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Pastagens bem manejadas amplificam ganho de peso diário e produção de leite

A eficiência alimentar é um indicador usado para a rentabilidade e a sustentabilidade das operações pecuárias, ligada à capacidade dos animais de converter o alimento consumido em peso corporal ou produção de leite. Ou seja, investir em forrageiras que maximizem esse processo tornou-se uma estratégia essencial para os produtores que almejam melhorar seus resultados.

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Foto: Divulgação/Arquivo OP Rural

No cenário cada vez mais competitivo da produção agropecuária, a busca por métodos e tecnologias que otimizem a eficiência alimentar do gado se torna uma prioridade para os produtores de carne e leite. Nesse contexto, as forrageiras têm desempenhado um papel fundamental, oferecendo soluções inovadoras que promovem uma alimentação mais balanceada e nutritiva para o rebanho, resultando em maior produtividade e lucratividade ao produtor.

A eficiência alimentar é um indicador usado para a rentabilidade e a sustentabilidade das operações pecuárias, ligada à capacidade dos animais de converter o alimento consumido em peso corporal ou produção de leite. Ou seja, investir em forrageiras que maximizem esse processo tornou-se uma estratégia essencial para os produtores que almejam melhorar seus resultados.

Engenheira agrônoma, doutora em Produção Animal e pesquisadora da área de Nutrição Animal no IDR-Paraná, Simony Lugão: “Os pastos representam a fonte mais acessível e econômica de alimento para o gado” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, a engenheira agrônoma, doutora em Produção Animal e pesquisadora da área de Nutrição Animal no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Simony Lugão, fala das principais forrageiras usadas, dos desafios de manejo e dos benefícios que oferecem para a eficiência alimentar do gado de corte e de leite.

Desde variedades mais nutritivas até aquelas adaptadas a diferentes condições climáticas e tipos de solo, as opções disponíveis têm proporcionado aos pecuaristas uma gama de escolhas para atender às necessidades específicas de seus rebanhos e ambientes de produção. “Os pastos representam a fonte mais acessível e econômica de alimento para o gado. No entanto, a maioria das áreas destinadas à pastagem no país se encontra em estado de degradação, apresentando um desafio significativo para a sustentabilidade da pecuária. Problema esse que afeta diretamente a qualidade da alimentação do gado e, consequentemente, sua produtividade, assim como a rentabilidade das operações pecuárias. Mas quando bem manejadas, tanto no manejo do pastejo quanto da fertilidade do solo, as pastagens podem impulsionar o desempenho dos animais”, ponta a profissional, enfatizando: “Investir em práticas de manejo sustentáveis e na revitalização dos pastos degradados é fundamental para garantir a eficiência e a viabilidade a longo prazo da pecuária no país”.

Custo de produção

Simony explica que na pecuária leiteira, quando o produtor possui animais que produzem entre 10 e 12 litros por dia, a alimentação é baseada em pasto. “Se possuímos um pasto de boa qualidade e vacas com uma média de produção de 15 litros/dia, precisamos além do pasto fornecer apenas milho, sem a necessidade de suplementação proteica, pois neste caso o teor de proteína já é adequado. Porém, quando a produção diária ultrapassa os 15 litros, se torna necessário complementar a alimentação com ração, tanto proteica quanto energética”, menciona.

Foto: Juliana Sussai

No que diz respeito à pecuária de corte, pastagens bem manejadas e adubadas podem resultar em um ganho de peso de até 700 gramas por dia, o que é considerado excelente. Entretanto, Simony diz que é importante que o produtor evite fornecer ração aos animais quando já dispõe de pasto, pois isso eleva os custos de produção. “O concentrado, por exemplo, é em média 80% mais caro do que manter um pasto bem adubado”, ressalta.

Pastagens no Paraná

No Paraná, a pesquisadora relata que cerca de 40% das pastagens estão degradadas, evidenciado que a nível do Brasil esse cenário não é muito diferente. “É fundamental que o produtor se conscientize sobre a necessidade de iniciar um processo de reforma dessas pastagens. Isso não apenas se relaciona com a sustentabilidade das áreas, mas também com a rentabilidade do produtor. A escassez de pasto leva ao uso excessivo de ração, aumentando os custos da atividade. Isso pode ser especialmente problemático para os pequenos produtores, tornando a continuidade na atividade muitas vezes inviável”, pondera a pesquisadora.

