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Pecuária brasileira busca equilíbrio produtivo e sustentável para redução do aquecimento global

Diversas iniciativas estão sendo desenvolvidas pelo setor pecuário para reduzir e minimizar os impactos gerados pelas emissões de metano, buscando soluções que estejam cada vez mais asseguradas em boas práticas de sustentabilidade, com adoção de técnicas que permitam melhor manejo dos rebanhos.

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Foto: Fernando Goss

A produção de carne bovina em harmonia com o meio ambiente ganha cada vez mais espaço e notoriedade mundial pelo atual cenário ambiental e geopolítico, o que provoca novas tendências mercadológicas e hábitos alimentares dos consumidores, que estão cada vez mais atentos a forma como os alimentos são produzidos, induzindo a cadeia produtiva a ser cada vez mais sustentável e eficiente.

Neste sentido, diversas iniciativas estão sendo desenvolvidas pela pecuária para reduzir e minimizar os impactos gerados pelas emissões de metano (CH4), buscando soluções que estejam cada vez mais asseguradas em boas práticas de sustentabilidade, com adoção de técnicas que permitam melhor manejo dos rebanhos. Entre as estratégias que já funcionam em fazendas brasileiras estão a integração de sistemas produtivos, recuperação de pastagens degradadas, boas práticas de manejo animal e vegetal, uso adequado de insumos, bem-estar animal, redução do ciclo de vida, manejo nutricional e uso de biodigestores.

Dono do maior rebanho comercial bovino do mundo, superior a 200 milhões de cabeças/ano, e uma produção de grãos estimada em 270 milhões de toneladas, são geradas pela agropecuária brasileira mais de 40% das emissões de metano totais do país, conforme dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Em busca de tecnologias para mitigar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao gado, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) conduzem diversos estudos em conjunto com outros centros de pesquisas, associações e pecuaristas. Entre os quais, neste ano, durante as tradicionais provas de Eficiência Alimentar (PEA) e de Avaliação a Campo (PAC), realizada anualmente no Centro de Pesquisa da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), foi feito um estudo inédito com as raças taurinas Angus, Braford, Charolês e Hereford para mensurar a geração de metano entérico para cada quilo de alimento consumido pelos animais e transformado em peso.

A iniciativa visa avaliar os reprodutores mais eficientes na conversão alimentar e que emitam menos metano entérico, que é produzido durante a digestão dos ruminantes e dispersado na atmosfera por eructação.

Pesquisadora e coordenadora da pesquisa com emissão de CH4 da Embrapa Pecuária Sul, Cristina Genro: “A pesquisa precisa trabalhar junto com o produtor, com o consumidor, com o frigorífico e com todos os elos da cadeia, para mostrar que não é não comendo carne que nós vamos salvar o planeta” – Foto: Gabriel Bonilha

Conforme a pesquisadora e coordenadora da pesquisa com emissão de CH4 da Embrapa Pecuária Sul, Cristina Genro, ao se fazer a relação da PEA/PAC com a mensuração de metano emitido se acresce mais uma informação que pode ser usada na seleção e nomelhoramento genético, caminhando para uma pecuária cada vez mais sustentável. “É mais uma contribuição da ciência, em parceria com as associações das raças, na busca por uma pecuária mais produtiva, eficiente e que atenda aos anseios dos consumidores por alimentos saudáveis, produzidos com sustentabilidade”, ressalta Cristina.

De acordo com ela, a avaliação visa qualificar ainda mais os animais que estão sendo testados. “Vamos poder dizer que além de serem mais eficientes na utilização do alimento, também poderão ser mais eficientes em produzir mais com menos emissão de metano. E essa característica, como são reprodutores, será passada para os bezerros que irão produzir”, enfatiza.

