Bovinos / Grãos / Máquinas Sustentabilidade na produção
Pecuária de corte se integra a lavouras e florestas
Crescimento sustentável da atividade no Noroeste do Paraná garante mais bem-estar aos animais, mais lucros na safra de verão e renda extra com a produção de eucalipto

As regiões Oeste e Norte do Paraná são consideradas por muita gente as terras mais produtivas do Estado. Até por conta disso o preço de um alqueire nessas regiões é, em média, maior do que no restante do Paraná. Entre essas duas regiões, está o Noroeste paranaense, que historicamente carregou o título de terras que apresentam baixas produtividade de grãos. Muito por conta desse selo indigesto é que o Noroeste do Estado, mais especificamente a região de Umuarama e municípios vizinhos, a 550 quilômetros de Curitiba, se tornou a maior e mais competitiva produtora de carne bovina do Estado.
Paralelamente à pecuária, as novas tecnologias e o trabalho incansável do produtor rural culminaram com uma terra que não perde em nada para nenhuma outra região, tem menos argila, mais areia, no entanto tem demonstrado resultados semelhantes às safras recordes de seus vizinhos. A combinação soja/gado de corte acaba definitivamente com a fama de terra fraca que o Noroeste do Paraná injustamente carregou por muitos anos. 
É o que garante o produtor rural Gerson Bortolli, que tem integração lavoura pecuária (ILP) em uma de suas fazendas, no município de Perobal, e acaba de iniciar o projeto de integração pecuária floresta (IPF) em outra área, que mantém em Umuarama. O segredo, de acordo com o produtor, é saber manejar a terra e aproveitar a aptidão dos produtores da região. “No inverno o milho não é interessante para nós. Chega a dar prejuízo. O pasto no inverno é mais rentável que o milho. Por isso grande parte dos produtores trabalha com a integração entre a lavoura e a pecuária, que já é bastante desenvolvida aqui”, conta Bortolli.
“Hoje o Noroeste está bastante desenvolvido no agronegócio. Temos uma terra que custa 1/3 do valor que é encontrado no Oeste do Paraná, no entanto a nossa produtividade é muito similar. Na última safra, por exemplo, conseguimos 70 sacas de soja por hectare em média. Muito disso se deve à palhada que fica no solo e mantém a qualidade da terra”, explica o produtor. Na fazenda em Perobal, Borftolli produz soja no verão e põe o gado pastar no inverno.
O gado que pasta em Perobal é criado inicialmente na fazenda em Umuarama, que trabalha com a recria e engorda das raças Nelore e Angus. São cerca de 550 animais levados ao abate todos os anos. A fazenda recria cerca de 150 bezerros. Os outros são comprados de fora para o acabamento. A produção é comercializada toda na região, nos municípios de Colorado e Cruzeiro do Sul, que possuem plantas frigoríficas que distribuem a carne para outras regiões.
ILP
A integração lavoura pecuária funciona da seguinte forma: Em setembro é feito o plantio da soja. Quando ela está próxima de estar pronta para a colheita, é semeado o capim que, em 50 dias, vai estar pronto para ser consumido pelo gado. “Quando a soja está quase boa para colher a gente faz uma sob semeadura do capim. Quando a gente colhe a soja, o capim já está por baixo, germinado. Em 40 ou 50 dias, dependendo do tempo, o gado já está pastoreando”, explica Gerson Bortolli.
Ele explica que já faz a integração há 15 anos e que nunca perdeu uma safra sequer, com resultados significativos também na melhora da produção da proteína animal. “Faço a rotação de soja no verão e boi (pasto) no inverno desde 2003. Nunca perdi uma safra sequer, apesar de no arenito a soja sofrer um pouco mais. No entanto, isso é compensado com a palhada que fica do capim, que ajuda a manter a umidade do solo, evita erosões, entre outros benefícios. Além do mais, a integração, com as corretas correções de solo, faz bem para a pecuária”, garante. “Se bem administrada, a pecuária é uma atividade rentável”, cita.
No acabamento, cerca de 90 dias antes do abate, os animais recebem 1% do peso vivo por dia em suplementação alimentar para melhorar a qualidade de carcaça.
IPF para o bem-estar
A nova aposta de Bortolli é a integração lavoura pecuária. Com apoio do Instituto Emater, a fazenda especializada na pecuária ganhou três mil mudas de eucalipto, distribuídas em dez alqueires da propriedade. As árvores foram plantas entre novembro e dezembro do ano passado e vão servir para dar mais conforto aos animais, além de uma renda a mais para a propriedade rural com a venda futura da madeira. A cada 90 metros há uma linha dupla de árvores, que vão produzir “ruas” onde os animais podem comer e ficar na sobra.
“Para melhorar nossa produtividade, estamos apostando em bem-estar dos animais. Por isso estamos começando o projeto de integração entre a produção pecuária e floresta. Essas árvores vão dar mais conforto térmico aos animais e eles vão responder em produtividade”, aponta o produtor rural.
Tecnologias
Para se dar bem na pecuária, garante Bortolli, é preciso estar atento e aplicar as novas maneiras de produzir, utilizando tecnologias e procedimentos que ajudam a elevar os ganhos zootécnicos ano após ano. No entanto, explica, o gado precisa de um capim de qualidade. “A gente procura buscar sempre as tecnologias, as inovações para aplicar na fazenda. Hoje estamos com 170 vacas em IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo). Procuramos sempre a melhor genética bovina. Mas se não fizer a reforma de pastagens, nada acontece. Não adianta ter as tecnologias se não tiver um pasto de qualidade”, garante.
Rumo ao precoce
De acordo com o pecuarista do Paraná, hoje o gado é abatido com idades entre 24 e 30 meses, mas o sistema de produção que ele adota está migrando para um novilho mais precoce, que, em sua opinião, é a nova necessidade do consumidor e gera mais lucros ao produtor. “Estamos começando a abater o gado mais novo, entre 18 e 24 meses. O objetivo da fazenda é destinar ao abate com no máximo 24 meses. O mercado paga 10% a mais por esse animal. Além disso, com giro maior consigo uma rentabilidade da fazenda melhor”, aborda Bortolli.
2018 e 2019
O produtor explica que 2018 foi um ano bom para a pecuária no Noroeste do Paraná. “Na nossa região tivemos um dos melhores preços do Brasil ao longo do ano. Foi bom. Por outro lado, aumentaram os custos de produção, o que reduziu um pouco a lucratividade”, menciona o produtor, que aposta no novo governo capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro para a economia melhorar e, assim, melhorar o consumo da carne bovina. “Eu estou muito esperançoso e acredito que teremos bons reflexos a partir do segundo semestre de 2019. De modo geral, o agronegócio está bastante confiante na nova equipe do governo federal. Temos uma ministra (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina) que tem conhecimento na área. Acredito que teremos um ciclo de crescimento”, aposta Gerson Bortolli, que é presidente do Sindicato Rural de Umuarama e membro atuante na pecuária regional.
Outras notícias você encontra na 7° edição do Anuário do Agronegócio Paranaense ou online.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Contribuições ao Fundesa-RS sobem 4,43% com atualização da UPF em 2026
Reajuste eleva valores pagos por produtores e indústrias nas cadeias de carnes, leite e ovos. Nova lei sancionada em dezembro passa a valer a partir de março.

