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Parasitas provocam falhas na atividade reprodutiva bovina

Estudo publicado em 2014 mostra que moscas, carrapatos e vermes podem custar maus de US$ 12 bilhões por ano para a bovinocultura

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Os parasitas podem causar grandes estragos no período reprodutivo nas fazendas brasileiras, tanto para a pecuária de corte como a de leite. Um estudo publicado em 2014 mostra que moscas, carrapatos e vermes podem custar maus de US$ 12 bilhões por ano para a bovinocultura. E o pior: eles são frequentes.

Para a doutora Daniela Miyasaka Cassol, médica veterinária e gerente Técnica Saúde Animal / Pesquisa Desenvolvimento e Inovação da Noxon Saúde Animal, de Cravinhos, SP, assim como deficiências de proteínas, minerais, vitaminas, aminoácidos, energia, o estresse térmico e as doenças infecciosas, “as doenças parasitárias provocam falhas na atividade reprodutiva bovina”.

Existem os parasitas internos e externos, mas ambos trazem enormes prejuízos. “Os parasitos internos são os vermes gastrintestinais e os parasitos que acometem os pulmões dos bovinos. Os principais atacam  o abomaso (estômago – Trichostrongylus axei, Haemonchus sp e Ostertagia sp.),o intestino delgado – T. colubriformis, Strongyloides papillosus, Toxocara vitulorum, Cooperia sp, Nematodirus sp, Bunostomun sp e Moniezia sp., o intestino grosso – Oesophagostomun sp, Trichuris sp., e o pulma?o – Dictyocaulus viviparus”, cita.

De acordo com a doutora Daniela, os principais sinais clínicos das verminoses em geral incluem retardo do crescimento, diarreias, hiporexia (diminuição do apetite), pelos arrepiados, desidratação, diminuição da produtividade, infecção bacteriana secundária e pneumonia. Ela cita um estudo que “diz que o potencial impacto econômico dos nematódeos gastrintestinais é de US$ 7,11 bilhões por ano”.

Os nomes dos parasitas externos são mais fáceis de dizer, mas são tão nocivos quanto os internos. “Os principais parasitos externos são carrapatos, bernes, mosca-dos-chifres, bicheiras e mosca-dos-estábulos. A mosca-dos-chifres tem o hábito alimentar hematófago (sugam sangue). Ela pica os animais de 25 a 40 vezes por dia (aproximadamente) e cada sucção pode durar de quatro a cinco minutos. O principal problema desta mosca é a irritação que ela causa aos animais, gerando estresse. Uma infestação média de 500 moscas leva a perda de 40 quilos por animal ao ano e 150 litros de leite (durante toda a lactação), devido à perda de sangue e aos efeitos irritantes de sua picada. Ela também causa danos ao couro do animal. O potencial impacto econômico da mosca-dos-chifres é de US$ 2,56 bilhões/ano”, destaca.

O carrapato causa prejuízos em duas frentes, comenta a especialista. “Os prejuízos causados pelos carrapatos podem ocorrer de forma direta, pelo efeito da picada, e entre as consequências estão a irritação e perda de sangue (acarretando na redução de peso e da produção de leite). As leso?es de pele causadas pelos carrapatos, além de serem prejudiciais às indústrias do couro, com repercussa?o no preço final do produto, são portas de entrada de bactérias e larvas de moscas (bernes e mii?ases)”, cita a primeira. “Devido à espoliação constante a que são submetidos os bovinos parasitados, a quantidade de sangue ingerido por uma teleógina (fêmea ingurgitada) varia de 0,3 a 0,5ml. Pesquisadores estimaram a perda me?dia de peso de um bovino, apo?s ser picado por 1,4 mil carrapatos, em 1kg de peso vivo”, amplia.

Ele causa problemas também pela “forma indireta, na transmissão de doenças, tais como a “Tristeza Parasitária Bovina (TPB)”. “Além dos gastos com medicamentos, manejo, mão-de-obra especializada e perda de animais, que podem vir a óbito”, menciona.

