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Pecuária de corte brasileira se mantém competitiva frente aos principais países concorrentes

A competitividade da pecuária brasileira no cenário internacional é um dos motores para a consolidação do país como grande exportador de proteína animal.

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Foto: Everton Queiroz

Conforme as estatísticas de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (COMEXSTAT – MDIC), as exportações brasileiras somaram 2,26 milhões de toneladas de carne bovina em 2022, volume 22,6% maior que o registrado no ano anterior.

O faturamento aumentou 40,8% no período analisado, o que se traduziu em quase 3,8 bilhões de dólares a mais na balança comercial brasileira na comparação com 2021. Dentre os principais destinos da carne bovina brasileira, destacaram-se: China, Estados Unidos, União Europeia, Chile e Egito.

Do volume total exportado em 2022, 87,9% correspondeu à categoria de carne in natura, seguida de miúdos (6,0%), industrializados (4,7%), e o restante na forma de tripas e salgados.

Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que, em 2021 (dados mais atuais disponíveis), as exportações de carne bovina brasileira representaram 16,1% do total mundial – o que nos coloca em 1º lugar em volume total exportado –, seguido pelos EUA, Austrália e Nova Zelândia.

Foto: Everton Queiroz

Além da competição com os principais produtores mundiais de carne, o Brasil disputa mercados com seus vizinhos sul-americanos que, a despeito da menor capacidade produtiva de carne bovina, possuem importante participação nas exportações mundiais para países que são nossos clientes-chave.

Os dados da FAO apontam ainda que a carne brasileira representou 32,2% das exportações para a China em 2021, enquanto que Argentina e Uruguai foram responsáveis por respectivos 16% e 13,6%. Ambos países se encontram no mesmo patamar, em termos de participação no mercado chinês, que Nova Zelândia (13,7%) e os EUA (10,5%).

No período, a Austrália apresentou patamar um pouco inferior, de 7,7%, porém, o menor volume foi vinculado com a redução no rebanho do país frente às intempéries climáticas ocorridas durante o ano.

Devido às relações diplomáticas entre China continental e Paraguai, o país sul-americano não é habilitado para exportar para o principal destino mundial de carne bovina – enviando carnes apenas a Taiwan e Hong Kong. No entanto, em 2021 o mesmo foi o principal fornecedor de carnes para o Chile, representando 44,8% do volume exportado.

Em contrapartida, o share brasileiro neste mercado foi de 36,5%, e o da Argentina de 11%.

Exportações em queda

As exportações brasileiras de carne bovina caminham para encerrar o ano em queda.

Na parcial de janeiro a outubro de 2023, observa-se um recuo de 4,7% no volume exportado e recuo de 21,5% no preço médio da carne exportada, em relação ao mesmo período de 2022 – resultando em um faturamento 25,2% menor este ano.

A queda está vinculada à suspensão temporária das exportações para o mercado chinês, que impactou especialmente o volume enviado entre os meses de fevereiro e março de 2023. Após o retorno das exportações, ocorreram novas negociações sobre o preço dos produtos exportados, o que levou a uma redução de 27% sobre o valor da tonelada enviada para o país asiático, considerando-se os valores de 2023 frente a 2022.

Foto: Shutterstock

 

Comparativo global

Buscando compreender as vantagens e desafios competitivos da pecuária brasileira frente aos principais players no mercado mundial, foram analisados os dados resultantes dos levantamentos da rede Agri Benchmark, da qual fazem parte a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

Os valores aqui discutidos são referentes aos resultados obtidos durante o ano de 2022 pelas propriedades típicas dos países participantes e publicados em 2023. Foram realizadas comparações com os resultados obtidos pelas propriedades típicas brasileiras no período, com base nos dados mensais do Projeto Campo Futuro (CNA/Senar) convertidos para a cotação do dólar no período avaliado.

Sistemas à pasto

Ao analisarmos os resultados médios dos sistemas de terminação em pastagens avaliadas em cada país, observa- -se que a margem líquida (ML, que é resultado da subtração do COT na receita bruta) dos sistemas de produção brasileiros foi de US$ 116,70/ha de área útil em 2022.

