Avicultura Sanidade
Pedilúvio da avicultura pode ser aliado contra Coronavírus
Pedilúvio é uma caixa que abriga uma esponja embebida em uma solução desinfetante que tem o objetivo de higienizar os calçados, ideal para inativar a Covid-19

Uma solução fácil, barata e acessível. O professor Ph.D. do Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Aviária (CDPA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Vladimir Pinheiro do Nascimento, propõe uma adaptação de equipamento utilizado em ambientes avícolas que visa reduzir os riscos de contaminação por vírus em ambientes de grande, médio e pequeno fluxo.
O pedilúvio é uma caixa que abriga uma esponja embebida em uma solução desinfetante que tem o objetivo de higienizar os calçados, ideal para inativar a Covid-19. “Esse equipamento é usado por muito tempo pela indústria avícola. A nossa proposta é trazer algo que já funciona na biossegurança de granjas e abatedouros para ser usado na entrada de hospitais, supermercados e condomínios”, explica o pesquisador.
A Covid-19 é um vírus que possui um envelope lipídico que, em contato com desinfetantes, é inativado. “Os desinfetantes atuam sobre a gordura, como o sabão por exemplo. Com a higienização adequada é possível inativar o vírus”, salienta ele, revelando que o pedilúvio foi utilizado na entrada da Expointer durante a crise da aftosa no Rio Grande do Sul.
Essa tecnologia é aberta, gratuita e não é nova. Pode ser confeccionada e adaptada a diversos ambientes, se utilizando de uma caixa retangular de metal ou de plástico rígido suficiente para abrigar os pés ao entrar nos ambientes. “Há uma outra proposta que seria trocar a esponja por roletes, como os rolos de pintura, que possibilitariam retirar o material orgânico e desinfetar a sola dos calçados em um efeito mecânico, como se usa nas quadras de tênis”.
A solução criativa e viável pode ser adaptada da indústria para o dia-a-dia da população neste momento de crise e enfretamento ao coronavírus (Covid-19). “Isso pode ajudar as pessoas a reduzir a carga viral na entrada de ambientes. Estamos cuidando muitos das mãos, o que é correto, mas precisamos pensar nos pés também. É algo barato, de fácil acesso, uma solução típica de um país que tem a avicultura forte. Precisamos de soluções viáveis neste momento”, reforça Vladimir.
Uma caixa metálica ou de plástico rígido que pode ser feita em serralheria. O tamanho deve ser ajustado à entrada do local, suficiente para passar os pés. Dentro desta caixa deve ser colocada uma esponja, ou adaptados roletes de fibra de poliéster ou lã sintética, preenchida com uma solução desinfetante.
Pode ser usado na entrada de hospitais, supermercados, condomínios, casas e apartamentos. O objetivo é diminuir a carga viral nos ambientes, reduzindo os riscos de contaminação das pessoas pela Coronavírus.
O custo de confecção pode variar entre R$ 100 a R$ 300, dependendo do material usado e da quantidade. É possível também buscar na Internet e verificar a comercialização ou a sua confecção.
O papel da ciência
A biossegurança é muito importante em avicultura. Na UFRGS, a redução de riscos de contaminação em ambientes é pesquisada a muitos anos pela Faculdade de Veterinária. No decorrer dos anos, estudantes, professores e técnicos têm pesquisado o uso do pedilúvio, por exemplo.
O CDPA tem mais de 30 anos de atuação com pesquisas envolvendo doenças entéricas, salmoneloses, campilobacterioses, viroses e os modelos matemáticos, que são doenças que afetam as aves e os humanos, como a intoxicação alimentar, por exemplo. “Esse tipo de equipamento sempre foi usado para evitar, por exemplo, a contaminação bacteriana e também de vírus. O fato de nós passarmos alguns anos pesquisando o efeito de desinfetantes e de substâncias antimicrobianas em cima de agentes infecciosos só foi possível porque tivemos recursos públicos para a pesquisa”, enaltece o professor.
Por isso, pensar em soluções para reduzir os riscos de contaminação por Covid-19 é um dos papeis das universidades públicas federais. “Nós, como servidores públicos, temos intrínseca a possibilidade do apoio público da formação das pessoas como também no auxílio em momentos de crise como o que estamos passando agora. Temos na ciência a condição de desenvolver vacinas, sequenciar o vírus, propor tratamento, pesquisar soluções e adaptações. Tudo isso só pode ser feito se tivermos um sistema de pesquisa forte dentro das universidades, em especial as públicas. É uma maneira de justificarmos o nosso trabalho para a sociedade, nos mostrarmos como realmente somos”, sintetiza.
Mais
Vladimir Pinheiro do Nascimento é médico veterinário e Ph.D. em Medicina Veterinária pela Universidade de Glasgow (Grã-Bretanha). Professor Titular de Medicina de Aves do Departamento de Medicina Animal da Faculdade de Veterinária (Favet/UFRGS). Atualmente exerce o cargo de Pró-Reitor de Graduação da UFRGS. Realiza pesquisas no Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Aviária (Favet/UFRGS).
Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2020 ou online.