“O Ministe?rio da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em levantamento nacional realizado em 1983/84, estimou em um US$ 1 bilha?o anuais os prejuízos causados pelo carrapato-do-boi no Brasil, sendo 40% desse total relativo a? diminuição da produção de leite. Foi constatada a presença deste parasito durante os 12 meses do ano em 66,04% dos 2.048 munícipios investigados, e o carrapato foi mais frequente que o berne e a bicheira em 61,24% das vezes”, cita. “O potencial impacto econômico dos carrapatos fica em US$ 3,24 bilhões de dólares/ano” emenda.

Na reprodução

De acordo com a médica veterinária, é possível afirmar que as parasitoses causam problemas no período reprodutivo. “As deficiências de proteínas, minerais, vitaminas, aminoácidos, energia, o estresse térmico, as doenças infecciosas e parasitárias provocam falhas na atividade reprodutiva bovina, entre elas distúrbios do cio, alterações no ciclo reprodutivo, até a ocorrência de abortos. As verminoses afetam o crescimento dos animais jovens, atrasam sua puberdade e a idade ao primeiro acasalamento. O carrapato, a mosca-dos-chifres e as larvas do berne causam perdas de desempenho, tanto pelo parasitismo direto como pela transmissão de doenças e estresse, o que leva à redução do apetite e peso, alterações na secreção de hormônios e no desejo sexual (libido)”, comenta.

Ela destaca que bezerros novos são mais suscetíveis aos parasitos. “A partir dos três meses de idade é importante atentar-se às verminoses. Bovinos com idade até dois anos são sensíveis a esta parasitose e por isto devem receber atenção especial. Como as larvas dos vermes estão nas pastagens, os animais em sistema de pastejo se infectam continuamente. Em relação aos carrapatos, cuidado especial deve ser dado, pois eles podem ser acometidos pela Tristeza Parasitária Bovina”, orienta a profisisonal.

Diagnóstico

Para realizar o diagnóstico, orienta, é importante associar os sinais clínicos aos exames laboratoriais. “O exame parasitológico de fezes estima a carga parasitária por meio da contagem dos ovos presentes em quantidade conhecida de fezes (OPG). A coprocultura também pode ser recomendada. O hemograma possui grande valor diagno?stico, uma vez que nas verminoses podem ocorrer anemias severas, leucocitose e eosinofilia”, cita, ampliando: “Caso o animal venha a óbito os vermes adultos são vistos no intestino delgado, intestino grosso, traqueia e bro?nquios. Como diagno?stico diferencial, pode ser realizada a pesquisa por Clostridium sp, Salmonella sp, Escherichia coli e Shigella sp, pois sa?o agentes causadores das diarreias em bovinos”, explica.

Controle

Para a estudiosa, o controle estratégico reduz a contaminação das pastagens e deve ser repetido anualmente, em épocas previamente determinadas. “Assim, controlar significa prevenir doenças e perdas econômicas. Para ajudar os pecuaristas a controlarem as verminoses nos bovinos, recomendam-se alguns produtos de uso Injetável: Ivermectina 1%, Ivermectina 1% + ADE, Ivermectina 3,5% (longa ação), Abamectina 1%, Abamectina 1% + ADE, Fosfato de Levamizole (22,3%), Sulfóxido de Albendazol (13,6%), entre outros. Ivermectina Pour on (1%) também pode ser utilizada”, assinala.

Para bezerros recém-nascidos, orienta, é preciso “vermifugar logo após o nascimento com Ivermectina 1%, Ivermectina 1% + ADE, Sulfóxido de Albendazol 13,60%. A partir dos dois a três meses até o desmame recomenda-se vermifugar a cada 60 ou 90 dias”.

