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Pastagem, soja e cana ocupam 77% da área de agropecuária no Brasil

Levantamento inédito do MapBiomas revela a dinâmica de expansão da agropecuária no Brasil nos últimos 39 anos.

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Foto: Breno Lobato

Três a cada quatro hectares de agropecuária no Brasil são ocupados por pecuária (164 milhões de hectares), soja (aproximadamente 40 milhões de hectares) ou cana (cerca de 9 milhões de hectares). Estes são alguns dos achados dos mais recentes mapeamentos de agricultura e pastagem conduzidos pela rede de instituições do MapBiomas. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (06) em evento no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília.

Foto: Ariosto Mesquita

A partir da análise de imagens de satélite cobrindo o período entre 1985 e 2023, os dados apontam que a área ocupada por culturas temporárias, como soja, cana, arroz e algodão, entre outros, aumentou 3,3 vezes, passando de 18 milhões de hectares para 60 milhões de hectares. No caso da soja, o crescimento foi ainda mais expressivo: a cultura passou de 4,4 milhões de hectares mapeados em 1985 para cerca de 40 milhões de hectares mapeados em 2023 – uma área do tamanho do território do Paraguai. Já a área mapeada de lavouras perenes, como café, citrus e dendê, entre outros, cresceu 2,9 vezes nesse mesmo período: de 727 mil hectares em 1985 para 2,3 milhões de hectares em 2023. O cultivo perene mais frequente é o café, com 1,26 milhão de hectares em 2023.

Considerando-se a soma das áreas de agricultura, pastagem e mosaico de usos, constata-se expansão em todos os biomas brasileiros nos últimos 39 anos desde 1985, porém em ritmos diferentes: +417% na Amazônia (onde ocupa 66 milhões de hectares em 2023), +256% no Pantanal (2,5 milhões de hectares em 2023), +68% no Cerrado (90 milhões de hectares em 2023), +62% no Pampa (8 milhões de hectares em 2023), +34% na Caatinga (33 milhões de hectares em 2023) e +3% na Mata Atlântica (67 milhões de hectares em 2023). Proporcionalmente, em 2023, o bioma com maior área de agricultura é o Pampa, com 5,6 milhões de hectares, representando 29% da área do bioma. Porém em área absoluta, os líderes são Cerrado e Mata Atlântica, com 26 milhões de hectares e 20 milhões de hectares.

Expansão da soja e das demais culturas temporárias no Brasil

Os cerca de 40 milhões de hectares da área mapeada de soja no Brasil representam 14% de toda a área de agropecuária no Brasil. Em 2023, quase a metade dessa área cultivada com soja está no Cerrado (19,3 milhões de hectares), seguido com um quarto na Mata Atlântica (10,3 milhões de hectares) e depois na Amazônia (5,9 milhões de hectares), entretanto, o bioma Pampa é o que apresenta maior área proporcional de soja em relação ao seu território: 21% do bioma é destinado à cultura da soja (4 milhões de hectares).

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Em um recorte temporal de 1985 a 2008, a soja expandiu 18 milhões de hectares, sendo 30% proveniente de áreas de vegetação nativa (5,7 milhões de hectares), 26% proveniente de conversão de pastagem para soja (5 milhões de hectares) e 44% proveniente de outras áreas já antropizadas anteriormente (8 milhões de hectares). Quando olhado o recorte temporal de 2009 a 2023, com expansão de 17 milhões de hectares, o cenário muda, com 15% de áreas de soja provenientes de vegetação nativa (2,8 milhões de hectares), 36% proveniente de conversão de pastagem e 49% de áreas já antropizadas. As regiões que apresentaram maiores conversões para soja após 2008 foram as regiões do Matopiba (2,8 milhões de hectares) e Pampa (1,2 milhão de hectares). Nota-se também o surgimento de novas fronteiras agrícolas, com a expansão da soja na região da Amacro (72 mil hectares mapeados em 2023) e Roraima (com 76 mil hectares mapeados em 2023).

Intensificação e irrigação da agricultura temporária

No caso das culturas temporárias, o mapeamento identificou que cerca de 70% das áreas cultivadas com soja de primeira safra praticam mais de um ciclo por ano nos últimos sete anos. A Mata Atlântica apresenta maior proporção de culturas temporárias com dois ou mais ciclos por ano-safra (outubro a setembro). No Pampa, 86% das áreas cultivadas com arroz, ou 1 milhão de hectares, apresentam apenas um ciclo, devido ao sistema de rotação com pousio e campos naturais com gado, tradicionalmente usado na região. “A maioria das áreas de culturas temporárias do Brasil apresenta mais de um ciclo, com destaque para a Mata Atlântica. As áreas com até um ciclo por ano-safra em geral estão relacionadas à cana, cujo ciclo excede um ano, e ao cultivo de arroz irrigado no Rio Grande do Sul, em função da rotação e pousio. Mesmo áreas com expansão agrícola recente, como na Amazônia e no Cerrado, tendem a apresentar mais de um cultivo por ano. Nessas regiões, em especial, as mudanças climáticas em curso, com aumento da temperatura e redução da chuva, podem impactar consideravelmente a produção no futuro próximo, até inviabilizando um segundo ciclo”, comenta o professor Eliseu Weber, um dos coordenadores do tema de Agricultura no MapBiomas.

