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Notícias De olho na saúde animal

Pecuaristas gaúchos perdem mais de R$170 mi anuais com doença parasitária

Estudo levou em conta apenas os gastos com medicamentos e mão de obra

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Gisele Rosso/Embrapa

Uma estimativa realizada pela Embrapa Pecuária Sul (RS) chegou ao valor aproximado gasto anualmente pelo pecuarista gaúcho com a miíase, popularmente conhecida como bicheira: R$ 171.420.022. O estudo levou em conta apenas os gastos com medicamentos e mão de obra, deixando de fora outros aspectos de difícil mensuração, como a perda de peso dos animais e a depreciação do couro dos bovinos e da lã dos ovinos.

O problema é provocado pela mosca Cochliomyia hominivorax, que deposita ovos nas feridas dos animais. Por esse motivo, os especialistas recomendam preservar o rebanho de ferimentos, com a utilização de cercas adequadas, e sempre tratar cicatrizações geradas por procedimentos cirúrgicos como castrações, por exemplo.

A pesquisa avaliou dois cenários: um com propriedades que têm apenas criação de bovinos e outro com a criação conjunta de bovinos e ovinos, contexto em que ocorreram os maiores gastos para controle do problema, segundo explica o pesquisador da área de socioeconomia da Embrapa Jorge Sant’anna dos Santos, que conduziu os estudos.

Dois estabelecimentos rurais modelo foram usados para fazer a estimativa de custo mínimo para tratar a bicheira: um com rebanho de 120 terneiros (pressupondo 150 vacas de cria); e outro com 100 ovinos e 250 bovinos.

“Fazem parte da composição desse custo mínimo os medicamentos adquiridos e o tempo da mão de obra alocado no enfrentamento do problema. A perda de animais revelou-se pouco expressiva em todos os produtores consultados, razão pela qual excluímos esse item da composição desse gasto mínimo. Igualmente excluímos do cálculo a perda de peso dos animais, em função da dificuldade dos informantes em estimá-la, o que poderia introduzir uma imprecisão no objetivo de se alcançar o custo mínimo médio por propriedade”, explicou Sant’anna.

Somadas as despesas com medicamentos e o custo com a mão de obra, o valor gasto no estabelecimento-modelo somente com bovinos foi de R$ 1.504,80 ao ano. Na propriedade com bovinos e ovinos o número chegou a R$ 2.816,93.

De acordo com Sant’anna, com dados da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, foi possível estimar um número de 87 mil propriedades gaúchas nas quais o produtor investe para controlar a bicheira, sendo 47 mil estabelecimentos com a criação concomitante de bovinos e ovinos, e 40 mil apenas com bovinos.

“Tomadas as 47 mil propriedades com ovinos e bovinos, é possível alcançar um total de gastos com a bicheira da ordem de R$ 116.349.400. Os 40 mil estabelecimentos apenas com bovinos realizam gastos na ordem de R$ 55.070.622, mostrando que nos estabelecimentos em que existem ovinos, os gastos representam mais que o dobro das despesas para prevenir e tratar a bicheira do que nos estabelecimentos somente com bovinos”, pontua o pesquisador.

Com a soma dos dois modelos de propriedade se chegou ao valor estimado de gastos com a bicheira no Rio Grande do Sul. “Pode-se indicar que o total das perdas econômicas dos produtores de bovinos e ovinos ocasionadas em função da incidência da bicheira nos seus rebanhos ultrapassa a cifra de R$ 170 milhões”, analisa o pesquisador.

Causada por moscas

A bicheira ou miíase é a infestação de animais vertebrados vivos por larvas de moscas. As larvas se alimentam do tecido vivo ou morto do hospedeiro. A etimologia da palavra vem de myie=mosca e ase=doença. Existem diversos tipos de miíases, dependendo da localização, biologia da mosca que a causa e tipo de tecido (morto ou vivo) do qual o inseto se alimenta.

As miíases obrigatórias ou primárias são aquelas em que a larva se alimenta de tecido vivo. Nesse grupo, está incluída a mosca Cochliomyia hominivorax, muito importante na criação de bovinos. Porém, pertencem a esse grupo também as míiases causadas pelo berne (Dermatobia hominis) e pela mosca Oestrus ovis (específica para ovinos).

