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Pastejo diferido pode reduzir em até 60% os custos com alimentação do rebanho na seca

Estratégia baseada na vedação antecipada das pastagens garante oferta de forragem durante a estiagem e ajuda a preservar o ganho de peso dos animais.

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Fotos: Schutterstock

Com a aproximação do período seco, um dos principais desafios da pecuária é manter a oferta de alimento para o rebanho sem elevar significativamente os custos de produção. Nesse cenário, o pastejo diferido surge como uma estratégia eficiente para garantir forragem durante a estiagem, preservar o desempenho dos animais e reduzir gastos com volumosos.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

O pastejo diferido consiste na vedação de áreas de pastagem ainda durante o período das águas, permitindo o acúmulo de forragem para utilização ao longo da seca. Essa prática vem ganhando cada vez mais relevância, especialmente em regiões onde a redução das chuvas impacta diretamente a qualidade e a disponibilidade do pasto.

De acordo com o técnico em Agricultura Robson Luiz Slivinski Dantas, a estratégia permite ao produtor atravessar o período crítico com maior segurança nutricional para o rebanho. “Com o pastejo diferido, o pecuarista consegue garantir alimento mesmo quando o pasto natural perde qualidade e quantidade de biomassa, evitando queda no ganho de peso e reduzindo custos com volumosos”, explica.

Para que o pastejo diferido seja eficiente, o planejamento deve começar com antecedência. A definição das áreas, escolha das espécies forrageiras e avaliação das condições do solo são etapas decisivas para o sucesso da estratégia. “O planejamento antecipado é essencial para mapear áreas adequadas, escolher cultivares resistentes e sincronizar com o calendário climático. Sem isso, o acúmulo de forragem pode falhar por pragas ou sombreamento excessivo. O ideal é que o produtor comece a se preparar dois a três meses antes da pré-seca, identificando piquetes com boa drenagem, fertilidade do solo e histórico de bom manejo”, orienta Dantas.

Essa organização permite que o produtor maximize o acúmulo de forragem e minimize riscos, como pragas, excesso de material fibroso ou baixa produtividade.

Foto: Fernando Dias

Entre os principais benefícios do pastejo diferido estão a manutenção do ganho de peso, a redução de custos com alimentação e a melhoria da saúde animal. Além do aspecto relacionado à sustentabilidade, pois preserva o solo e promove recuperação da pastagem pós-seca. “Na seca, o custo de volumosos pode variar de R$ 0,50 a R$ 1,00 por quilo de matéria seca, enquanto o pasto diferido oferece forragem disponível na própria fazenda, com custo praticamente restrito ao manejo. Isso pode reduzir as despesas com alimentação em até 40% ou 60%, liberando capital para outros investimentos dentro da propriedade”, destaca o técnico.

Além da economia, a estratégia contribui para manter o desempenho produtivo do rebanho, evitando perdas de peso e garantindo melhor eficiência produtiva ao longo da seca.

A seleção das áreas destinadas ao pastejo diferido deve considerar fatores como drenagem, fertilidade do solo, histórico de pastejo e facilidade de acesso para suplementação. Em geral, recomenda-se reservar entre 10% e 20% da área total destinada ao rebanho.

Entre as espécies mais indicadas para o pastejo diferido, destacam-se gramíneas com boa capacidade de acúmulo de biomassa, como Brachiaria brizantha cv. Marandu, Brachiaria humidicola, capim-tifton 85 e Brachiaria decumbens, cada uma com características específicas de adaptação e produtividade.

O momento da vedação também é determinante para garantir boa oferta de forragem. “Entre os principais cuidados estão vedar o pasto com altura entre 40 e 60 centímetros para maximizar o acúmulo de massa, realizar adubação nitrogenada entre 100 e 200 kg de nitrogênio por hectare após a vedação, além do controle preventivo de pragas, especialmente lagartas. O uso de cerca elétrica temporária também é uma alternativa eficiente e de baixo custo para o manejo, assim como evitar excesso de sombreamento, mantendo as árvores podadas”, menciona.

O profissional ressalta que mesmo com o pastejo diferido, é importante lembrar que a qualidade nutricional do pasto na seca tende a cair. Por isso, a suplementação proteica é fundamental para manter o desempenho dos animais, especialmente com proteinados e minerais ajustados à condição do rebanho. “Entre os erros mais comuns na adoção do pastejo diferido estão a vedação fora do período ideal, ausência de adubação, falta de controle de pragas e sobrepastejo na entrada dos animais. Esses fatores podem comprometer a produção de forragem e reduzir a eficiência da estratégia”, detalha, acrescentando: “Quando bem planejado, o pastejo diferido pode manter ganhos médios de peso superiores durante a seca, reduzir custos de produção e contribuir para uma recuperação mais rápida das pastagens no retorno das chuvas. Com planejamento e manejo correto, esta é uma ferramenta importante para atravessar a seca com menor impacto produtivo e maior eficiência econômica”.

Fonte: Assessoria Nova Lavoura

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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