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Pecuária de corte se recupera em 2024 e projeta novo ciclo de alta em 2025

Para garantir as melhores oportunidades do setor, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, presidente da Acrimat, diz que o produtor precisa entrar na atividade com uma estratégia clara, escolhendo entre criação, recria ou engorda conforme a vocação da região em que sua propriedade está instalada.

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Fotos: Shutterstock

Após enfrentar períodos difíceis, 2024 foi um ano de recuperação para a pecuária de corte no Brasil. O Valor Bruto de Produção (VBP) deve atingir a marca de R$ 151,9 bilhões, representando um crescimento de 1,88% em relação a 2023, quando o setor fechou o ano com faturamento de R$ 149,1 bilhões. As projeções foram divulgadas em novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e serão consolidadas em janeiro de 2025.

Segundo as Estatísticas da Produção Pecuária, divulgadas em dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2024 deve encerrar com recorde no abate de bovinos e na produção de carne. No terceiro trimestre, o abate cresceu 15,3% em comparação ao mesmo período de 2023, com alta de 3,9% frente ao segundo trimestre de 2024. O total de cabeças abatidas alcançou 10,37 milhões, superando pela primeira vez a marca de 10 milhões de cabeças em um trimestre. O desempenho no último trimestre pode consolidar um recorde anual histórico.

Essa boa oferta de animais é resultado da retenção de fêmeas entre o final de 2019 e 2021, um movimento estratégico do setor. Atualmente, a pecuária se encontra em uma fase de baixa de ciclo, não em número de animais, mas em termos de preços. Os valores do bezerro seguem em queda, o que desincentiva a retenção de fêmeas e, por consequência, aumenta o envio de fêmeas para o abate.

Em relação ao terceiro trimestre de 2023, foram abatidas 1,37 milhão de cabeças a mais no mesmo período de 2024, com aumentos em 25 das 27 unidades da federação. O abate de fêmeas subiu 19,6%, impulsionado pela desvalorização do bezerro em comparação ao ano anterior, enquanto o abate de machos apresentou alta de 12,5%.

Outro fator positivo foi a demanda aquecida pela carne bovina tanto no mercado interno quanto no externo. Conforme dados da Secex/MDIC, as exportações de carne bovina no terceiro trimestre de 2024 atingiram um patamar inédito de 706,43 mil toneladas, representando um aumento de 30,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando o Brasil como líder global no fornecimento de carne bovina.

De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, apesar da recuperação da arroba entre o fim de outubro e o início de novembro e da melhora no clima, o ano ainda foi marcado por muitas dificuldades para os pecuaristas. “Tivemos problemas com preços, seca, incêndios, insegurança jurídica e no campo, com risco constante de invasões de terras e ainda no Mato Grosso tivemos vários impasses para obter liberação de licenciamentos pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso para desmatar áreas legais. Então, no geral, considero que foi um ano razoável”, menciona.

Ribeiro Júnior destaca que a recuperação dos preços da arroba bovina no fim do ano trouxe algum alívio ao setor, com valores próximos ao que eram há dois anos, em torno de R$ 330/@, chegando em algumas regiões a R$ 450/@. “Porém, esses valores apenas recompõem as perdas acumuladas nos últimos anos, considerando os investimentos feitos no período”, afirma.

Outro ponto de atenção é o preço do bezerro, que esteve muito abaixo do ideal ao longo de 2024, mas deu sinais de melhora no fim do ano. Na segunda quinzena de dezembro, o Indicador do Bezerro Esalq/BM&FBovespa – Mato Grosso do Sul registrou preço de R$ 2.651,08, com peso médio de 201 quilos. Segundo Ribeiro Júnior, a tendência é de que os preços subam no início de 2025. “A perspectiva para 2025 é muito melhor. O cenário externo está pujante e crescente, com muitos países buscando o Brasil para garantir a segurança alimentar de suas populações. O mercado interno é mais sensível, pois depende da condição econômica do país e das políticas do governo federal”, expõe.

Apesar disso, Ribeiro Júnior ressalta que a pecuária ainda enfrenta desafios. “O poder aquisitivo da população tem piorado, e isso impacta diretamente o consumo de carne bovina, que acaba sendo substituída por proteínas mais baratas. Como o mercado interno consome quase 75% da nossa produção, ainda aguardamos uma melhora”, menciona.

No mercado externo, a situação é mais favorável. “O mercado está aquecido e em crescimento contínuo. Muitos países procuram o Brasil, não apenas pela carne bovina, mas pela segurança alimentar que oferecemos. Há alguns anos, os Estados Unidos diziam que não comprariam nossa carne, e hoje figuram entre os principais compradores, importando mais de 150 mil toneladas por ano”, relembra.

Ele também destaca que outros mercados importantes estão se abrindo. “O México, que é concorrente direto do Brasil, também está comprando nossa carne, assim como o Canadá. O único concorrente direto que não compra carne bovina brasileira é a Austrália, além da Argentina e do Uruguai. Das 195 nações da ONU, 145 consomem carne brasileira. O Sudeste Asiático tem mostrado grande interesse, e a China segue como um dos maiores compradores”, enfatiza.

Recomposição do rebanho

O mercado pecuário brasileiro começa a dar sinais de mudança no ciclo produtivo após dois anos de abate elevado de fêmeas, o que reduziu a oferta de bezerros e impactou a estrutura de reposição. Segundo Ribeiro Júnior, o momento é de grande procura por novilhas para recompor os plantéis, impulsionando a valorização dos bezerros e marcando o início de um novo ciclo.