Avaliação da emissão de metano

A técnica de medição do gás metano produzido pelos bovinos e exalado pelas narinas e boca desses ruminantes é feita por meio de uma canga tubular com uma válvula reguladora para entrada do gás acoplada a um cabresto, colocado logo atrás da cabeça do bovino. O coletor permanece no animal por uma semana, durante 24 horas, armazenando o gás emitido pelo processo natural de eructação. Após o período, o tubo é retirado e as amostras são encaminhadas para análise em laboratório.

Importância do estudo

Cristina ressalta a importância de realizar pesquisas para buscar meios de adaptação e mitigação da emissão de CH4, principalmente envolvendo os produtores rurais no processo, além de levar conhecimento técnico e operacional para o campo. “É fundamental que os produtores busquem informações, a fim de que cada vez mais eles possam trabalhar com bovinos com características de menor emissão de metano”, frisa.

Todas as raças de animais que participaram da pesquisa e atingirem níveis satisfatórios serão certificadas pela Embrapa como animais menos emissores de CH4. “Ao ser certificado com baixa taxa de emissão de CH4, os animais passam a ter um preço melhor em leilão e na venda de sêmen, porque têm características avaliadas que outros não têm, sem dizer que essa certificação torna o setor mais competitivo”, evidencia Cristina.

Escolha das raças

Reprodutores das raças Hereford e Braford durante a coleta de metano no Centro de Pesquisa da Embrapa Pecuária Sul – Foto: Cristina Genro

De acordo com a coordenadora responsável pela avaliação, as raças taurinas europeias Angus, Braford, Charolês e Hereford foram escolhidas para a pesquisa de mensuração do metano por serem as raças mais cruzadas na região Sul do Brasil, além de que os produtores trazem os animais para participar das provas de Eficiência Alimentar e de Avaliação a Campo, realizadas todos os anos com cerca de 120 animais no Centro de Pesquisa da Embrapa Pecuária Sul.

Cristina adianta que há interesse de outras raças, como da francesa Limousin, para participar do estudo, bem como há tratativas em andamento para estender a avaliação para as vacas leiteiras.

Resultados esperados

O resultado da pesquisa será divulgado durante a 45ª Exposição Internacional de Animais – Expointer, que acontece de 27 de agosto a 04 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, RS. “Vamos relacionar os resultados de emissão de metano com a Prova de Eficiência Alimentar para que possamos avaliar quantas gramas de metano estão sendo emitidos por animal para cada quilo consumido e transformado em peso. Nossa intenção não é comparar entre raças, mas em cada raça ver quais animais atendem ao critério de menores emissores”, reforça Cristina.

Com o propósito de auxiliar as associações produtoras das raças a qualificar seus reprodutores, certificando-as de baixa emissão de metano, a pesquisa visa valorizar o produto nacional no mercado. “Essa pesquisa é essencial para auxiliar a pecuária a produzir em harmonia com a sociedade e o meio ambiente. Através dessa avaliação vamos oferecer animais produzidos de forma mais sustentável nas fazendas brasileiras, valor que agrega à venda desses animais no mercado, além, de maneira geral, vamos poder contribuir com a redução global de emissão de metano pelo rebanho bovino brasileiro”, pontua.

Caminho sem volta

A pesquisadora gaúcha destaca que as quatro raças que participaram da pesquisa estão alinhadas com uma tendência mundial que deverá, em um futuro próximo, incluir características de animais com menor taxa de emissão de metano como critério de seleção de bovinos mais eficientes e adequados aos sistemas de produção mais sustentáveis. “Nós temos muita procura dos frigoríficos para trabalhar na certificação de produtos, principalmente de carne baixo carbono”, menciona Cristina.

Daqui para frente, com o compromisso global assumido em novembro passado durante a COP26, em Glasgow, na Escócia, por mais de 100 países, incluindo o Brasil, com vistas a reduzir as emissões globais de metano em pelo menos 30% até 2030 em relação aos níveis de 2020, o apelo por ações concretas para conter as emissões deste poluente climático serão cada vez maiores. “A pesquisa precisa trabalhar junto com o produtor, com o consumidor, com o frigorífico e com todos os elos da cadeia, para mostrar que não é não comendo carne que nós vamos salvar o planeta, talvez tenha mais impacto andar de carro sozinho do que comer um bife em casa”, observa a pesquisadora.

