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Pedidos de recuperação judicial cresceram 56,4% no campo

Com inadimplência recorde de 8,3% no agro, produtores enfrentam dificuldade para renegociar dívidas e risco de perder acesso ao próximo Plano Safra.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O fechamento da safra de soja 2025/2026 deixou mais do que perdas no campo. A combinação entre quebra de produção provocada pelo clima, queda na rentabilidade da soja e reflexos sobre a safrinha de milho elevou a pressão financeira sobre produtores rurais e agravou os indicadores de inadimplência no agronegócio brasileiro.

Advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos: “O produtor não pode esperar o próximo Plano Safra sair para descobrir que está com as portas fechadas. O momento de organizar certidões, revisar o passivo e buscar o alongamento legal das dívidas é agora, entre maio e junho” – Foto: Divulgação

Dados da Serasa Experian mostram que os pedidos de recuperação judicial no agro cresceram 56,4%, enquanto a inadimplência atingiu 8,3% da população rural, o maior índice já registrado no setor. A maior parte das dívidas está concentrada em operações bancárias, justamente no momento em que produtores começam a se preparar para acessar os recursos do próximo Plano Safra.

Segundo o advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, muitos agricultores ainda cometem um erro recorrente: tentar renegociar dívidas diretamente com os bancos sem planejamento jurídico e financeiro adequado. “O principal erro é deixar as dívidas vencerem e tentar renegociar sozinho junto ao banco. Nesse momento, muitas vezes acontece uma renegociação que chamamos de ‘operação mata-mata’: aumenta os juros, emite uma nova cédula para quitar a anterior e a dívida vira uma bola de neve”, menciona.

De acordo com o especialista, esse tipo de renegociação pode comprometer diretamente a capacidade futura de crédito do produtor. “Quando chega o próximo Plano Safra, mesmo tendo renegociado, o produtor acaba com o score comprometido, redução do limite de crédito e dificuldade para acessar financiamento”, pontua.

Crédito mais restritivo

Além da deterioração financeira provocada pela última safra, produtores enfrentam um ambiente bancário mais rigoroso. Exigências relacionadas à governança, compliance e critérios ambientais passaram a ter peso crescente na liberação de crédito rural.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Segundo Santos, produtores com restrições financeiras, pendências ambientais ou problemas cadastrais podem encontrar dificuldades para contratar financiamentos subsidiados. “A questão ambiental conta muito. Multas, notificações, processos ambientais ou irregularidades podem travar o crédito rural. Hoje o sistema financeiro olha cada vez mais para esses critérios”, afirma.

O advogado também alerta que muitos agricultores deixam para organizar a situação financeira apenas quando o Plano Safra é lançado, o que reduz as chances de aprovação do crédito dentro das condições mais favoráveis.

Entre as principais recomendações estão a reestruturação antecipada das dívidas, alongamento dos contratos, regularização de restrições financeiras e revisão das certidões da propriedade.

Blindagem financeira

Foto: Shutterstock

Para produtores que enfrentam dificuldades após a colheita, a recomendação é buscar mecanismos previstos no Manual do Crédito Rural (MCR), que permite prorrogação de dívidas em casos de frustração de safra ou problemas de mercado.

Segundo Santos, a antecipação será decisiva para evitar o fechamento das linhas de financiamento na próxima temporada. “O produtor não pode esperar o próximo Plano Safra sair para descobrir que está com as portas fechadas. O momento de organizar certidões, revisar o passivo e buscar o alongamento legal das dívidas é agora, entre maio e junho”, afirma.

O especialista avalia que a reestruturação financeira deixou de ser apenas uma medida emergencial e passou a ser uma estratégia de sobrevivência para muitos produtores diante do aumento do custo financeiro e da restrição de crédito no campo.

