Notícias Agronegócio
Pecuaristas buscam soluções para driblar escassez de insumos
Principal queixa dos produtores tem sido em relação a escassez e consequente alta de preços dos adubos sólidos, além dos próprios defensivos agrícolas, principalmente herbicidas e inseticidas. Muitos produtos registraram aumento de 50 a 100%.

O ano de 2021 tem sido desafiador para todos os setores da economia devido à pandemia do coronavírus, em especial para o agronegócio, setor responsável por alimentar 800 milhões de pessoas em todo o mundo, conforme recente estimativa da Embrapa.
A principal queixa dos produtores tem sido em relação a escassez e consequente alta de preços dos adubos sólidos, com destaque à ureia e aos pertencentes ao complexo N-P-K, além dos próprios defensivos agrícolas, principalmente herbicidas e inseticidas. Muitos produtos registraram aumento de 50 a 100%.
“Temos vários fatores atuando nessa conjuntura. Faltam ativos na China, nosso principal fornecedor. O país asiático enfrenta uma grave crise energética e muitas fábricas foram fechadas por pressão ambiental. O frete marítimo também encareceu absurdamente e faltam contêineres para transportar insumos. Também estamos registrando atrasos na entrega das mercadorias, pois rotas antes diretas entre China e Brasil, agora, param na Europa”, relata o engenheiro agrônomo e gerente Nacional de Pecuária, Ricardo Frugis.
Para os pecuaristas, os desafios têm sido grandes, pois os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina vieram de intensa seca com geada, comprometendo a recuperação das pastagens. Não bastasse, houve aumento da infestação de cigarrinha, especialmente no norte do Mato Grosso e sul do Pará.
Uma forma encontrada para acelerar a rebrota dos pastos, aproveitando-se do início de estabilidade das chuvas, tem sido o uso de adubos foliares, que ainda possuem boa oferta no mercado. Os bioestimulantes presentes no produto favorecem o crescimento das folhas e das raízes, otimizando a absorção de nutrientes pelo capim.
Enquanto a adubação de base busca corrigir a fertilidade do solo, principalmente quanto a possíveis carências de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), a adubação foliar procura compensar a deficiência de micronutrientes como Zinco (Zn), Manganês (Mn), Boro (B) e Molibidênio (Mo), elementos essenciais ao desenvolvimento da planta.
“A adubação foliar é uma tecnologia complementar à adubação de base, uma não substitui a outra, mas como o cenário é desfavorável para aquisição de fertilizantes sólidos, o adubo foliar pode ajudar a melhorar a recuperação e a aumentar a produtividade da pastagem enquanto a situação não se normaliza”, aponta o engenheiro agrônomo e gerente Nacional de Pecuária da Oro Agri.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) comprovou a eficácia da tecnologia testando quatro diferentes tratamentos durante o período seco: um de controle (sem aplicação de qualquer adubo), um com ureia (110kg/ha) em aplicação única; outro, também com aplicação única, mas que recebeu também 2l/ha de adubo foliar com um mix de nutrientes, à base de óleo essencial de casca de laranja (ORO-GRASS), e um onde foi utilizado tanto ureia (110kg/ha) quanto ORO-GRASS (2l/ha). Os resultados podem ser vistos na tabela a seguir.
Produção de forragem de Brachiaria híbrida submetida à aplicação de adubo foliar e ureia na seca (inverno)

O pasto controle produziu somente 1,6 tonelada de matéria seca (MS) por hectare, o ORO-GRASS sozinho atingiu 2,4 toneladas e o composto Ureia + ORO-GRASS gerou quase 3,5 toneladas. O adubo foliar também pode ser utilizado estrategicamente no fim da estação das águas para obtenção de raízes mais profundas e melhoria da captação de água pela planta durante a estação seca.
Já para conter o avanço de pragas e plantas invasoras, como é o caso do capim annoni, uma daninha de folha estreita, hoje, endêmica em todo o Brasil, além de tantas outras invasoras de folhas largas, alguns pecuaristas têm recorrido à mistura de princípios ativos de diferentes inseticidas e herbicidas, mas, para tanto, é necessário seguir algumas recomendações técnicas, segundo Frugis.
“É fundamental que os pecuaristas se atentem à legislação, para saberem quais princípios ativos podem ser misturados, e também se faz necessário o uso de um bom adjuvante para estabilizar a solução. Produtos diferentes levam a reações distintas, como a produção de espuma e a instabilidade da calda, o que pode comprometer a eficiência da pulverização”, adverte o especialista.
Existem no mercado adjuvantes à base do óleo essencial da casca de laranja (neste caso, o COWBOY), que, além de ajudarem a estabilizar a calda no pulverizador, conferem velocidade de absorção dos produtos misturados a eles, em até 15 minutos após a aplicação, característica interessante, posto o esperado aumento do volume de chuvas nos próximos dias.
O problema do abastecimento de fertilizantes é tamanho que o próprio presidente Jair Bolsonaro antevê um possível desabastecimento e inflação dos alimentos em 2022.