Já para bezerros na desmama a recomendação indica “Ivermectina Injetável 3,5% (longa ação), Ivermectina 1%, Abamectina 1% + ADE, Fosfato de Levamizole Injetável (22,3%). “Na cria e recria, deve-se vermifugar nos meses de maio e novembro com Ivermectina Injetável 3,5% (longa ação)”.

Para vacas prenhes, “é preciso tratar uma vez ao ano, com produtos à base de Ivermectina 3,5% (longa ação), Ivermectina 1% + ADE, Abamectina 1% + ADE. Trinta dias antes da data prevista para o parto, vermifugar os animais com Sulfóxido de Albendazole 13,60%”.

“Já bovinos na engorda (terminação), vermifugar os animais antes da entrada em pastagens vedadas utilizando Ivermectina 1% + ADE ou Abamectina 1% + ADE. Nos animais em confinamentos aplicar Sulfóxido de Albendazol injetável 13,60%, cita. “É importante respeitar os períodos de carência dos produtos”, frisa.

Controle estratégico dos carrapatos

Para o controle estratégico dos carrapatos, destaca a profissional, “é importante consultar o técnico (médico veterinário) para que ele possa adotar o melhor protocolo antiparasitário para cada propriedade rural. A escolha correta do carrapaticida, as frequências das aplicações dos produtos de uso veterinário, administração das doses corretas, com produtos eficazes, seguros e de alta qualidade são fundamentais para cada fase”.

De acordo com ela, o teste de sensibilidade do carrapaticida (“Biocarrapaticidograma”) é fornecido gratuitamente pela Embrapa Gado de Leite e deve ser utilizado com intuito de verificar qual “base química” deve ser utilizada da melhor forma nas propriedades. Informações de como realizar a colheita e o envio destes materiais podem ser consultados diretamente com a Embrapa Gado de Leite de Juiz de Fora, MG”, comenta.

Princípios ativos recomendados

Confira os principais princípios ativos utilizados:

Pour-on: Cipermetrina 6% + Clorpirifós 7% + Citronelal 0,5%. Fluazuron 3% + Clorpirifós 7% + Ciermetrina 6% + Citronelal 0,5% + Butóxido de Piperonila 5%. Fluazuron 3% + Abamectina 0,6%. Ivermectina 1%, entre outros.

Pulverização: Cipermetrina 15% + Clorpirifós 25% + Citronelal 1%. Cipermetrina 15%. Amitraz 12,5%, entre outros.

Injetáveis: Abamectina 1%. Ivermectina 1%. Abamectina 1% + ADE. Ivermectina 1% + ADE. Ivermectina 3,5%, entre outros.

Boas práticas

Para a doutora Daniela, boas pra?ticas de manejo, nutrição adequada, gene?tica de qualidade e adoção de programas sanitários estratégicos e adequados são fatores primordiais para o bom desempenho da pecuária brasileira.

Ela ressalta a importância do apoio profissional para o controle das parasitoses. “Consulte sempre o médico veterinário. Siga corretamente as orientações descritas nas bulas dos produtos. Temos que obedecer às boas práticas de aplicação de produtos de uso veterinário”, orienta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no coxo, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas goram muito do trio. Não sabemos ainda quais os motivas, mas quando entra na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferencias de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Mastites em vacas leiteiras: Como a marbofloxacina age sobre a patologia?

A marbofloxacina é um dos princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados

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Divulgação/Ceva

Artigo escrito pela equipe técnica da Ceva

A mastite é uma das principais afecções do gado leiteiro, pois é considerada a doença de maior impacto econômico na atividade, determinando redução na produção, na qualidade do leite e afetando o bem-estar dos animais. Ela pode ocorrer por diferentes fatores: agressões físicas, químicas, tóxicas, mas a sua principal causa é infecção por bactérias e outros microrganismos. De acordo com a manifestação clínica podemos classificar as mastites em: subclínicas, clínicas hiperagudas, agudas ou brandas, e crônicas.