Gráfico 1 – Valores médios nacionais do COT e da receita, por hectare de área útil, dos sistemas de terminação à pasto no ano de 2022. Fonte: Agri Benchmark (2023), Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea- Esalq/USP, CNA.

Dentre os países analisados, o Uruguai foi o único que não foi capaz de pagar os custos com desembolsos anuais e depreciação de seus sistemas, com ML negativa em US$ 26,34/ha. O resultado indica dificuldade para as propriedades se manterem em médio e longo prazos, devido aos custos de produção que continuaram em alta no país.

Um fator que afetou o desempenho do país em questão foi a baixa capacidade de suporte das propriedades amostradas, o que levou à uma restrição em sua produtividade. O número de arrobas vendidas por hectare, na média das propriedades do Uruguai, foi a menor entre os países sul-americanos avaliados, sendo de seis @/ha.

Apesar da maior produtividade por área em sistemas de pastagem ter sido observada nos sistemas argentinos, de 14,9 arrobas vendidas por hectare, o melhor retorno foi observado nos resultados médios do Paraguai.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Com produtividade média de 7,5 @/ha, as propriedades paraguaias avaliadas obtiveram uma margem líquida média de US$ 199,55/ha, contra US$ 45,75/ha para os sistemas argentinos à pasto.

As propriedades paraguaias foram favorecidas pelo período de bons preços de reposição e alta no valor da arroba. Esses fatores foram capazes de compensar a alta nos custos com a alimentação do rebanho durante o ano (somando dispêndios com a dieta, com o manejo de pastagens, e com a suplementação do rebanho).

Da mesma forma que os observados no Paraguai, os resultados dos sistemas australianos de produção em pasto foram beneficiados também pelo bom momento de valorização da arroba, assim como quedas nos custos com a dieta dos animais. Com isso, o país obteve margem líquida de US$ 55,94/ha, ficando acima dos resultados argentinos.

Apesar de apresentarem um nível de produtividade significativamente menor – na média das propriedades do país com terminação em pasto avaliadas, foram vendidas 3,10 arrobas por hectare.

De acordo com os resultados médios de 2022 para as propriedades típicas nacionais com sistemas de recria e engorda à pasto, foi observada uma margem líquida de US$ 116,68/ha, com produtividade de 10,24 arrobas vendidas/ha.

Em termos de distribuições de custos, observou-se que a participação da compra de animais nos custos de produção ficou entre 57% no Uruguai, e 68,7%, na Austrália.

Nestes dois extremos, é possível observar diferenças na distribuição de custos, sendo dois países que historicamente apresentam menor taxa de lotação – e produtividade por área – quando comparados aos demais.

Enquanto as propriedades uruguaias avaliadas arcaram com um alto custo com a aquisição de sementes para o plantio de pastagens anuais, as propriedades australianas mantiveram seus animais contando apenas com as pastagens disponíveis e adição de suplementos à dieta. Com isso, os gastos totais com a alimentação do rebanho foram equivalentes a 17,6% e 7,6% do COT, respectivamente.

Outro fator que contribui para a menor margem obtida nos sistemas de produção de bovinos em pasto avaliados no Uruguai foi a incidência de seca severa a partir do segundo semestre de 2022, que acabou afetando significativamente os preços recebidos pelos produtores devido à maior taxa de abates – consequência da menor capacidade de suporte de suas áreas de pastagem.

Confinamento

O custo para terminação em sistemas confinados apresentou maior variabilidade analisando o impacto da reposição quando comparada entre os países.

A média obtida pelo Brasil durante o ano de 2022, de US$ 21,55/@ vendida, foi a menor registrada nos participantes da análise, influenciada sobretudo pela queda nos preços do bezerro durante o segundo semestre.

Os maiores  custos de reposição foram observados na Austrália e na Argentina (Gráfico 2). O alto custo de reposição dos sistemas argentinos avaliados é vinculado à redução do rebanho de matrizes observado no país durante 2021/22, levando então a uma menor oferta de animais de reposição.