Fonte: O Presente Rural

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EUA mantêm carne bovina, frango e café brasileiros fora de nova tarifa de 25%

Lista de exceções divulgada pela Casa Branca preserva alguns dos principais produtos do agronegócio brasileiro exportados ao mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

Os Estados Unidos confirmaram na quarta-feira (15) que as importações de carne bovina, carne de frango e café produzidos no Brasil ficarão fora da nova tarifa de 25% anunciada para parte dos produtos brasileiros. A decisão consta da lista oficial de exceções divulgada pela Casa Branca e preserva três das principais cadeias exportadoras do agronegócio nacional.

A manutenção desses produtos entre as exceções já era considerada provável por representantes do setor privado, em razão da relevância que o Brasil possui como fornecedor para o mercado norte-americano.

Café mantém acesso ao principal mercado comprador

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Entre os produtos beneficiados está o café, cujo principal destino de exportação são os Estados Unidos.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, entre janeiro e junho de 2026, o mercado norte-americano respondeu por aproximadamente 17% de todo o volume exportado pelo Brasil, mantendo a liderança entre os compradores do café brasileiro.

A permanência do produto fora da nova tarifa reduz o risco de perda de competitividade em um mercado estratégico para o setor.

Carnes seguem entre os principais itens da pauta comercial

As carnes também permanecem fora da sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos.

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

No caso da carne bovina, o mercado norte-americano consolidou-se em 2026 como o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Já a carne de frango continua entre os produtos de maior presença no comércio bilateral, com os Estados Unidos figurando entre os principais mercados para a proteína produzida no Brasil.

A exclusão desses produtos da nova tarifa reduz o impacto imediato sobre segmentos que respondem por parte significativa das exportações do agronegócio brasileiro.

Decisão reduz impacto sobre setores estratégicos

Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná

Embora outros produtos brasileiros permaneçam sujeitos à nova tarifa anunciada pelo governo norte-americano, a exclusão de café, carne bovina e carne de frango preserva cadeias com forte participação na balança comercial do agronegócio.

Além do volume exportado, esses setores têm papel relevante na geração de renda, empregos e divisas para o país, mantendo os Estados Unidos entre os principais parceiros comerciais do agro brasileiro.

Fonte: O Presente Rural
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Empresas que compram da agricultura familiar poderão receber selo nacional de reconhecimento

Certificação prevê critérios como comprovação da origem dos produtos, contratos regulares de fornecimento e práticas de transparência nas relações comerciais.

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Foto: AEN

A Câmara dos Deputados avançou com uma proposta que cria dois selos nacionais para reconhecer empresas e estabelecimentos comerciais que atuam com produtos da agricultura familiar. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o Projeto de Lei 3351/23, que institui as certificações “Amigo da Agricultura Familiar” e “Empresa Parceira da Agricultura Familiar”.

A medida estabelece critérios para identificar agentes econômicos que mantenham relações comerciais com agricultores familiares, incluindo venda direta ao consumidor, contratos de fornecimento, armazenamento, logística, comercialização e exportação.

Certificação será voluntária e não garante benefícios fiscais

Foto: Tomaz Silva

O texto aprovado prevê que os selos terão validade nacional e caráter voluntário. A certificação não dará direito automático a benefícios fiscais, linhas de crédito ou subsídios públicos, exceto quando houver previsão específica em outras normas.

O selo “Amigo da Agricultura Familiar” será destinado a estabelecimentos comerciais que comercializem produtos originados da agricultura familiar em lojas físicas ou plataformas digitais.

Já o selo “Empresa Parceira da Agricultura Familiar” será concedido a empresas que mantenham relações comerciais de longo prazo com agricultores familiares ou organizações do segmento.

Entre as atividades abrangidas estão operações de logística, armazenamento, comercialização e exportação de produtos.

Critérios deverão comprovar origem e relação comercial

Para obter a certificação, as empresas deverão comprovar a origem dos produtos adquiridos da agricultura familiar e demonstrar a existência de contratos regulares de fornecimento com produtores ou organizações representativas.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O projeto também estabelece como critérios a adoção de práticas relacionadas à responsabilidade social, transparência e respeito à diversidade da agricultura familiar brasileira.