Na manifestação clínica podemos observar edema do úbere, aumento de temperatura na região, coloração vermelha, endurecida, e dolorida ao toque, além de alterações visíveis no leite como grumos ou pus. Já na subclínica, não são observadas manifestações no animal, apenas alterações na qualidade e composição química do leite, modificações nas suas características organolépticas, físico-químicas e microbiológicas, além de redução de volume produzido. Por não ser visivelmente diagnosticada, a mastite subclínica pode se disseminar facilmente pela propriedade. Estima-se que para cada caso clínico, ocorram pelo menos 9 outros casos subclínicos. A mastite crônica se caracteriza por manifestações constantes de casos clínicos que não apresentam cura total após a realização de tratamentos.

Ainda com relação a forma de transmissão e patógenos envolvidos, as mastites podem ser classificadas em contagiosas e ambientais. As contagiosas são causadas por bactérias presentes no úbere e leite dos animais infectados e são transmitidas entre animais. Já as ambientais são determinadas por microrganismos presentes no ambiente que infectam os animais ao penetrarem na glândula mamária.

A avaliação da saúde das glândulas mamárias e o diagnóstico da mastite subclínica são realizadas através da contagem de células somáticas (CCS) do leite.

Os impactos da mastite afetam também a produção de laticínios reduzindo o rendimento do leite na produção de derivados e o tempo de prateleira. Quando encontramos vacas com mastites, elas vacas devem ser retiradas da linha de ordenha para tratamento. Em boa parte das mastites, o tratamento com antibiótico é fundamental para o restabelecimento da saúde e dos índices produtivos. Na escolha do medicamento deve-se avaliar as características do fármaco, suas aplicações, eficácia, potência e rapidez de ação.

Estudos demonstram que na maioria das mastites estão envolvidas as bactérias Escherichia coli, Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Corynebacterium bovis e Mycoplasma spp. Para melhor estabelecimento do tratamento anti-infeccioso o ideal é a realização de culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos disponíveis. Infelizmente, o uso indiscriminado destes produtos tem causado rápido estabelecimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana pode ser causada pela mutação espontânea e a recombinação gênica, muitas vezes influenciadas pela seleção natural, onde as cepas bacterianas mais resistentes sobrevivem. Entretanto, a exposição frequente à níveis inadequados do antibiótico, especialmente a subdosagens e períodos longos de tratamento, podem proporcionar a seleção de cepas resistentes. Por isso a escolha do antibiótico deve ser criteriosa e buscar alta potência, alta eficácia, rápido alcance de concentrações efetivas no sangue, máxima difusão do antibiótico na glândula mamária após a aplicação, facilidade de uso e mínimo período de carência.

Frequentemente são disponibilizados no mercado novas formulações e novos princípios ativos antimicrobianos para o tratamento das mastites. A marbofloxacina é um destes princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados devido a suas características que vão de encontro às anteriormente citadas. A seguir, são apresentados resultados de alguns estudos comparativos de eficácia no tratamento de animais com mastite clínica empregando-se marbofloxacina e outros antimicrobianos corriqueiramente usados.

Marbofloxacina versus Amoxicilina + Ácido Clavulânico (Clavulanato)

Nesse estudo foi comparada a eficácia de tratamentos de mastites ambientais determinadas por bactérias Gram negativas em 114 vacas. Os animais apresentavam sinais clínicos como: úbere inflamado, febre, apatia, reduzido ou ausência de apetite e alterações no leite. Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento como a seguir:

Grupo Marbofloxacina: 2mg/Kg de marbofloxacina, intravenosa, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos.

Grupo Amoxicilina + Clavulanato (A + AC): 8,75mg/Kg de amoxicilina + clavulanato, intravenosa, por três dias consecutivos.

Em ambos os grupos o tratamento incluía aplicação intramamária de Cloxacilina nos quartos mamários afetados logo após a ordenha. A Cloxacilina não atua contra bactérias Gram negativas.