Em um futuro próximo, segundo Cristina, a questão da sustentabilidade poderá vir a ser uma barreira para comercialização de carne bovina, como já foi para o desmatamento e para as queimadas. “Nós sabemos que as barreiras comerciais estão relacionadas com a questão do ambiente e que nossa carne é produzida com muito metano. Para mudar esse cenário precisamos, enquanto produtores de carne bovina, mudar de postura. Precisamos ter certificações que digam que nossa carne é sustentável porque nossos touros emitem menos metano, que nossa carne é produzida em sistema de produção à base de pasto, bem manejado, ou que está sendo acumulado carbono no solo e nós estamos conseguindo controlar essas emissões”, expressa a pesquisadora, alertando para a necessidade de certificar os processos a fim de garantir a sustentabilidade e a comercialização do produto brasileiro. “Nós temos que passar confiança e transmitir segurança ao nosso consumidor, seja ele da cidade ou o comprador da nossa carne no mercado interno ou de outros países”.

Métodos para interferir na produção de metano

Pesquisador e chefe geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt: “O sistema ILPF ajuda na remoção de CO2 desde que seja feito sempre com o plantio direto e com um bom manejo de pasto ao longo do ano” – Foto: Ana Maio

De acordo com o pesquisador e chefe geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, para poder interferir na produção de metano da pecuária brasileira é preciso considerar três pilares. O primeiro deles envolve a manipulação direta da fermentação do rúmen, que pode ser feito usando aditivos, um pasto e uma ração de melhor qualidade para os animais. “Tudo isso reduz a fermentação dentro do rúmen, porque altera o perfil para um tipo de fermentação que produz menos metano. Na região Sul, por exemplo, as pastagens são de alta qualidade, o que já contribui para uma emissão menor”, considera.

Berndt diz que a melhor forma do produtor saber se uma pastagem é de melhor qualidade do que outra é pelo ganho de peso do animal ou de produção de leite. “Pasto ruim não dá peso, não produz leite. Claro que o produtor pode fazer a coleta do capim e mandar ao laboratório para análise, mas na prática é observar a resposta do animal, se estiver ganhando peso, se está com uma boa estrutura corporal ou produzindo bastante leite é porque aquele pasto atende a exigência nutricional do animal”, afirma.

O pesquisador paulista também elenca a importância de pensar no rebanho como um todo, pois mesmo tendo uma área de pastejo boa, se há muitos animais juntos pode ser que nos primeiros dias de pastejo todos estejam comendo bem, depois o capim acaba e o gado fica com fome, deixando de ganhar peso ou de produzir leite. “É preciso olhar a quantidade de animais que estão pastejando em uma mesma área para não permitir a degradação superpastejo, porque isso geraria um efeito contrário e pioraria a emissão de metano”, alerta Berndt.

O segundo pilar engloba o aumento da eficiência de produção, área com mais conhecimento e tecnologias acumuladas, que incluem melhoramento genético, nutrição, reprodução, sanidade, bem-estar animal e gestão do negócio. “Quando o produtor tem uma raça melhorada ele não vai colocar esse animal de excelente genética em um pasto ruim ou deixar de vacinar, pelo contrário, vai oferecer o que há de melhor para que esse animal tenha uma reprodução mais eficiente e frequente daquela genética. Então, o melhoramento genético arrasta com ele um monte de tecnologias, justamente porque o animal merece esse cuidado. Esse é um pilar que está nas mãos dos produtores: de não deixar o pasto degradar, sempre buscar uma genética boa, fazer uma suplementação adequada para o seu rebanho (com aditivo mineral ou ração concentrada), aplicar os vermífugos, vacinar, adotar medidas de sanidade. Tudo isso que o pecuarista já sabe que tem que fazer, mas agora também com esse olhar para a sustentabilidade”, salienta.

