Conectado com

Suínos

PeixeBR espera mais consumo interno e crescimento no mercado internacional em 2023

Abertura de mercado para o filé congelado e a tilápia inteira congelada impulsionam exportação de produtos da piscicultura brasileira em 2022. Com o aquecimento da produção e aumento na competitividade do peixe em relação às outras proteínas, o consumo per capita anual deve passar dos 10 quilos

Publicado em

em

Foto: Jonathan Campos/AEN

Impactado pelo aumento dos preços dos insumos e pelo baixo poder aquisitivo dos consumidores, o setor de piscicultura apresentou crescimento estável em 2022 em comparação ao ano anterior. “A solução para isso é o produtor reduzir custos na produção e oferecer produtos de menor processamento para o consumidor final”, expõe o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros, em entrevista ao Jornal O Presente Rural em meados de dezembro.

As exportações em 2022 cresceram mais de 50% em relação a 2021, que já haviam crescido 78% quando comparado a 2020. Um dos principais fatores para explicar esse crescimento foi a abertura de mercado para o filé congelado e a tilápia inteira congelada, que hoje respondem pelos principais produtos da exportação brasileira.

O mês de julho registrou US$ 2 milhões em receita, o maior valor exportado, enquanto agosto teve o menor valor (US$ 1,038 milhão), seguido de uma recuperação em setembro, quando atingiu US$ 1,490 milhão em produtos embarcados (Figura 1). “Entre os principais produtos exportados em 2022, a tilápia representou 88% do volume embarcado, seguido do tambaqui”, menciona Medeiros.

 

Apesar de manter a liderança entre as espécies exportadas no terceiro trimestre do ano passado, com uma receita de US$ 4,5 milhões, a tilápia apresentou queda de 36% frente ao trimestre anterior. Os embarques do tambaqui, segunda espécie mais exportada, seguiu o mesmo caminho, recuando 43%, totalizando uma receita modesta de US$ 21 mil no terceiro trimestre.

Diante deste cenário, as exportações apresentaram um recuo de 17% no faturamento do terceiro trimestre de 2022 em relação ao mesmo período de 2021, atingindo US$ 4,6 milhões. Segundo Medeiros, essa queda se deve, entre outros fatores, pela menor oferta de tilápia no mercado interno, o que reduziu a disponibilidade do produto para exportação. Entretanto, o acumulado do ano é 49% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (Figura 2).

 

Após o primeiro semestre de forte alta, os filés frescos e filés congelados apresentaram queda de 48 e 49%, respectivamente, nos embarques feitos no terceiro trimestre, quando comparado com igual período de 2021.

Contudo, a categoria mais exportada foi a de peixes inteiros congelados, representando um faturamento de US$ 2,2 milhões, porém com queda de 30% em comparação com o segundo trimestre de 2022.

Presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros: “A piscicultura está apenas começando no Brasil, teremos três décadas seguidas de crescimento, haja vista que a proteína animal mais consumida no mundo é de pescado” – Foto: Divulgação/PeixeBR

Produtos da tilápia lideram exportação

Conforme Medeiros, em relação às exportações de produtos da tilápia, a categoria de tilápia inteira congelada manteve a primeira posição no terceiro trimestre, com um total de US$ 2,2 milhões e crescimento de 14% em comparação ao mesmo período do ano anterior, mas com queda de 29% em relação ao terceiro trimestre de 2021.

Em seguida, os filés frescos foram o segundo produto mais embarcado, arrecadando US$ 949 mil, contudo também apresentaram queda, sendo de 27% frente a 2021.

Enquanto os filés de tilápia congelada ocuparam a terceira posição entre os mais solicitados e foi o único a registrar crescimento, gerando receita de US$ 901 mil, o que representa alta de 53% comparada com o mesmo período de 2021. “Em 2022 também aumentamos muito as exportações para Tawain com óleo e farinha de tilápia. Então hoje todos os produtos da tilápia são exportados, inclusive escama e pele”, menciona o presidente da PeixeBR.

Apesar da redução nos envios para fora do país, os filés congelados de tilápia tiveram o maior preço médio, sendo negociados a US$ 5,87/kg, seguido pelos filés frescos a US$ 5,65/kg. Já os subprodutos de tilápia impróprios à alimentação humana apresentaram o maior aumento frente ao mesmo período de 2021, sendo comercializados a um valor médio de US$ 1,04.

Estados maiores produtores e exportadores

Entre os estados maiores produtores de tilápia, Paraná segue líder, seguido de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, enquanto que Rondônia, Mato Grosso, Maranhão, Pará e Amazonas são os maiores produtores nacionais de peixes nativos.