Já estão em vigor os novos valores de contribuição do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, atualizados pela Unidade de Padrão Fiscal (UPF). A UPF é um indexador utilizado para a correção de taxas e tributos cobrados pelo Estado, e seu valor é atualizado anualmente pela Receita Estadual com base no IPCA-E. Para 2026 o reajuste foi de 4,43%, ficando a UPF fixada em R$28,3264, ante R$27,1300 de 2025.
Atualmente, indústria e produtores contribuem em igual parte para o fundo, considerando cabeças abatidas, e produção de ovos e leite. Com a atualização da UPF, a contribuição por bovino abatido, por exemplo, passa de R$1,4324 para R$1,496, sendo R$0,748 cabendo ao produtor e o mesmo valor à indústria, que fica responsável pelo recolhimento e pagamento ao Fundesa. A tabela com todos os valores e respectivas cadeias produtivas está disponível no site.
Esse reajuste considera apenas a atualização da UPF e não é o mesmo que está previsto na Lei 16.428/2025, sancionada pelo governador em 19 de dezembro. Pelo princípio de anterioridade, a lei só poderá ser implementada 90 dias após a sanção. “Neste período, o Fundesa está articulando com a Secretaria da Agricultura o formato para permitir a contribuição dos produtores que não recolhiam, bem como a modificação do sistema de cobrança utilizado pelo fundo”, explica o presidente do Fundesa, Rogério Kerber.
Para saber mais sobre o projeto aprovado na Assembleia legislativa, clique aqui.
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CooperAliança e Sebrae lançam projeto de ultrassonografia de carcaça
Iniciativa foi apresentada aos cooperados com o objetivo de elevar ainda mais a qualidade da carne produzida pela cooperativa e agregar valor ao produto final.

