Bovinos / Grãos / Máquinas
Pecuária sustentável ganha selo oficial e incentivo no crédito rural
Certificação em boas práticas amplia a competitividade das fazendas e assegura benefício financeiro para produtores de médio e grande porte.

O Programa Boas Práticas Agropecuárias para Bovinos e Bubalinos de Corte (BPA Bovinos e Bubalinos de Corte), desenvolvido pela Embrapa, recebeu reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A homologação foi publicada no Diário Oficial da União em 08 de junho e representa um marco para a pecuária brasileira, tornando o BPA o primeiro programa de produção animal do país a obter esse tipo de chancela do governo federal.

Foto: Divulgação
Criado em 2015 por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, o manual passou por atualização em 2023, incorporando novas diretrizes voltadas à sustentabilidade, ao bem-estar animal, à eficiência produtiva e ao uso de tecnologias digitais nas propriedades.
Segundo a pesquisadora da Embrapa, Vanessa Felipe de Souza, o reconhecimento fortalece a credibilidade da iniciativa e amplia sua importância para a cadeia pecuária. “Esse programa se destaca porque poderá servir como referência para outros guias de boas práticas, além de gerar mais confiança para o produtor e conceder benefícios às fazendas certificadas”, afirma.
Produção mais eficiente e sustentável
O BPA Bovinos e Bubalinos de Corte reúne um conjunto de normas e procedimentos destinados a tornar os sistemas produtivos mais competitivos e rentáveis, ao mesmo tempo em que busca garantir a oferta de alimentos seguros e produzidos de forma sustentável.
As orientações abrangem áreas como manejo sanitário, bem-estar animal, gestão da propriedade e adoção de ferramentas digitais para aumentar a eficiência da atividade.
Por apresentar diretrizes adaptáveis a diferentes realidades, o programa pode ser implementado por produtores de pequeno, médio e grande porte, em diversas

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regiões do país e em distintos sistemas de produção.
Além do manual técnico, a Embrapa também desenvolveu dois aplicativos específicos: um voltado aos produtores rurais e outro destinado aos técnicos credenciados responsáveis pelo acompanhamento das propriedades.
Certificação pode reduzir juros do custeio
Entre os benefícios da adesão ao programa está a possibilidade de acesso a incentivos financeiros. Produtores de médio e grande porte certificados pelo BPA terão direito a desconto de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros do custeio agrícola previstas no Plano Safra 2026.
Além do incentivo econômico, a certificação contribui para a organização da propriedade, melhoria dos processos produtivos e fortalecimento da sustentabilidade da atividade pecuária.
Como participar
Os produtores interessados podem conhecer as diretrizes do programa por meio do site oficial do BPA Bovinos e Bubalinos de Corte ou procurar a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), além das unidades descentralizadas da instituição espalhadas pelo país.
A rede de apoio inclui centros da Embrapa nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, permitindo que a iniciativa alcance diferentes sistemas produtivos e realidades da pecuária brasileira.

Bovinos / Grãos / Máquinas Em menos de um ano
Indonésia se torna segundo maior destino dos miúdos bovinos do Brasil
País asiático importou mais de 12 mil toneladas do produto entre janeiro e maio, movimentando US$ 19,5 milhões.

Menos de um ano após a abertura do mercado para os miúdos bovinos brasileiros, a Indonésia já ocupa a segunda posição entre os principais compradores do produto, atrás apenas de Hong Kong. Entre janeiro e maio de 2026, o país asiático importou mais de 12 mil toneladas, movimentando US$ 19,5 milhões.
O rápido avanço das compras está ligado ao tamanho do mercado indonésio. Com população superior a 284 milhões de habitantes, a Indonésia importou mais de 70 mil toneladas de miúdos bovinos em 2025, em negócios que ultrapassaram US$ 150 milhões.
Os embarques brasileiros para o mercado internacional também seguem em expansão. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou mais de 106 mil toneladas de miúdos bovinos para 117 países, gerando receita de US$ 256 milhões. Em 2025, as exportações do produto alcançaram 267 mil toneladas, com faturamento de US$ 605 milhões.

