Suínos Suinocultura
Parto exige protocolos impecáveis, defende pesquisador da UFRGS
Bortolozzo destacou a necessidade de seguir um protocolo pré-estabelecido para não ter prejuízos nesse delicado momento da produção: o parto

Palestra com o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernando Pandolfo Bortolozzo, durante o 1º Workshop de Suinocultura da Vetoquinol, abordou os cuidados com a matriz suína e neonatos no momento do parto e os procedimentos operacionais indispensáveis nesse cenário. O evento reuniu profissionais do agronegócio em julho, em Toledo, PR, um dos polos de produção suinícola do Brasil.
Bortolozzo destacou a necessidade de seguir um protocolo pré-estabelecido para não ter prejuízos nesse delicado momento da produção: o parto. “Quando a gente fala em parto e cuidado com leitões temos o sentido claro de aumentar os nascidos vivos e manter a saúde reprodutiva da matriz. Nos últimos anos a gente teve uma série de mudanças que interferem no parto”, introduziu. Especialista em reprodução em reprodução suína, destacou as questões endocrinológicas que levam à gestação, parto e lactação e as três fases: dilatação cervical, expulsão dos fetos, expulsão das placentas.
Nutrição
No período de transição, de sete a dez das antes o parto, Bortolozzo sugere reavaliar os protocolos nutricionais. “Tradicionalmente a gente aplica uma restrição alimentar nesse período de transição, quando transfere para a maternidade até o momento do parto, mas hoje em dia isso é um pouco contraditório. É um assunto que ainda não está completamente elucidado. Temos aqui uma oportunidade”. Ele sugere também uma revisão na dieta após o parto realizado. “No pós-parto tínhamos no passado uma retomada gradual do consumo e hoje é mais comum receber o quanto quer comer após 24 horas”, aponta. Esse período é uma oportunidade para alcançar melhores resultados na saúde e viabilidade de matriz e dos leitões. “É uma área bem interessante”.
Edema de úbere
Problemas decorrentes do edema de úbere, segundo especialista, têm sido recorrentes em granjas do Brasil. “É um problema que a gente tem visto muito nas granjas, no pré e no pós-parto. Ele compromete um ou dois pares de tetas. Se isso acontece, o produtor tem um abacaxi nas mãos porque falta teta para os leitões”, comenta.
De acordo com Bortolozzo, o problema “aumenta em matrizes mais velhas, mas matrizes jovens também são afetadas. Algumas tem falha de sustentação da glândula mamária, o que ajuda a produzir edemas”, aponta. Entre os fatores, cita, estão “o excesso de energia durante a transição, uso excessivo de laxativos químicos na dieta, partos prematuros e o balanço catiônico/iônico.
Duração da gestação
Quanto mais tempo levar o parto, piores os desempenhos. Se induzido ou não, pode ter variações. Existem pequenas variações genéticas, mas prorrogar o parto é interessante até 120 dias. “Do ponto de vista técnico a indução funciona. Em um trabalho, induzimos o parto e tivemos 40% em até 24 horas e mais 43% de 24 a 34 horas. Em outro estudo, 100% em até 28 horas. Para ele, a indução é um processo seguro. “Utilizo ou não a indução? Afeta a vitalidade e o peso? Afeta o colostro, aumenta a natimortalidade? Eu digo: não afeta a produção de colostro, não afeta a vitalidade e peso, não aumenta a mortalidade”, cita, mencionando, entretanto: Isso na realidade acadêmica. Na resposta operacional a gente tem problemas, por exemplo, com particularidades conforme a genética, confiabilidade nos registros de IA (retornos), logística na aplicação (aplicar na fêmea errada). Tem muita concentração de parto e não tem gente para atender os partos. Trata-se de uma questão operacional”, avalia.
De acordo com o professor da UFRGS, “partos longos trazem maior sofrimento para o leitão, a razão de chance para mortalidade aumenta, compromete a retomada da temperatura corporal, entre outros, além de aumentar as chances de fêmeas com hipertermia e fêmeas que tiveram anorexia (redução de apetite) nos dias 2 e 3 após o parto”. Partos mais longos ainda podem comprometer o desempenho reprodutivo subsequente, de acordo com Bortolozzo, e as chances de retorno ao cio são 3 a 4 vezes maiores. Por outro lado, cita, “em partos mais curtos a fêmea produz mais colostro”.
Entre as causas para partos longos, enumera: “leitegadas maiores, altas temperaturas, ambiente calmo ou não, falhas no atendimento ao parto, composição corporal das matrizes, manejo alimentar próximo ao parto, estrutura etária do plantel”, entre outros.
Neonatos
O protocolo para os neonatos também exige dedicação. “É um tema interessante, principalmente no secar, mamar e aquecer. Temos que evitar diferenças de zonas de conforto térmico. Sabemos que o baixo peso ao nascer tem dificuldades de termorregulação. “Os mais leves têm dificuldade de retomada de temperatura corporal nas primeiras horas e isso afeta a sobrevivência. Se na recuperar, a chance de morrerem é cinco ou seis vezes maior, A retomada da temperatura é extremamente importante”, aponta.
O colostro ajuda nesse processo. “Leitão quando bebe colostro vai ser nutrido, vai “se vacinar” e isso vai ajudar na termorregulação. Tem que ter maior cuidado com os leves, peso ao nascer e vitalidade são extremamente importantes, por isso é importante ter um bom programa de melhoramento genético, já que não dá para reverter os leves só com manejo e nutrição”, destaca.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



