Conectado com
LINKE

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

Publicado em

em

Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três − 2 =

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Metionina é muito mais do que proteína no leite

A metionina tem sido um importante foco da pesquisa em vacas leiteiras devido à relevância de seus papéis metabólicos

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por Luis Cardo, médico veterinário e consultor de Bovinos Leiteiros; e doutora Claudia Parys, gerente de Serviços Técnicos de Ruminantes da Evonik

As vacas não têm exigência de Proteína Bruta (PB) ou de Proteína Não Degradável no Rúmen (PNDR, proteína bypass). O rúmen utiliza o Nitrogênio Não Proteico (NNP) para sintetizar proteína microbiana de alta qualidade, que fornecerá a maior parte da Proteína Metabolizável (PM). Vacas de alta produção têm maior exigência de aminoácidos do que microbiota do rúmen consegue fornecer. Atender essa exigência adicional fornecendo somente mais proteína bruta, aumenta apenas a quantidade de Proteína Degradável e Não Degradável no Rúmen e isso tem alto custo ambiental, econômico e sanitário.

Estudos mostram que é possível obter produção de leite igual ou maior com dietas com menos proteína bruta aplicando uma estratégia nutricional baseada em maximizar a produção de proteína microbiana em combinação com o uso de aminoácidos protegidos da degradação ruminal para atender às exigências dos animais. Essa abordagem propicia menores custos de alimentação e maior receita bruta. Os dois primeiros aminoácidos limitantes para a produção de leite são a metionina e a lisina devido às suas baixas concentrações nas matérias primas e suas altas concentrações no leite. A metionina tem sido um importante foco de pesquisas em vacas leiteiras devido à relevância de seus papéis metabólicos. Em termos de saúde, os benefícios podem ser ainda mais importantes do que o efeito direto na produção de leite ou de proteína do leite.

Metionina: Um aminoácido funcional

Pesquisas demonstraram que a metionina fornecida no pré- e pós-parto influenciou o metabolismo após o parto através da melhora das funções hepáticas, da função dos neutrófilos e da insulina e, ao mesmo tempo, da redução do estresse oxidativo, da inflamação e dos níveis sanguíneos de ácidos graxos não esterificados. Isso provavelmente se deve ao aumento da taurina e da glutationa no fígado, reduzindo o estresse oxidativo e, portanto, as citocinas. Baixos níveis de citocinas diminuem os sinais de saciedade, levando a um maior consumo de ração. A reprodução também é afetada pela suplementação com metionina. Um pesquisador relatou redução das perdas gestacionais após a inseminação artificial de 19,6 para 6,1% em vacas multíparas com a suplementação “on top” de metionina protegida a uma dieta basal com 6,9% de Lisina metabolizável e 1,87% de Metionina metabolizável. As recomendações de metionina na proteína metabolizável publicadas no passado foram atualizadas para concentrações maiores (Tabela 1).

Quando há maior demanda de energia do que de aminoácidos, o fígado desvia os aminoácidos para o fornecimento de energia. Por exemplo, o feto depende de aminoácidos para suprir até 50% de sua glicose e o mesmo acontece com a vaca no periparto. Faz sentido correlacionar as exigências de aminoácidos com a de energia e, de fato, as recomendações mais recentes seguem esse padrão.

  1. Meta de 1,12-1,15 g Met metabolizável/Mcal EM
  2. Manter a relação Lis/Met em 2,7
  3. Calcular as exigências de Lisina (calcular primeiro de Met e depois de Lisina). O primeiro passo na formulação é maximizar a produção de energia e proteína microbianas no rúmen.
  4. Balanço com base no Leite Corrigido pela Energia
  5. Manter o N ruminal a 115% da exigência para suprir as necessidades ruminais
  6. Maximizar a proteína metabolizável microbiana com carboidratos fermentáveis