Além da miíase obrigatória, pode ocorrer a miíase secundária, ocasionada por larvas de moscas que se alimentam de tecido morto (seja em animais mortos ou no animal vivo, mas que tenha ferimento com tecido necrosado).

Produtor estima 7,8% do custo só para tratar a bicheira

O produtor de bovinos e ovinos Antonio Silvano Oliveira, do município de Pedras Altas (RS), calcula que 7,8% de todo o custo de sua propriedade está comprometido apenas com o controle da bicheira. “É um percentual bem significativo, considerando que nos últimos anos a margem líquida do setor pecuário vem encolhendo. Sem contar as perdas com manejo e estado corporal dos animais que não estão sendo mensuradas, mas que acredito ter um valor bem considerável, aumentando ainda mais o custo provocado por essa enfermidade”, destaca.

De setembro a abril, quando cessa o frio no Rio Grande do Sul, é a época crítica para aparecimento do problema. Mas na fazenda de Silvano, o problema tem aparecido todos os meses do ano, até mesmo no inverno. “O manejo dos potreiros é realizado duas vezes por semana. Se não tivéssemos essa enfermidade, com certeza o custo com manejo se reduziria praticamente pela metade. Devido à ocorrência de bicheiras se tem necessidade de dois funcionários para serviço de campo. Se fosse erradicada a bicheira, se teria necessidade de apenas um funcionário para o cuidado dos animais. E auxílio de mais uma pessoa apenas para realizar as dosificações, o que ocuparia quatro dias do mês em média”, pontua.

Como tratar o problema

Conforme a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Cláudia Gomes, para as miíases causadas pela mosca Cochliomyia hominivorax, o produtor deve fazer uso de boas práticas agropecuárias, como cuidado no manejo dos animais, manutenção de centros de manejo e cercas para evitar ferimentos que atrairão as moscas. “As moscas são atraídas pelo odor do ferimento e depositam ovos sobre a ferida, da qual saem as larvas. O tratamento preventivo é necessário em casos de cura de umbigo em bovinos recém-nascidos ou em procedimentos cirúrgicos, como a castração”, recomenda.

Uma vez instalado o problema, a bicheira causada pela mosca Cochliomyia hominivorax deve ser tratada com aplicação de produtos conhecidos por mata-bicheira ou larvicidas no local infestado. “Em sequência, deve ser feita a remoção das larvas, limpeza da ferida e tratamento com produtos de efeito cicatrizante e repelente. A cicatrização deve ser acompanhada e, se necessário, o tratamento da ferida deve ser repetido a fim de evitar novas infestações”, completa a pesquisadora.

O tratamento exige que os animais doentes sejam apartados e levados para um estábulo (potreiro) onde são ministrados os medicamentos recomendados. No caso dos ovinos, a detecção não é muito simples, devido ao fato de que as lesões podem estar, muitas vezes, encobertas pela lã.

A prevenção das miíases deve fazer parte do planejamento do controle sanitário do rebanho e, para tanto, é necessário o acompanhamento técnico constante.

Fonte: Embrapa Pecuária Sul

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Coops Day 2026 mobiliza Santa Catarina com ações em 12 municípios

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O cooperativismo será celebrado em Santa Catarina com uma programação que combina eventos presenciais, ações de rua e atividades de comunicação em diferentes regiões do Estado. As iniciativas marcam o Dia Internacional do Cooperativismo, o Coops Day 2026, celebrado mundialmente no primeiro sábado de julho.

Foto: Shutterstock

Neste ano, a mobilização tem como tema “Cooperativas por um mundo pacífico”, definido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), e orienta as ações do movimento em diversos países. A proposta relaciona o cooperativismo à construção de sociedades mais inclusivas e sustentáveis, com base em inclusão econômica, participação social e fortalecimento das comunidades.

No Estado, a programação envolve tanto eventos abertos ao público quanto ações simultâneas de divulgação em municípios catarinenses.

Programação cultural

Em Chapecó, o Coops Day 2026 foi realizado na última quinta-feira (02), no Teatro do Centro de

Foto: Divulgação

Cultura e Eventos Plínio Arlindo De Nes. O encontro reúne cooperados, colaboradores, autoridades e comunidade em uma programação aberta ao público.

O evento contou com abertura oficial, apresentações culturais e interação com os Mascotes do Cooperativismo. O destaque foi o espetáculo do Grupo Sou Arte, de Campo Mourão (PR), inspirado no tema mundial do cooperativismo em 2026.