O terceiro pilar abrange a remoção e a compensação do metano no solo e no ILPF (integração-lavoura-pecuária-floresta) que, segundo Berndt, encontra muita resistência pelo setor agropecuário para entrar na conta da redução do metano. “Esse é um pilar que temos estudado bastante em pasto de manejo intensivo e rotacionado, onde se consegue remover bastante carbono no solo. O sistema ILPF ajuda na remoção de CO2 desde que seja feito sempre com o plantio direto e com um bom manejo de pasto ao longo do ano, com o mínimo de intervenção no solo, sem arar a terra porque o objetivo é estocar o carbono no solo”, detalha.

O componente florestal no sistema integrado dificulta o manejo do solo, porque agora se tem as árvores no meio, porém, de outro lado, esse sistema de produção pode melhorar a ambiência, a qualidade da forragem, o aproveitamento dos recursos naturais, o aumento e a diversificação da renda, a reprodução dos animais e a possibilidade do abatimento da emissão dos gases de efeito estufa e do aumento do sequestro de carbono no solo.

“Em sistema de produção de grão intensivo não se encaixa a árvore, porém, se for um sistema de pastejo intensivo, a árvore se encaixa bem no sistema silvipastoril”, pontua o pesquisador, ampliando: “Essas árvores têm um potencial muito grande de remover carbono também em seus troncos, isso faz com que se consiga compensar praticamente toda a emissão de gases dos bovinos nestes sistemas integrados, considerando essa uma produção de carne baixo carbono ou de carbono neutro, dependendo de quanta remoção de CH4 o produtor conseguir remover no sistema”, afirma Berndt.

Quando se intensifica a produção de gado, consequentemente aumenta-se a emissão de metano por hectare/ano, no entanto, se produz mais carne. Com a adoção do sistema ILPF atrelado às boas tecnologias é possível produzir até três vezes mais carne, porque está se encurtando o ciclo de produção dos animais, ou seja, estará produzindo mais, porém emitindo a mesma quantidade de metano.

Fortaleza do Brasil

O chefe geral da Embrapa Pecuária Sudeste considera o sistema intensivo de integração lavoura-pecuária (ILP) uma das fortalezas do Brasil, pois através da adoção deste sistema o produtor consegue três safras ao ano: soja, milho e pasto, além da produção de carne. “É uma competitividade muito grande”, exalta Berndt.

O pecuarista que adota a parceria com a produção de grão, a terra que iria ficar parada na entressafra vai produzir boi, permitindo que o animal continue ganhando peso mesmo no inverno, e quando precisar tirar o boi para dessecar o pasto e começar uma lavoura de soja, por exemplo, o capim já estará crescendo melhor em outro lugar, porque já começou a época das chuvas.

“Então é uma organização de rebanho com grão muito mais inteligente para o produtor aproveitar melhor a área de produção da sua fazenda, além de contribuir bastante para encurtar o ciclo completo de produção do gado, ou seja, faz com que o boi seja abatido mais cedo e desta forma emite menos metano e o produtor ganha em produtividade”, analisa o pesquisador.

Por uma pecuária mais sustentável

Pioneira em várias frentes de pesquisa, a Embrapa Pecuária Sudeste investe há mais de 20 anos em estudos sobre emissões de GEE em sistemas de produção de bovinos de corte e de leite, buscando a baixa emissão de gases como o metano, a fim de diminuir o impacto da atividade no clima.

Localizado em São Carlos, no interior de São Paulo, o centro de pesquisa trabalha com tecnologias tanto para mitigação de metano, quanto para mensurar as emissões, seguindo metodologia reconhecida internacionalmente. Entre os recursos tecnológicos à disposição do setor estão a recuperação de pastagens degradadas, boas práticas de manejo animal e vegetal, uso adequado de insumos, bem-estar animal, redução do ciclo de vida e manejo nutricional.