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A autorização para a entrada dos miúdos bovinos brasileiros na Indonésia foi concedida em agosto de 2025. Desde então, o número de frigoríficos habilitados a exportar para o país aumentou gradualmente. Em setembro do ano passado, 17 plantas foram incluídas na lista de exportadores autorizados, elevando para 38 o total de unidades aptas a atender o mercado indonésio. Em janeiro deste ano, outras 14 plantas foram habilitadas, totalizando 52 estabelecimentos autorizados.
O crescimento das exportações ocorre em meio à ampliação das relações comerciais entre os dois países. Atualmente, a Indonésia é o 11º principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio deste ano, as compras de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 1 bilhão, com destaque para o complexo soja, fibras e produtos têxteis, além de fumo e derivados.
Embora tenham consumo mais restrito no mercado brasileiro, os miúdos bovinos encontram demanda significativa em diversos mercados internacionais. As exportações desses produtos ampliam o aproveitamento comercial dos animais abatidos e representam uma importante fonte adicional de receita para a cadeia da carne bovina.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reinserção de produtores é caminho estratégico para fortalecer a pecuária sustentável no Brasil
Regularização ambiental, rastreabilidade, assistência técnica e acesso ao crédito são apontados como fatores decisivos para ampliar a inclusão produtiva e manter a competitividade da carne bovina brasileira.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Mais leite, menos dinheiro: produtor recebe menos mesmo com captação recorde
Indústria adquiriu 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026, enquanto o preço médio pago ao produtor caiu 18,8% em relação ao ano passado.

O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma combinação incomum para a cadeia leiteira brasileira: a indústria captou mais leite do que nunca para o período, mas os produtores receberam menos pelo produto em comparação ao ano passado.

Foto: Aires Marga
Entre janeiro e março, os estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária – federal, estadual ou municipal, adquiriram 6,78 bilhões de litros de leite cru, segundo as Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O volume representa aumento de 2,6% em relação ao mesmo período de 2025 e configura a maior captação já registrada para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do instituto. Na comparação com os últimos três meses do ano passado, porém, houve retração de 8%, movimento considerado típico da sazonalidade da produção leiteira.
Enquanto a oferta cresceu, a remuneração dos produtores seguiu em direção oposta. O preço líquido médio pago pela

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indústria foi de R$ 2,24 por litro, valor 18,8% inferior ao observado no primeiro trimestre de 2025.
Apesar da queda anual, os números mostram uma recuperação ao longo do trimestre. O litro de leite saiu de R$ 2,10 em janeiro para R$ 2,44 em março, indicando uma reação dos preços após o início mais fraco do ano.
Paraná lidera crescimento da captação
Entre os estados, o maior aumento absoluto na aquisição de leite ocorreu no Paraná. A indústria paranaense captou 88,74 milhões de litros a mais do que no primeiro trimestre do ano passado.

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Na sequência aparecem o Rio Grande do Sul, com acréscimo de 60,24 milhões de litros, Santa Catarina, com 44,56 milhões de litros adicionais, Minas Gerais, com aumento de 26,63 milhões de litros, e o Ceará, que ampliou a captação em 12,76 milhões de litros.
O desempenho dos estados do Sul reforça a importância da região para a cadeia leiteira nacional. Além de concentrar parte significativa da produção, os três estados mantêm forte presença de cooperativas e indústrias de processamento, o que contribui para a ampliação da captação mesmo em um ambiente de preços mais baixos.
Os dados do IBGE mostram que a produção de leite segue em expansão no país, mas também evidenciam um desafio recorrente do setor: aumentar o volume produzido não significa, necessariamente, maior rentabilidade para quem está na atividade. Em 2026, pelo menos no início do ano, os tanques ficaram mais cheios, mas a remuneração do produtor continuou distante dos níveis observados há um ano.








