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Pecuária de corte conquista novos mercados, mas produtor trabalha com margens apertadas e sem alívio nos custos de produção

Para a segunda metade de 2022 e ao longo de 2023 são previstas uma elevação gradual da oferta de gado pronto para abate, após dois anos de escassez de animais, reflexo da retenção de matrizes para aumentar a produção de bezerros.

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Exportações recordes, crescimento das importações, demanda doméstica enfraquecida, desvalorização interna da carne bovina e abate de matrizes ditaram o ritmo do mercado na pecuária de corte no primeiro semestre de 2022. É o que mostra o relatório Visão Agro 2022/2023 elaborado pela consultoria Radar Agro do Itaú BBA.

Para a segunda metade de 2022 e ao longo de 2023 são previstas uma elevação gradual da oferta de gado pronto para abate, após dois anos de escassez de animais, reflexo da retenção de matrizes para aumentar a produção de bezerros. “Esta melhora na disponibilidade de animais deve ocorrer principalmente em função de uma maior participação de fêmeas nos abates, já que o estímulo à atividade de cria vem reduzindo, o que leva o criador a descartar mais vacas”, evidenciam os consultores do Radar Agro, destacando que o preço real do bezerro caiu R$ 980/cabeça entre abril de 2021 e junho de 2022.

Entretanto, apesar da melhora dos abates, ainda não é observado um cenário de descartes massivos de matrizes, a ponto de desequilibrar o mercado do boi gordo, com excesso de oferta de carne e preços caindo mais fortemente.

Em relação às exportações, de janeiro a junho os embarques de carne bovina in natura totalizaram 932,34 mil toneladas, 26,71% acima do volume escoado no mesmo período do ano passado e 19,93% superior ao até então recorde para um primeiro semestre, registrado em 2020, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em receita, as vendas somaram R$ 28,4 bilhões na primeira metade deste ano, registrando aumento de 50,5% frente ao mesmo período do ano anterior.

Segundo o Radar Agro, o principal driver do Brasil deve continuar sendo a exportação, com a China liderando as compras, porém com boa perspectiva por parte de outros países importadores, caso dos Estados Unidos e do Egito.

O Radar Agro afirma que para os exportadores o cenário do mercado externo fica mais interessante nos próximos meses, porque além da moderação das altas do boi diante da melhora da oferta de gado pronto, os preços de exportação subiram, o que alivia o spread das exportações.

Apesar do cenário positivo, os consultores do Radar Agro elencam alguns pontos de atenção que devem estar no radar dos gestores, como a possibilidade de alongamento do ciclo de caixa associado ao aumento do tempo em trânsito das mercadorias para as exportações, em razão da redução de oferta de contêineres, e do um aumento da pressão dos compradores locais por mais prazo de pagamento face ao cenário desafiador da economia nacional.

Ganhando novos mercados

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as importações chinesas de carne bovina devem bater novo recorde este ano, da ordem de 3,1 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 2,5% em relação ao ano anterior.

No entanto, por outro lado, os consultores do Itaú BBA projetam avanços promissores no mercado norte-americano diante da possível redução de produção de carne bovina em 2023 nos Estados Unidos. “Somado a menor produção, o não cumprimento das cotas de importação de carnes oriundas da Austrália e Nova Zelândia pode abrir espaço para a entrada de mais carne bovina brasileira nas importações americanas. Entretanto, apesar destes promissores mercados externos, o Brasil já sofreu reduções abruptas de compras tanto da China como dos Estados Unidos, o que é sempre um risco a ser considerado”, expõem os consultores do Radar Agro.

No atual contexto econômico global, com os riscos de recessão se elevando e o consequente efeito negativo sobre a renda mundial, a consultoria destaca que esse cenário deve acender o alerta para os preços de carne bovina, sobretudo ao considerar o patamar atual elevado, superior a US$ 7.000/tonelada no caso do preço para a China, o que é 41% maior do que há um ano.

Demanda doméstica enfraquecida

Por outro lado, os consultores do Radar Agro afirmam que as vendas no mercado doméstico devem continuar fracas em função dos altos preços da carne ao consumidor final combinados com as condições econômicas desafiadoras, com restrição orçamentária e inflação elevada. “E com a oferta de carne evoluindo em função do ciclo pecuário é improvável que os preços caiam de forma expressiva no varejo a ponto de estimular o consumo”, avaliam.

Maior disponibilidade de gado para abate alivia spreads

A melhora da disponibilidade de gado tende a aliviar o spread da venda de carne na operação dos frigoríficos no mercado interno, que tem sido pressionado desde o ano passado. “Em tese, a recuperação gradual dos abates é melhor para a indústria, pois o custo do gado recua, mas sem grandes excedentes a ponto de derrubarem os preços da carne. Mesmo assim, no contexto de evolução da oferta e consumo retraído, a sustentação dos preços da carne não deixa de ser um desafio”, aponta a consultoria.

Cenário positivo aos confinamentos

Segundo a consultoria do Itaú BBA, para os criadores a tendência é que as margens sigam enfraquecendo em virtude da possível continuidade da acomodação do bezerro e sem alívio nos custos da cria, que envolvem mão de obra, manutenção de pastagens, entre outros.

Já no sistema de recria e engorda, com o bezerro sendo o principal insumo, a tendência é de melhora da relação de troca do boi gordo pelo bezerro, trazendo um alívio nas margens ao produtor, o que já vem ocorrendo desde o início do ano.

E no confinamento, apesar do elevado custo da ração desafiando o produtor na engorda intensiva, os consultores do Radar Agro afirmam que têm surgido oportunidades de aquisição de boi magro a preços mais atrativos. “De modo geral a arroba do boi magro tem sido menor que do boi gordo, o que é anormal e indica melhora da oferta de reposições. Ou seja, apesar de não observarmos um grande alívio nos custos de ração, o momento mais oportuno da arroba de entrada no confinamento combinada com a curva futura do boi ascendente para o segundo semestre sugere um bom retorno da atividade”, avaliam.

Os consultores do Radar Agro ainda destacam que os confinamentos são uma importante ferramenta de liberação de áreas e aceleração do giro nas fazendas, devendo, portanto, continuar em crescimento no Brasil, atrelado a exigência de gado terminado jovem para alguns mercados externos, entre eles a China. “No caso dos confinamentos, o risco é bem maior de corrosão de margens, caso alguma adversidade mercadológica ocorra durante o ciclo de engorda, a exemplo do que ocorreu no ano passado na ocasião do embargo chinês, o que depreciou bastante a arroba justamente no período ativo dos confinamentos brasileiros, o que gerou prejuízos significativos aos terminadores que não dispunham de ferramentas de hedge. Eventos desta natureza podem ocorrer e isso justifica a atenção do produtor com a gestão de risco”, expõem.

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Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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