônios das nossas águas, e agora, mais do que nunca, estão prontos para um ressurgimento sustentável, impulsionado por práticas modernas de aquicultura e manejo ambiental.

Foto: Shutterstock
Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto a evolução da criação e manejo dessas espécies. O cenário é promissor. Graças a avanços tecnológicos na piscicultura, o cultivo desses peixes vem se mostrando uma solução viável, sustentável e economicamente atrativa. O Tambaqui, por exemplo, é amplamente criado em regiões como o Norte e Centro-Oeste do Brasil. Essa espécie se destaca pela resistência, adaptabilidade e rápido crescimento, características que fazem dela uma das preferidas pelos piscicultores.
O Pirarucu, outro gigante das águas doces da Amazônia, também ganha destaque. Com sua carne nobre, essa espécie tem se tornado um ícone gastronômico e sua criação em cativeiro está ajudando a recuperar populações selvagens. No passado, o pirarucu foi intensamente explorado, levando à redução drástica de seus estoques naturais. Hoje, iniciativas de manejo sustentável, muitas delas conduzidas por comunidades ribeirinhas, têm garantido não só a conservação da espécie, mas também a geração de renda para essas populações.
A valorização gastronômica desses peixes é outro fator importante para esse ressurgimento. Chefs brasileiros e internacionais têm redescoberto a riqueza de sabores do tambaqui, pirarucu e pintado, levando esses peixes nativos para mesas sofisticadas e impulsionando a demanda por produtos de origem local e sustentável. Essa mudança de mentalidade no consumo é fundamental para incentivar práticas que respeitam o meio ambiente e promovem a sustentabilidade.

O potencial de crescimento é enorme, mas precisamos estar atentos aos desafios. A expansão da aquicultura deve ser feita com cautela, garantindo que não haja impactos negativos para o meio ambiente, como a poluição dos rios ou a introdução de doenças. Além disso, o manejo das populações selvagens de pirarucu e tambaqui precisa continuar sendo rigorosamente monitorado para evitar a sobrepesca e assegurar que essas espécies se recuperem plenamente.
Estamos em um momento crucial. As iniciativas de criação sustentável desses peixes nativos representam uma oportunidade única para o Brasil se destacar no cenário internacional não apenas como um grande exportador de pescado, mas como um modelo de desenvolvimento ambientalmente responsável. O ressurgimento do tambaqui, pintado e pirarucu, além de promissor, pode se tornar um símbolo do equilíbrio entre progresso econômico e conservação da nossa biodiversidade.

Peixes
Preço da tilápia sobe até 0,71% e chega a R$ 10,39/kg no Norte do Paraná
Cotações variam entre R$ 8,88 e R$ 10,08/kg nas demais regiões. Oeste do Paraná tem menor valor, mesmo com a maior alta semanal.

Os preços da tilápia registraram alta em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea na semana de 09 a 13 de março, com variações moderadas e manutenção de diferenças relevantes entre os principais polos produtivos.

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O maior avanço semanal foi observado no Oeste do Paraná, onde a cotação subiu 0,71%, alcançando R$ 8,88 por quilo, ainda o menor valor entre as regiões monitoradas. Já o Norte do Paraná manteve a liderança nos preços, com média de R$ 10,39/kg, alta de 0,44% na semana.
No Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, a tilápia foi negociada a R$ 10,08/kg, com elevação de 0,45%. Em Grandes Lagos, região que abrange o noroeste de São Paulo e áreas de Mato Grosso do Sul; e em Morada Nova de Minas, os preços ficaram em R$ 9,74/kg, com variações de 0,36% e 0,18%, respectivamente.
Os valores referem-se ao produto pago à vista ao produtor independente e indicam um movimento de leve valorização no curto prazo, com ajustes regionais conforme oferta e dinâmica de mercado.
Peixes
Ibama classifica pirarucu como espécie invasora fora da área natural e gera reação da piscicultura brasileira
Nova instrução normativa acende alerta sobre insegurança jurídica, impacto em investimentos e falta de diálogo com a cadeia produtiva.

A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de classificar o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora de sua área natural, por meio da Instrução Normativa nº 7/2026, acendeu um alerta imediato na piscicultura brasileira.
A medida, com efeitos diretos sobre a produção e os investimentos no setor, já mobiliza produtores e entidades diante do risco de insegurança jurídica e impacto na expansão da atividade.
A decisão surpreendeu agentes do setor, uma vez que o tema ainda estava em discussão no âmbito da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), levantando questionamentos sobre a condução do processo e a ausência de alinhamento institucional.

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “A decisão causa grande preocupação ao setor, especialmente pela falta de diálogo em um tema tão sensível. O pirarucu é uma espécie estratégica para a piscicultura brasileira, com forte potencial de geração de renda e desenvolvimento regional” – Foto: Divulgação/Peixe BR
Considerada uma das espécies mais promissoras da piscicultura nacional, o pirarucu já possui produção estabelecida em diversos estados e apresenta elevado potencial de expansão. A nova classificação, no entanto, impacta diretamente o ambiente de negócios, afetando investimentos, planejamento produtivo e a segurança jurídica de produtores em todo o país.
Para o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, a medida traz insegurança e contradições no direcionamento das políticas públicas. “A decisão causa grande preocupação ao setor, especialmente pela falta de diálogo em um tema tão sensível. O pirarucu é uma espécie estratégica para a piscicultura brasileira, com forte potencial de geração de renda e desenvolvimento regional”, realça.
Além disso, Medeiros também destaca o paradoxo regulatório envolvendo a espécie. “Há poucos anos, os próprios governos federal e estadual reconheciam o potencial do pirarucu para a aquicultura e incentivavam sua produção. Agora, vemos uma mudança que pode restringir sua utilização, criando insegurança jurídica e um precedente preocupante para o setor produtivo”, completa.
Diante do cenário, a Peixe BR defende a revisão da normativa e reforça a importância da construção conjunta de políticas públicas. A entidade também cobra uma atuação mais firme do Ministério da Pesca e Aquicultura na defesa da piscicultura nacional, buscando garantir previsibilidade e estabilidade para os produtores.
Peixes
Clima adverso e custos elevados marcam ano de recuo na piscicultura do Rio Grande do Sul
Queda de 0,41% em 2025 ocorre em meio a estiagens, enchentes e pressão nos custos de produção.

O Rio Grande do Sul registrou retração na produção de peixes de cultivo em 2025. O volume foi de 24,3 mil toneladas, queda de 0,41% em relação às 24,4 mil toneladas produzidas em 2024. Ainda assim, o resultado representa avanço de 8,95% na comparação com 2023, quando foram produzidas 22,4 mil toneladas.
De acordo com dados do Anuário de Piscicultura Brasileiro PeixeBR 2026, o desempenho do ano passado foi impactado por uma série de fatores. Eventos climáticos extremos, com estiagens e enchentes em diferentes períodos, afetaram diretamente a atividade em diversas regiões do Estado. Além disso, o aumento nos custos de produção — especialmente com ração e energia, pressionou os produtores.
A piscicultura segue concentrada em pequenas propriedades, com produção voltada principalmente ao mercado local. A tilápia continua sendo a espécie mais cultivada, mas o Estado também mantém produção de espécies nativas.
Apesar dos desafios, o setor mantém relevância na economia rural gaúcha e apresenta potencial de crescimento, especialmente com a adoção de tecnologias e melhorias na gestão da produção.



