Notícias Projeto alia aquicultura e cultivo de ho
Parceria entre Instituto de Pesca e Instituto de Zootecnia busca produção de iscas vivas em sistema de aquaponia
Vantajoso dos pontos de vista ambiental e econômico, sistema pode trazer mais renda e alimento para pequenos produtores, aliando aquicultura e cultivo de hortaliças.

Pesquisa científica realizada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio de parceria entre os Institutos de Pesca (IP) e de Zootecnia (IZ), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), visa promover a criação de espécies utilizadas como isca viva em conjunto com a produção de hortaliças. O sistema, conhecido como aquaponia, otimiza o uso de recursos naturais e de espaço, e pode significar mais ganhos para o produtor.
“O sistema de aquaponia é uma combinação entre dois sistemas: a aquicultura (cultivo de organismos aquáticos) e a hidroponia (cultivo de vegetais sem uso de solo, a partir de solução nutritiva)”, conta o pesquisador do IP Marcello Boock. Conforme explica, nesse sistema, peixes ou camarões de água doce são mantidos em reservatórios de pequeno porte (até mesmo caixas d’água), onde recebem a ração. Em decorrência das excretas produzidas (fezes e amônia) e das sobras de alimento presentes, a água passa a ter altas concentrações de nutrientes — esses servirão de adubo para as plantas. “Essa água carregada de nutrientes é constantemente bombeada para o outro componente do sistema, que seria a parte correspondente à hidroponia, onde as mudas, posicionadas em ‘prateleiras’, são plantadas em substrato próprio”, elucida Boock. “Depois de absorvida parte dos nutrientes pelas plantas, essa água retorna, por gravidade, para o tanque de cultivo dos camarões ou peixes. Isso ocorre continuamente, é um Sistema de Recirculação de Água”, complementa.
De acordo com o pesquisador do IP, o sistema configura um ciclo fechado, onde o uso dos recursos é otimizado. De um lado, a água carregada de nutrientes, que seria tóxica para os peixes, serve de solução nutritiva para o desenvolvimento das plantas; por outro, ao passar pelas raízes e pelo substrato de cultivo, a água retorna purificada, sem que seja necessário trocá-la. “A água retornando continuamente para os peixes faz com que quase não haja gasto de água. Utiliza-se quase a mesma água durante todo o cultivo, só sendo necessária a reposição do que é perdido por evaporação e evapotranspiração das plantas”, comenta o especialista. Segundo ele, isso difere dos sistemas comuns de aquicultura e também da hidroponia convencional, onde há troca constante de água e necessidade de tratamento do que é descartado.
Dessa forma, Boock conta que a principal vantagem do sistema é o uso consciente dos recursos naturais, principalmente a água. “Nesse sistema, devido à recirculação, gasta-se até 90% menos água do que em um sistema de produção agrícola convencional, que utiliza irrigação”, garante o pesquisador do IP. O impacto ambiental do método, menciona, se resume aos gastos de energia elétrica para operação das bombas. “Esse consumo é pequeno, dado que são bombas de baixa capacidade, uma vez que o sistema é, atualmente, mais adaptado a pequenos produtores e piscicultores familiares”, pontua o especialista. Como lembra, já se planeja inclusive o uso de energia fotovoltaica acoplada ao sistema, reduzindo ainda mais o impacto de seu funcionamento.
Parceiro de Boock no projeto, que está sendo desenvolvido na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Pirassununga do Instituto de Pesca, o pesquisador do IZ Fernando André Salles elenca outras vantagens do método. “Por sua natureza essencialmente recicladora, a aquaponia permite uma economia no uso de fertilizantes sintéticos na produção de vegetais, além de evitar a descarga de nutrientes potencialmente poluidores provenientes da piscicultura”, ressalta Salles. “Outro aspecto interessante da aquaponia é o fato dela poder ser utilizada em escala doméstica, aumentando desse modo a segurança alimentar das famílias, com o consumo de pescados e principalmente de vegetais frescos produzidos diariamente”, agrega.
O especialista acredita que o modelo é aplicável a diferentes regiões de SP e também em outros Estados, podendo contribuir muito com o desenvolvimento de regiões semiáridas, como boa parte do Nordeste brasileiro. “A aquaponia pode, ainda, ser conduzida em ambientes urbanos e periurbanos, em proximidade ao mercado consumidor, diminuindo desse modo o transporte de mercadorias e, por conseguinte, a emissão de carbono proveniente da queima de combustíveis”, enfatiza Salles.
Projeto com iscas vivas
A atividade de pesca esportiva encontra bastante espaço nos rios e represas do Estado de São Paulo e, com ela, se mantém a comercialização de espécies de pequeno porte utilizadas como iscas vivas, normalmente peixes ou camarões.
Conforme conta Boock, para se evitar a coleta dessas espécies no ambiente e os impactos decorrentes, a criação para venda tem sido uma tendência. “Normalmente existem aquicultores que produzem iscas (sobretudo lambaris) em grandes quantidades, em viveiros de engorda, e que vendem para pequenos atravessadores, geralmente pescadores artesanais”, detalha o especialista. Estes, conta, adquirem e mantêm os organismos de uma forma precária, revendendo de acordo com a procura.
O pesquisador do IP relata que, em momentos de mau tempo ou baixa temporada de pesca, as iscas-vivas podem ter de ficar mais tempo armazenadas nos reservatórios, o que pode causar uma deterioração da qualidade de água, com consequente aumento da mortalidade e perda financeira. “Com esse sistema que estamos propondo, o pequeno distribuidor poderia manter as iscas por períodos mais longos, de uma maneira mais controlada, e vender um produto de melhor qualidade”, assegura Boock.
Além disso, pontua, produziria hortaliças e temperos (alface, manjericão, rúcula etc) que podem ser consumidos por ele e a família, contribuindo com a Segurança Alimentar, ou mesmo comercializados para se ter uma nova fonte de renda. “Esse é o enfoque: tentar resolver o problema das pessoas que comercializam as iscas, os pequenos distribuidores, ao mesmo tempo em que se incentiva o grande produtor a aumentar o volume de negócios, pois os compradores vão conseguir armazenar mais peixes por mais tempo na propriedade, e isso acaba fortalecendo vários elos dessa cadeia da pesca esportiva”, finaliza Boock.