Amostras de leite individuais e de cada quarto mamário foram assepticamente colhidas nos dias 0, +7 e +14 do estudo, para a realização de cultura e identificação bacteriana. As avaliações clínicas gerais do animal, úbere, produção e aspectos do leite foram realizados no dia dos tratamentos, 12 horas após os tratamentos e nos dias, +1, +2, +3, +7 e +14 após início os mesmos. Os animais foram divididos em 2 grupos e tratadas da seguinte maneira:

Resultados

A bactéria com maior prevalência nas culturas realizadas foi E. coli. O grupo tratado com marbofloxacina teve um retorno ao comportamento normal em um período mais curto. O retorno a produção normal de leite, a normalização dos parâmetros clínicos e o desaparecimento da E. coli foi mais rápido no grupo tratado com marbofloxacina quando comparado ao grupo tratado com amoxicilina + clavulanato.

  • Marbofloxacina X Danofloxacina

Um estudo cego e comparativo entre tratamentos usando marbofloxacina ou danofloxacina em vacas leiteiras com mastite aguda por E. coli envolveu 354 animais com sinais clínicos. 178 vacas receberam marbofloxacina e 176 receberam danofloxacina.

Grupo marbofloxacina: 10 mg/Kg de marbofloxacina por peso vivo, intramuscular, com aplicação única no dia 0.

Grupo danofloxacina: 6mg/Kg de danofloxacina por peso vivo, subcutânea, com aplicação única no dia 0.

Todos os animais envolvidos receberam aplicação intramamária de oxacilina nos primeiros dias de tratamento. A oxacilina não tem efeito sobre bactérias Gram negativas.

Todos animais passaram por avaliação clínica individual e nestas avaliações foram empregados escores de acordo com: o comportamento ou condição geral dos animais; o apetite; a produção diária; o aspecto do quarto mamário afetado e o aspecto do leite.

Resultados

Os parâmetros primários adotados foram cura clínica, melhoria do estado geral e  retorno à produção de leite até o 15º dia após tratamento. O segundo fator observado foi o desaparecimento da E. coli nas culturas de amostra de leite examinadas ao 15º e ao 27º dia após o tratamento.

Os resultados de escore clínico geral, retorno a produção de leite e redução da temperatura retal, foram melhores para o grupo tratado com marbofloxacina, representando até 4,5% de diferença entre os parâmetros.

Quando avaliada a taxa de cura e melhora no estado geral dos animais, o grupo tratado com marbofloxacina mostrou melhores resultados.

De acordo com os resultados obtidos nos dias das avaliações realizadas após os tratamentos, pode-se observar que os animais tratados com a marbofloxacina apresentaram melhoria contínua e taxa superior de cura clínica quando comparado ao grupo tratado com danofloxacina.  No 15º dia após o tratamento, a taxa de cura foi de 73,6% no grupo tratado com marbofloxacina contra 65,8% do grupo tratado com danofloxacina, como demonstrado no gráfico a seguir:

Os resultados de cura bacteriológica também foram superiores no grupo tratado com marbofloxacina, sustentando a rápida absorção sistêmica e boa distribuição da no organismo o que permitiu chegar a glândula mamária com eficácia e ainda auxiliar na prevenção da bacteremia.

Os estudos sustentam alta eficiência da marbofloxacina nos tratamentos de mastite causadas por bactérias Gram negativas, especificamente Escherichia coli. Este fato permite o rápido retorno às condições normais de saúde, à produção de leite e a cura bacteriológica.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

A relevância da cura de umbigo nos bezerros recém-nascidos

Umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência de enfermidades

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Divulgação/J.A. Saúde Animal

 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

Uma das fases mais críticas da bovinocultura, seja ela de leite ou corte, é a criação de bezerros. O recém-nascido é muito vulnerável devido a sua dificuldade de manter a temperatura e principalmente pelo fato de ser imunologicamente menos competente, dependendo totalmente dos anticorpos advindos do colostro. A ingestão desse importante alimento em quantidade e momento adequado é essencial para a sobrevivência do bezerro, além da ingestão frequente de carboidratos e outros cuidados secundários.

