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Bovinos / Grãos / Máquinas Sustentabilidade na produção

Pecuária de corte se integra a lavouras e florestas

Crescimento sustentável da atividade no Noroeste do Paraná garante mais bem-estar aos animais, mais lucros na safra de verão e renda extra com a produção de eucalipto

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Giuliano De Luca/OP Rural

As regiões Oeste e Norte do Paraná são consideradas por muita gente as terras mais produtivas do Estado. Até por conta disso o preço de um alqueire nessas regiões é, em média, maior do que no restante do Paraná. Entre essas duas regiões, está o Noroeste paranaense, que historicamente carregou o título de terras que apresentam baixas produtividade de grãos. Muito por conta desse selo indigesto é que o Noroeste do Estado, mais especificamente a região de Umuarama e municípios vizinhos, a 550 quilômetros de Curitiba, se tornou a maior e mais competitiva produtora de carne bovina do Estado.

Paralelamente à pecuária, as novas tecnologias e o trabalho incansável do produtor rural culminaram com uma terra que não perde em nada para nenhuma outra região, tem menos argila, mais areia, no entanto tem demonstrado resultados semelhantes às safras recordes de seus vizinhos. A combinação soja/gado de corte acaba definitivamente com a fama de terra fraca que o Noroeste do Paraná injustamente carregou por muitos anos. 

É o que garante o produtor rural Gerson Bortolli, que tem integração lavoura pecuária (ILP) em uma de suas fazendas, no município de Perobal, e acaba de iniciar o projeto de integração pecuária floresta (IPF) em outra área, que mantém em Umuarama. O segredo, de acordo com o produtor, é saber manejar a terra e aproveitar a aptidão dos produtores da região. “No inverno o milho não é interessante para nós. Chega a dar prejuízo. O pasto no inverno é mais rentável que o milho. Por isso grande parte dos produtores trabalha com a integração entre a lavoura e a pecuária, que já é bastante desenvolvida aqui”, conta Bortolli.

“Hoje o Noroeste está bastante desenvolvido no agronegócio. Temos uma terra que custa 1/3 do valor que é encontrado no Oeste do Paraná, no entanto a nossa produtividade é muito similar. Na última safra, por exemplo, conseguimos 70 sacas de soja por hectare em média. Muito disso se deve à palhada que fica no solo e mantém a qualidade da terra”, explica o produtor. Na fazenda em Perobal, Borftolli produz soja no verão e põe o gado pastar no inverno.

O gado que pasta em Perobal é criado inicialmente na fazenda em Umuarama, que trabalha com a recria e engorda das raças Nelore e Angus. São cerca de 550 animais levados ao abate todos os anos. A fazenda recria cerca de 150 bezerros. Os outros são comprados de fora para o acabamento. A produção é comercializada toda na região, nos municípios de Colorado e Cruzeiro do Sul, que possuem plantas frigoríficas que distribuem a carne para outras regiões.

ILP

A integração lavoura pecuária funciona da seguinte forma: Em setembro é feito o plantio da soja. Quando ela está próxima de estar pronta para a colheita, é semeado o capim que, em 50 dias, vai estar pronto para ser consumido pelo gado. “Quando a soja está quase boa para colher a gente faz uma sob semeadura do capim. Quando a gente colhe a soja, o capim já está por baixo, germinado. Em 40 ou 50 dias, dependendo do tempo, o gado já está pastoreando”, explica Gerson Bortolli.

Ele explica que já faz a integração há 15 anos e que nunca perdeu uma safra sequer, com resultados significativos também na melhora da produção da proteína animal. “Faço a rotação de soja no verão e boi (pasto) no inverno desde 2003. Nunca perdi uma safra sequer, apesar de no arenito a soja sofrer um pouco mais. No entanto, isso é compensado com a palhada que fica do capim, que ajuda a manter a umidade do solo, evita erosões, entre outros benefícios. Além do mais, a integração, com as corretas correções de solo, faz bem para a pecuária”, garante. “Se bem administrada, a pecuária é uma atividade rentável”, cita.

No acabamento, cerca de 90 dias antes do abate, os animais recebem 1% do peso vivo por dia em suplementação alimentar para melhorar a qualidade de carcaça.

IPF para o bem-estar

A nova aposta de Bortolli é a integração lavoura pecuária. Com apoio do Instituto Emater, a fazenda especializada na pecuária ganhou três mil mudas de eucalipto, distribuídas em dez alqueires da propriedade. As árvores foram plantas entre novembro e dezembro do ano passado e vão servir para dar mais conforto aos animais, além de uma renda a mais para a propriedade rural com a venda futura da madeira. A cada 90 metros há uma linha dupla de árvores, que vão produzir “ruas” onde os animais podem comer e ficar na sobra.

“Para melhorar nossa produtividade, estamos apostando em bem-estar dos animais. Por isso estamos começando o projeto de integração entre a produção pecuária e floresta. Essas árvores vão dar mais conforto térmico aos animais e eles vão responder em produtividade”, aponta o produtor rural.

Tecnologias

Para se dar bem na pecuária, garante Bortolli, é preciso estar atento e aplicar as novas maneiras de produzir, utilizando tecnologias e procedimentos que ajudam a elevar os ganhos zootécnicos ano após ano. No entanto, explica, o gado precisa de um capim de qualidade. “A gente procura buscar sempre as tecnologias, as inovações para aplicar na fazenda. Hoje estamos com 170 vacas em IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo). Procuramos sempre a melhor genética bovina. Mas se não fizer a reforma de pastagens, nada acontece. Não adianta ter as tecnologias se não tiver um pasto de qualidade”, garante.

Rumo ao precoce

De acordo com o pecuarista do Paraná, hoje o gado é abatido com idades entre 24 e 30 meses, mas o sistema de produção que ele adota está migrando para um novilho mais precoce, que, em sua opinião, é a nova necessidade do consumidor e gera mais lucros ao produtor. “Estamos começando a abater o gado mais novo, entre 18 e 24 meses. O objetivo da fazenda é destinar ao abate com no máximo 24 meses. O mercado paga 10% a mais por esse animal. Além disso, com giro maior consigo uma rentabilidade da fazenda melhor”, aborda Bortolli.

2018 e 2019

O produtor explica que 2018 foi um ano bom para a pecuária no Noroeste do Paraná. “Na nossa região tivemos um dos melhores preços do Brasil ao longo do ano. Foi bom. Por outro lado, aumentaram os custos de produção, o que reduziu um pouco a lucratividade”, menciona o produtor, que aposta no novo governo capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro para a economia melhorar e, assim, melhorar o consumo da carne bovina. “Eu estou muito esperançoso e acredito que teremos bons reflexos a partir do segundo semestre de 2019. De modo geral, o agronegócio está bastante confiante na nova equipe do governo federal. Temos uma ministra (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina) que tem conhecimento na área. Acredito que teremos um ciclo de crescimento”, aposta Gerson Bortolli, que é presidente do Sindicato Rural de Umuarama e membro atuante na pecuária regional.

Outras notícias você encontra na 7° edição do Anuário do Agronegócio Paranaense ou online.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock

O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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