Notícias
Cadeia da soja impulsiona exportações brasileiras em julho
Soja em grão cresceu 16,9% e farelo avançou 52,9%, enquanto carnes de aves também ganharam espaço nas vendas externas até a terceira semana do mês.
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Produtores rurais terão até 2027 para obter CNPJ na reforma tributária
Decreto do governo federal adia em seis meses a exigência para pessoas físicas com receita anual superior a R$ 3,6 milhões.

O governo federal adiou para 01º de janeiro de 2027 a obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para produtores rurais pessoas físicas enquadrados nas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A medida foi oficializada pelo Decreto nº 13.075, de 21 de julho de 2026, que amplia em seis meses o prazo de adaptação previsto na reforma tributária.
Inicialmente, a exigência entraria em vigor em julho deste ano. Com a mudança, os produtores rurais continuarão utilizando os atuais mecanismos de identificação fiscal até 31 de dezembro de 2026.

Foto: Divulgação
A obrigatoriedade valerá para produtores rurais com receita bruta anual superior a R$ 3,6 milhões. As regras para os produtores com faturamento abaixo desse limite ainda serão regulamentadas pelo governo.
Segundo a Receita Federal, o adiamento permitirá concluir o desenvolvimento de um sistema simplificado de inscrição no CNPJ e oferecer mais tempo para adaptação dos contribuintes e dos sistemas utilizados para emissão de documentos fiscais.
A proposta é que o cadastro funcione de forma semelhante ao do Microempreendedor Individual (MEI), com processo digital e integrado aos sistemas de emissão de notas fiscais eletrônicas. Também estão previstos um ambiente de testes (sandbox), publicação de manuais técnicos e orientações operacionais para os contribuintes e empresas desenvolvedoras. O novo sistema deve ser disponibilizado em novembro de 2026.
A exigência faz parte da implementação da reforma tributária sobre o consumo, que criou a CBS, administrada pela União, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de responsabilidade de estados e municípios. O objetivo é padronizar a identificação dos contribuintes e integrar os sistemas eletrônicos de fiscalização e emissão de documentos fiscais.
Com a prorrogação, o cronograma prevê o lançamento do sistema simplificado em novembro de 2026 e o início da obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e emissão de documentos fiscais, para os casos previstos em lei, em 1º de janeiro de 2027.
Notícias Em Santa Catarina
Cooperalfa anuncia complexo com supermercado e agropecuária em Canoinhas
Empreendimento será o maior da cooperativa no segmento, com previsão de 128 empregos permanentes e inauguração em 2027.