A falha na transferência dos anticorpos da mãe para a cria, o insucesso da absorção dessas proteínas pelo organismo do bezerro, bem como as práticas de manejo e higiene deficientes, são os maiores determinantes de mortalidade nas primeiras semanas de vida. Portanto, minimizar a exposição desses animais aos agentes infecciosos promove maior taxa de sobrevivência, sendo um método fácil e de excelente custo-benefício.

Dentre as causas mais comuns da mortalidade em recém-nascidos destacam-se: as doenças entéricas (principalmente as diarreias), as respiratórias (principalmente a pneumonia), septicemia pós-natal e as onfalites/onfaloflebites (infecções das estruturas umbilicais). Microrganismos comuns de onfalite frequentemente são encontrados em animais com septicemia, comprovando que o umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência das enfermidades citadas acima.

Durante a vida fetal, a comunicação entre o feto e a mãe é feita justamente pela via umbilical. É através do umbigo que chega ao feto o sangue materno rico em nutrientes e oxigênio, além da função de eliminação de catabólitos do novo organismo em desenvolvimento. Após o parto, o umbigo perde sua função, havendo involução dos vasos sanguíneos e úraco, utilizados na comunicação. Há também a união dos músculos próximos da cicatriz umbilical, fechando o acesso do meio externo aos vasos umbilicais. Porém, até que esse processo se complete, há uma porta aberta para infecções.

Para se ter uma ideia, segundo pesquisas há grande incidência de afecções umbilicais em bezerros de leite e de corte, com variação de 28 a 42,2%. Os prejuízos decorrentes das enfermidades umbilicais vão além da mortalidade dos bezerros. Podendo acarretar ainda na falha no desenvolvimento do animal, resultando em lotes refugo, além dos gastos referentes ao tratamento e atendimento veterinário, impactando negativamente na lucratividade da atividade.

Diante do exposto, se faz necessário os cuidados adequados com a colostragem e cura do umbigo. A colostragem permite que o recém-nascido receba os tão valiosos anticorpos que irão protegê-lo até que seu próprio organismo desenvolva sua própria imunidade (imunidade passiva). Esse procedimento é imprescindível, pois pelo fato de a placenta da vaca ser do tipo sindesmocorial, não há transferência de imunidade transplacentária para o feto.

Tão importante quanto a ingestão de colostro, de qualidade e na época adequada, é a cura de umbigo. Esse procedimento garante que não haja mais a entrada de microrganismos pela cicatriz umbilical após sua cura. É um método simples, barato e eficaz, entretanto não soluciona as infecções adquiridas antes do processo de cauterização do umbigo.

Nesse sentido, afim de complementar as práticas de colostragem e cura de umbigo, indica-se a utilização de um medicamento metafilático. A metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano injetável e em doses terapêuticas, destinado ao tratamento e prevenção da manifestação clínica de uma enfermidade em um determinado grupo de risco. Nos Estados Unidos foi comprovado efetividade profilática e terapêutica dessa estratégia, inclusive com melhor desempenho produtivo e taxa de redução de morbidades de até 40% nos animais estudados.

Um princípio ativo muito utilizado para a metafilaxia nos animais recém-nascidos é a Benzilpenicina Benzatina, antimicrobiano eficaz no combate dos microrganismos envolvidos na onfalite e onfaloflebite e suas consequências. O grande diferencial desse antimicrobiano é sua extra longa ação, mantendo concentrações plasmáticas no organismo do bezerro durante todo o primeiro mês de vida, período mais crítico quanto a morbidade e mortalidade. Adicionalmente, indica-se também a utilização de um antiparasitário, de forma a proteger a cicatriz umbilical da infestação por miíases, outro problema muito comum nesse período.

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Fonte: O Presente Rural
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