Além disso, a inflação tem se mostrado um fator de desestímulo à produção nacional, com produtores optando por reduzir suas escalas de confinamento e aumentando o percentual de animais terminados à pasto durante o período.

A inflação argentina levou, também, à uma redução no consumo per-capita de carne no país, reforçando o foco da produção no mercado externo durante o período.

Gráfico 2 – Valores médios nacionais do COT e da receita, por hectare de área útil, dos sistemas de terminação em confinamento no ano de 2022. Fonte: Agri Benchmark (2023), Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea-Esalq/USP, CNA.

 

Os demais custos que compõem o COT dos sistemas de confinamento apontaram diferenças reduzidas entre os países. Os custos com a alimentação do rebanho variaram entre US$ 11,19/@ vendida no Uruguai, e US$ 18,24, nos EUA.

A seca nos EUA durante 2022 impactou a disponibilidade de pastagens em propriedades de cria – levando a um maior descarte de matrizes – e a produção da safra americana de milho. Isso resultou na elevação dos custos com reposição e dieta dos animais confinados no período.

Já o valor da venda de animais obtido pelos produtores variou entre US$ 48,16, no sistema brasileiro, e US$ 97,19 na Austrália. Em todos os países avaliados, foi reportado que o ano de 2022 trouxe valorização ao preço pago pela arroba dos animais terminados, em comparação a 2021. No entanto, para o período também se observou alta nos custos de produção.

Neste cenário, a despeito da alta nos preços do boi gordo, as propriedades da Argentina e dos EUA fecharam 2022 com margens líquidas negativas.

Comparando-se os resultados obtidos entre os países com margens líquidas positivas, a maior lucratividade (relação entre a ML e a receita bruta do sistema) foi observada no Uruguai, de 29% – reflexo do bom momento de valorização dos animais abatidos, juntamente com altas nos custos de dieta mais tímidas que nos demais países, e leve queda na reposição.

Ademais, as propriedades de confinamento amostradas no país possuem, historicamente, boas margens operacionais. Os confinamentos brasileiros, por sua vez, apresentaram em 2022 uma lucratividade próxima daquela observada pelos sistemas australianos, de respectivos 5% e 7%.

É importante destacar que os resultados nacionais, em um período onde queda nos valores da arroba do boi gordo foram registradas, apresentou resultados financeiros semelhantes a outro importante player do mercado em um momento em que o mesmo apresentava alta na receita de seus produtores.

Perspectiva para 2023/24

Com base nos resultados do ano de 2022, observa-se que a pecuária nacional se manteve competitiva frente a outros importantes players do mercado de carne bovina. Tal feito é resultado de custos de produção da arroba relativamente mais atraentes, em comparação a outros países, bem como a capacidade produtiva.

Resultados como o observado em sistemas confinados no Uruguai, quando comparados com o desempenho obtido pelas propriedades com terminação em pasto do mesmo país, demonstram que apesar do valor de venda dos animais ser um fator determinante para a obtenção de margens competitivas no mercado, o investimento em tecnologias para otimizar o manejo de propriedades, melhorando sua taxa de desfrute assim como sua capacidade de suporte, podem ser o ponto chave para o sucesso na atividade.

O ano de 2023 vai chegando ao fim marcado por desafios para a pecuária nacional. As margens operacionais das propriedades de cria, afetadas desde o final do ano de 2022, forçaram tais produtores descartarem um maior número de matrizes, como já observado pela alta no volume de fêmeas abatidas.

Segundo os dados da Pesquisa Trimestral de Abates, do IBGE, o Brasil abateu 21% mais fêmeas no primeiro semestre de 2023 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, os valores recebidos pela arroba do boi gordo se mostram em retração – especialmente no segundo semestre do ano.

Desde o início do ano até o fechamento de outubro o indicador do boi gordo Cepea/B3 acumulou queda superior a 17% em seu valor diário. O recuo é impulsionado pelas nas quedas observadas no valor sobre a tonelada exportada de carne, sobretudo ao mercado chinês, que passaram a ser negociadas em patamares menores após a interrupção às exportações durante o primeiro trimestre do ano.