O empreendimento, que reunirá supermercado e agropecuária em uma única estrutura, representa um dos investimentos mais relevantes da cooperativa na região e reforça seu compromisso com o crescimento econômico, o fortalecimento do agronegócio e a melhoria dos serviços oferecidos aos associados e à comunidade. De acordo com o presidente Romeo Bet, o investimento representa a continuidade do crescimento na região, com impacto diferenciado para Canoinhas, que é a chegada do Superalfa, ampliando o atendimento tanto aos clientes do campo quanto da cidade. “A previsão é concluirmos a obra para o aniversário dos 60 anos da Cooperalfa, em outubro de 2027”, revelou o presidente.
O novo complexo será construído em uma área estratégica da cidade, em um terreno de 13.522,18 metros quadrados localizado entre as ruas Saulo de Carvalho, Álvaro Soares Machado e João Allage. A localização privilegiada contribuirá para consolidar um importante eixo de desenvolvimento urbano e comercial em Canoinhas.
Planejado com base em modernos conceitos de engenharia, mobilidade e funcionalidade, o empreendimento foi projetado para oferecer conforto, praticidade e uma experiência diferenciada aos clientes. A estrutura contará com amplas áreas de estacionamento distribuídas em todo o perímetro e também no subsolo. Ao todo, serão disponibilizadas 261 vagas para veículos, sendo 139 externas e 122 no estacionamento subterrâneo. Destas, 159 vagas serão cobertas, proporcionando mais comodidade e segurança aos usuários.
Áreas amplas de vendas
O supermercado ocupará uma área de vendas de 2.800 metros quadrados e contará com setores completos de açougue, padaria, câmaras frias, depósito de mercadorias e docas independentes para carga e descarga. O espaço também incluirá uma área exclusiva para café, 19 pontos de atendimento ao cliente, além de recursos de acessibilidade e sistemas de esteiras e elevadores para circulação entre os pavimentos.
Já a agropecuária terá uma área de vendas de 1.800 metros quadrados, oferecendo amplo mix de produtos voltados ao setor agropecuário, além de escritórios destinados ao atendimento técnico e comercial dos associados e produtores rurais.
A estrutura foi concebida utilizando tecnologias construtivas modernas, com concreto pré-fabricado, estrutura metálica de cobertura, placas termoacústicas e acabamentos em granito e concreto, garantindo eficiência, durabilidade e conforto acústico.
Bem-estar dos colaboradores
Além das áreas destinadas ao atendimento do público, o projeto contempla espaços voltados ao bem-estar dos colaboradores, incluindo vestiários, refeitório e sala de descanso, proporcionando melhores condições de trabalho para as equipes que atuarão no local.
Todos os processos de desenvolvimento do empreendimento seguem rigorosamente os critérios técnicos e legais exigidos pelos órgãos competentes. O projeto inclui aprovações complementares, licenciamento ambiental e sanitário, além do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), já protocolado junto ao município, e a integração com as concessionárias responsáveis pelos serviços de água, energia e saneamento.
Desenvolvimento econômico e geração de empregos
O investimento também terá reflexos significativos na economia local. Durante a fase de construção, a expectativa é gerar aproximadamente 150 empregos diretos. Após a inauguração, o complexo deverá manter cerca de 128 empregos diretos permanentes entre as operações do supermercado e da agropecuária.
O impacto positivo se estenderá ainda a diversos setores da economia regional, com a criação estimada de aproximadamente 68 empregos indiretos relacionados a fornecedores, transportadoras e prestadores de serviços.
A Cooperalfa projeta que o novo empreendimento receba cerca de 50 mil pessoas por mês, fortalecendo o comércio local, ampliando a arrecadação municipal por meio de tributos como IPTU, ISS e ICMS, além de contribuir para a valorização imobiliária da região e estimular novos investimentos em Canoinhas.
Investimento com olhar para o futuro
O novo complexo comercial reafirma a estratégia da Cooperalfa de investir em infraestrutura, ampliar sua presença regional e oferecer soluções cada vez mais completas para associados, produtores rurais e consumidores.
Mais do que uma nova unidade, o empreendimento representa um importante impulsionador de desenvolvimento para Canoinhas e para todo o Planalto Norte Catarinense, gerando oportunidades, fortalecendo a economia local e consolidando a presença da Cooperalfa como agente de transformação e crescimento sustentável nas comunidades onde atua.
Desafios e oportunidades
O gerente de Engenharia da Cooperalfa, Andrísio Bet, informa que os trabalhos de terraplanagem terão início neste mês de julho, enquanto a execução das obras está prevista para iniciar em agosto de 2026. De acordo com ele, o projeto apresenta desafios significativos em razão de sua complexidade, do cronograma desafiador e das características do terreno, que possui acentuado desnível. “Temos consciência da grandiosidade deste empreendimento e estamos empenhados em conduzir cada etapa com excelência, qualidade e segurança”, destaca.
Andrísio ressalta que a expectativa é elevada em torno da construção do maior supermercado e da maior loja agropecuária da Cooperalfa, em um único complexo integrado. A proposta permitirá otimizar a operação por meio do compartilhamento de áreas de estacionamento, expedição, depósitos e sanitários, gerando maior eficiência e comodidade aos clientes. O empreendimento contará ainda com quatro acessos destinados ao público. “Essa integração fortalece a sinergia entre os negócios, reunindo em um mesmo espaço tanto os moradores da cidade quanto os produtores rurais, ampliando as oportunidades de atendimento e relacionamento com nossos cooperados e clientes”, explica.