Ações de rua

Além da programação em Chapecó, o Sistema Ocesc promove no sábado (04) uma série de blitzes em parceria com emissoras de rádio em 11 municípios de Santa Catarina.

As ações serão realizadas em espaços públicos, praças e parques, com transmissões ao vivo, interação com o público, distribuição de brindes e participação de cooperativas locais.

Foto: Shutterstock

As atividades integram a celebração do Coops Day, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e promovida pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), que destaca a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento econômico e social.

Segundo o coordenador de comunicação da Ocesc, Paulo Henrique Santhias, a proposta é ampliar o alcance do tema no cotidiano da população. “Queremos levar a mensagem do cooperativismo para onde as pessoas estão, mostrando de forma leve e interativa como esse modelo de negócios gera desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida”, afirma.

Municípios participantes

As ações ocorrerão em Florianópolis, Joinville, Blumenau, Lages, Tubarão, Concórdia, Chapecó, São Miguel do Oeste, Caçador, Criciúma e Canoinhas (local a confirmar).

Em Chapecó, também estão previstas atividades na Praça do Loteamento Vederti I e em frente ao Boca Sport Bar.

Fonte: Assessoria Sistema Ocesc
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Copagril recebe honraria da Assembleia de Mato Grosso do Sul por atuação no cooperativismo

Cooperativa foi uma das seis representantes do ramo agropecuário reconhecidas pela contribuição ao desenvolvimento econômico e social sul-mato-grossense.

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Copagril foi uma das seis cooperativas agropecuárias homenageadas pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul - Foto: Divulgação/Copagril

A Copagril foi uma das cooperativas homenageadas com a Medalha e o Diploma de Honra ao Mérito Legislativo em Homenagem ao Cooperativismo Sul-Mato-Grossense, durante sessão solene realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), na última quarta-feira (1º) , em Campo Grande (MS). A homenagem integrou a programação da Semana do Cooperativismo e reconheceu pessoas, instituições e cooperativas que contribuem para o fortalecimento do movimento cooperativista e para o desenvolvimento econômico e social do Estado.

Homenagem reconheceu a contribuição da Copagril para o cooperativismo sul-mato-grossense – Foto: Divulgação/Copagril

A solenidade foi proposta pelo deputado estadual Professor Rinaldo Modesto, presidente da Frente Parlamentar de Defesa do Cooperativismo (Frencoop/MS), que destacou a importância do setor para Mato Grosso do Sul. Atualmente, o cooperativismo representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, reunindo mais de 138 cooperativas, aproximadamente 668 mil cooperados e cerca de 15,5 mil empregos diretos.

Entre as cooperativas do ramo agropecuário, apenas seis receberam a honraria, evidenciando o protagonismo da Copagril no desenvolvimento do cooperativismo sul-mato-grossense. A cooperativa foi representada na cerimônia pelo diretor vice-presidente, Cesar Luiz Petri, e pelo diretor-secretário, Ademir Luis Griep.

O reconhecimento reforça a trajetória construída pela Copagril no Estado, onde atua desde a década

de 1980. Nos últimos anos, a cooperativa intensificou seu plano de expansão, ampliando sua presença em diferentes regiões do Mato Grosso do Sul. De 2025 a 2026, foram inauguradas seis novas unidades, consolidando a estratégia de crescimento e de proximidade com os produtores rurais.

Para o diretor vice-presidente, Cesar Luiz Petri, a homenagem demonstra que o trabalho

Diretor-secretário da Copagril, Ademir Luis Griep, com o diretor vice-presidente Cesar Luiz Petri representaram a Copagril na cerimônia realizada em Campo Grande (MS) – Foto: Divulgação/Copagril

desenvolvido pela cooperativa vem gerando resultados concretos para o desenvolvimento regional. “Receber esta homenagem é motivo de muito orgulho para a Copagril. É o reconhecimento de uma trajetória construída com seriedade, compromisso com os cooperados e investimentos constantes no Mato Grosso do Sul. Seguiremos trabalhando para fortalecer o agronegócio e levar cada vez mais oportunidades aos produtores da região”, destaca Petri.

