Suínos No Oeste do Paraná
Parceria da Copagril com Copacol estimula crescimento da produção de tilápias
Há dois anos, a cooperativa rondonense replanejou a atividade, contratando um técnico para atender aos associados e promover o crescimento da piscicultura.

Tilápia é a principal espécie de peixe criada em cativeiro na região, mas instabilidade do mercado particular traz dificuldades aos produtores. Parceria entre as cooperativas proporciona facilidades aos produtores associados, por meio do sistema de integração
Uma das áreas que vem crescendo significativamente junto aos associados da Copagril, de Marechal Cândido Rondon (PR), é da produção de peixes em tanques de água doce. Há dois anos, a cooperativa rondonense replanejou a atividade, contratando um técnico para atender aos associados e promover o crescimento da piscicultura. “Nestes dois anos vimos que praticamente quadruplicou o volume de peixes produzidos pelos associados da Copagril. Podemos dizer que estamos passando por um momento de estabilidade e qualidade na parceria com a Copacol, que industrializa os nossos pescados”, afirma o supervisor de fomento da área de peixes da Copagril, Thales Serrano Silva.
Com a estabilidade no processo de produção, os associados da Copagril chegam a fornecer hoje aproximadamente seis milhões de peixes por ano para a Copacol. “São 36 associados que estão devidamente preparados e participando da produção. Todas propriedades estão bem organizadas e passaram por remodelações para ficar em conformidade com a legislação e a logística necessária. As propriedades estão bem equipadas e os produtores devidamente orientados, para que não haja perdas e mortalidade significativas. Isto é fruto do trabalho desenvolvido ao longo dos anos, com muita orientação e apresentação para que os produtores trabalhem dentro das normas e técnicas recomendadas”, menciona Thales.
Somente tilápias são destinadas para o abate, na produção que segue um ciclo de nove meses. “O tempo de cultivo é de 250 dias, quando os peixes devem chegar no peso médio ideal, de 800 gramas, ainda que fatores climáticos possam interferir no tamanho dos mesmos”, expõe o técnico, complementando: “Os 36 associados da Copagril que participam do programa possuem, juntos, cerca de 82 hectares de lâmina de água”.
Com relação à possibilidade de expansão do setor, Thales diz que no momento está preenchido o possível ciclo de produtores. “Para a segurança do programa, é preciso ter limites. Os associados integrados não vivem a especulação que o mercado normalmente propõe, mas vivem da segurança que a integração proporciona. Para que tudo aconteça nos conformes, os alevinos são fornecidos no limite da cooperativa parceira, a Copacol”, comenta.
De acordo com o técnico, o mercado está em expansão. “Temos informações de que está faltando peixe no mercado. Isso dá uma projeção de que o produtor vai ganhar mais na próxima safra”, prevê.

Supervisor de fomento da área de peixes da Copagril, Thales Serrano Silva, com o associado Silvio Vorpagel – Fotos: Divulgação/OP Especiais
Sistema de integração
Associado da Copagril, o agricultor Silvio Vorpagel possui em sua propriedade, na Linha Heidrich, interior de Marechal Rondon, um tanque com 6,4 mil metros cúbicos de lâmina d’água, onde mantém em torno de 41 mil peixes por lote.
Segundo ele, participar do programa da Copacol via Copagril é a segurança que precisava para permanecer na atividade. “Produzir peixes de forma particular é muito instável. Na produção particular você precisa de praticamente um ano para sustentar os peixes para depois tentar ganhar algo. No sistema de integração a gente recebe os alevinos, vem a ração, visitas dos técnicos e temos a garantia de pagamento. Eu recebo por conversão alimentar a cada lote entregue”, destaca o associado da Copagril.
Ração própria
Dentro do planejamento de atuação no setor de peixes, a Copagril está começando a produzir ração própria para o setor. “Tanto os produtores associados quanto os não associados poderão adquirir a partir deste mês de janeiro a ração de peixes produzida pela indústria da Copagril”, informa o supervisor comercial da Copagril, Riscala Mocelin.
De acordo com Mocelin, a Copagril vai trabalhar rações de peixes em escala comercial para os segmentos juvenis, engorda e acabamento, seguindo os melhores parâmetros nutricionais recomendados, atendendo a demanda da região. “Conforme estudos preliminares, alcançamos o nível das melhores rações disponibilizadas na região, que proporcionará ganho de conversão alimentar e melhores resultados para os produtores”, sintetiza.
A fábrica de rações da Copagril destinará espaço para a produção de aproximadamente três mil toneladas por mês. A Copagril fornecerá as quantidades de rações via sacas ou a granel, conforme a demanda do produtor. “Ainda que na fase inicial a produção seja menor, com o tempo podemos chegar à produção total projetada”, projeta.

