Peixes
PeixeBR pede a São Paulo suspensão da importação de tilápia do Vietnã
Entidade alerta para risco sanitário com o vírus TiLV e defende proteção à produção paulista.

A Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) participou, nesta terça-feira (03), de uma reunião com o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Mello Filho, para tratar de temas considerados estratégicos para a piscicultura nacional e para a cadeia produtiva da tilápia.

O presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros, e os conselheiros da associação estiveram presentes no encontro
Entre as pautas apresentadas está a solicitação de suspensão da importação de filé de tilápia do Vietnã pelo Estado de São Paulo, nos moldes do que já foi adotado por Santa Catarina, medida homologada pela Justiça. A preocupação central é o risco sanitário da introdução do vírus Tilapia Lake Virus (TiLV), enfermidade ausente no estado paulista e que pode comprometer a sanidade da produção local.
Outro ponto de destaque é a tributação do filé de tilápia importado. Atualmente, o Estado de São Paulo cobra ICMS da produção local e do pescado proveniente de outros estados brasileiros, enquanto o filé de tilápia importado conta com ICMS zero, o que, segundo as entidades, gera distorção concorrencial.
A reunião na Secretaria de Agricultura é considerada fundamental para abrir o diálogo com o governo estadual sobre segurança sanitária, competitividade e equilíbrio tributário, temas que impactam diretamente produtores, indústrias, empregos e investimentos no setor aquícola.
Participaram do encontro o presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros, e os conselheiros da associação, Mauro Nakata, Juliano Kubitza, Celso Torquato e Ramon Amaral; representantes das entidades da PEIXE SP, PANGA BR e ABIPESCA; e o deputado estadual de São Paulo, Itamar Borges.

Peixes
Pesquisas do Instituto de Pesca validam uso de tanques-rede na produção de tilápias
Estudos conduzidos em reservatório paulista indicam manutenção da qualidade da água e reforçam o potencial do sistema para a piscicultura continental.

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolve, há mais de uma década, pesquisas voltadas ao uso de tanques-rede de grande volume na piscicultura continental, com ênfase na qualidade da água e na produção de tilápias.
Os estudos são realizados desde 2017 pela Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental do IP, localizada em São José do Rio Preto (SP), em parceria com a empresa Fisher Piscicultura Água Vermelha. Os experimentos ocorrem em tanques-rede de grande volume instalados na área aquícola da empresa, no reservatório de Água Vermelha, enquanto as análises dos parâmetros ambientais e produtivos são realizadas na unidade do Instituto.
Cultivo em tanques-rede

Foto: Divulgação/Arquivo OP Rural
Os tanques-rede de grande volume são estruturas flutuantes, geralmente confeccionadas com materiais resistentes, como duralumínio e telas de aço inox, utilizadas para o cultivo intensivo de peixes em escala comercial. Podem ser instalados em reservatórios de usinas hidrelétricas, lagos e outros corpos hídricos com grande volume e circulação de água.
Entre as principais vantagens do sistema destacam-se a alta produtividade, o melhor aproveitamento do fluxo natural da água, a facilidade de manejo e despesca, além da redução de impactos ambientais. O sistema também permite flexibilidade operacional e cultivo escalonado ao longo do ano.
A área monitorada pelo IP é composta por mais de 70 tanques-rede de 450 m³, povoados com aproximadamente 2,1 milhões de tilápias. As coletas de dados ocorrem mensalmente na área aquícola, em três pontos estratégicos: 300 metros a montante, no centro da área de cultivo, e 300 metros a jusante dos tanques-rede.
São avaliados parâmetros como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, condutividade elétrica e transparência, além de nutrientes e compostos nitrogenados, como fósforo total, nitrito, nitrato e amônia, analisados em laboratório também no IP.
Os resultados indicaram que os valores de qualidade da água permaneceram dentro de faixas consideradas adequadas para a piscicultura (CONAMA nº 375/2005 e 413/2009), com variações naturais associadas às estações do ano e ao nível do reservatório. De modo geral, não são observadas diferenças expressivas entre os pontos de coleta, possivelmente devido à influência das correntes naturais do reservatório, que favorecem a dispersão e a renovação da água.
De acordo com a pesquisadora do IP e responsável pelo estudo, Daniela Castellani, “as pesquisas conduzidas pelo Instituto de Pesca reforçam o papel da ciência aplicada no fortalecimento da aquicultura nacional, promovendo inovação, sustentabilidade e competitividade no setor. Em 2026 será iniciado um novo projeto também com tanques-rede de grande volume no Reservatório de Itaipu, ampliando ainda mais a pesquisa nessa área”.
Peixes
Tilápia lidera preferência dos paulistas, mas consumo de pescado segue abaixo do ideal
Mesmo sendo o peixe mais escolhido no Estado, a proteína ainda enfrenta barreiras de preço e frequência, o que revela espaço para crescimento do mercado e da produção.

A tilápia é o pescado mais consumido pelos paulistas, à frente de opções tradicionais como salmão, pescada e atum. Apesar da liderança no ranking de preferência, o consumo ainda é considerado baixo e distante das recomendações nutricionais, principalmente em função do custo da proteína. A constatação faz parte de um estudo conduzido pelo Instituto de Oceanografia (IO) da USP, em parceria com o Instituto de Pesca do Estado de São Paulo (IP-APTA).
De acordo com a pesquisa, o consumo de peixes, crustáceos e moluscos no Estado ocorre, em média, de uma a três vezes por mês, patamar bem inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta a ingestão de pescado ao menos duas vezes por semana. O dado reforça o descompasso entre preferência declarada e presença efetiva desses alimentos na rotina dos consumidores.

Diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro: Há um grande espaço para crescimento, já que a tilápia tem se tornado cada vez mais presente nos hábitos alimentares da população” – Foto: Divulgação/IEA
O levantamento indica que, embora a tilápia seja vista como um peixe versátil e de sabor suave, o preço ainda limita a frequência de consumo, especialmente entre famílias de menor renda. Esse cenário ajuda a explicar por que a proteína, mesmo liderando a escolha dos paulistas, não consegue ampliar sua participação na dieta de forma mais consistente.
Para Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o quadro aponta para um mercado com amplo potencial de expansão. “Há um grande espaço para crescimento, já que a tilápia tem se tornado cada vez mais presente nos hábitos alimentares da população, especialmente no centro-sul do Brasil”, avalia.
Segundo Vegro, o movimento observado segue uma lógica clássica da economia agroalimentar. “O aumento da demanda tem impulsionado a estrutura produtiva paulista, refletindo o princípio econômico de que a demanda estimula a oferta”, afirma. Na prática, o avanço do consumo, ainda que gradual, tem incentivado investimentos em produção, processamento e logística, fortalecendo a cadeia da piscicultura no Estado.
O desafio, agora, passa por ampliar o acesso do consumidor ao pescado, seja por meio de ganhos de eficiência produtiva, seja por estratégias de mercado que tornem a tilápia mais presente no dia a dia dos paulistas, aproximando o consumo real das recomendações de saúde e nutrição.
Peixes
Tilapicultura paulista cresce 4% e movimenta R$ 494 milhões em 2025
Com 54,1 mil toneladas produzidas, São Paulo mantém a vice-liderança nacional, fortalece a piscicultura como atividade estratégica do agro estadual e amplia geração de renda, investimentos e inovação no campo.

A piscicultura paulista segue em trajetória de crescimento e consolidação, puxada principalmente pela produção de tilápia. Dados preliminares do Valor da Produção da Aquicultura Paulista 2025, levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), mostram que o volume produzido no Estado cresceu 4% em relação a 2024, alcançando 54,17 mil toneladas. O faturamento somou R$ 494,11 milhões, reforçando a importância econômica da atividade dentro do agronegócio estadual.

Com esse desempenho, São Paulo permanece como o segundo maior produtor de tilápia do Brasil, atrás apenas do Paraná. O Estado conta com uma estrutura industrial considerada robusta, formada por 21 frigoríficos, responsáveis por 86% do abate estadual. Ainda assim, parte da produção paulista segue para processamento em unidades localizadas em estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o que indica espaço para ampliação da capacidade local.
Segundo o IEA, o cenário climático pode favorecer resultados ainda melhores ao longo do ano. Em nota técnica, o Instituto aponta que “as condições climáticas favoráveis de temperatura e luminosidade podem impulsionar a produção no segundo semestre, revertendo a queda no valor total da produção neste cálculo preliminar”.
Tanques-rede ganham protagonismo
O crescimento da produção está diretamente ligado ao avanço tecnológico adotado pelos piscicultores paulistas. Os tanques-rede, instalados principalmente nos grandes reservatórios do oeste do Estado, já respondem por mais de 75% do volume total de tilápia produzido em São Paulo.
Levantamento realizado em 2024 pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) em parceria com o IEA identificou mais de 12 mil unidades de tanques-rede em operação, evidenciando a intensificação produtiva e o ganho de escala do sistema.
Apesar do protagonismo dos tanques-rede, os viveiros escavados seguem relevantes, sobretudo nas regiões do planalto paulista e da Serra da Mantiqueira. Esses sistemas atendem tanto a produção comercial quanto o segmento de pesque-pague, atividade que também movimenta economias locais e gera renda no meio rural.
Pesquisa sustenta produtividade e qualidade

Fotos: Shutterstock
O fortalecimento da piscicultura paulista também passa pela atuação da pesquisa científica. Para o pesquisador do IEA Eder Pinnati, os estudos desenvolvidos no Estado são fundamentais para enfrentar gargalos produtivos e garantir qualidade ao pescado. “São diversos desafios, desde a qualidade da água até a gestão da cadeia produtiva, que estão sendo estudados e monitorados pelo IEA”, afirma.
O peso econômico crescente da atividade levou à inclusão da tilápia no Valor da Produção Agropecuária (VPA) de 2025, indicador que mensura a relevância dos produtos agropecuários e serve de base para planejamento, análises setoriais e formulação de políticas públicas.
Investimentos e novas oportunidades

Diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro: “O crescimento da produção também é impulsionado pela instalação de grandes frigoríficos especializados em filetagem e no aproveitamento do couro da tilápia, inclusive para usos médicos ” – Foto: Divulgação/IEA
O setor segue atraindo investimentos e ampliando sua base produtiva. O número de criatórios cadastrados na Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) continua em expansão. Embora uma parcela significativa do abastecimento paulista ainda venha de outros estados, o potencial de crescimento interno é considerado favorável, especialmente com a intensificação tecnológica.
De acordo com Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do IEA, a industrialização tem papel central nesse avanço. “O crescimento da produção também é impulsionado pela instalação de grandes frigoríficos especializados em filetagem e no aproveitamento do couro da tilápia, inclusive para usos médicos, como no tratamento de queimaduras de primeiro grau”, destaca.
Com ganhos de produtividade, avanço industrial e apoio da pesquisa, a tilapicultura paulista reforça sua posição estratégica no cenário nacional e amplia sua contribuição para o agronegócio e a economia do Estado.