O Paraná manteve também a posição de maior exportador de tilápia, totalizando US$ 2,7 milhões em negócios, o equivalente a 61% do volume total exportado no terceiro trimestre de 2022. A segunda posição ficou com a Bahia, que superou o Mato Grosso do Sul ao faturar US$ 659 mil com as vendas externas, o que representa 14% das exportações brasileiras, mesma participação de São Paulo, que teve receita um pouco menor, com US$ 623 mil; seguida de Mato Grosso do Sul com 9% (US$ 421 mil) e Goiás com 1% (US$ 52 mil).

Entre os principais produtos exportados pelos três principais estados, destaque para tilápia inteira congelada, que representou a principal categoria exportada pelo Paraná, gerando negócios que totalizaram US$ 1,5 milhão; seguida da Bahia com US$ 459 mil; Mato Gross do Sul com US$ 157 mil.

Destino do peixe brasileiro

O principal mercado que a piscicultura brasileira atende é os Estados Unidos, com participação de 83% das exportações nos primeiros nove meses do ano passado, com um volume de importação de US$ 3,8 milhões, queda de 29% em relação ao trimestre anterior e alta de 4% quando comparado a 2021. A segunda posição foi ocupada por Taiwan, com um volume de US$ 186 mil, que reflete 4% do total exportado, seguido do Japão com US$ 130 mil (3%), República Dominicana com US$ 123 mil (3%) e Tailândia com US$ 53 mil (1%).

Os peixes inteiros congelados foram a categoria de produto mais exportada para os EUA, com aumento de 6% frente a 2021, enquanto os filés frescos ocuparam a segunda posição, mas com queda de 23% em relação ao mesmo período de 2021. Por sua vez, os subprodutos impróprios para alimentação humana – pele, escama, farinha e óleo – foram a categoria mais exportada para Taiwan, Japão e Tailândia.

 Consumo

Com o aquecimento da produção e aumento na competitividade do peixe em relação às outras proteínas, o consumo per capita anual deve passar dos 10 quilos registrados em 2021, o que é bastante significativo porque, segundo Medeiros, nunca se teve na história do Brasil um crescimento tão acentuado no consumo.

Esse cenário, segundo ele, está atrelado à melhoria da logística, a entrega do produto em um maior número de estabelecimentos para comercialização, provocado principalmente pelas empresas de processamento de frango, que hoje atuam também no setor de tilápia. “A piscicultura está apenas começando no Brasil, teremos três décadas seguidas de crescimento, haja vista que a proteína animal mais consumida no mundo é de pescado e nós temos, neste momento, as melhores condições para continuar crescendo, principalmente quando se trata de business internacional, uma vez que a nossa participação ainda é muito pequena”, ressalta.

Carro chefe da piscicultura brasileira

Quarto maior produtor mundial de tilápia, a espécie deve alcançar cerca de 65% de tudo que se cultiva no Brasil, um crescimento tímido em relação aos 63,5% da produção nacional registrada em 2021. “Entre três a quatro anos o Brasil deve estar próximo de ser o terceiro maior produtor mundial de tilápia, espécie que é a principal commodity do setor. Hoje o empresário do agro brasileiro tem uma expertise muito grande quando se trata de uma commodity do agrobusiness, razão pela qual a tilápia se destaca tanto em relação às outras espécies de peixes de cultivo”, analisa Medeiros.

Sistemas de produção

Para o presidente da PeixeBR, o modelo de integração fomentado pelas cooperativas agropecuárias, principalmente no Paraná e no Mato Grosso do Sul, e o sistema verticalizado representam os modelos mais competitivos para o crescimento da cadeia produtiva de peixes de cultivo no país.

Custo de produção

Nos últimos dois anos, os insumos representaram um impacto expressivo nos custos de produção, que afetam não somente a piscicultura, mas também outras cadeias, como suínos, aves e bovinos, proteínas com quais o peixe compete no dia a dia no prato do consumidor. “O produtor tem trabalhado para reduzir custos na produção e continuar pagando os investimentos e o custeio da atividade, no entanto, essa mudança de governo deixa incertezas em todos os mercados. Na piscicultura alguns investimentos estão suspensos aguardando exatamente uma estabilização política no país, que deve ser alcançada entre os 100 e 180 dias do próximo governo”, anseia Medeiros.

Confira mais informações na edição 2022 do Anuário do Agronegócio Brasileiro clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
Continue Lendo

Suínos

Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo