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Pecuária brasileira tem potencial para crescer até cinco vezes mais com produtividade e sustentabilidade
Setor tem um potencial de crescimento elevado, com a possibilidade de expandir de três a cinco vezes mais

O Brasil possui o maior rebanho de bovinos, com 215 milhões de cabeças. Contudo, a taxa de lotação ainda é baixa, com cerca de 1,5 cabeça/hectare, e com produtividade média de menos de dez arrobas por hectare/ano. Isso significa que o setor tem um potencial de crescimento elevado, com a possibilidade de expandir de três a cinco vezes mais, sem a necessidade de abertura de novas áreas ou de qualquer tipo de transformação no meio ambiente.
Esses dados foram fornecidos pelo engenheiro agrônomo Francisco Beduschi Neto, executivo da National Wildlife Federation (NWF) no Brasil, durante o painel Sustentabilidade e Segurança Alimentar, do Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio (CBDA), uma realização do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), que reuniu virtualmente cerca de 5 mil participantes.
“Esse aumento pode ser feito com uma produção baseada no pasto, que possui ainda o potencial de acumular carbono no solo, e com a incorporação de tecnologias, com a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e suas variações. Além de contribuir para suprir a demanda por alimentos no mundo, o setor ainda estaria trabalhando em prol do meio ambiente, auxiliando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, disse.
Esse movimento para crescer com produtividade e sustentabilidade é importante neste momento, pois no cenário internacional, os Estados Unidos, concorrente nesse mercado, voltaram a ter relações comerciais com a China e o país asiático está investindo fortemente para a recuperação do seu rebanho de suíno, com expectativa de normalizar a situação em 2025. Outro fator é a mudança do comportamento de consumidores e investidores, que estão mais atentos às questões ligadas ao meio ambiente e preocupados quanto a origem dos produtos e alimentos consumidos.
“No mercado financeiro, especificamente, há iniciativas para contribuir com o desenvolvimento sustentável do país, por isso estão surgindo novos mecanismos para estimular essa mudança, como os greenbonds. Há ainda casos de captação de recursos para investimento na produção sustentável. Isso sem falar no PSA (Pagamentos por Serviços Ambientais), que vai possibilitar a remuneração de produtores que buscarem ações para proteção e conservação de biomas e dos recursos naturais”, explicou Beduschi.
Em sua participação no Congresso, o engenheiro agrônomo reafirmou ainda a importância de se ter informações e dados que permitam contar a história não apenas do setor, mas da propriedade rural, uma vez que os clientes internacionais e nacionais estão em busca desse conhecimento mais detalhado. “Já recebemos muitos questionamentos em relação sobre a propriedade que produziu aquela proteína e/ou aquele couro específico. E, não apenas quem produziu, mas onde nasceu o animal que forneceu esses produtos, como essa propriedade está em termos de preservação ambiental, bem-estar animal, relacionamento social com o entorno. Por isso, a importância de medir e comunicar com eficiência, para separar o joio do trigo e dar espaço e voz para quem está produzindo de forma sustentável no Brasil.”
Ao final, o executivo da National Wildlife Federation (NWF) ponderou que se o Brasil souber aproveitar essas oportunidades, certamente será, após a pandemia, o maior fornecedor de alimentos ou o maior supermercado do mundo. “Podemos bater recorde de desenvolvimento, mas precisamos fazer nossa lição de casa, mostrando realmente o que as propriedades rurais têm feito assim como a pecuária nacional e, claro, posicionar o Brasil nessa questão”.
O painel contou ainda com a participação de Christian Lohbauer, presidente da CropLife Brasil, Grazielle Parenti, vice-presidente Global de Relações Institucionais, Reputação e Sustentabilidade da BRF, e a advogada especialista em direito ambiental Samanta Pineda, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), e moderação de Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

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Tecnologia e manejo do milho pautam abertura oficial da colheita no Rio Grande do Sul
Mesas-redondas, ensaios com híbridos e debates sobre irrigação, bioinsumos e mercado marcam a 13ª edição do evento, em São Borja.

São Borja será palco da 13ª Abertura da Colheita do Milho do Estado do Rio Grande do Sul, que acontece nos dias 22 e 23 de janeiro, reunindo autoridades, produtores rurais, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades ligadas ao agronegócio.
A programação inicia na quinta-feira (22), a partir das 17h30, no Parque de Exposições Serafim Dornelles Vargas, com mesas-redondas e palestras técnicas que abordarão temas como tecnologia de produção, manejo do milho, uso de bioinsumos, irrigação, legislação ambiental e perspectivas de mercado.
Na próxima sexta-feira (23), as atividades começam às 7h30, na Agropecuária Santos Reis, em São Borja. A manhã será marcada por recepção e credenciamento, visitas a áreas demonstrativas, ensaios com híbridos de milho, orientações técnicas sobre manejo, irrigação e adubação, além de visitação aos estandes das empresas participantes.
Abertura oficial
O ponto alto da programação ocorre às 11h, com o ato oficial de Abertura da Colheita do Milho no Rio Grande do Sul, que contará com a presença do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, além de autoridades estaduais, regionais e municipais.
O evento é uma realização da Prefeitura de São Borja, com o apoio de entidades, instituições técnicas e empresas do setor agrícola.
A iniciativa tem o objetivo fortalecer a integração regional, promover a troca de conhecimentos e valorizar a importância da cultura do milho para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.
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Proteína animal ganha força no Espírito Santo e soma mais de R$ 4,7 bilhões no VBP
Ovos, frangos e bovinos consolidam a pecuária como o segundo pilar do agronegócio capixaba em 2025, reforçando a diversificação da produção em meio ao crescimento recorde do VBP estadual.