Suínos
Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno
Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA
No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.
Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA
Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo
Considerações finais
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.
Suínos
Queda de 27,5% no preço do suíno vivo acende alerta no setor em Mato Grosso
Produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 60 por animal enquanto recuo não chega ao consumidor.

A suinocultura de Mato Grosso enfrenta um momento de forte pressão econômica em 2026. Levantamento realizado pela Bolsa de Suínos da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), indica uma queda expressiva no preço pago ao produtor, sem que essa redução seja percebida pelo consumidor final nos supermercados e açougues.
De acordo com a Acrismat, em janeiro deste ano o quilo do suíno vivo era comercializado a R$ 8,00. Nesta semana, o valor caiu para R$ 5,80, uma redução de 27,5%. Trata-se do menor patamar registrado desde 25 de abril de 2024, quando o preço estava em R$ 5,60 por quilo.

Frederico Tannure Filho, presidente da Acrismat: “Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor”
Apesar da queda significativa tanto no preço do suíno vivo quanto da carcaça, o movimento não tem sido acompanhado pelo varejo. Segundo o setor produtivo, os preços da carne suína em supermercados e açougues permanecem elevados, o que impede que o consumidor final se beneficie da redução.
Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos de produção. Atualmente, o suinocultor mato-grossense acumula prejuízo estimado em cerca de R$ 60,00 por animal enviado para abate, o que compromete a sustentabilidade da atividade.
O presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, destaca a necessidade de maior equilíbrio na cadeia produtiva e faz um apelo ao setor varejista:
“Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor. É importante que o varejo acompanhe esse movimento, reduzindo os preços na ponta. Dessa forma, conseguimos estimular o consumo de carne suína e, ao mesmo tempo, amenizar os impactos enfrentados pelos produtores”, afirma.
A entidade reforça que a redução no preço ao consumidor pode contribuir para o aumento da demanda, ajudando a reequilibrar o mercado e minimizar os prejuízos no campo. A Acrismat também pede apoio e conscientização dos elos da cadeia para atravessar o atual momento de crise no setor.
Suínos
Preço do suíno cai em abril mesmo com demanda externa em alta
Com embarques 26% maiores em março, mercado interno não reage e cotações retornam a níveis próximos de 2022 a 2024.

Os preços do suíno vivo no mercado brasileiro recuaram no início de abril, mesmo com o avanço das exportações e o aumento da produção.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, em março, as cotações em São Paulo ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,3%, mantendo o animal em torno de R$ 6,95 por quilo. Já na primeira parte de abril, houve queda de 7,7%, com o preço médio no primeiro decêndio em R$ 6,40 por quilo, mesmo em um período que costuma ter maior demanda. Com isso, os valores voltaram a patamares próximos aos registrados entre 2022 e 2024, ficando cerca de 25% abaixo dos níveis do ano passado.
O spread da suinocultura também apresentou redução. Em março, o indicador ficou em torno de 10%, próximo ao observado em fevereiro, mas abaixo dos 23% registrados no mesmo período do ano anterior. Para abril, a projeção é de nova queda, podendo atingir cerca de 2% caso o comportamento da primeira quinzena se mantenha, o menor nível desde junho de 2023.
Mesmo com a pressão nos preços internos, as exportações tiveram desempenho positivo. Em março, os embarques de carne suína in natura somaram 132 mil toneladas, um recorde para o mês e volume 26% superior ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento é de 15%.
Entre os principais destinos, Filipinas e Japão se destacaram, com altas de 74% e 60% nas compras, respectivamente, respondendo juntos por 43% das exportações brasileiras. Em 2025, o mercado externo absorveu cerca de 26% da produção nacional de carne suína.
Dados preliminares indicam aumento de 4% nos abates no primeiro trimestre. Ainda assim, diante do crescimento das exportações, a disponibilidade interna de carne suína teve apenas leve variação no período.