Neste cenário, é importante compreender como os principais competidores internacionais têm se comportado.

No caso da Austrália, após anos de crise climática o país ainda passa por um período de reinvestimento em seu rebanho bovino. Já em 2023, segundo informações publicadas pela Meat & Livestock Australia (MLA), as escalas de abate seguem em ritmo crescente, assim como o volume do produto exportado. O mês de setembro de 2023 alcançou o maior volume exportado visto desde 2019. Assim, com a recuperação em ritmo acelerado, os custos de produção continuam sendo o principal fator atrelado à capacidade produtiva do setor.

Já o Paraguai, mesmo não competindo com o Brasil pelo principal mercado global, o chinês, mantém a pressão sobre o mercado chileno, disputando o espaço com os demais grandes players da América do Sul.

Dentre estes, a Argentina segue apostando no mercado internacional como ponto de escoamento da carne produzida no país, uma vez que sua inflação segue em patamares históricos e, com isso, a capacidade interna de consumo é afetada.

No entanto, as medidas de restrição às exportações impostas pelo governo reduzem o volume de carne argentina no mercado internacional, limitando o impacto ao market share brasileiro – no mercado chileno, assim como nos envios para Israel, e, especialmente a China.

Segundo dados da Secex, entre janeiro e setembro de 2023 as exportações brasileiras apresentaram queda tanto em volume total exportado, quanto em faturamento – quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

A retração vem do efeito do mercado chinês, que passou por redução de 5% em termos de volume e 31% no faturamento. No entanto, as exportações para o Chile no período geraram um faturamento 27% superior ao observado em 2022 – mantendo o país na posição de terceiro principal destino para a carne bovina nacional, ficando apenas atrás da China e dos EUA.

Um país que deve a cada ano se mostrar mais presente nas discussões sobre o mercado internacional de proteína animal é a Índia. Apesar das restrições que a religião Hindu impõe à grande parcela dos habitantes, a crescente população de muçulmanos e cristãos apresenta demanda por carne bovina.

Neste tópico, um ponto que necessita atenção no cenário global, seria o impacto não apenas da carne bovina proveniente deste país, mas também sua oferta de carne bubalina. O produto, apesar do menor teor de gordura, apresenta características de aparência e textura de muita semelhança ao da bovina, sendo muito demandada sobretudo em países com populações de menor poder aquisitivo.

Isso já é observado nas estatísticas de exportação para os países do Oriente Médio e Norte da África, segundo dados da FAO de 2021. Ao analisar-se exclusivamente a exportação de carne bovina para a região, o Brasil aparece em primeira posição, com um market share de 38,7% sobre o total exportado.

No entanto, ao se agregar à análise o volume de carne de búfalo exportada, a quantia total de carne bovina e bubalina enviada pela Índia durante o ano de 2021 perfaz um total de 499,2 mil toneladas – contra as 207,4 mil brasileiros.

A Índia possui, então, um market share de 42,2% do montante total, contra 20,1% do Brasil. Por fim, destaca-se que, sobretudo em uma conjuntura em que a pecuária brasileira se mostra altamente dependente no cenário internacional de um parceiro que absorveu até o mês de setembro 57% do total exportado no ano de 2023, o fomento pela expansão de mercados alternativos. Essa prática se mostra essencial para a manutenção da balança comercial do país.

Fonte: Assessoria Cepea

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Novo presidente da Asbram destaca momento histórico da carne bovina brasileira

Rodrigo Miguel assume a entidade defendendo avanço em tecnologia, sustentabilidade e preparação do setor para novos desafios.

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Foto: Shutterstock

O Brasil vive um momento único na carne bovina, com recorde mundial na produção e exportação, preços crescentes e vendas para 150 países. E o panorama deve permanecer crescente. Mas o segmento necessita estar pronto para desafios como sanidade, qualidade e respeito ao meio ambiente. Além de adequar o fluxo de embarques a ciclos pecuários cada vez menos imprevisíveis.

