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Pecuaristas criam entidade para fomento da raça bovina Murray Grey
Associação Brasileira de Murray Grey e Greyman (ABMGG) surge com o propósito de estabelecer e promover a raça no mercado de carnes nobres e genética nacional

O mercado de carnes nobres e genética bovina no Brasil acaba de ganhar mais uma suculenta opção, a raça Murray Grey e Greyman. De origem australiana e marmoreio diferenciado, esta raça e seus cruzamentos já contam com cerca de 20 criadores associados no país. Eles desenvolvem pesquisas, realizam transferências de embriões e adquirem sêmen de touros P.O com a finalidade de adaptar e estabelecer mais um polo nacional de criação do rebanho no mundo.
É neste cenário que nasce a ABMGG, que a exemplo de entidades australianas e argentinas, surge para consolidar a presença deste rebanho no Brasil. De acordo com o presidente da entidade, Luiz Carlos Ardenghy Sobrinho, da Cabanha Guarita, a proposta é fomentar o mercado de carnes nobres em cima da raça, além de oportunizar a troca de informações, conhecimentos e práticas com criadores de países do Mercosul, EUA, Canadá, Austrália, entre outros.
“Tem pessoas no Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, além do Rio Grande do Sul, por exemplo, interessadas em expandir a raça e seus cruzamentos. A Associação pretende agregar e promover a raça e mostrar onde tem Murray Grey, os cruzamentos, embriões e as cabanhas interessadas”, complementa o pecuarista.
O primeiro registro da presença da raça bovina Murray Grey em território brasileiro aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2013, com os primeiros exemplares P.O da raça chegando ao país. A porta de entrada foi o município de Palmeiras das Missões, através da iniciativa pioneira do próprio pecuarista Luiz Carlos Ardenghy Sobrinho, da Cabanha Guarita.
Sobrinho salienta que já é possível comprar sêmen Murray Grey aqui no Brasil, oriundos de quatro touros de alta qualidade. Isto é, não há necessidade de importar material genético de fora, pois a oferta nacional atende à demanda satisfatoriamente.
“Hoje temos touros P.O aqui no Rio Grande do Sul, que suprem a necessidade para quem vai começar o rebanho. São animais Murray Grey de transferência de embrião que vieram da Austrália e foram feitos na Argentina e no Uruguai e que nós importamos para cá”, garante o criador.
Características
De porte exuberante, a raça se apresenta com pelagem clara, mucosa preta, marmoreio diferenciado e baixo teor de gordura na área subcutânea. Os animais são rústicos, precoces e dóceis. As fêmeas têm facilidade de parto e são ótimas mães. A raça apresenta ótima conversão alimentar nos mais diferentes sistemas de alimentação.
Também é possível o cruzamento específico de Murray Grey com zebuínos como Brahman ou Nelore, formando a raça sintética Greyman, a qual também surgiu na Austrália e existe nos mais diversos países.
O Greyman é um animal de ótimo relevo muscular, de fácil acabamento, muito dócil e de fácil manuseio. São animais de pelagem clara e mucosa escura. Também possuem bastante marmoreio e menos gordura subcutânea. Por estas características o Greyman é muito usado em zonas de climas quentes.
Adaptação
O padrão racial e o biótipo funcional do Murray Grey ajudam a estabelecer e adaptar a raça em diversos países. No Brasil, atualmente, a raça Murray Grey e Greyman já contam com criadores de animais P.O e cruzados em Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, além do Rio Grande do Sul.
A história da raça
O primeiro bezerro cinzento, como também é conhecido o Murray Grey, foi criado por acaso de um pai Angus sobre uma vaca Shorthorn Roan clara, em Thologolong, no Rio Murray. É uma raça de gado de corte australiano que foi desenvolvido no alto vale da região, na fronteira entre Nova Gales do Sul e Victoria. A partir deste momento, esta e outras vacas passaram a produzir muitos bezerros cinzentos para diferentes touros Angus.

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Eventual sanção dos EUA ao Irã não deve afetar o Brasil, avalia governo
Comércio restrito com o Irã e cenário internacional complexo sustentam avaliação de baixo impacto para a economia brasileira.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção dos Estados Unidos ao Irã, conforme anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, não deve trazer impactos relevantes para o Brasil. “Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de exportação. No Brasil, nossa relação comercial com o Irã é pequena”, disse.

Foto: Jonathan Campos
Segundo Alckmin, a proposta de uma super tarifação enfrenta obstáculos práticos e políticos. “A questão da super tarifação é difícil de ser aplicada. Você teria que aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus”, afirmou.
O ministro destacou ainda que, até o momento, não houve a edição de uma ordem executiva pelo governo norte-americano que efetivamente imponha sanções ao Irã. “Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro”, ressalta.
Ao citar o comércio europeu com o país do Oriente Médio, Alckmin reforçou que a relação não é exclusiva de economias emergentes. “A Europa, por exemplo, também exporta para o Irã. A Alemanha, muitos países têm comércio exterior”, explicou, complementando: “Vamos torcer, trabalhar para que isso não ocorra”.
O vice-presidente também ressaltou o posicionamento histórico do Brasil no cenário internacional, afirmando que o país não mantém

Foto: Claudio Neves
litígios e tem tradição diplomática pacífica. “No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz. O que nós queremos é paz. Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política”, enfatizou.
Para Alckmin, o atual contexto internacional exige maior protagonismo brasileiro. Ele classificou o momento como delicado para o mundo, mas estratégico para o país. “Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando”, reforçou.
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Drones ganham escala no campo e desafiam a hegemonia dos aviões agrícolas
Equipamentos já entregam o mesmo desempenho, com mais segurança e menor custo operacional.