Avicultura
Abertura do SBSA 2026 destaca importância de compreender cenários globais para a avicultura brasileira
Produtores e profissionais terão acesso a análises sobre economia mundial, comércio e políticas internacionais que afetam a cadeia produtiva.

O cientista político, professor e palestrante Heni Ozi Cukier (HOC) palestrará na abertura do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), com o tema Cenários Globais 2026. Formado em Filosofia e Ciências Políticas nos Estados Unidos e mestre em Resolução de Conflitos e Paz Internacional pela American University, em Washington DC, HOC possui trajetória internacional, tendo atuado no Conselho de Segurança da ONU, na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Woodrow Wilson Center, entre outras instituições. A apresentação, patrocinada pela Farmabase, está programada para o dia 07 de abril, às 17h40, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Heni é fundador da HOC Content, produtora de conteúdo e consultoria em comunicação, além de idealizador e coordenador da pós-graduação em Geopolítica da PUC Paraná. Professor de Relações Internacionais, também se destaca na popularização do conhecimento sobre geopolítica por meio do canal Professor HOC, no YouTube, considerado o maior canal brasileiro dedicado ao tema.

Professor e palestrante Heni Ozi Cukier (HOC) palestrará na abertura do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o SBSA será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e reunirá profissionais, pesquisadores, estudantes e empresas para debater inovação, tendências e desafios da cadeia produtiva avícola. Na palestra de abertura, HOC trará análise sobre os principais movimentos geopolíticos e econômicos que impactam o cenário internacional e influenciam mercados globais, incluindo o agronegócio.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, ressalta que a abertura do Simpósio busca ampliar o olhar dos participantes sobre o contexto global que envolve a produção de alimentos. “A avicultura está inserida em um mercado internacional altamente dinâmico. Compreender os cenários globais e os fatores geopolíticos que influenciam a economia mundial contribui para decisões mais estratégicas dentro da cadeia produtiva”, afirma.
A presidente da Comissão Científica do SBSA, Daiane Albuquerque, destaca que a proposta da programação é integrar conhecimento técnico com uma visão mais ampla do ambiente em que o setor está inserido. “O Simpósio sempre busca trazer conteúdos que ajudem os profissionais a compreender não apenas os aspectos técnicos da produção, mas também os movimentos que impactam o mercado. A palestra de abertura traz justamente essa perspectiva estratégica”, explica.
Além da programação científica, o 26º SBSA contará com a realização da 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira de negócios que reunirá empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola, promovendo networking, apresentação de tecnologias e geração de negócios.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica, é necessária inscrição no 26º SBSA. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Tema: Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura
Palestrantes: Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski, Vilto Meurer
Coordenadora da mesa redonda: Luciana Dalmagro
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h – Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa (15 minutos de debate)9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar
Palestrante: Dianna V. Bourassa (15 minutos de debate)10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo
Palestrante: Wilmer Pacheco (15 minutos de debate)11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte
Palestrante: Rosalina Angel (15 minutos de debate)12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos – Painel Manejo
14h – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes: Lucas Schneider, Rodrigo Tedesco Guimarães16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura
Palestrantes: Kali Simioni e João Nelson Tolfo (15 minutos de debate)17h30 – Por que bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme (15 minutos de debate)18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosa: métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande (15 minutos de debate)9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber (15 minutos de debate)10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença
Palestrante: Gonzalo Tomás (15 minutos de debate)11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real
Palestrante: Taís Barnasque (15 minutos de debate)
Sorteios de brindes
Avicultura
Asgav amplia campanha de biosseguridade para granjas no Rio Grande do Sul
Iniciativa levará orientações sanitárias a dezenas de municípios por meio de mais de 260 emissoras de rádio e conteúdos técnicos para produtores comerciais e domésticos.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) inicia nesta semana uma nova etapa da campanha de reforço à biosseguridade nas propriedades avícolas do Rio Grande do Sul. A iniciativa amplia as ações de mobilização do setor e levará orientações objetivas a dezenas de municípios por meio de mais de 260 emissoras de rádio, fortalecendo a conscientização sobre os cuidados sanitários que sustentam a atividade avícola no estado.
A estratégia de comunicação foi estruturada para granjas comerciais e criações de pequena escala, com mensagens claras sobre práticas de prevenção nas propriedades. A campanha contará com 12 drops na Rádio Web, ampliando a circulação das orientações e reforçando a importância de que produtores e granjas mantenham rigor no cumprimento dos protocolos de biosseguridade.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “É fundamental que todos os envolvidos na cadeia produtiva avícola, tenham consciência de que a adoção rigorosa dessas medidas é decisiva para evitar episódios sanitários que possam comprometer a atividade” – Foto: Divulgação/Asgav
“Seguimos mobilizados em defesa da avicultura gaúcha, levando informação técnica e orientação direta sobre a importância da biosseguridade nas propriedades comerciais e nas criações domésticas. É fundamental que todos os envolvidos na cadeia produtiva avícola, tenham consciência de que a adoção rigorosa dessas medidas é decisiva para evitar episódios sanitários que possam comprometer a atividade, a sustentabilidade dos avicultores e o desenvolvimento econômico do estado”, afirma José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs).
Além da comunicação nas rádios, a Asgav também intensificará a divulgação de conteúdos técnicos e materiais informativos produzidos por sua área técnica, incluindo vídeos explicativos sobre procedimentos sanitários. A iniciativa também reforça a importância de seguir as orientações das entidades do setor e dos órgãos responsáveis pela defesa sanitária. Em uma atuação pro ativa e articulada, a Asgav conta com apoio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi/PESA), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), a Famurs Federação da Associações dos Munícipios do RS e a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs/Conagro).
Avicultura
Emirados Árabes e Arábia Saudita ampliam compras de frango brasileiro em fevereiro
Países do Golfo impulsionam exportações, que atingem 493,2 mil toneladas no melhor resultado já registrado para o mês.