Diversidade de sistemas de produção

Atualmente, no país, existem diversos sistemas de produção de pasto em uso. Para os produtores que não desejam adotar sistemas intensificados, é possível trabalhar com espécies de pastagem mais rústicas, como as braquiárias. No entanto, a engenheira agrônoma explica que até mesmo uma braquiária bem adubada pode oferecer uma resposta satisfatória. “No caso da pecuária leiteira, é possível obter bons resultados com o uso de capins mais refinados, como o Tifton 85 e os pânicos – que são espécies que tem um pouco mais de qualidade e uma produção maior – desde que o manejo adequado seja implementado, tanto em termos de adubação quanto de pastejo”, salienta.

É fundamental reconhecer que a escolha das espécies de capim deve estar alinhada com o perfil e as capacidades do produtor. “Se o

Foto: Arnaldo Alves

manejo necessário não puder ser realizado, é mais sensato optar por espécies que cubram bem o solo, mesmo que sua produção seja mais limitada. Essas espécies ainda podem oferecer um desempenho satisfatório para o gado, embora não tão elevado quanto outras opções de capins mais exigentes em termos de manejo”, pontua.

Planejamento forrageiro

De acordo com a pesquisadora, o primeiro passo a ser dado em uma propriedade sem pastagem é realizar um planejamento forrageiro. Ela diz que o maior desafio da cadeia de produção está na gestão do pasto de verão, que tem seu pico de produção entre outubro e meados de abril. “Como essas plantas são do tipo C4 e preferem climas quentes, sua produção no inverno reduz drasticamente para cerca de 20% em comparação ao verão. Sem a devida complementação, com silagem e feno, o produtor acaba exaurindo os recursos do pasto durante o inverno, iniciando assim um processo de degradação”, expõe.

A doutora em Produção Animal menciona que o plano forrageiro deve levar em consideração o número de animais e o consumo esperado, tanto no verão quanto no inverno. “Isso é essencial para evitar a degradação do pasto, pois é comum vermos pastagens de excelente qualidade no verão se deteriorarem rapidamente no início da primavera. Esse atraso na recuperação pode aumentar o tempo necessário para o pasto voltar a produzir, indo de 20 a 25 dias para 40 a 50 dias”, afirma.

Em um projeto conduzido em parceria com a Itaipu Binacional, a pesquisadora conta que são acompanhadas pelos extensionistas do IDR-Paraná 50 propriedades leiteiras nas regiões Oeste e Noroeste, desenvolvendo um planejamento de pastagem. “Identificamos as áreas mais degradadas e traçamos um plano para iniciar nelas um processo de reforma, produzindo pasto no verão e cultivando capiaçu para silagem e milho no inverno. Com o passar do tempo, expandimos a área de produção à medida que o número de animais na propriedade aumenta. Na pecuária leiteira, esse processo pode levar de quatro a seis anos para estabilizar a propriedade. O mesmo princípio se aplica às propriedades de corte”, revela, ampliando: “Por isso que precisamos evitar a degradação das pastagens. A criação de gado leiteiro é uma atividade complexa, que envolve diversos fatores, como sanidade do rebanho, gestão de pastagens, reprodução, criação de novilhas, entre outros. Para isso é essencial contar com uma equipe técnica interdisciplinar, composta por agrônomos, zootecnistas e veterinários, para fornecer suporte adequado às propriedades”.

A engenheira agrônoma destaca o trabalho feito pela assistência técnica, que acompanha de perto os indicadores técnicos e econômicos das propriedades. “Para avaliar a produção de pasto com o produtor é essencial entender se está de acordo com as expectativas estabelecidas. Cada espécie forrageira tem uma altura ideal para pastejo, na qual há o máximo de produção de folhas e o mínimo de colmos e folhas senescentes. Isso é fundamental, pois é a folha que proporciona o melhor desempenho ao animal”, evidencia Simony.