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Show Tecnológico Copercampos completa 30 anos e amplia programação para quatro dias
Edição de 2026 será realizada de 24 a 27 de fevereiro e aposta em inovação vitrines técnicas e expectativa de R$ 350 milhões em negócios no agronegócio catarinense.

Em seu marco de três décadas, o Show Tecnológico Copercampos está renovado: a 30ª edição será realizada de 24 a 27 de fevereiro, no Campo Demonstrativo da cooperativa, e traz como principal novidade a ampliação do evento para quatro dias, ante os três dias das edições anteriores. A mudança foi pensada para ganhar ritmo, aumentar as oportunidades de negócios e dar mais tempo para que agricultores e profissionais acompanhem vitrines técnicas, demonstrações e debates.
Reconhecido como uma das maiores vitrines do agronegócio catarinense, o Show Tecnológico tem na inovação, no conhecimento e na transferência de tecnologia seu principal propósito. Nas áreas de demonstração — que replicam práticas de campo com recomendações técnicas — produtores encontrarão soluções para elevar produtividade, reduzir custos e aprimorar gestão. A programação combina vitrines vegetais e pecuárias, estandes de fornecedores e uma grade de palestras e painéis com pesquisadores, consultores e empresas de tecnologia agro.
A organização espera receber mais de 21 mil visitantes ao longo dos quatro dias e manter o ritmo de negócios que transformou o evento em um motor econômico regional. Mais de 200 expositores ocuparão espaços para demonstrar máquinas, implementos agropecuários e veículos, por exemplo.
Em termos econômicos, a projeção é ambiciosa: a expectativa de movimentação chega à casa dos R$ 350 milhões em negócios envolvendo máquinas e insumos — reflexo do interesse por investimentos em equipamentos e tecnologias que aumentem a eficiência produtiva. O volume potencial de negócios confirma o papel do evento como ponto de encontro entre demanda agrícola e oferta de soluções financeiras e comerciais.
“Para produtores, a ampliação para quatro dias representa também ganho em conteúdo: mais tempo para participar de palestras técnicas, visitar as vitrines com calma e aprofundar negociações com fornecedores e instituições de crédito. Do ponto de vista do expositor, a mudança amplia janelas de demonstração e contato, fator importante para fechar contratos de maior monta — especialmente em máquinas e implementos”, ressalta o Gerente de Assistência Técnica e coordenador do evento, Fabrício Jardin Hennigen.
A 30ª edição chega em um momento de aceleração tecnológica do campo, quando automação, agricultura de precisão, soluções sustentáveis e serviços digitais ganham espaço nas propriedades. O Show Tecnológico Copercampos pretende não só mostrar essas tecnologias, mas traduzir seu uso prático para o agricultor, destacando retorno econômico, adequação técnica e caminhos para implementação.
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Custos de suínos e frangos encerraram ano de 2025 em crescimento
Levantamentos da CIAS mostram recuperação no segundo semestre com pressão da ração e impacto direto sobre os índices de produção em Santa Catarina e no Paraná.