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, dois dos maiores importadores de carne de frango do Brasil, ampliaram suas compras em fevereiro. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os Emirados foram o segundo principal destino, atrás da China, com compras que somaram 44 mil toneladas, em alta de 13,4% em relação a fevereiro de 2024. Nesta mesma comparação, as vendas para a Arábia Saudita subiram 7,3%, para 33,8 mil toneladas. O país foi o quarto principal destino, atrás do Japão.

Foto: Shutterstock
Os números ainda não refletem o cenário do conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã, que tornou inacessíveis vários portos de países árabes do Golfo, dificultando as entregas de mercadorias. Os ataques foram lançados no sábado, 28 de fevereiro. Em material sobre os resultados de fevereiro, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, comentou os desafios que o conflito está impondo ao setor. “São grandes os esforços para a construção de alternativas logísticas que mantenham o fluxo para destinos afetados pelo conflito no Golfo do Oriente Médio”, afirmou.
Segundo a ABPA, as exportações de carne de frango do Brasil somaram 493,2 mil toneladas em fevereiro, no melhor resultado já registrado para este mês, em alta de 5,3% sobre o mesmo período de 2025. Em valores, os embarques somaram US$ 945,4 milhões, com aumento de 8,6%, o melhor fevereiro já registrado. Os dados do primeiro bimestre do ano, indica a ABPA, se consolidam como o melhor desempenho do período. No acumulado, foram exportadas 952,3 mil toneladas que somaram US$ 1,819 bi.
No comunicado da instituição, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que as vendas para a China recuperaram os patamares praticados anteriormente nas vendas ao país, a exemplo das vendas para a União Europeia. “Os efeitos comerciais do foco de Influenza Aviária registrado, e já superado, na produção comercial do Brasil, em maio do ano passado, foram superados e devem influenciar positivamente o desempenho das exportações nos próximos meses, acompanhando a alta dos embarques para os principais países importadores”, disse.