Além da produção de pasto, também são analisados o custo envolvido na produção de silagem, no manejo do pasto e na criação de bezerras. “Essa análise detalhada nos permite identificar onde estão os principais gargalos e dificuldades enfrentadas pelo produtor. Com esses dados em mãos, podemos oferecer orientações precisas e direcionar nossas ações dentro da propriedade, buscando otimizar os processos e melhorar a rentabilidade da atividade pecuária”, enaltece.

Simony frisa a importância do manejo eficiente e da adubação para garantir a qualidade das forrageiras, especialmente do grupo pânico. “Com o manejo adequado, garantindo que as vacas consumam principalmente as folhas, e com uma adubação bem realizada, é possível aumentar de forma significa a proteína na forragem. Em propriedades pequenas, a eficiência é ainda mais importante devido à limitação de espaço. Com uma média de um animal por hectare, nosso projeto trabalha com uma lotação de seis a sete animais por hectare, o que pode aumentar a produção do produtor em até sete vezes, refletindo diretamente em sua rentabilidade”, esboça.

Sistemas de pastejo

Existem dois sistemas de pastejo predominantes: o contínuo, no qual os animais permanecem na área como um todo, e o rotacionado, onde a área é dividida e os animais mudam de área regularmente. De acordo com a pesquisadora, o pastejo rotacionado, especialmente em áreas adubadas, apresenta uma taxa de crescimento mais alta, facilitando o manejo e proporcionando um melhor controle da altura ideal para maximizar a produção de folhas. “Na pecuária leiteira do Paraná, a maioria dos produtores utiliza o sistema de pastejo rotacionado, que se mostrou mais eficiente em termos de manejo e produção de forragem”, expõe.

Simony enfatiza que a rotação de forrageiras desempenha um papel importante na eficiência alimentar e na sustentabilidade do manejo do pasto. “Por exemplo, se um pasto possui 6% de proteína e uma vaca precisa de 15% de proteína para produzir 15 litros de leite por dia, o produtor precisa complementar a dieta com concentrado. No entanto, em áreas bem manejadas, onde o pasto pode ter até 18% de proteína, a necessidade de concentrado é reduzida, proporcionando economia para o produtor”, assegura.

Foto: Arnaldo Alves

A pesquisadora frisa que a análise bromatológica do capim é essencial para determinar a quantidade de proteína suplementar necessária na dieta. “Isso é realizado através de uma planilha de nutrição animal, que permite ajustar a dieta de cada vaca de acordo com a qualidade do pasto, resultando em uma redução significativa nos custos da dieta, de 20 a 30%. Como a maioria das propriedades são de pequenos produtores, os rebanhos são muito heterogêneos, com vacas de diferentes produções e características, o que inviabiliza uma padronização em lotes, por isso que a nutrição de precisão se torna ainda mais importante. Desta forma cada vaca recebe uma dieta personalizada de acordo com suas necessidades”, aponta.

Maximizando a eficiência alimentar com utilização de forrageiras

A pesquisadora ressalta a importância de maximizar a eficiência alimentar através do manejo adequado das forrageiras, seguindo as recomendações de entrada e saída do pasto. Por exemplo, no caso da Brachiaria brizantha, uma das pastagens mais utilizadas no país, a altura de entrada ideal é de 25 a 30 centímetros, pois se ultrapassar essa altura, o pasto tende a ficar com mais talos, o que reduz o desempenho animal.

Já para o capim zuri, outra forrageira de qualidade, a altura de entrada recomendada é de 70 centímetros, com um resíduo de 35 centímetros após o pastejo. Ultrapassar essas medidas pode resultar em uma queda no desempenho dos animais. “Um dos maiores erros cometidos pelos produtores está relacionado ao manejo incorreto do pasto. É fundamental monitorar diariamente o crescimento do pasto, pois ele varia de acordo com a temperatura e a quantidade de chuva, bem como acertar o manejo antes de associá-lo à adubação, caso contrário o custo da pastagem pode se tornar mais elevado sem os resultados esperados”, reforça.