O panorama foi desenhado pelo médico-veterinário e tarimbado executivo Rodrigo Miguel, que tomou posse como novo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) no fim de fevereiro, sucedendo Fernando Cardoso Penteado Neto, em uma cerimônia realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). O novo vice-presidente é Leonardo Matsuda. E Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A ASBRAM representa 71% das empresas do setor, que mantém no campo mais de 14 mil profissionais, na assistência técnica ao lado dos pecuaristas.

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), Rodrigo Miguel – “Chego muito otimista e com energia para alertar nossos pecuaristas que o mundo moderno exige velocidade e não podemos perder o momento atual maravilhoso para o boi brasileiro” – Foto: Kika Damasceno/@kikadamas

“Chego muito otimista e com energia para alertar nossos pecuaristas que o mundo moderno exige velocidade e não podemos perder o momento atual maravilhoso para o boi brasileiro. O mundo precisa de carne e só nós podemos ofertar nesses volumes que estamos embarcando. Avançando em sustentabilidade ambiental, financeira e em tecnologia. Porque a exportação não pode ficar refém dos ciclos. E temos que ficar atentos ao fato de que 70% da carne fica no mercado interno. Qualquer desequilíbrio pode ser problemático. Vamos ouvir as vozes das diferentes realidades produtivas do Brasil, manter o Painel de Comercialização como referência de negócios e atuar em nome de nossas empresas e de nosso mercado”, garantiu Rodrigo Miguel, que vai dirigir a entidade até o fim de 2027.

O novo presidente ainda apontou que o caminho da produção bovina é claro. Não precisa desmatar, deve usar cada vez mais tecnologia, adaptada aos formatos locais, em áreas menores. “Assim, produziremos e exportaremos cada vez mais alimentos. Vou procurar orientar minha presidência em pilares como visão, coragem, transparência, clareza, humildade e consciência do aprendizado para orientar a execução”, concluiu.

A noite começou com uma palestra do nutrólogo, professor e pesquisador Wilson Rondó Junior, autor do livro que trata dos benefícios da carne vermelha, que falou sobre ‘Uma nova luz sobre a alimentação saudável’. Ele destacou os benefícios ancestrais proporcionados pela proteína e as gorduras saturadas, como crescimento do cérebro, saúde e proteção contra diversas doenças. E as qualidades do rebanho brasileiro que vive essencialmente do pastejo.

“O mundo vive hoje uma inflamação silenciosa, com o uso excessivo de gorduras à base de grãos. Principalmente, obesidade, diabetes e doenças coronárias. Deveríamos rezar pelos bovinos todos os dias porque eles proporcionam alimentos mais saudáveis, com mais Ômega3”, defendeu. E ainda nomeou as principais informações falsas relacionadas a um pretenso perigo no consumo da proteína animal, propagandeadas ao longo dos últimos cem anos. “Carne e leite são fontes poderosíssimas, deveriam fazer parte da dieta de todas as pessoas. Porém, as novas pesquisas já atestam que o correto é o sinal verde para a carne vermelha”, acrescentou.

Na sequência, Fernando Penteado fez um balanço dos dois anos de seu mandato, elogiando o trabalho das equipes e enfatizando que o preparo técnico das indústrias precisa caminhar ao lado dos resultados financeiros. “O importante é estarmos juntos como agora. Sendo assim, vamos alcançar todos os nossos propósitos”, referendou.

“Confio demais na pecuária brasileira e saio depois de dois anos muito profundos, de amadurecimento. Alcançamos o número mágico de cem associados, alcançamos quatro mil profissionais acompanhando nossas reuniões mensais pessoalmente ou pela internet, e fortalecemos nosso caixa. A ASBRAM vai permanecer atuando forte, com seu exército de 14 mil profissionais no campo, todo santo dia. Seguiremos juntos”, falou Fernando Penteado.