A evolução tecnológica dos drones profissionais é tão notória que não se questiona mais se os drones substituirão os aviões agrícolas. A questão que se coloca agora é quando isso acontecerá. E a resposta pode ser surpreendente: os drones já são capazes de fazer o mesmo trabalho que os aviões de pulverização e a um custo muito mais baixo e de forma mais segura para as pessoas.
A última fronteira para os drones de pulverização são mesmo os aviões. Isso porque eles se tornaram mais vantajosos do que os métodos tradicionais no campo para aplicação de defensivos agrícolas, fertilizantes e outros insumos, como pulverização costal, equipamento e produtos carregados nas costas pelos trabalhadores, pulverização de arrasto feita por tratores e pulverização de autopropelidos, grandes máquinas agrícolas.
Mais do que a capacidade, que cresceu consideravelmente nos últimos anos, saindo de reservatórios de 20 litros para atuais que superam os 100 litros, o que permite aos drones competir em igualdade com os aviões é o chamado ‘voo em enxame’, que é a operação de mais de um equipamento ao mesmo tempo a partir de uma única estação de pilotagem. Dessa maneira, os drones podem trabalhar sobre uma área maior que antes era alcançada somente por aviões agrícolas. “A possibilidade de vários drones operarem como enxame de forma automática monitoradas por um piloto remoto apenas e dos avanços tecnológicos permitirem a operação em áreas maiores para a aplicação de defensivos vão garantir a supremacia das aeronaves remotamente pilotadas na agricultura”, afirma o engenheiro cartógrafo, Emerson Granemann.
De acordo com um estudo da ResearchAndMarkets, o setor de drones agrícolas vai crescer exponencialmente nos próximos anos. De um mercado de US$ 2,68 bilhões em 2024, vai saltar para US$ 80,94 bilhões em 2034, com um crescimento anual de 40,6% no período entre 2025 e 2034. No Brasil, calcula-se que existam 35 mil drones de pulverização em operação, em 2021 a estimativa era de 3 mil drones.
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Poder de compra do produtor recua com queda das commodities e pressão cambial
IPCF sobe para 1,31 em dezembro, refletindo desvalorização agrícola, dólar mais forte e ajuste nos preços dos fertilizantes.

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou dezembro em 1,31, acima dos 1,12 registrados em novembro, refletindo a combinação de fatores adversos no mercado agrícola e de insumos. O avanço do índice foi influenciado pela desvalorização das commodities agrícolas, pelas variações nos preços dos fertilizantes e pela valorização do dólar, que acumulou alta de 2% no período, impulsionada por incertezas políticas no cenário global e pelos indicadores econômicos mais recentes da economia doméstica.
Esse ambiente reforça a necessidade de monitoramento contínuo das variáveis internacionais, especialmente no que diz respeito ao enxofre, insumo estratégico para a cadeia de fosfatados, cujo equilíbrio entre oferta e demanda ainda não sinaliza uma normalização no curto prazo.
No mercado de commodities, os preços recuaram, em média, 0,8% em dezembro, movimento puxado principalmente pela soja, que caiu 2,3%, e pelo algodão, com retração de 2%. A desvalorização esteve associada à expectativa de uma safra elevada e ao avanço da colheita nos estados do Paraná e de Mato Grosso. Cana-de-açúcar e milho apresentaram estabilidade no período, embora o milho continue sob pressão diante da perspectiva de uma safrinha robusta no Brasil.
Os fertilizantes, por sua vez, registraram recuo médio de 0,3%, em um cenário marcado por baixa liquidez e pressão de inventários, com destaque para a queda de 2% nos preços da ureia. Em sentido oposto, o superfosfato simples apresentou valorização de 3,8% e o cloreto de potássio avançou 2,6%, sustentados pela maior demanda associada aos requerimentos de safra e pelo aumento dos custos de produção.
No mercado interno, o foco permanece concentrado na colheita da soja e no início do plantio da safrinha, fatores que devem seguir influenciando a dinâmica de preços nos próximos meses. Já no cenário internacional, as cadeias de fosfatados continuam operando em um ambiente ajustado, impactado pela redução temporária das exportações chinesas. Ao mesmo tempo, os preços globais do enxofre seguem firmes, sustentados pela maior demanda de outros segmentos industriais, como o de baterias. Esse contexto adiciona pressão gradual aos custos de produção dos fertilizantes fosfatados, ainda que de forma administrada pelo mercado.
Ao longo de 2025, o IPCF registrou média anual de 1,18, refletindo um ano marcado por elevada volatilidade nos mercados agrícolas e de insumos. Apesar desse ambiente desafiador, o índice demonstrou resiliência, evidenciando a capacidade de adaptação do setor às condições internacionais e a manutenção de um ambiente competitivo para o produtor brasileiro.