O Valor Bruto da Produção (VBP) do Espírito Santo atingiu um patamar inédito em 2025, chegando a R$ 37.687,19 milhões. O resultado representa um avanço expressivo de 38,1% em relação aos R$ 27.285 milhões registrados em 2024. Este crescimento coloca o estado em uma trajetória de descolamento positivo frente à média nacional.
Enquanto o Espírito Santo viu seu faturamento saltar mais de um terço em apenas um ano, o VBP do Brasil apresentou um crescimento de 15,6%, passando de R$ 1.221.285 milhões em 2024 para R$ 1.412.203 milhões em 2025.
Esse desempenho superior permitiu ao Espírito Santo elevar sua relevância no cenário federal: a participação capixaba no VBP nacional subiu de 2,23% em 2024 para 2,67% em 2025. Economicamente, isso indica que o agronegócio local não apenas acompanhou a valorização das commodities, mas ganhou eficiência e escala acima da média das demais unidades da federação.
A estrutura produtiva do estado permanece fortemente concentrada nas lavouras, que respondem por 85% (R$ 31,9 bilhões) do faturamento, enquanto a pecuária detém 15% (R$ 5,7 bilhões).
As 5 Maiores Atividades:
Café: O motor da economia capixaba faturou R$ 29.218,2 milhões, representando sozinho 77% de todo o VBP estadual.
Ovos: Principal força da proteína animal local, com R$ 2.151,7 milhões.
Bovinos: Registrou R$ 1.467,4 milhões.
Frangos: Gerou R$ 1.096,3 milhões.
Banana: Com R$ 831,1 milhões, fecha o “top 5” e lidera entre as frutas.
Evolução Histórica
O gráfico de série histórica (2018–2025) revela que, após um período de relativa estabilidade entre 2018 (R$ 14,1 bilhões) e 2020 (R$ 14,1 bilhões), o estado iniciou uma escalada consistente. O salto entre 2024 e 2025 é o maior de toda a série.
Embora haja uma inflação nominal nos preços das commodities, o salto de 166% desde 2018 sugere um crescimento estrutural, impulsionado especialmente pela valorização e produtividade do café, que puxa a curva do estado para cima.
Os dados revelam que o agronegócio do Espírito Santo enfrenta um desafio de extrema concentração. A dependência do café (quase 80% do VBP) torna a economia estadual vulnerável a oscilações de preços internacionais e fatores climáticos específicos desta cultura.
Além disso, nota-se uma estagnação ou declínio em culturas de subsistência e grãos (arroz e feijão), o que aponta para uma especialização produtiva voltada ao mercado externo e à avicultura de postura (ovos), em detrimento da diversificação de culturas anuais. A manutenção do crescimento dependerá da capacidade do estado em verticalizar a produção de café e fortalecer a cadeia de proteína animal para mitigar os riscos da monocultura predominante.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

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Soja no Paraná se aproxima de safra histórica e reforça otimismo no campo
Boletim do Deral indica 90% das lavouras em boas condições, produção perto de 22 milhões de toneladas e destaca também fruticultura e mercado de trabalho na suinocultura.

A soja é outra vez destaque no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, e ao que tudo indica caminha para um desempenho próximo ao recorde histórico. O cenário aparenta ser positivo para o agronegócio paranaense, e o Boletim de quinta-feira (15) também traz uma análise sobre o desempenho da fruticultura, e ainda um retrato do mercado de trabalho atual, evidenciando a absorção de mão de obra estrangeira pelo setor de suinocultura.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
No caso da soja, as condições de campo reforçam o otimismo quanto à safra 2025/2026. A reavaliação das lavouras indica que 90% das áreas estão em boas condições, índice superior ao registrado na semana anterior e melhor do que o observado nas últimas oito safras. Com isso, a produção paranaense poderá alcançar cerca de 22 milhões de toneladas, volume muito próximo ao recorde estadual de 22,3 milhões de toneladas obtido no ciclo 2022/2023.
As primeiras colheitas de soja, concentradas principalmente no Oeste do Estado, já demonstram bons indicativos de produtividade, embora ainda representem uma parcela reduzida da área total semeada.
Apesar do cenário produtivo favorável, o Deral alerta para a necessidade de cautela, uma vez que a maior parte das lavouras ainda tem pela frente fases mais críticas de desenvolvimento.
No entanto, para a comercialização os preços seguem pressionados pela estabilidade das cotações internacionais e pela valorização do real, mantendo a saca de soja – no que diz respeito a valores, em patamares semelhantes aos do início de 2025.
Mão de obra estrangeira

Foto: Eduardo Monteiro
Em relação ao mercado de trabalho, o Boletim traz dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostrando que, ao final de 2024, trabalhadores imigrantes ocupavam 15,6% dos empregos formais em frigoríficos de abate de suínos no Brasil.
No Paraná, essa participação chegou a 8,4%, com predominância de haitianos, venezuelanos e paraguaios. Já no segmento de criação de suínos, a presença de estrangeiros é menor, mas o Estado lidera nacionalmente as contratações, sobretudo de trabalhadores paraguaios.
O levantamento reforça a importância social e econômica da suinocultura, especialmente em um contexto de fluxos migratórios internacionais.