A regulamentação da proposta deverá definir os procedimentos para concessão, renovação e suspensão dos selos, além das regras para uso da identificação visual em embalagens e materiais de divulgação.

Segmento reúne 77% dos estabelecimentos agropecuários

A agricultura familiar está presente em 3,8 milhões de estabelecimentos rurais brasileiros, o equivalente a 77% do total de propriedades agropecuárias, segundo dados do Censo Agropecuário 2017, o mais recente levantamento divulgado sobre o tema.

O segmento ocupa 80,9 milhões de hectares, cerca de 23% da área agropecuária do país, e responde pela ocupação de mais de 10 milhões de pessoas, aproximadamente 67% da mão de obra empregada na agricultura.

A produção da agricultura familiar movimenta cerca de R$ 107 bilhões, equivalente a 23% da produção agropecuária brasileira, de acordo com dados da Embrapa e do Censo Agropecuário.

A atividade tem participação principalmente no abastecimento de alimentos destinados ao mercado interno, com produção de frutas, hortaliças, grãos e produtos de origem animal, além da criação de animais em pequenas propriedades rurais.

Fonte: O Presente Rural
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Ocesc visita Coamo para conhecer modelo de governança cooperativa

Comitiva catarinense esteve em Campo Mourão (PR), onde conheceu a estrutura de gestão, o parque industrial e o Memorial Coamo.

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Fotos: Divulgação

Para fortalecer o relacionamento institucional e conhecer novas experiências no cooperativismo, o presidente do sistema Ocesc – Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, Vanir Zanatta, visitou esta semana as cooperativas Coamo e Credicoamo, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. Zanatta foi recebido pelas diretorias, e ao lado de Tiago Matias Vitali, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO), Edson Ribeiro, consultor Estratégico e Ricardo Miotto Ternus, superintendente da Ocesc conheceu o sistema de governança corporativa da Coamo, implantado em fevereiro de 2020.

O grupo catarinense foi capitaneado por Zanatta, que ocupa o cargo de presidente da cooperativa Coperja, de Jacinto Machado, considerada a maior cooperativa de arroz do Brasil, com 55 anos de história e referência no agronegócio. Os visitantes conheceram o Memorial Coamo – um espaço que conta a história da Coamo e dos seus cooperados com os eixos passado, presente e futuro-, o parque industrial e a área de Logística na gerência de Transportes. E antes do Memorial, eles participaram da abertura do encontro anual do FuturoCoop com mais de 500 adolescentes de todas as regiões da Coamo.

“Ficamos felizes em visitar a Coamo e a Credicoamo, e foi uma honra ser recebido pelos presidentes, e em especial, pelo Dr. Aroldo, presidente dos Conselhos de Administração. Conversamos e aprendemos sobre o estágio bem-sucedido da governança que mudou para melhor as atividades nas cooperativas, com foco e bons resultados. Visitamos também o Memorial Coamo, que é um local incrível para mostrar um excelente cooperativismo feito a muitas mãos há 55 anos nesta região fértil do Paraná”, conta Vanir Zanatta, presidente do Sistema Ocesc.

Com foco no desenvolvimento sustentável, inclusão produtiva e geração de renda, o presidente catarinense ressalta que o cooperativismo tem papel essencial na qualidade de vida da população. “As cooperativas reúnem pessoas em torno de um propósito comum e que valorizam, em sua essência, o equilíbrio entre eficiência econômica e inclusão social. Com o cooperativismo enraizado em nossa cultura e história, esses valores prosperaram em nossa terra e firmamos a governança democrática, a transparência nas decisões, e a solidariedade entre as pessoas.”

Segundo Zanatta, sua gestão tem sido conduzida pautada na valorização da representatividade, no fortalecimento institucional e na expansão do cooperativismo de Santa Catarina. O presidente da Ocesc, gravou participação no programa Momento Coamo com exibição programada para o dia 21 de julho, a partir das 19 horas, no canal da Coamo no youtube.

Fonte: Assessoria Sistema Ocesc
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