Rentabilidade em diferentes tipos de solo

Foto: Everton Queiroz

Em relação aos tipos de solo, como arenoso e argiloso, a quantidade de adubo utilizada varia significativamente. Por exemplo, em solos arenosos, como os encontrados na região Noroeste do Paraná, são necessários cerca de 300 quilos de nitrogênio para trabalhar com sete a oito vacas. Já em solos argilosos, como os da região Oeste do Paraná, essa quantidade pode ser reduzida para 200 quilos de nitrogênio para a mesma quantidade de vacas. “Isso ocorre porque os solos argilosos possuem maior teor de matéria orgânica e são naturalmente mais ricos em nutrientes. Quando todas as orientações são seguidas corretamente, o potencial de produção, mesmo em solos arenosos, é considerável”, aponta.

Gestão das propriedades

Para fazer a gestão das propriedades no Paraná é utilizado o Sistema de Gerenciamento e Administração de Projetos Agropecuários (Sigeap), um software que coloca todos os dados de gestão para fazer essas análises. E outro software que está sendo desenvolvendo é a planilha de nutrição de precisão. “Embora a formulação de dietas específicas para cada animal possa ser trabalhoso inicialmente, os benefícios a curto prazo são significativos, resultando em maior rentabilidade para o negócio”, assegura a pesquisadora, completando: “É importante começar com pequenos ajustes, como implementar a dieta de precisão em algumas vacas do rebanho, para que o produtor possa verificar os resultados e entender como isso impacta a rentabilidade do seu negócio. Além disso, é essencial monitorar de perto o ciclo de reprodução das vacas, garantindo que elas não permaneçam secas por períodos prolongados, o que resultaria em prejuízos para o produtor. Um acompanhamento adequado visa alcançar um equilíbrio ideal entre vacas lactantes e secas, contribuindo para a rentabilidade do sistema”.

Simony frisa a importância de o produtor compreender e fazer a gestão da propriedade, e muitas vezes isso se dá através da utilização de ferramentas básicas, como o medidor de leite. “Esse instrumento revela informações de suma importância sobre a produção individual de cada vaca, permitindo um planejamento nutricional mais eficiente”, argumenta.

Desafio emergente

A pesquisadora é enfática ao afirmar que o desafio atual reside em ensinar o produtor a fazer o manejo correto, orientar o uso do adubo de forma adequada, fazendo a implantação certa do pasto com uso de calcário e fósforo. “O fósforo tem mobilidade, por isso é importante começar por ele para depois trabalhar com nitrogênio e potássio em dose menor. É preciso entender que o pasto é uma cultura perene, quando o produtor faz uma boa implementação e um bom manejo terá pasto de 30 a 40 anos na sua propriedade”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural

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Paraná lidera queda no preço do leite e projeção aponta recuo de 6,7% ao produtor

Conseleites de quatro estados projetam desvalorização para o leite entregue em maio e pago em junho.

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Foto: Divulgação

A recuperação do preço do leite ao produtor perdeu força em maio e deu lugar a um movimento de retração nos principais estados produtores do país. As projeções divulgadas pelos Conseleites apontam queda nos valores de referência em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o maior recuo previsto justamente no Estado paranaense.

Foto: Shutterstock

Segundo o Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, o Paraná deve registrar desvalorização de 6,7% no preço de referência do leite entregue em maio e pago aos produtores em junho. O percentual supera as quedas projetadas para Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e Minas Gerais (-2,9%).

A mudança de direção ocorre após meses de recuperação dos preços pagos ao produtor e sugere um período de maior pressão sobre a renda no campo. “O movimento indica pausa na recuperação de preços ao produtor, com projeções de quedas, ao contrário do mês anterior, em que houve valorização”, destaca o boletim.

Paraná registra a maior retração

Entre os estados analisados, o Paraná aparece como o mais afetado pelo novo cenário. Dados do Conseleite Paraná

Foto: Carolina Jardine

mostram que o valor de referência do leite padrão projetado para maio caiu de R$ 2,6863 para R$ 2,5076 por litro, redução de 6,65%, percentual arredondado para 6,7% no boletim nacional.