A CooperAliança, em parceria com o Sebrae, lançou um novo projeto voltado à utilização da ultrassonografia de carcaça por cooperados de bovinos. A iniciativa foi apresentada aos cooperados com o objetivo de elevar ainda mais a qualidade da carne produzida pela cooperativa e agregar valor ao produto final, desde a propriedade até a indústria.
Segundo o médico-veterinário da CooperAliança, Renan Guilherme Mota, a ultrassonografia de carcaça é uma ferramenta estratégica no processo de melhoramento genético dos rebanhos. “Quando utilizamos a ultrassonografia na matriz, ela permite e viabiliza o melhoramento genético focado em características de carcaça, como área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea e marmoreio. Essas características estão diretamente relacionadas à musculosidade, ao padrão dos cortes, ao rendimento de carcaça e ao desempenho do animal”, explica.
Renan destaca ainda que os dados obtidos vão além da qualidade da carne. Por exemplo, essas informações também estão ligadas à fertilidade, precocidade sexual e ao desempenho reprodutivo. Ou seja, é uma ferramenta que agrega tanto para a indústria, em qualidade, perfil de carcaça, tamanho dos cortes e rendimento de desossa, quanto para o produtor, em desempenho, reprodução e fertilidade.
Para o consultor do Sebrae, Heverson Morigi Miloch, o projeto representa uma oportunidade concreta de evolução na pecuária dos cooperados. “O objetivo é atender esses produtores para que, por meio da seleção genética, eles possam identificar e trabalhar com os animais mais adequados para a produção e para a entrega aqui na CooperAliança.”
Heverson também destaca o apoio financeiro oferecido. O Sebrae vai subsidiar 50% do custo, além de facilitar as formas de pagamento. “Isso garante que mais produtores possam participar, fortalecendo a união, melhorando a produção na ponta e elevando a qualidade da do animal que chega até a CooperAliança.”
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Concurso de Carcaças Angus valoriza boas práticas e eleva padrão da carne bovina
Iniciativa reuniu produtores de diferentes regiões e avaliou mais de 4,1 mil novilhas com critérios técnicos de qualidade.

Realizado entre os meses de outubro e dezembro, o Concurso de Carcaças Angus teve como foco estimular a adoção de boas práticas pecuárias e valorizar a produção de carne bovina de alta qualidade no Brasil. A iniciativa reconhece produtores que se destacam no manejo, na genética e no acabamento de animais da raça Angus, contribuindo para a padronização do produto e para a elevação dos padrões de qualidade exigidos pelo mercado.

Foto: Shutterstock
A ação foi promovida pela Associação Brasileira de Angus, em parceria com a Minerva Foods, e reuniu produtores de diferentes regiões do país. As avaliações técnicas das carcaças ocorreram em unidades localizadas em Barretos, no interior de São Paulo; Bataguassu, no Mato Grosso do Sul; Rolim de Moura, em Rondônia; Palmeiras de Goiás, em Goiás; e Tangará da Serra, no Mato Grosso.
Ao longo do concurso, os produtores encaminharam animais previamente selecionados para análises que levaram em conta critérios técnicos como conformação, acabamento e rendimento de carcaça. A iniciativa reforça o papel da genética Angus como instrumento de agregação de valor à pecuária de corte brasileira e de alinhamento às demandas de consumidores e mercados cada vez mais atentos à qualidade, à padronização e à origem da carne.
Neste processo, foram observados aspectos como padrão racial, faixa etária e nível de acabamento, assegurando uma avaliação criteriosa e

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alinhada aos mais elevados protocolos de qualidade. A partir desses parâmetros, cada carcaça foi classificada, permitindo o cálculo do desempenho médio dos lotes avaliados e a valorização objetiva dos melhores resultados. “O Concurso de Carcaças é uma ferramenta estratégica para fortalecer a pecuária de qualidade no Brasil. Ao incentivar boas práticas, reconhecer o trabalho dos produtores e valorizar a raça Angus, criamos um ciclo virtuoso que beneficia toda a cadeia produtiva e para o posicionamento da carne brasileira nos mercados mais exigentes do mundo”, frisou o gerente executivo de Relacionamento com Pecuaristas da Minerva Foods, Rostyner Costa.
Nesta edição, mais de 4,1 mil novilhas foram avaliadas, número recorde do concurso promovido pela Companhia, refletindo o crescente engajamento dos produtores e a consolidação da iniciativa como referência no setor. Os vencedores receberam um troféu e um avental personalizado da Associação Brasileira de Angus, como forma de reconhecimento pela excelência alcançada.