O avanço das culturas temporárias contribuiu com a expansão da irrigação no Brasil. Ao todo, foram mapeados 3 milhões de hectares de agricultura irrigada no Brasil, sendo que quase dois terços (61%) do que foi mapeado usa pivô central e um terço (33%) inundação (basicamente, áreas de cultivo de arroz em terras baixas). Outros sistemas de irrigação não foram mapeados. A quase totalidade (97%) das áreas irrigadas mapeadas com pivô central corresponde a culturas temporárias. A área total mapeada com agricultura irrigada é cerca de metade da área irrigada informada pela Agência Nacional de Águas (ANA), devido à dificuldade de detecção e mapeamento por imagens de satélite, o que será aprimorado nas próximas coleções.

A conversão de áreas de pastagem no Brasil

Ao todo, foram mapeados aproximadamente 164 milhões de hectares de pastagens, ou 60% da área de agropecuária. Trata-se de um crescimento de 79% em relação aos 92 milhões de hectares ocupados em 1985. A pastagem é atualmente o principal uso antrópico do território brasileiro. Mais de um terço (36%, ou 59 milhões de hectares) das pastagens brasileiras ficam na Amazônia, onde cobrem 14% da área total do bioma. Cerca de um terço (31%, ou 51 milhões de hectares) ficam no Cerrado, onde as pastagens ocupam 26% do bioma. Juntos, Amazônia e Cerrado respondem por dois terços (67%) das pastagens brasileiras.

Os biomas com maior área proporcional de pastagem são Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, com 23 milhões de hectares (27% do bioma), 51 milhões de hectares (26% do bioma) e

29 milhões de hectares (26% do bioma), respectivamente. No caso da Mata Atlântica, 84% das atuais áreas de pastagem foram abertas há mais de 30 anos. No caso do Cerrado, 72% das áreas de pastagem atuais foram abertas há mais de 20 anos.

Os pesquisadores observaram uma tendência de aumento na conversão de áreas de pastagem para outros usos em todos os biomas brasileiros. Na Amazônia, cerca de 40% da conversão das pastagens ocorreu nos últimos 10 anos; no Cerrado, esse percentual é de 42%. Em termos de área, o Cerrado lidera na extensão de pastagens convertidas desde o início da série histórica, em 1985: quase 35 milhões de hectares. Na Mata Atlântica, foram pouco mais de 25 milhões de hectares.

Os pesquisadores também avaliaram as transições da cobertura e condição de vigor da pastagem entre 2000 e 2023. Os resultados mostram que 80,5% das pastagens formadas entre 2000 e 2023 (47,5 milhões de hectares) são oriundos de Florestas (Formação Florestal, Savana, etc.). Mais da metade desse total (51%) deram origem a pastagens de médio vigor (17,4 milhões de hectares) ou de baixo vigor (6,9 milhões de hectares). Outros 23,2 milhões de hectares deram origem a pastagens de alto vigor.

Quando se analisa a transição entre pastagens, o cenário é mais animador: houve um ganho líquido de 10,5% na condição do vigor das pastagens brasileiras entre 2000 e 2023, pois foi constatada uma melhora da condição de vigor de 25%, ou 43,2 milhões de hectares, das pastagens com baixo e médio vigor. Em 14,5%, ou 15,3 milhões de hectares houve piora na condição de vigor em áreas que anteriormente tinham alto e médio vigor.

Foto: Carlos Maurício Andrade

Ao avaliar a transição das pastagens para outros usos, constata-se que 87,1% do total de pastagens que foram convertidas para agricultura entre 2000 e 2023 apresentavam uma condição de vigor entre médio e baixo. Cerca de 42% da área de pastagem abandonada e/ou regenerada para vegetação nativa entre 2000 a 2023 vem de pastagens com uma condição alta de vigor.

Em 2022, as pastagens cultivadas no Brasil produziram cerca de 3,18 gigatoneladas de biomassa, ou, em média, 19,5 toneladas por hectare, com maiores e menores valores associados às pastagens da Amazônia (aproximadamente 25 toneladas por hectare) e Caatinga (cerca de 11 toneladas por hectare), respectivamente. “Considerando o tamanho do rebanho brasileiro em 2022 encontrado em áreas de pastagens cultivadas (aproximadamente 209 milhões de unidades animais – UA, sendo 1 UA = 450 kg) e o consumo médio de forragem por UA, há espaço para otimismo quanto ao potencial de intensificação sustentável da pecuária brasileira, ao mesmo tempo que a liberação de áreas de pastagens para outros usos”, explica o professor Laerte Ferreira, coordenador da equipe de pastagem do MapBiomas .

Uma grande novidade que o MapBiomas Coleção 9 traz em relação ao mapeamento e monitoramento das pastagens brasileiras é a estimativa anual da produção e estoques de forragem. “Esse dado é de fundamental importância para se avaliar a capacidade de suporte das nossas pastagens, com vistas a adoção de práticas de manejo mais eficientes e sustentáveis no âmbito da atividade pecuária no Brasil”, destaca Laerte Ferreira.

Fonte: Assessoria MapBiomas

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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