O diretor-secretário, Ademir Luis Griep, ressalta que a expansão da cooperativa no Estado está diretamente ligada aos princípios do cooperativismo. “Esse reconhecimento pertence a todos que fazem parte da Copagril. Nossa missão é estar cada vez mais próximos do produtor, oferecendo soluções, assistência técnica e segurança para que ele possa produzir com eficiência. É gratificante ver esse trabalho sendo valorizado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul”, afirma Griep.

Para a Copagril, a homenagem representa o reconhecimento de um trabalho pautado nos princípios do cooperativismo, na geração de oportunidades para os cooperados e no compromisso com o desenvolvimento regional. A expansão da cooperativa no Mato Grosso do Sul reafirma esse propósito, levando soluções, tecnologia, assistência técnica e fortalecendo o agronegócio em um dos estados mais promissores do país.

A Medalha e o Diploma de Honra ao Mérito Legislativo foram instituídos pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para reconhecer pessoas e instituições que contribuem de forma significativa para o fortalecimento do cooperativismo, um modelo de negócio que segue impulsionando o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Estado.

 

Fonte: Assessoria Copagril
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Veto ao Projeto dos Safristas mantém impasse sobre contratação de temporários no campo

Texto aprovado pelo Congresso previa preservar o acesso a programas sociais para trabalhadores contratados durante a safra. Cooperativas e setor produtivo defendem derrubada do veto.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

Ampliar a oferta de mão de obra formal durante os períodos de safra sem comprometer a proteção social dos trabalhadores é um dos principais desafios enfrentados pela agropecuária brasileira. Como forma de oferecer uma solução para essa questão, o Projeto de Lei (PL) 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas, apoiado pelo cooperativismo, foi aprovado no Congresso Nacional. Apesar de sua importância para o setor, a proposta foi integralmente vetada pela Presidência da República e, por isso, a expectativa agora é de que a decisão seja revertida no Parlamento.

Foto: Gilson Abreu

De autoria do deputado Zé Vitor (MG), membro da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), o projeto prevê que a renda obtida em contratos temporários de safra não seja considerada para a exclusão imediata de programas sociais. A medida busca reduzir a informalidade, ampliar as oportunidades de trabalho no campo e atender à demanda de produtores rurais e cooperativas que enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores durante os períodos de colheita.

Relator da matéria, o deputado Evair de Melo (ES), também membro da Frencoop, defende que a iniciativa responde a uma demanda histórica do setor produtivo e cria condições para ampliar a formalização das relações de trabalho. “A ideia é fomentar a formalização do trabalho em diversas culturas agrícolas. As regras dos programas sociais e a remuneração por produtividade acabam criando um cenário que incentiva a informalidade. Precisamos oferecer segurança para quem quer trabalhar e para quem precisa contratar”, afirma.

Cooperativas defendem mudança

O Projeto dos Safristas conta com apoio do Sistema OCB e de cooperativas agropecuárias, que afirmam enfrentar dificuldades recorrentes para formar equipes durante os períodos de colheita.

Segundo a entidade, a escassez de mão de obra formal afeta diferentes cadeias produtivas e tem levado produtores e cooperativas a buscar alternativas para atender à demanda sazonal de trabalhadores.

Foto: Divulgação

Dados do Sistema OCB indicam que o ramo agropecuário reúne 1.172 cooperativas, movimenta R$ 438,2 bilhões por ano e responde por mais de 257 mil empregos diretos no país.

Para a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, a proposta cria um mecanismo para aproximar políticas de assistência social e de geração de emprego. “O desafio da mão de obra no campo só será resolvido com regras que estimulem a formalização. O Projeto dos Safristas representa um avanço porque aproxima políticas sociais e políticas de emprego, beneficiando trabalhadores, cooperativas e toda a cadeia agropecuária”, afirma.

Próximo passo depende do Congresso

Com o veto presidencial, o projeto retorna ao Congresso Nacional, que decidirá, em sessão conjunta de deputados e senadores, se mantém ou derruba a decisão do Executivo. Caso o veto seja rejeitado, o texto poderá ser promulgado e entrar em vigor.

A discussão ocorre em um momento em que produtores rurais e cooperativas relatam dificuldades para preencher vagas temporárias durante as safras, especialmente em atividades que exigem grande número de trabalhadores em períodos concentrados. O Projeto dos Safristas foi apresentado como uma tentativa de reduzir esse gargalo por meio de incentivos à contratação formal, sem impacto imediato sobre os benefícios sociais recebidos pelos trabalhadores.

Fonte: O Presente Rural com OCB
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