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Pecuária de corte se renova
O Paraná é o décimo em produção do país, com 9,3 milhões de cabeças, conforme ranking de 2015
A pecuária de corte paranaense teve uma queda de rendimento no ano de 2016. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Valor Bruto da Produção (VBP) da atividade no estado ficou em R$ 3,058 bilhões, frente aos R$ 3,243 bilhões de 2015, o que representa uma queda de 5,7% em relação ao ano anterior. O Paraná é o décimo em produção do país, com 9,3 milhões de cabeças, conforme ranking de 2015. Na participação do VBP do Paraná, que inclui lavouras e pecuária, o gado de corte representa 4,5% do total, que foi de R$ 68,1 bilhões.
Embora a pecuária de corte tenha perdido espaço no Paraná nos últimos dez anos, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) do estado, especialmente por conta da expansão das áreas de milho, soja e cana-de-açúcar, há produtores que estão voltando a investir na atividade. É o caso de Rodrigo Bellé, de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do estado. Apesar dos 30 anos de experiência da família com a produção leiteira e de ser presidente da Associação Leite Oeste, Bellé trocou a bovinocultura de leite pela de corte. Em julho do ano passado, vendeu as 140 vacas e comprou gado para a recria. O primeiro lote será comercializado em fevereiro deste ano.
“Parei temporariamente com o gado de corte por conta das incertezas do mercado. Não tem como o produtor trabalhar com preço que um dia está R$ 1,70, outro dia está R$ 0,90. Eu tinha um projeto de R$ 400 mil para melhorar o bem estar das vacas, mas parei ele, vendi as vacas em um bom momento, com o preço no auge, investi R$ 70 mil em um novo cercado da propriedade e em uma mangueira de apartação e comprei 69 bezerros”, conta o produtor.
Os animais chegam na fazenda com peso que varia entre seis e sete arrobas e serão comercializados com 12 arrobas. A nutrição é baseada em minerais, silagem e pasto. O sistema de semi-confinamento, segundo o produtor paranaense, deve gerar ganhos superiores ao que atingia com a atividade leiteira. “Vou ter um custo relativamente baixo. Diferente do leite. Eu tirava 1,3 mil litros por dia, mas precisava de duas famílias para fazer o serviço. Isso gerava muito custo. Agora, meu custo vai ser basicamente a nutrição e um funcionário, que ainda ajuda na lavoura. Depois eu vendo para a engorda. Tem um bom mercado para isso”, avalia Bellé.
Ainda conforme o “novo” pecuarista, parte desse primeiro lote deve permanecer na propriedade até atingir peso de abate, com cerca de 20 arrobas. O objetivo é avaliar qual é o melhor desempenho econômico entre os sistemas de recria ou de recria, engorda e terminação. “Vamos colocar tudo nas planilhas e analisar qual é a melhor opção. A partir daí, vamos seguir os resultados”, aponta. Ao todo, os animais, frutos de cruzamentos industriais, ocupam 18,5 hectares da fazenda no interior de Marechal Rondon.
Bellé começa 2017 com uma nova atividade, na expectativa de dias melhores, para o produtor rural. “Esperamos um ano um pouquinho melhor, não só para a bovinocultura de corte, mas para o leite, para todo o agronegócio”.
Mais informações você encontra na edição do Anuário Paranaense do Agronegócio de 2016.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