Diferentes fontes de metionina

As fontes de metionina podem ser divididas em produtos protegidos em matriz lipídica e os protegidos por outros revestimentos. As fontes de matriz lipídica dependem da gordura como veículo da metionina e são mais baratas que os produtos protegidos por outros revestimentos, fornecem uma carga útil de metionina menor e têm liberação e absorção pós-ruminal limitadas. Portanto, a maioria dos nutricionistas e produtores prefere fontes de metionina protegida por outros revestimentos, em vez de produtos de matriz lipídica. Os produtos de metionina verdadeiramente protegidos contam com a proteção de um revestimento que reduz a degradação ruminal (bypass). Os produtos mais conhecidos mundialmente são revestidos ou com etil-celulose ou com uma proteção sensível ao pH. Diferentes produtos contam com diferentes revestimentos e métodos de liberação de metionina. O produto revestido com etil-celulose libera metionina lentamente, enquanto o produto com revestimento sensível ao pH, libera metionina rapidamente no abomaso. A liberação rápida do produto sensível ao pH causa um pico sanguíneo de metionina muito acentuado, mas de curta duração. Devido a suas propriedades de liberação lenta, a metionina revestida com etil-celulose não causa pico e mantém os níveis de metionina no sangue por um período mais longo. Não há correlação entre o pico de metionina sanguínea com a maior produção de proteína do leite.

Em 2010, uma metanálise com 36 estudos avaliou fontes de metionina protegida disponíveis no mercado. (Tabela 2). Vacas alimentadas com a metionina protegida por etil-celulose produziram mais proteína (37 vs. 16g) e mais gordura (24 vs. -2g) no leite do que as suplementadas com a metionina protegida com revestimento sensível ao pH. As vacas alimentadas com a metionina protegida por etil-celulose também apresentaram maior produção de leite (350 g/d), ao contrário das que receberam a outra fonte de metionina (pH sensível) que tiveram redução (-220 g/d). As vacas suplementadas com a metionina protegida por etil-celulose tiveram maior produção de proteína e de gordura do leite, bem como maior produção total de leite. Além disso, com maior produção de leite, ocorre um efeito de diluição. Isso significa que o percentual de proteína do leite não é suficiente para diferenciar os produtos e, provavelmente, a produção total de proteína do leite ou de leite corrigido pela energia são melhores indicadores do desempenho dos produtos.

Conhecendo o seu produto

O uso de metionina protegida da degradação ruminal, juntamente com a maximização da proteína microbiana, é uma estratégia válida para aumentar a produção de leite e a lucratividade da granja. Lembre que a metionina tem outros possíveis papéis metabólicos que podem mascarar o efeito benéfico deste aminoácido e que o fornecimento adequado de energia é a primeira condição para implementar com sucesso o uso de aminoácidos protegidos. Escolher uma fonte confiável de metionina protegida não é fácil. A escolha deve ser fundamentada por dados suficientes e confiáveis da literatura científica que demonstrem seus efeitos, além de uma presença de longa data no mercado, porque a experiência prática é importante. Os níveis sanguíneos de metionina podem ser enganosos e não é aconselhável escolher produtos com base nisso. Um “pico” no nível sanguíneo só fornece informações sobre como a metionina é liberada por um produto e é preferível que o nível sanguíneo de metionina seja mantido em níveis ótimos por mais tempo. As metanálises disponíveis mostram resultados práticos constantes e melhores com produtos revestidos com etil-celulose.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Vacinas recomendadas para período de cria de bovinos e protocolos de sanidade reprodutiva

Depois do manejo nutricional o manejo sanitário de um rebanho é de extrema importância e, a vacinação é a primeira ferramenta a ser lembrada

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito Reuel Luiz Goncalves, médico veterinário e gerente Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó

Utilizar vacinas na pecuária se tornou rotina, por ser uma medida preventiva contra doenças infecciosas, por reduzir perdas e a necessidade do uso de antibióticos para os tratamentos nos animais de produção, o que diminui os custos e também os resíduos de fármacos em produtos de origem animal. A vacinação visa prevenção, controle e até mesmo a erradicação de doenças, melhoria da saúde pública e aumento dos índices produtivos e reprodutivos dos rebanhos. Depois do manejo nutricional o manejo sanitário de um rebanho é de extrema importância e, a vacinação é a primeira ferramenta a ser lembrada.

Vacinar é o mesmo que imunizar?

Não! O ato da vacinação é uma prática simples, mas que requer alguns cuidados especiais e conhecimentos para imunizar bem os animais e evitar prejuízos aos produtores, danos ao rebanho e para que o processo de imunização tenha maior chance de ser bem sucedido.

Devemos sempre observar vários fatores para que a eficiência da imunização desencadeada pela aplicação da vacina não seja prejudicada. Esses fatores podem estar relacionados ao transporte, conservação (cadeia de frio), manuseio das vacinas e execução da vacinação propriamente dita.