Segundo o presidente da Acrimat não haverá escassez de carne bovina, mas o valor da arroba tende a aumentar, dependendo do comportamento do mercado varejista e dos frigoríficos. “Talvez a arroba esteja um pouco mais cara, mas vai depender do mercado varejista e dos frigoríficos, que são nossos principais compradores e grandes moderadores do preço. Se o varejo não vender, vai precisar fazer descontos para baixar o valor da carne na gôndola. É a lei da oferta e procura”, explica.

Custos de produção

Outro fator positivo apontado é a previsão climática para 2025, que tende a ser mais favorável em relação a 2024. De acordo com Ribeiro Júnior, os lençóis freáticos começam a se recuperar com as chuvas recentes, o que pode reduzir os impactos de estiagens prolongadas.

No entanto, a recuperação dos pastos ainda é gradual, o que retarda a chegada de animais prontos ao mercado. Com isso, a carne disponibilizada atualmente é majoritariamente de confinamento, o que pressiona os custos de produção. “Sem o pasto, o custo operacional da produção aumentou em média 30%. Toda vez que sobe o preço da arroba, o confinador também aumenta o preço e os grãos sobem junto. Quem faz terminação a pasto precisa suplementar com grãos, e para quem confina, os custos com insumos também são altos”, destaca Ribeiro Júnior.

Pecuarista recupera margens, mas custos exigem planejamento

Com a valorização do bezerro, os custos para quem atua com recria e engorda já aumentaram mais de 50%, o que demanda maior planejamento financeiro. “O pecuarista que não fizer conta toma prejuízo. A pecuária de corte no Brasil está se recuperando, e o criador, que sofreu muito nos dois últimos anos, entregando bezerro entre R$ 800 e R$ 1 mil, hoje está conseguindo ter uma margem maior de lucro. A arroba tende a se manter acima de R$ 300, porque não tem muito animal pronto”, afirma.

Ainda assim, o momento é de cautela e de investimento consciente. Com pastos em recuperação e maior disponibilidade de água, o pecuarista ganha fôlego para reter animais, comprar matrizes e investir no plantel. “Agora o pecuarista está mais tranquilo para investir, mas muitos venderam tudo e saíram da atividade. Os que persistiram estão aproveitando o momento para planejar melhor a produção e buscar equilíbrio nas contas”, pontua Ribeiro Júnior, ressaltando que o desafio para o próximo ciclo será equilibrar custos crescentes com as oportunidades de mercado, em um cenário que promete ser mais favorável para a pecuária nacional.

Oportunidades e desafios a partir de 2025

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior: ” A perspectiva para 2025 é muito melhor” – Foto: Divulgação/Acrimat

Para garantir as melhores oportunidades do setor, o presidente da Acrimat diz que o produtor precisa entrar na atividade com uma estratégia clara, escolhendo entre criação, recria ou engorda conforme a vocação da região em que sua propriedade está instalada. “Não adianta entrar em áreas sem disponibilidade de grãos e alimentos para o gado se for uma ideia para fazer terminação. Só pasto dificulta, porque o processo é mais demorado”, comenta.

No Mato Grosso, por exemplo, a BR-163 conecta regiões de alta produção de soja e algodão, permitindo ao produtor integrar safras agrícolas com a pecuária em um modelo de diversificação eficiente. Já no Pantanal, em que a oferta de grãos é limitada, a vocação é mais especializada no sistema de cria.

Ribeiro Júnior ressalta a importância do uso de tecnologia e planejamento financeiro para aumentar a rentabilidade. “Hoje o pecuarista precisa colocar tudo na planilha: custos com pulverizações, drones, suplementação, insumos. Controlar os números é essencial para reduzir desperdícios e equilibrar as contas”, reforça.

Além dos desafios internos, fatores externos à porteira como infraestrutura, estabilidade política e aumento do consumo de carne impactam diretamente o setor. O transporte de animais, por exemplo, é um gargalo no Mato Grosso devido às longas distâncias entre propriedades e frigoríficos, o que afeta o bem-estar dos bovinos. “A pecuária é uma atividade de longo prazo e não especulativa, exigindo persistência e estabilidade, porque o produtor investe hoje para colher resultados daqui a três ou quatro anos. Precisamos cobrar melhorias governamentais e de infraestrutura para garantir a continuidade e o crescimento da pecuária de corte no Brasil”, sustenta.

Com a versão digital do Anuário, você terá acesso a análises aprofundadas e dados essenciais que ajudam a compreender o desempenho das principais atividades agropecuárias em 2024 e as tendências para 2025. Acesse a versão digital clicando aqui. Boa leitura e um excelente 2025!

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná

Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade

Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

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Foto: Coopavel

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.

Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.

Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.

Mais produtividade

Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.

Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025

Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

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Foto: Divulgação/Adapar

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.

As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso

O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.

Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.

Antropozoonoses

Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato

brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.

No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.

Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.

Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.

Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.

Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.

Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação

a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.

O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.

Prevenção

A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.

Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.

Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves

Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.

Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.

Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves

A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.

Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.

A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo

Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.

O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.

Fonte: AEN-PR
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Exportações de carne bovina batem recorde em 2025

Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

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Foto: Shutterstock

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).

Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.

Dezembro

No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).

Fonte: Assessoria ABIEC
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