A retração acompanha a piora no desempenho dos principais derivados comercializados pelas indústrias participantes do Conseleite. O leite UHT apresentou queda de 8,73% e a muçarela recuou 5,74% nas projeções para maio, influenciando diretamente a remuneração do produtor.

Recuperação perde fôlego

O comportamento dos Conseleites reforça o cenário já observado em outros indicadores do mercado lácteo.

Em maio, o leite spot, referência das negociações entre indústrias, registrou forte retração, enquanto os preços do leite UHT no atacado também recuaram, interrompendo o movimento de recuperação observado no início do ano.

Foto: Jaelson Lucas

No Rio Grande do Sul, a projeção do Conseleite indica valor de referência de R$ 2,4478 por litro em maio, 3,38% abaixo do mês anterior. Trata-se da primeira redução após uma sequência de altas, segundo o colegiado gaúcho. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, afirmou o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes.

Importações e oferta pressionam mercado

A desaceleração dos preços ocorre em um ambiente de maior competição no mercado interno.

Representantes do setor têm manifestado preocupação com o aumento das importações de lácteos, especialmente de Argentina e Uruguai, além do crescimento da oferta doméstica em algumas regiões produtoras.

A própria Embrapa já havia alertado, no início do ano, para um cenário de preços mais pressionados em função da elevada disponibilidade de produtos lácteos e da concorrência dos importados.

O comportamento dos Conseleites sugere que a recuperação observada no primeiro quadrimestre perdeu intensidade e que os próximos meses serão decisivos para definir se a retração será pontual ou marcará um novo período de preços mais baixos ao produtor.

Fonte: O Presente Rural
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Entressafra e importações freiam recuperação dos preços do leite

Leite spot recua 14,2% em maio e UHT cai 11,2%, enquanto derivados apresentam comportamento mais estável após altas no início do ano.

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Foto: Isabele Kleim

O mercado brasileiro de leite e derivados perdeu força em maio e interrompeu a trajetória de recuperação dos preços observada nos primeiros meses de 2026. A desaceleração foi puxada principalmente pelas quedas no leite UHT e no leite spot, enquanto muçarela e leite em pó registraram altas mais moderadas, sinalizando uma acomodação dos preços no setor.

Foto: Arnaldo Alves

Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, divulgado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite).

Segundo o levantamento, o preço do leite UHT comercializado no atacado paulista recuou 11,2% em relação a abril. Apesar da queda mensal expressiva, o produto ainda acumula valorização de 2,9% na comparação com maio de 2025.

O movimento foi acompanhado pelo leite spot em Minas Gerais, referência para negociações entre indústrias. O preço caiu 14,2% em relação a abril e ficou 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

No boletim, os pesquisadores apontam que a retração interrompe o ciclo de recuperação iniciado no começo do ano. “Os mercados de leite UHT e leite spot apresentaram queda considerável, interrompendo o movimento de recuperação observado nos primeiros meses do ano, induzindo uma desaceleração às vendas no atacado e no varejo”, destaca a publicação.

Entressafra e importações influenciam preços

A desaceleração ocorre em um momento de entressafra da produção leiteira, período em que normalmente há menor oferta de leite cru. Ainda assim, a pressão exercida pelos produtos importados tem limitado reajustes mais expressivos.

De acordo com o boletim, a combinação desses fatores ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso do mercado. “Esse comportamento sugere uma acomodação dos preços após o período de recuperação, refletindo a entressafra da produção leiteira e a competitividade acirrada do volume de lácteos importados no mercado interno”, informa o documento.

Foto: Geraldo Bubniak

Muçarela lidera valorização

Entre os derivados acompanhados pelo levantamento, a muçarela apresentou o melhor desempenho.

O preço do queijo no atacado paulista subiu 2,1% em relação a abril e acumula valorização de 11,7% na comparação anual, a maior alta entre os produtos monitorados.

Já o leite em pó apresentou estabilidade no curto prazo. O produto registrou leve alta de 0,1% frente ao mês anterior, mas segue 3,1% abaixo do valor observado em maio de 2025.