Fonte: Assessoria ASBRAM
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Fundocarne lança campanha Carne Gaúcha é Diferente

Iniciativa busca valorizar a produção do Rio Grande do Sul, aproximar produtores e frigoríficos e posicionar o produto como carne de identidade própria.

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Foto: Divulgação

O Fundo de Promoção da Carne Gaúcha (Fundocarne), deu seu primeiro passo em uma nova estratégia da carne bovina gaúcha. Unindo produtores, através do Instituto Desenvolve Pecuária e frigoríficos, por meio do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), o fundo atua na valorização da carne bovina produzida no estado.

O projeto busca aproximar produtores e frigoríficos para promover o produto nos mercados nacional e internacional, posicionando a carne gaúcha como um item diferenciado e com identidade própria. “O fundo nasce com esse desafio de tirar o pecuarista da comodidade e comunicar o que nós temos”, afirma a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli.

Fotos: Shutterstock

A primeira campanha oficial do fundo, intitulada “Carne Gaúcha é Diferente”, foi lançada com um vídeo institucional que destaca as particularidades do bioma Pampa e a tradição do churrasco local. A peça utiliza imagens reais de nove propriedades rurais do Rio Grande do Sul para reforçar a conexão entre o produto e a cultura gaúcha. “Nós temos um bioma exclusivo e uma tradição que ninguém mais tem. O vídeo mostra que o nosso churrasco não é apenas cultura, é um processo técnico de excelência que o mundo precisa reconhecer e remunerar”, destaca a dirigente.

Logo após o lançamento outras entidades e empresários já se interessaram em fazer parte do movimento. O Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Rio Grande do Sul, Sindiler, e alguns associados já anunciaram que vão entrar para o Fundocarne. Reuniões com o setor  de varejo também estão avançando.

O funcionamento do Fundocarne baseia-se em contribuições voluntárias de ambos os elos da cadeia. No setor industrial, 17 frigoríficos participantes comprometeram-se com a doação de R$ 0,50 por animal, do total de abates. Por parte dos produtores rurais, a participação ocorre por meio de doações espontâneas em eventos, leilões e abates, com valores que variam conforme a adesão individual. Segundo Antonia Scalzilli, a união é fundamental para o setor: “A cadeia se uniu; a indústria frigorífica está ao lado dos pecuaristas para somar, junto ao varejo e todos aqueles que vivem da cadeia da carne”, relata.

Os objetivos centrais do Fundocarne incluem a promoção da qualidade e da responsabilidade ambiental e sanitária da produção gaúcha, visando elevar o consumo e a rentabilidade. A estratégia foca em transformar a percepção da carne de uma commodity para um produto de valor agregado, utilizando dados e comunicação ativa. Conforme explica Antonia Scalzilli, o propósito é reconectar o campo com a população urbana: “Queremos impactar os melhores mercados brasileiros com essa experiência da carne e colocar o sul do Brasil no mapa do mundo como um lugar de referência”, afirma Antonia.

Repercussão

A repercussão do lançamento inicial atingiu públicos externos à bolha do agronegócio, gerando engajamento em centros urbanos e reconhecimento de lideranças do setor em todo o país. Para a presidente do Instituto, o movimento de comunicação gerou um ciclo de retorno imediato para a instituição. “A nossa campanha já rompeu a bolha e voltou. Lançamos o ‘ping’ e agora recebemos o ‘pong’, com o reconhecimento de ícones da pecuária brasileira e de pessoas de fora do setor que se sentiram representadas”, explica Antonia.

Logo nas primeiras horas após a publicação no Instagram, o vídeo alcançou dezenas de milhares de visualizações. Além das redes sociais, o material circulou também nos grupos de Whatsapp, alcançando diferentes públicos de dentro e de fora do estado e até do país.

O vídeo está disponível no link, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Fundocarne
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Programa de Melhoramento Genético eleva padrão da raça Angus no Brasil

Mais de 548 mil animais avaliados e testes de DNA permitem selecionar animais de alto desempenho, adaptados a diferentes sistemas produtivos.