De acordo com o chefe-geral da unidade paulista, entre os vários resultados alcançados já se comprovou que a pecuária brasileira não é melhor nem pior do que a de outros países em relação a emissão de metano. O maior problema do país, aponta o pesquisador, é a quantidade do rebanho nacional, que, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021 chegou a 218,2 milhões de animais, ou seja, para cada brasileiro há um boi e ainda sobram 6,4 milhões de cabeças. “A pecuária é muito forte no país, por isso contribui mais para o aquecimento global, porém, com a adoção de tecnologias e boas práticas, como sistemas integrados, manejo intensivo das pastagens e uso de aditivos na nutrição animal, serão capazes de compensar as emissões geradas pela pecuária e tornar o sistema de produção mais sustentável”, enaltece Berndt.

Pesquisas em andamento

Com o intuito de avaliar diferentes níveis de intensificação de pasto em uma área de transição de um bioma de Mata Atlântica para o Cerrado, está em andamento uma pesquisa em um bioma de floresta tropical com pastejo contínuo e extensivo, e no outro extremo de pastejo rotacionado, superadubado e irrigado, que carrega em média cinco unidades de animais por hectare/ano. “Isso é cinco vezes mais do que a média nacional, porém em um sistema superintensivo”, constata Berndt.

O pesquisador explica que os cinco sistemas estão sendo comparados em relação a produção de carne, qualidade de carne, emissão de metano, emissão de óxido nitroso (outro gás de efeito estufa importante quando se intensifica muito um sistema, porque as fezes e a urina ficam depositadas em um mesmo local) e a medição de remoção de carbono.

E um outro projeto que está sendo desenvolvido em paralelo é do pasto consorciado com gramíneas. Na região Sul do país é muito comum no pasto nativo ter associação de dezenas de espécies de capim, mas no Cerrado se encontra a pastagem de apenas uma espécie.

A pesquisa está sendo feita com a consorciação entre a Braquiária e o feijão guandu, que é uma leguminosa arbustiva desenvolvida pela Embrapa para recuperação de pastagens degradadas. Neste estudo, a unidade de pesquisa avalia a fixação de nitrogênio do ar sem o uso de adubação. “O feijão guandu equivale a mais ou menos 100 quilos de nitrogênio por hectare/ano depositado na área de pastejo, substituindo a adubação nitrogenada, uma vez que já tem compostos que interferem na fermentação, o que também é estudado. O pasto consorciado é um conceito antigo, tem mais de 60 anos, mas esse conhecimento está agora sendo rediscutido com foco em sustentabilidade”, evidencia Berndt.

Raça Canchim

Há três anos, o Centro de Pesquisa do interior paulista iniciou um experimento com a raça sintética Canchim 7/8 para medir a emissão de metano pelo ganho de peso destes animais, com o intuito de traçar um perfil do gado criado no país.

O método de coleta e análise é o mesmo adotado na Embrapa Pecuária Sul. As coletas são feitas a partir de uma amostra de animais por um determinado tempo em diferentes estações do ano.

Pesquisa de emissão com animais da raça Canchim são realizadas pela Embrapa Pecuária Sudeste – Foto: Divulgação/Embrapa Pecuária Sul

Produzida pela Embrapa Pecuária Sudeste, o Canchim é resultado do cruzamento com 5/8 Charolais e 3/8 de sangue Zebu, é uma raça de porte grande, de crescimento magro, pouca gordura, boa eficiência de crescimento e as emissões de metano são proporcionais a outras raças taurinas. “A variação na emissão do gado pode depender da dieta, da quantidade de água que bebe, do bioma em que está vivendo, entre outros fatores externos. Então, os principais benefícios desta pesquisa são a identificação de tecnologias mais adequadas no ciclo de produção para interferir na emissão de metano”, pontua.

Os experimentos realizados com animais na Embrapa Pecuária Sudeste passam pela avaliação da Comissão de Ética para o Uso de Animais (CEUA) e são conduzidos respeitando o bem-estar animal e os princípios éticos.

Carne carbono neutro

Através do sistema de ILPF ou silvipastoril, a Embrapa Pecuária Sudeste comprovou, em recente estudo divulgado, que é possível produzir carne carbono neutro.

Em oito anos, uma fazenda operando com o sistema de produção integrado, o carbono fixado no tronco das árvores permitiu a neutralização das emissões de CO2 equivalente de 9,4 unidades de animais por hectare (U.A./ha). Cada animal tem 450 quilos de peso vivo. No caso da madeira na serraria, foram necessárias 165 árvores por hectare para neutralizar as emissões de CO2 eq. de 2,3 U.A./ha.

A pesquisa também demonstrou que a sombra das árvores promoveu melhorias na composição morfológica e bromatológica, com menor porcentagem de matéria morta e maiores teores de proteína em comparação ao sistema a pleno sol e conforto térmico animal. Além disso, a ocupação animal também foi semelhante nos sistemas de produção a pleno sol e no sombreado, em função de suplementação com silagem na época das secas.

De acordo com Berndt, o país oferece uma gama muito grande tanto em sistemas de produção animal e vegetal quanto em diversificação de produtos, no entanto, ele considera que a carne carbono neutro ou a carne de baixo carbono não é uma carne para todos os mercados. “Aqueles mercados que buscam uma carne diferenciada, assim como tem no Sul muitas particularidades de produção com associação ao ambiente preservado do Bioma Pampa, que traz diferenciais únicos ao produto produzido nesta região do país, a carne carbono neutro ou de baixo carbono também tem desses diferenciais. E é importante que os produtores interessados em produzir dessa maneira busquem orientação técnica na sua região para saber quais são as tecnologias mais adequadas para seu sistema de produção, porque não tem uma receita única que vale pra todo mundo, é importante conhecer a região, o sistema de produção que está desenvolvendo para poder recomendar as tecnologias mais adequadas”, pontua.

Os resultados das pesquisas e avanços tecnológicos da Embrapa contribuem com as alternativas para adaptação e mitigação frente aos efeitos das mudanças do clima, colocando a descarbonização como meio para o desenvolvimento mais sustentável da pecuária brasileira.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural

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Associação Brasileira de Angus define agenda estratégica de eventos para 2026

Exposições nacionais em Vacaria, Esteio e Pelotas ampliam a visibilidade das raças Angus e Ultrablack e preparam criadores para compromissos internacionais.

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Foto: Divulgação

A Associação Brasileira de Angus terá um calendário repleto de importantes atividades em 2026. Ao todo, serão mais de 10 eventos, organizados ou com apoio e participação da entidade. Entre eles, três exposições nacionais, estratégicas para atingir objetivos técnicos, comerciais e institucionais, fomentando e dando mais visibilidade à raça.

Entre os destaques do calendário, no primeiro semestre, está a Exposição Nacional de Buçal Angus e Ultrablack, que será realizada entre os dias 15 e 19 de abril, em Vacaria, no nordeste do Rio Grande do Sul. Já no segundo semestre, durante a Expointer, que ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio, haverá a Exposição Nacional de Terneiros, com o objetivo de fomentar e divulgar a criação de animais jovens. E de 5 a 12 de outubro, ocorrerá, ainda, a Exposição Nacional de Curral, em Pelotas, na zona sul do Estado.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Cairoli, explica que a decisão de realizar as nacionais em locais diferentes é estratégica para a entidade. Vacaria, por exemplo, sedia um núcleo relativamente novo e que tem uma proximidade importante com Santa Catarina. Pelotas, por sua vez, terá este ano a 100ª edição da sua Expofeira, além de estar em uma região com um bom número de animais de curral. As nacionais, segundo ele, também servem como preparação para o Secretariado Mundial da Raça Angus, que começa em maio de 2027.

“Estamos valorizando cada vez mais as exposições, porque entendemos que elas são uma das formas de divulgar as raças Angus e Ultrablack. As nacionais têm um papel estratégico no nosso calendário porque são promovidas diretamente pela Associação e têm como principal objetivo congregar o maior número possível de criadores, de diferentes estados e regiões, além de reunir um volume expressivo de animais”, destaca Cairoli.

Além das exposições nacionais, o ano terá outros eventos importantes, como a Expoutono, em Uruguaiana (RS), a Fenagen, em Pelotas, a Expovac, em Vacaria, entre outros.

Confira o calendário da Angus em 2026

  • Expocampos 2026 – 26 a 29 de março, em Campos Novos (SC)
  • Exposição Nacional de Buçal Angus e Ultrablack – 15 a 19 de abril, em Vacaria (RS)
  • Exposição de Maringá – 7 a 17 de maio, em Maringá (PR)
  • 24ª Expoutono de Uruguaiana – 18 a 24 de maio, em Uruguaiana (RS)
  • Fenagen – 1º a 4 de julho, em Pelotas (RS)
  • 49ª Expointer e Exposição Nacional de Terneiros – 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS)
  • 114ª Expofeira de Bagé – 25 e 26 de setembro, em Bagé (RS)
  • Exposição Nacional Curral Angus e Ultrablack – 5 a 12 de outubro, em Pelotas (RS)
  • Expolages – 7 a 12 de outubro, em Lages (SC)
  • 93ª Expofeira de Dom Pedrito – 10 a 18 de outubro, em Dom Pedrito (RS)
  • 95ª Expofeira Santa Vitória do Palmar – 13 a 18 de outubro, Santa Vitória do Palmar (RS)
  • Expovac – 14 a 18 de outubro, Vacaria (RS)

Fonte: Assessoria Associação Brasileira de Angus
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Projeto piloto no Rio Grande do Sul antecipa nova fase da rastreabilidade bovina no Brasil

PNIB reúne produtores e frigoríficos, antecipa ajustes do chamado Sisbov 2.0 e prepara o setor para exigências do mercado internacional.

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Foto: Divulgação/Seapi

O Rio Grande do Sul deu passos concretos na implantação da rastreabilidade individual de bovinos, considerada estratégica para a manutenção da competitividade da carne brasileira no mercado internacional. O estado avança como laboratório do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos (PNIB), com projeto piloto em andamento, aporte de recursos para aquisição de insumos e envolvimento direto de produtores, frigoríficos e do serviço veterinário oficial.

A iniciativa, conduzida em parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), tem como foco preparar o setor produtivo para a transição do atual modelo de rastreabilidade em lote para a identificação individual dos animais, etapa considerada irreversível para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, a adoção da identificação individual não é mais um diferencial competitivo, mas uma condição mínima para o país se manter na liderança global. “O esforço que nos trouxe até o topo não será o mesmo que vai nos manter lá. Chegar à liderança é diferente de se manter na liderança”, afirmou. Para ele, a rastreabilidade individual coloca o Brasil em igualdade de condições com grandes players do mercado, como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Uruguai.

O projeto piloto gaúcho já envolve dezenas de propriedades e inclui o rebanho da Embrapa Pecuária Sul. O Fundesa tem aportado recursos para a compra de brincos, extratores e outros materiais, além de apoiar a execução operacional do sistema. A expectativa é que a experiência do estado ajude a antecipar desafios técnicos, operacionais e regulatórios que devem surgir em outras regiões do país.

De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Marcelo Mota, o cronograma nacional prevê que, até o final de 2027, a base tecnológica do PNIB esteja pronta para uso em todo o território brasileiro. A implantação completa do sistema está prevista para ocorrer de forma gradual até 2033.