Os principais objetivos da vacinação são:

  • Proteger o rebanho e evitar surtos de doenças infecciosas;
  • Proteger o indivíduo (animal) de doenças infecciosas associadas à mortalidade e evitar sequelas de longo prazo que possam interferir no desempenho ou, até mesmo, interromper o período de vida produtiva/reprodutiva de um animal ou de todo um rebanho;
  • Controlar e, até mesmo, erradicar doenças infecciosas como Aftosa, Brucelose, Raiva, etc.

Planejamento

Uma anamnese detalhada da fazenda deve ser feita antes de se montar um Calendário Sanitário Vacinal. Induzir proteção de rebanho pelo uso da vacinação deve levar em conta o tipo de sistema da propriedade, se é cria, recria, engorda, ou ciclo completo, a manifestação ou não de doenças, relatos de casos de doenças endêmicas na região e relatórios informativos sobre o diagnóstico e a prevalência de doenças contagiosas publicados por órgãos oficiais de vigilância sanitária regionais. Em seguida, deve ser montado um calendário de vacinação, onde estarão definidas as vacinas a serem utilizadas, categorias que receberam e a melhor época para a aplicação de cada uma delas. Este calendário deverá ser definido em conjunto com o médico-veterinário responsável pelo rebanho, o gerente da propriedade e o proprietário, para que todos estejam cientes das necessidades vacinais do rebanho.

As vacinas obrigatórias dos bovinos devem ser incluídas inicialmente no calendário anual de vacinação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) define um calendário oficial para a vacina de febre aftosa, em que os meses mais adequados para vacinação são definidos segundo o Estado, geralmente nos meses de maio e em novembro. Em algumas regiões endêmicas se faz também com a vacinação contra Febre Aftosa a vacina de Raiva, sendo essa uma orientação estadual.

Outra vacina oficial importante é contra brucelose, não existe uma data definida com calendário oficial de vacinação, entretanto o que fica definido são o sexo e a idade do animal em que a vacina deve ser administrada (vacinar apenas fêmeas entre três e oito meses de idade).

Definidas as datas das vacinas obrigatórias, o produtor em conjunto com o veterinário e o gerente da fazenda deve incluir as vacinas produtivas para proteger os animais contra determinadas doenças, utilizando uma ou mais das dezenas de vacinas disponíveis no mercado.

Para definir o calendário vacinal, pensado na reprodução, devemos identificar quando é a Estação de Monta (EM) da propriedade, na maior parte do país inicia-se no primeiro dia de novembro, terminando ao final de janeiro (90 dias) ou de fevereiro (120 dias).

Estabelecido a EM, fica fácil de determinar a Estação de Nascimento (EN), sendo possível organizar a vacinação das fêmeas em atividade reprodutiva nas mais diversas categorias da propriedade (Nulíparas, Primíparas, Secundíparas, Pluríparas e Vacas solteiras).

Umas das vacinas mais antigas utilizadas em fêmeas de cria é a contra o paratifo (Salmonelose) e para colibacilose (E. coli), vacinas estas feitas no 8º mês de gestação das mesmas. Hoje, estas vacinas foram substituídas pelas contra Diarreias Neonatais, onde além da proteção contra E. coli e Samonella spp pela cepa J5, elas possuem em sua composição além da cepa J5 os Vírus G6 e G10 de Rotavírus.

Outra vacina muito importante e que muitas vezes é negligenciada nas matrizes são as vacinas Clostridiais (Policlostrigen), contra carbúnculo sintomático, gangrena gasosa e enterotoxemias e também contra o botulismo. Por quê? Lembremos sempre que os animais de cria estão sujeitos a desafios diferentes que os de engorda e também precisam produzir um colostro de qualidade para seus produtos, principalmente para protegê-los nos primeiros 60 a 90 dias de vida.

Depois das vacinas massais (Clostridiose, Botulismo e Raiva), devemos dar atenção às vacinas especiais reprodutivas, que são contra Rinotraqueite Infecciosa Bovina (IBR 1 e 5), Diarreia Viral Bovina (BVD 1 e 2), Campylobacteirose (C. fetus subsp. venerealis e C. fetus subsp fetus) e Leptospirose.