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte encerraram o ano de 2025 em crescimento, após acentuada queda no primeiro semestre, conforme os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível clicando aqui.
Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,48 em dezembro, alta de 0,99% em relação ao mês anterior, com o ICPSuíno chegando aos 370,68 pontos. O índice encerrou o ano registrando aumento de 4,39% em 2025. A ração, responsável por 71,67% do custo total de produção em dezembro, subiu 1,71% no mês e 1,82% no ano.
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte subiu 0,51% em dezembro frente a novembro, passando para R$ 4,65 e com o ICPFrango atingindo 360,21 pontos. Apesar disso, no acumulado de 2025, a variação foi negativa, de -2,81%. A ração, que representou 62,96% do custo total em dezembro, subiu 1,38% no mês, porém com queda acumulada de 8,92% no ano. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (19,13% do total), caíram 1,90% no último mês do ano, mas com um aumento acumulado em 2025 de 14,82%.
Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.
Como apoio aos produtores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas de gestão, como o aplicativo Custo Fácil, para dispositivos Android e com download pela Play Store, que gera relatórios personalizados e diferencia despesas com mão de obra familiar, além de uma planilha de custos voltada à gestão de granjas integradas de suínos e frangos de corte, disponível no site da CIAS.
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Adapar amplia prazo de plantio da soja para produtores de sementes no Paraná
Medida ajusta o calendário da safra 2025/26 por impactos climáticos mantém o Vazio Sanitário obrigatório e reforça a fiscalização fitossanitária no Estado.

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir César Martins, assinou nesta terça-feira (13) o documento que amplia o período de plantio da soja no Estado, ajustando o calendário de semeadura em razão dos impactos provocados por fatores climáticos na safra 2025/2026. A medida atende especificamente os produtores de sementes de soja que enfrentaram atrasos na liberação das áreas agrícolas por conta de condições adversas que comprometeram o ciclo de culturas antecessoras, como milho e feijão. “Como o Paraná é um dos maiores produtores de semente, neste momento está sendo realizado o cadastro das empresas. A partir daí será iniciado o processo de fiscalização com relação à questão da produção de sementes”, afirma Otamir Martins.
A ampliação do tempo de plantio está formalizada por meio da portaria N° 024, de janeiro de 2026, da Adapar, e é válida exclusivamente para áreas destinadas à produção de sementes de soja no Paraná. Mesmo com a mudança no calendário, o Vazio Sanitário da soja permanece obrigatório, sendo previsto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio de uma portaria específica do governo federal. “Esse período – o Vazio Sanitário – não pode ser inferior a 90 dias consecutivos, e deve respeitar as datas já estabelecidas na safra em desenvolvimento”, observou o chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar, Paulo Brandão.

O Vazio Sanitário é uma das principais ferramentas no combate à ferrugem asiática da soja, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que pode provocar perdas severas na safra. Durante esse período, é proibida a presença de plantas vivas de soja no campo, incluindo plantas voluntárias, com o objetivo de reduzir o patógeno no ambiente e retardar sua ocorrência na safra seguinte.
Segundo Brandão, a ferrugem asiática da soja é comum no campo e faz parte do manejo fitossanitário. “O Vazio Sanitário da cultura deve ser adotado sempre por todos os agricultores, em benefício dos mesmos, e é implementado de acordo com critérios técnicos”, afirmou.
Ele destacou que as ações de fiscalização e monitoramento “serão realizadas de modo aleatório, com o acompanhamento por parte dos fiscais de defesa agropecuária da Adapar, com os dados recebidos e acompanhados pelos responsáveis técnicos das cooperativas e casas agropecuárias”.
Pelas normas da Adapar, os produtores aptos a plantar soja devem cumprir os seguintes critérios: atender às exigências quanto à produção de sementes previstas pelo Mapa; comunicar o local de cultivo à Adapar com antecedência de cinco dias da data de semeadura; garantir a colheita ou interrupção do ciclo antes do início do Vazio Sanitário em sua região; e preencher o formulário oficial obrigatório.
Além de atender a uma demanda concreta do setor produtivo, a medida que permite ampliar o plantio de soja está alinhada ao Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja e às estratégias de racionalização do uso de fungicidas, contribuindo para a sustentabilidade da produção agrícola paranaense.