Durante os encontros com produtores e frigoríficos, foram esclarecidas dúvidas sobre a migração do atual Sisbov para o novo modelo de identificação individual, informalmente chamado de “Sisbov 2.0”. O processo exigirá revisão de normas existentes e criação de novas regras, para acomodar a realidade operacional do setor e garantir segurança jurídica e sanitária.

Para o governo gaúcho, o objetivo é construir um modelo compatível com a diversidade produtiva do estado, que reúne grande número de pequenos produtores, além de intensa movimentação de animais em exposições, feiras e remates. “Temos total interesse em desenvolver um formato que dialogue com a realidade do produtor gaúcho e que possa servir de referência nacional”, afirmou o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena.

Ao final das discussões, o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, destacou que o avanço do PNIB no estado é resultado de diálogo e cooperação entre setor público e iniciativa privada. “A tarefa é complexa e exige cuidado, dedicação e alinhamento. O mais importante é que esse processo foi iniciado de forma transparente e conjunta, o que aumenta as chances de sucesso”, salientou.

Fonte: O Presente Rural com Seapi
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Mato Grosso responde por 23,1% das exportações de carne bovina do Brasil ao exterior

Foram exportadas cerca de 978,4 mil toneladas da proteína em 2025, destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal player nacional no comércio internacional do setor.

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Foto: Divulgação/Imac

Mato Grosso foi o estado com maior participação nas exportações brasileiras de carne bovina em 2025, respondendo por 23,1% de todo o volume embarcado pelo país. Ao longo do ano, foram exportadas cerca de 978,4 mil toneladas da proteína, destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal player nacional no comércio internacional do setor.

Na comparação entre os estados, Mato Grosso ocupa a liderança do ranking de exportações. Em seguida aparecem São Paulo, com 833,8 mil toneladas exportadas, Goiás, com 508,1 mil toneladas, Mato Grosso do Sul, com 450,1 mil toneladas, e Minas Gerais, que fecha a lista dos cinco maiores exportadores, com 324,6 mil toneladas vendidas ao mercado externo.

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números refletem uma mudança estrutural na pecuária estadual.

Foto: Shutterstock

“Mato Grosso avançou muito em eficiência produtiva, sanidade e organização da cadeia. Temos investido também na participação em feiras e eventos internacionais para divulgar a carne mato-grossense e que o estado está preparado para atender os mercados mais exigentes tanto em quantidade quanto em qualidade”, avalia.

O desempenho foi impulsionado por um ano considerado histórico para a pecuária mato-grossense. Em 2025, o estado registrou o abate de 7,4 milhões de cabeças de gado, alcançando uma receita aproximada de US$ 4 bilhões com as exportações de carne bovina. O preço médio da tonelada ficou em torno de US$ 5,4 mil, refletindo a valorização do produto em mercados estratégicos.

Houve também mudanças no perfil dos principais destinos da carne produzida em Mato Grosso. A China manteve a liderança como maior compradora, concentrando 54,8% das importações. Na sequência aparecem a Rússia, com 6%, o Chile, com 4,85%, e os Estados Unidos, que responderam por 4,1% das compras da proteína mato-grossense ao longo do ano.

“Embora a China continue sendo o principal destino, o crescimento de outros mercados mostra que Mato Grosso tem conseguido acessar países com diferentes exigências sanitárias e comerciais. Isso reduz riscos e amplia as oportunidades de valorização da carne mato-grossense no cenário global”, afirma o diretor de Projetos do Imac.

Os mercados que pagaram os valores mais elevados pela carne bovina de Mato Grosso foram a União Europeia, com média de US$ 6.022,79 por tonelada, e o Oriente Médio, com US$ 4.250,79. Já a China, apesar de ser o principal destino em volume, registrou preço médio de US$ 4.145,84 por tonelada, abaixo do praticado em mercados mais exigentes em termos de padrão sanitário e certificações.

Fonte: Assessoria Imac
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