As vacinas reprodutivas devem ser feitas preferencialmente antes da EM, no mês de setembro ou outubro anualmente e, reforço semestral para vacina de Leptospirose.

Em propriedades com alto desafio para quadros respiratórios o uso de vacina respiratória conjugada (Vírus e Bactérias) deve ser implementado de preferência antes dos meses mais frios do ano (sendo maio uma boa data).

Atenção!

Vacinas produzidas com organismos vivos (vacinas vivas atenuada) merecem atenção especial, principalmente a contra brucelose, que pode causar doença em humanos (zoonose) ou apresentar reações não conformes. Portanto, o manuseio desses produtos deve ser criterioso e realizado com cautela por um profissional qualificado (médico-veterinário ou vacinador treinado, atuando sob responsabilidade do profissional de Veterinária).

Todos devem saber que a resposta imunológica dos animais (proteção) após a aplicação de uma vacina não é imediata e seus efeitos podem aparecer somente após, pelo menos, 15 dias. Sendo assim, animais vacinados recentemente ainda podem apresentar a doença, pois já poderiam estar infectados antes de serem vacinados ou terem entrado em contato com o patógeno nesta fase entre a vacinação e a imunização do animal. Os animais sadios e bem nutridos têm melhor resposta imunológica às vacinas do que os doentes ou mal alimentados.

Muitas das doenças que acometem rebanhos de cria já estão nas propriedades e, portanto, a utilização dessas vacinas em animais acometidos busca diminuir os sintomas das doenças como morte embrionária precoce, repetição de cio e abortos, portanto a adoção das vacinas reprodutivas busca minimizar os problemas advindos destes patógenos até que o status imunológico esteja consolidado após 2 a 3 vacinações.

Praticamente todas as vacinas (inativadas ou vivas atenuadas), já que nem todas são totalmente vivas atenuadas, na primo-vacinação (primeira vacinação) exigem a aplicação de uma dose de reforço, normalmente três a quatro semanas após a primeira dose. Os reforços de vacinação são para garantir que houve estimulação adequada do sistema imunológico e formação de células de memória. Lembrando que interrompendo-se a vacinação por mais de um ano, devemos recomeçar a vacinação com dose e reforço.

Vale a pena mencionar que animais que não recebem a dose de reforço na primo-imunização, mesmo que posteriormente sejam revacinados no intervalo correto para determinada vacina, podem nunca se tornar protegidos.

Concluindo

Quando realizada adequadamente, a vacinação é a principal ferramenta para manter o status sanitário de um rebanho para as principais doenças reprodutivas e produtivas, alcançando os melhores resultados possíveis, entretanto, a utilização de vacinas como medida única de controle de doenças não é eficaz, pois várias enfermidades infecciosas e parasitárias ainda não dispõem de vacinas para um controle adequado das infecções, tomemos como exemplo a neosporose. Portanto, além das vacinas, um bom manejo aliado a nutrição e a utilização adequada de antimicrobianos e antiparasitários deve sempre minimizar as quedas na imunidade dos animais. Hoje apor meio de vários trabalhos publicados sabemos que a utilização de programas vacinais associados à suplementação mineral e vitamínica produzem um aumento no status imunológico das propriedades de cria.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Como controlar e combater a mastite ambiental?

Introdução de um plano para o controle das mastites é muito importante, no qual o médico veterinário tem grande destaque

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Guilherme Luiz Gomes da Silva, médico veterinário e analista de marketing/comunicação científica da J.A. Saúde Animal; e Eduardo de Castro Rezende, médico veterinário e coordenador de marketing/comunicação científica da J.A. Saúde Animal

A bovinocultura brasileira tem grande relevância na produção láctea mundial, gerando desenvolvimento econômico e muitos empregos diretos e indiretos. Porém determinadas patologias podem causar altos prejuízos como é o caso da mastite.

A mastite é um processo inflamatório da glândula mamária, que causa queda acentuada na produção e alterações na composição do leite. É a doença mais incidente e prevalente no rebanho leiteiro nacional, ocasionando prejuízos que vão desde a queda na produção leiteira, acréscimos nos custos de serviços e medicamentos veterinários, perdas de tetos, descarte prematuro e até a morte do animal. É considerada uma alteração complexa e multifatorial, que envolve vários patógenos, sendo o ambiente e fatores inerentes ligados ao animal.