A leitura do mercado é que, após a recuperação registrada no início do ano, os preços entram em uma fase de maior equilíbrio, influenciada tanto pela oferta doméstica quanto pela concorrência dos produtos importados.

Nos próximos meses, a evolução da produção nacional, o ritmo das importações e o comportamento do consumo devem continuar determinando a direção dos preços no mercado lácteo brasileiro.

Fonte: O Presente Rural
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Bezerro sobe 21,4% em um ano enquanto boi gordo acumula queda de 13,5%

Boletim da Embrapa Gado de Leite mostra descompasso entre as principais referências da pecuária de corte. Milho fica mais barato, farelo de soja estabiliza e projeção do PIB para 2026 sobe para 1,89%.

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A pecuária brasileira atravessa um momento de contrastes. Enquanto os preços do bezerro seguem em trajetória de alta, impulsionados pela menor oferta de animais para reposição, a arroba do boi gordo continua pressionada por um mercado doméstico mais fraco e pelas incertezas nas exportações.

Foto: Shutterstock

Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados de maio de 2026, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, que acompanha também indicadores relevantes para outras cadeias do agronegócio.

O levantamento mostra que o preço do bezerro em São Paulo acumulou alta de 21,4% nos últimos 12 meses e subiu 7,3% em relação a abril. O movimento reforça a valorização da reposição em um cenário de oferta mais ajustada.

Na direção oposta, a arroba do boi gordo registrou queda de 13,5% na comparação com maio de 2025 e recuo de 3,6% frente ao mês anterior.

Segundo o boletim, a diferença de comportamento entre as duas categorias reflete as dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas na comercialização dos animais terminados. “Os indicadores de mercado observados em maio de 2026 revelam um cenário misto para a cadeia agropecuária. Enquanto o preço do bezerro apresentou crescimento considerável, a arroba do boi gordo foi marcada por queda, com incertezas sobre embarques para a China e vendas domésticas mais fracas”, destaca o estudo.

Reposição mais cara pressiona pecuaristas

A valorização do bezerro amplia o custo de reposição dos rebanhos e reduz as margens dos sistemas de recria e

Foto: Shutterstock

engorda, especialmente em um momento em que o preço pago pelo boi terminado está em queda.

A diferença entre os dois indicadores costuma ser acompanhada de perto pelo mercado porque influencia diretamente as decisões de compra e venda de animais, além da rentabilidade das propriedades.

Nos últimos meses, a redução da oferta de bezerros disponíveis no mercado e a retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos contribuíram para sustentar os preços da reposição.

Custos de alimentação aliviam pressão

Se a reposição ficou mais cara, os custos com alimentação deram algum alívio aos produtores.

O milho, principal componente das rações, registrou queda de 4,5% em relação a abril e acumula desvalorização de 11,5% em 12 meses. A saca de 60 quilos, referência em Campinas (SP), voltou a operar em patamares inferiores aos observados no ano passado.

Foto: Shutterstock

Já o farelo de soja apresentou estabilidade no curto prazo. O produto permaneceu praticamente inalterado em relação a abril, mas ainda acumula valorização de 3,3% na comparação anual.

Economia melhora, mas dólar sobe no mês

No cenário macroeconômico, o boletim mostra uma leve desvalorização do real em maio. A taxa de câmbio encerrou o período 0,5% acima do registrado em abril. Ainda assim, o dólar segue 10,8% abaixo do nível observado em maio de 2025.

As expectativas para a economia brasileira, por outro lado, apresentaram pequena melhora. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 passou de 1,85% para 1,89%.

Embora a mudança seja modesta, ela reforça a percepção de maior estabilidade econômica, fator acompanhado com atenção pelo agronegócio por seus impactos sobre consumo, crédito e investimentos.

O conjunto dos indicadores mostra que, apesar da redução em parte dos custos de produção e da melhora das expectativas econômicas, a pecuária segue convivendo com sinais divergentes. Enquanto o bezerro se valoriza e encarece a reposição, o boi gordo ainda busca recuperar espaço em um mercado marcado por demanda mais cautelosa e incertezas no comércio internacional.

Fonte: O Presente Rural
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