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Foto: Gustavo Rafael

O progresso da raça Angus na pecuária brasileira se consolidou, nas últimas décadas, por meio de uma base técnica robusta e do uso estratégico de dados. Números acumulados ao longo de mais de 30 anos de avaliações conduzidas pelo Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) revelam uma evolução consistente: a base raça hoje conta com 548.196 animais avaliados em rodagem semanal, formando uma base genética sólida que permite selecionar indivíduos superiores com alta precisão.

Os dados fenotípicos, ou seja, aqueles observados no campo, demonstram a evolução visual do rebanho, e o sucesso do programa deve ser compartilhado de forma equilibrada com as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie). Elas são o indicador mais preciso do ganho real, pois utilizam cálculos estatísticos para isolar influências externas, como regime alimentar, idade do animal e variações de ambiente, focando exclusivamente no potencial genético que será transmitido aos filhos.

“O peso ao nascer permaneceu estável ao longo do tempo, mesmo com ganhos expressivos nas características de crescimento e carcaça. Isso só foi possível porque a avaliação genética permitiu identificar indivíduos que entregavam mais desempenho sem aumentar os riscos”, afirma Laerte Afonso Rochel, coordenador do Programa. Os registros históricos confirmam essa estabilidade: em 1992, a média para machos era de 34,11 kg; em 2023, o índice fechou em 34,28 kg, garantindo facilidade de parto e eficiência reprodutiva.

Evolução em carcaça

Fotos: Shutterstock

A partir dos anos 2000, o foco na qualidade e quantidade de carcaça foi intensificado através de medições por ultrassom, cujos dados também são processados via DEPs para garantir que o ganho seja genético e não apenas fruto de trato nutricional. Na prática, a raça evoluiu significativamente em Área de Olho de Lombo (AOL), que saltou de uma média bruta de 46,48 cm² no início das avaliações para 70,14 cm² em 2023. Quanto maior a AOL, maior o rendimento de cortes nobres, como contrafilé e picanha.

Na qualidade, a seleção busca uma maior deposição de gordura intramuscular (marmoreio) e um equilíbrio na gordura subcutânea. O objetivo é garantir, com a gordura subcutânea suficiente, o isolamento térmico necessário para o processo industrial de transformação do músculo em carne, sem o excesso que gera custos elevados ao produtor e desperdício ao frigorífico, já com o incremento na gordura intramuscular conseguimos produzir cortes mais suculentos e saborosos.

O salto da genômica

A incorporação da avaliação genômica representou o ponto de virada para aumentar a acurácia das DEPs, permitindo conhecer o potencial de um animal antes mesmo de ele deixar a progênie. Atualmente, o programa conta com 23.228 animais genotipados. O crescimento nesta área é acelerado: entre 2021 e 2025, a quantidade de animais com leitura de DNA vinculada ao programa praticamente quintuplicou.

Para Luis Felipe Cassol, presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de Angus, a ampla base genética da raça contribui para a adaptação a diferentes sistemas produtivos. Segundo ele, a experiência acumulada mostrou que selecionar apenas para crescimento pode elevar a exigência nutricional além da capacidade do sistema produtivo, reforçando a importância de um animal equilibrado entre desempenho, qualidade de carne e funcionalidade.

Além do desempenho produtivo, as tendências apontam para uma característica clara de adaptação: a redução do pelame. A seleção tem priorizado animais de pelo curto e liso, mais preparados para o clima e os sistemas de produção brasileiros.

Próxima etapa: eficiência e resistência

Foto: Pixabay

Com custos de produção crescentes, características como eficiência alimentar e resistência a parasitas ganham protagonismo. Para Rochel, o objetivo é produzir animais capazes de manter desempenho e qualidade consumindo menos e com maior adaptação.

Para Cassol, o desafio é buscar um Angus equilibrado, que entregue desempenho e qualidade dentro do ambiente em que será criado. “A ampla base genética da raça permite trabalhar diferentes perfis de animais conforme o ambiente de produção, evitando que a busca por crescimento aumente excessivamente a exigência nutricional dos rebanhos”, pontua.

Fonte: Assessoria da Associação Brasileira de Angus
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