Além disso, vale ressaltar que a mastite representa risco à saúde pública, podendo prejudicar o consumidor de leite e derivados. Nesse sentido, a introdução de um plano para o controle das mastites é muito importante, no qual o médico veterinário tem grande destaque, pois ele irá introduzir programas de melhoria da qualidade do leite, protocolos de tratamento para animais que apresentam algum tipo de patologia e métodos de prevenção. Uma pesquisa realizada identificou que, entre 180 produtores que faziam parte de um programa de qualidade do leite, somente 24% destes procuravam um veterinário para o auxílio e planejamento de melhoria da qualidade do leite.

Contagiosa e ambiental

Epidemiologicamente, as mastites podem ser classificas em mastite contagiosa e ambiental. A primeira é ocasionada por microrganismos advindos do próprio animal e, a segunda, por agentes infecciosos provenientes do ambiente. A mastite ambiental caracteriza-se por ser uma infecção de curta duração, manifestando geralmente sinais clínicos mais severos e, em alguns casos, até mesmo causar a morte da vaca. Por incrível que pareça, rebanhos bem manejados e com baixos índices de Contagem de Células Somáticas (CSS) possuem maior incidência desse tipo de mastite, visto que os agentes responsáveis pelas mastites contagiosas subclínicas competem com os da mastite ambiental, conferindo certo tipo de proteção.

Existem algumas medidas que podem e devem ser tomadas para a prevenção dos casos de mastite ambiental, sendo um dos pontos principais o cuidado com a higiene do ambiente onde os animais são mantidos. É preconizado a diminuição do contato direto das extremidades dos tetos aos patógenos ambientais, que estão presentes no solo, fezes e água contaminada. As instalações como free-stall ou compost barn devem ser bem manejadas. O arraçoamento após a ordenha é uma medida fundamental, visto que dessa forma impede-se que as vacas se deitem rapidamente com o esfíncter do teto aberto e, consequentemente, facilitar a entrada de microrganismos pelo canal do teto.

A qualificação técnica da equipe, a educação sanitária e a delegação de responsabilidades são fatores que influenciam diretamente no sucesso do plano de controle dessa enfermidade, sendo necessário um trabalho conjunto, englobando não somente o veterinário, mas todos os envolvidos na ordenha.

A linha de ordenha necessita ser estabelecida de modo que primeiramente sejam ordenhados os animais sadios e, por último, aqueles que apresentam mastite, diminuindo a contaminação dos animais sadios. O manejo de higienização dos tetos com o pré e pós-dipping deve ser rotina na ordenha da propriedade, procedimentos esses que têm como função a prevenção da mastite e a manutenção da qualidade do leite.

Os patógenos que causam as mastites são diversos, dentre eles podemos destacar as bactérias, que são os agentes de maior relevância, atingindo em torno de 80% dos casos. O tratamento deve ser fundamentado no tipo de microrganismo que está provocando a doença, sendo necessário a realização de testes periódicos no rebanho. Por sua vez, deve-se utilizar medicamentos eficazes e os mais indicados para cada caso, que sejam de alta permeabilidade na glândula mamária, associados a terapia antimicrobiana e anti-inflamatória sistêmica, quando necessário.

Uma das classes de antimicrobianos mais utilizadas para o controle das infecções intramamárias em bovinos é a dos Penicilinicos, na qual se inclui a Amoxicilina, um tipo de Penicilina sintética. Por sua vez, os Penicilínicos sozinhos possuem eficácia limitada a determinadas bactérias, devido ao fato de algumas delas produzirem enzimas conhecida como beta-lactamases, que destroem a Penicilina. Entretanto, quando se associa a Amoxicilina com o Clavulanato de Potássio, há a inibição das beta-lactamases, permitindo com que a Amoxicilina consiga combater de forma muito eficaz os agentes patogênicos da mastite resistentes aos Penicilínicos. Outra grande vantagem da Amoxicilina é o seu alto potencial de difusão na glândula mamária da vaca, visto sua característica físico-química de ser um ácido fraco, atributo ideal na terapia intramamária.

Concluindo, a mastite é impactante na bovinocultura leiteira e causa grandes perdas econômicas, tornando-se relevante conhecer suas causas, tratamentos, controles e seus métodos de prevenção. Neste último caso, o treinamento nas propriedades é o procedimento mais indicado para a redução de novos casos.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.